A reserva de ouro dos BRICS atingiu 17,4%, enquanto a participação do dólar continua a cair.
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A reserva de ouro dos BRICS atingiu 17,4%, enquanto a participação do dólar continua a cair.

Publicado em: 2026-04-07

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  • Os países do BRICS+ detêm agora 17,4% das reservas globais de ouro, um aumento em relação aos 11,2% registrados em 2019. As reservas combinadas ultrapassam 6.000 toneladas.

  • Os bancos centrais compraram 1.237 toneladas de ouro em 2025, o terceiro ano consecutivo acima de 1.000 toneladas. Mais de 40 bancos centrais participaram.

  • De acordo com dados do FMI, a participação do dólar nas reservas cambiais globais caiu para aproximadamente 57% no quarto trimestre de 2025, seu nível mais baixo desde 1994.

  • A Arábia Saudita detém apenas 2,6% de suas reservas em ouro. Uma redução para apenas 5% por parte de um único membro do BRICS+ desse porte poderia absorver um ano inteiro da demanda projetada pelos bancos centrais.


Os bancos centrais compraram mais ouro nos últimos três anos do que em qualquer outro momento da história moderna, e o ritmo não está diminuindo.


Só em 2025, os compradores soberanos adicionaram 1.237 toneladas às suas reservas, um número que supera a produção anual total de minas de vários países produtores de ouro de médio porte. Isso não é demanda especulativa, é política.

BRICS Gold Reserve Is Going Up

Os compradores estão concentrados, mas a tendência é ampla. Rússia, China, Índia, Turquia e Polônia lideraram a acumulação, mas mais de 40 bancos centrais participaram em 2025.


A compra tem sido unidirecional e insensível ao preço, o que significa que os compradores soberanos absorvem a oferta independentemente de o ouro ser negociado a US$ 4.000 ou US$ 5.000.


O acúmulo de ouro dos BRICS

Escala e Concentração

Os países do BRICS+ detêm agora mais de 6.000 toneladas de ouro, representando aproximadamente 17,4% do total das reservas globais dos bancos centrais, um aumento em relação aos 11,2% em 2019. A Rússia lidera com 2.336 toneladas, a China detém 2.298 toneladas e a Índia vem em seguida com 880 toneladas.


Juntas, a Rússia e a China controlam cerca de 74% das reservas totais de ouro do bloco.


Entre 2020 e 2024, os bancos centrais dos países membros do BRICS compraram mais de 50% de todo o ouro adquirido por governos em todo o mundo.


Nos primeiros nove meses de 2025, os países do BRICS adicionaram 663 toneladas, avaliadas em aproximadamente US$ 91 bilhões. O Brasil fez sua primeira compra de ouro desde 2021, adicionando 16 toneladas em setembro de 2025.


O Catalisador: A Lição de 300 Bilhões de Dólares da Rússia

A mudança estrutural remonta a 2022, quando as nações ocidentais congelaram cerca de 300 bilhões de dólares em reservas cambiais russas após a invasão da Ucrânia.


Essa ação enviou uma mensagem clara a todos os bancos centrais que detêm ativos denominados em dólares: as reservas armazenadas no sistema financeiro de outro país podem ser confiscadas.


A resposta foi imediata. As compras de ouro pelos bancos centrais saltaram de aproximadamente 500 toneladas por ano antes de 2022 para mais de 1.000 toneladas anualmente em cada um dos três anos seguintes. O ouro armazenado em cofres nacionais não pode ser congelado ou confiscado pelo sistema SWIFT.


O lado do dólar na equação

A acumulação de ouro é um dos lados dessa mudança. O outro é a diminuição da participação do dólar nas reservas globais. Os dados do COFER do FMI mostram que a participação do dólar caiu de 71% em 1999 para aproximadamente 57% no final de 2025, o menor nível desde 1994.


Gradual, mas persistente

As reservas de ativos denominados em dólares mantidas por bancos centrais estrangeiros permaneceram praticamente estáveis desde 2014. A queda nessa participação não se deve a vendas ativas, mas sim ao crescimento mais acelerado das reservas em euros, ienes, ouro e uma cesta crescente de moedas não tradicionais.


A pesquisa de 2025 do Conselho Mundial do Ouro revelou que 73% dos banqueiros centrais em todo o mundo acreditam que a participação do dólar nas reservas diminuirá ainda mais nos próximos cinco anos. Além disso, 43% dos bancos centrais pesquisados planejam aumentar suas reservas de ouro, ambos índices recordes.


Participação do ouro nas reservas totais

A participação do ouro nas reservas oficiais mais que dobrou, passando de menos de 10% em 2015 para mais de 23% atualmente.


Grande parte disso reflete a valorização do preço do ouro, mas a direção é inegável: os bancos centrais estão alocando uma parcela crescente de seus portfólios ao ouro, e a crise de Hormuz apenas reforçou a urgência.


O curinga saudita

A Arábia Saudita detém aproximadamente 323 toneladas de ouro, apenas 2,6% de suas reservas totais. Para uma nação com mais de 500 bilhões de dólares em reservas, essa alocação é notavelmente baixa.


