Publicado em: 2026-04-13
No primeiro trimestre de 2026, Hong Kong arrecadou HK$ 109,9 bilhões (cerca de US$ 14,1 bilhões) com 40 ofertas públicas iniciais (IPOs), um aumento de 489% em relação ao ano anterior. Este é o seu melhor primeiro trimestre em cinco anos e a maior arrecadação global com IPOs.
O aumento é impulsionado por negócios maiores, e não apenas por um número maior de listagens. As listagens da A+H representaram 15 dos 40 IPOs, mas contribuíram com HK$ 66,9 bilhões (cerca de US$ 8,6 bilhões), ou 61% da receita total.
As empresas emissoras com classificação A+H eram significativamente maiores do que as demais. O IPO médio de uma empresa A+H arrecadou HK$ 4,46 bilhões (cerca de US$ 572 milhões), em comparação com HK$ 1,72 bilhão (cerca de US$ 221 milhões) para empresas que não possuíam essa classificação, uma diferença de 2,6 vezes.
As empresas da nova economia abriram HK$ 73,8 bilhões (cerca de US$ 9,5 bilhões) em 27 ofertas públicas iniciais (IPOs). Empresas de tecnologia especializadas no Capítulo 18C contribuíram com HK$ 19,5 bilhões (cerca de US$ 2,5 bilhões) em seis listagens, destacando o crescente impacto da inteligência artificial, semicondutores e robótica.
As condições do mercado secundário também melhoraram. No final de março, a capitalização de mercado da HKEX atingiu HK$ 45,9 trilhões (cerca de US$ 5,9 trilhões), e o volume médio diário de negócios no primeiro trimestre aumentou 14%, para HK$ 276,7 bilhões (cerca de US$ 35,5 bilhões).

A recuperação de Hong Kong começou antes do primeiro trimestre de 2026. A cidade retomou a liderança global em receita de IPOs no ano de 2025, a primeira desde 2019. O forte desempenho no primeiro trimestre de 2026 confirma o ímpeto da recuperação neste novo ciclo.
Na realidade, as origens dessa recuperação remontam a um período ainda mais antigo. Em abril de 2018, a HKEX reformulou seu regime de listagem para admitir três categorias que antes eram mais difíceis de atrair: empresas de biotecnologia sem receita, emissoras com direito a voto ponderado e empresas qualificadas listadas no exterior que buscam uma listagem secundária em Hong Kong.
Em março de 2021, 146 empresas da nova economia haviam captado HK$ 682,2 bilhões sob essa estrutura, juntamente com 31 empresas de biotecnologia pré-receita e 13 empresas que retornaram à bolsa de valores. O boom atual é mais forte porque se baseia nessa reestruturação anterior do mercado, e não apenas em um sentimento passageiro.
Embora o número principal seja impressionante, é importante distinguir entre abrangência e tamanho. Hong Kong alcançou ambos: mais empresas listadas e essas listagens foram significativamente maiores.
| Métrica | 1º trimestre de 2026 | 1º trimestre de 2025 | O que isso sugere |
|---|---|---|---|
| Receita do IPO | HK$ 109,9 bilhões (US$ 14,1 bilhões) | HK$ 18,7 bilhões (US$ 2,4 bilhões) | Um aumento de quase seis vezes no capital arrecadado |
| Contagem de IPOs | 40 | 15 | Atividade de emissão mais ampla |
| Receita média por IPO | HK$ 2,75 bilhões (US$ 353 milhões) | HK$ 1,25 bilhão (US$ 160 milhões) | Emissores maiores retornaram |
| A+H procede | HK$ 66,9 bilhões (US$ 8,6 bilhões) | Efeito de base mínimo | A dupla listagem na bolsa de valores do continente tornou-se o principal motor de financiamento. |
| Receitas do Capítulo 18C** | HK$ 19,5 bilhões (US$ 2,5 bilhões) | Nada | Tecnologias especializadas tornaram-se viáveis para investimento em larga escala. |
| Faturamento médio diário | HK$ 276,7 bilhões (US$ 35,5 bilhões) | HK$ 242,7 bilhões (US$ 31,1 bilhões) | Melhor liquidez para absorver a nova oferta. |
*Os valores apresentados na tabela utilizam a análise de IPO da KPMG, as estatísticas de mercado da HKEX e cálculos simples baseados nos totais publicados.
**O canal de empresas de tecnologia da HKEX (TECH), que oferece suporte dedicado e arquivamento confidencial para candidatos ao abrigo do Capítulo 18C (e 18A), foi lançado apenas em maio de 2025, após o primeiro trimestre.
A mensagem principal é que Hong Kong não está apenas a acolher mais pequenas empresas na bolsa. Está novamente a atrair grandes emissores que influenciam os rankings globais.
Isso permitiu que a cidade arrecadasse US$ 14,2 bilhões em um trimestre e capturasse 35% da receita global de IPOs, apesar de haver apenas 251 IPOs em todo o mundo, totalizando US$ 42,6 bilhões.
Em resumo, Hong Kong lidera em valor, não apenas em volume.
Isso indica claramente que emissores consolidados, e não novos especuladores, estão impulsionando a atual recuperação.
Uma listagem A+H refere-se a uma empresa listada na China continental que também é listada em Hong Kong, proporcionando acesso a uma base de investidores mais ampla e à captação de recursos no exterior.
No primeiro trimestre de 2026, 15 IPOs de empresas de auditoria e habitação (A+H) captaram HK$ 66,9 bilhões, o que significa que 37,5% das ofertas geraram 61% da receita total. Em 31 de março de 2026, a KPMG reportou 101 pedidos de IPO ativos de empresas de auditoria e habitação, com uma capitalização de mercado combinada de aproximadamente RMB 4,85 trilhões.
A HKEX introduziu o Capítulo 18C em 31 de março de 2023 para estabelecer uma via de listagem para empresas de tecnologia especializadas. No primeiro trimestre de 2026, essa estrutura já havia se tornado significativa.
Empresas de tecnologia especializadas captaram HK$ 19,5 bilhões em seis IPOs no trimestre, em comparação com nenhum no ano anterior. A KPMG identificou tecnologia robótica, inteligência artificial e semicondutores entre os setores representados.
No geral, as ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas da nova economia arrecadaram HK$ 73,8 bilhões, representando cerca de dois terços da receita total de IPOs em Hong Kong no trimestre.
Essa combinação distingue o ciclo atual. As listagens A+H proporcionam escala, credibilidade e reconhecimento, enquanto as listagens do Capítulo 18C oferecem crescimento e acesso a setores voltados para o futuro. Juntas, elas agregam profundidade e uma narrativa convincente ao mercado.
Um mercado de IPOs sustentável exige mais do que apenas algumas grandes ofertas. Requer uma carteira robusta de projetos, diversificação setorial e liquidez suficiente no mercado secundário para sustentar novas emissões. Hong Kong está progredindo em todas essas áreas.
Em 31 de março de 2026, a KPMG reportou 366 pedidos ativos de IPO (Oferta Pública Inicial), o maior número em vários anos. O pipeline é diversificado: TMT (Tecnologia, Mídia e Telecomunicações) representa 35%, saúde e ciências da vida 23% e indústria 21%. Essa diversificação reduz a dependência de uma única tendência ou tema político.
A liquidez também melhorou. No final de março, a capitalização de mercado da HKEX era de HK$ 45,9 trilhões, e o volume médio diário de negociações no primeiro trimestre atingiu HK$ 276,7 bilhões. Embora isso não garanta um forte desempenho após a abertura de capital, permite ofertas maiores.
Fatores globais também contribuem para os ganhos de Hong Kong. A EY descreve o mercado de IPOs de 2026 como aberto, porém seletivo, com investidores focando em grandes emissores com fundamentos sólidos. Na Grande China, a EY observa que mais de 100 empresas com ações A solicitaram dupla listagem como ações H para financiar cadeias de suprimentos no exterior e expansão global. Isso reflete uma tendência estrutural, e não um aumento temporário de financiamento.
O apoio político também desempenha um papel importante. A HKEX concluiu a maioria das consultas sobre a descoberta de preços de IPOs e os requisitos de mercado aberto em agosto de 2025, com as novas regras de listagem entrando em vigor imediatamente. Isso demonstra os esforços contínuos para manter a competitividade.
A KPMG observa que as 10 maiores ofertas públicas iniciais (IPOs) de Hong Kong representaram 63% da receita total no primeiro trimestre de 2026. Embora as grandes empresas emissoras sejam benéficas, essa concentração pode superestimar a força do mercado em comparação com as condições para negócios de menor ou médio porte.
Uma posição sólida na tabela de classificação não garante uma demanda consistente em todos os IPOs.
A KPMG relata que os reguladores tomaram medidas para lidar com a pressão sobre os recursos profissionais e as preocupações com a qualidade dos documentos de listagem em meio ao aumento repentino de solicitações.
Isso é significativo, pois os mercados podem perder força se os recursos profissionais forem sobrecarregados ou se os padrões de divulgação diminuírem à medida que a atividade aumenta.
A EY informou que o aumento das tensões no Oriente Médio elevou a volatilidade no primeiro trimestre, causando alguns atrasos no lançamento de projetos. Outros negócios foram precificados abaixo da meta devido a um ambiente de maior aversão ao risco.
Embora Hong Kong lidere o mundo em receitas de IPOs, ainda assim vivencia períodos de fragilidade, o que reflete seus laços estreitos com os fluxos de capital internacionais.
Hong Kong recuperou a liderança global no ranking anual de 2025 pela primeira vez desde 2019. O primeiro trimestre de 2026 sugere que essa liderança não foi um evento isolado, já que a cidade se manteve em primeiro lugar no trimestre seguinte em termos de receita.
A tecnologia é um fator importante, mas não o único impulsionador. Empresas de tecnologia especializada captaram HK$ 19,5 bilhões no primeiro trimestre, e a carteira de investimentos ativa também inclui importantes empresas dos setores de saúde, ciências da vida e indústria.
Não. Um mercado de IPOs forte reflete a atividade de captação de recursos e a liquidez, mas o desempenho individual das ações depende da avaliação, das condições do setor, da qualidade dos lucros e da tolerância geral ao risco do mercado.
O boom de Hong Kong IPO reflete a melhoria da qualidade do mercado, e não apenas o sentimento do mercado. A cidade está aumentando a captação de recursos atraindo grandes emissores por meio de dois canais principais: listagens A+H na China continental e empresas de tecnologia especializadas.
A maior liquidez nas negociações e uma ampla gama de aplicações reforçam a ideia de que esta recuperação é mais do que temporária.
Contudo, o crescimento permanece concentrado e sensível a mudanças regulatórias e ao sentimento de risco global. Mesmo assim, o primeiro trimestre de 2026 demonstra que Hong Kong não está apenas retornando ao cenário global de IPOs; está moldando-o.
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