Uma redução da alocação de ouro para apenas 5% exigiria compras equivalentes à demanda total projetada pelos bancos centrais para 2026, provenientes de um único comprador.


O Reino não anunciou publicamente planos para aumentar suas reservas de ouro, mas sua participação no BRICS+, sua presença na plataforma mBridge e o estreitamento de laços com Pequim apontam para um reposicionamento estratégico que poderia logicamente incluir o ouro.


Preço do ouro e o piso estrutural

O ouro está sendo negociado perto de US$ 4.660 por onça no início de abril de 2026, após uma alta de mais de 60% somente em 2025. Essa valorização elevou consideravelmente as projeções, com o Deutsche Bank apontando para US$ 6.000, o JPMorgan para US$ 6.300, o Goldman Sachs para US$ 5.400 e o Société Générale considerando US$ 6.000 uma previsão conservadora.


A Matemática da Demanda

O Conselho Mundial do Ouro prevê compras de 750 a 850 toneladas por bancos centrais em 2026, número ainda muito acima das médias históricas.


Esse volume representa aproximadamente 20% da oferta global anual de minério, absorvido como um fluxo unidirecional, independentemente do preço. Isso cria um limite estrutural que fez com que cada correção fosse menos acentuada que a anterior.


A demanda dos bancos centrais está sendo reforçada por fluxos institucionais. Os fluxos de entrada em ETFs de ouro aceleraram até 2025, e o setor de seguros da China recebeu alocações-piloto em ouro.


Quando compradores soberanos, institucionais e de varejo se movem simultaneamente na mesma direção, o equilíbrio entre oferta e demanda se torna mais restrito de maneiras que os modelos de preços padrão não conseguem captar.


Sinais a monitorar

Três fatores acelerariam a tendência atual. Primeiro, se a China retomar a divulgação pública de adições às suas reservas de ouro e revelar quantidades maiores do que o esperado, isso seria um catalisador imediato, já que a China não divulga publicamente suas compras desde maio de 2024.


Em segundo lugar, qualquer aumento formal na alocação de ouro por parte da Arábia Saudita ou dos Emirados Árabes Unidos confirmaria que os membros mais recentes do BRICS+ estão seguindo a estratégia da Rússia e da China.


Terceiro, fique atento a novas quedas na participação do dólar nas reservas na próxima divulgação do COFER do FMI, já que cada redução incremental reforça a narrativa que impulsiona a demanda soberana por ouro.


Perguntas frequentes

Qual a quantidade de ouro que os países do BRICS detêm?

Os países do BRICS+ detêm coletivamente mais de 6.000 toneladas de ouro, aproximadamente 17,4% das reservas globais dos bancos centrais. A Rússia lidera com 2.336 toneladas, seguida pela China com 2.298 toneladas e pela Índia com 880 toneladas.


Por que os bancos centrais estão comprando tanto ouro?

O congelamento das reservas russas de US$ 300 bilhões em 2022 acelerou uma tendência que já estava em curso. Os bancos centrais estão diversificando seus ativos, reduzindo a dependência de dólares e investindo em ouro, que não pode ser congelado, alvo de sanções ou confiscado por meio de sistemas de pagamento internacionais.


Qual é a participação atual do dólar nas reservas globais?

A participação do dólar caiu para aproximadamente 57% no quarto trimestre de 2025, seu nível mais baixo desde 1994 e abaixo dos 71% registrados em 1999. Essa queda reflete uma diversificação gradual em outras moedas e ouro, e não uma mudança drástica isolada.


Quais são as principais previsões dos bancos para o preço do ouro em 2026?

O Deutsche Bank prevê US$ 6.000 por onça. O JPMorgan projeta US$ 6.300. O Goldman Sachs estima US$ 5.400. O Société Générale considera US$ 6.000 uma estimativa conservadora. A mediana das estimativas de 30 analistas consultados pela Reuters está em aproximadamente US$ 4.746.


A compra de ouro pela Arábia Saudita poderá influenciar o mercado?

A Arábia Saudita detém apenas 2,6% das reservas globais de ouro. Um aumento modesto para 5% exigiria compras equivalentes à demanda total projetada pelos bancos centrais para 2026, tornando-se um dos catalisadores potenciais mais significativos para o mercado de ouro.


Considerações finais

A mudança das reservas em dólar para o ouro não é uma previsão, mas sim uma tendência, comprovada por três anos de dados, a participação de mais de 40 bancos centrais e mais de 3.000 toneladas de metal depositadas em cofres soberanos desde 2022.


O dólar continua dominante, mas a direção é clara: os bancos centrais estão aumentando suas posições em um ativo que nenhum governo estrangeiro pode congelar, em um ritmo não visto em meio século. O ouro a US$ 4.660 reflete essa realidade, e as previsões acima de US$ 5.000 indicam para onde o mercado acredita que isso irá daqui para frente.


Aviso: Este artigo tem caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Sempre realize sua própria pesquisa antes de tomar decisões de investimento.