A dívida dos EUA se aproxima de US$ 40 trilhões: o que acontece a seguir?
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A dívida dos EUA se aproxima de US$ 40 trilhões: o que acontece a seguir?

Autor:Charon N.

Tradutor: Diego Bonfati

Publicado em: 2026-08-19

A dívida nacional dos Estados Unidos estava a cerca de US$ 13 bilhões da marca de US$ 40 trilhões no registro do Tesouro americano de 17 de agosto. O total da dívida pública em circulação (Total Public Debt Outstanding) chegou a US$ 39.986.657.878.071,92, alta de cerca de US$ 53 bilhões em relação ao dia útil anterior, deixando o patamar de US$ 40 trilhões ao alcance.


Esse marco já foi projetado para 2027. Mas os US$ 40 trilhões não significam que os investidores detenham esse valor em títulos do Tesouro negociáveis, e ultrapassar essa linha não desencadeia, por si só, nenhum evento fiscal ou de mercado.

A dívida dos EUA se aproxima de US$ 40 trilhões

Principais pontos

  • A dívida bruta do governo federal chegou a US$ 39,99 trilhões em 17 de agosto de 2026, faltando cerca de US$ 13 bilhões para os US$ 40 trilhões na contagem diária do Tesouro.

  • Cerca de quatro quintos do total, algo em torno de US$ 32,23 trilhões, é dívida em poder do público, com aproximadamente US$ 7,76 trilhões em participações intragovernamentais.

  • Ultrapassar os US$ 40 trilhões não produz nenhum evento financeiro ou econômico automático. Trata-se apenas de um número redondo em uma série contábil diária.

  • Déficits, despesas com juros, necessidades trimestrais de captação, a relação entre dívida e PIB e os rendimentos exigidos pelos compradores descrevem muito melhor a pressão por trás da manchete do que o número em si.


A que distância a dívida dos EUA está de US$ 40 trilhões?

A série Debt to the Penny, do Tesouro americano, mostrou que o total da dívida pública em circulação estava em US$ 39,99 trilhões em 17 de agosto, após um aumento de cerca de US$ 53 bilhões em relação ao dia útil anterior. Isso deixa aproximadamente US$ 13 bilhões antes de o contador atingir os US$ 40 trilhões.


A dívida bruta do governo federal ultrapassou os US$ 38 trilhões em outubro de 2025 e os US$ 39 trilhões em março de 2026, o que significa que cada um dos dois últimos avanços de US$ 1 trilhão levou cerca de cinco meses. A captação também tem avançado mais rápido do que previam projeções anteriores. 


Ainda em fevereiro, o Congressional Budget Office (CBO), órgão de orçamento do Congresso dos EUA, esperava que a dívida total encerrasse este ano fiscal mais próxima de US$ 39,4 trilhões, enquanto projeções anteriores do próprio CBO apontavam a dívida bruta alcançando US$ 40 trilhões apenas em 2027.


Relógios da dívida em tempo real fazem interpolação entre as atualizações diárias do Tesouro, por isso alguns já exibem um valor acima de US$ 40 trilhões. A ultrapassagem confirmada, porém, é a que aparece no Debt to the Penny, que o Tesouro descreve como sua medida diária da dívida total do governo americano.


O que compõe, de fato, os US$ 40 trilhões?

O Tesouro constrói esse número a partir de dois componentes:


  • Dívida pública total em circulação = dívida em poder do público + participações intragovernamentais


Indicador Valor Participação no total O que representa
Dívida pública total em circulação US$ 39,99 tri 100% Dívida bruta do governo federal se aproximando de US$ 40 trilhões
Dívida em poder do público US$ 32,23 tri 80,6% Dívida federal em poder de agentes fora das contas do governo dos EUA
Participações intragovernamentais US$ 7,76 tri 19,4% Títulos do Tesouro em poder de contas do governo federal

Fonte: Debt to the Penny, do Tesouro dos EUA, 17 de agosto de 2026.


A dívida em poder do público abrange a dívida federal detida por pessoas físicas, empresas, governos estaduais e municipais, os Bancos do Federal Reserve, governos estrangeiros e outras entidades fora do governo americano. Ela inclui tanto títulos do Tesouro negociáveis quanto não negociáveis, e é a parcela mais diretamente ligada ao financiamento externo do governo e às condições do mercado de títulos do Tesouro.


As participações intragovernamentais são compostas principalmente por títulos da série Government Account Series, mantidos por fundos fiduciários federais, fundos rotativos e fundos especiais. São obrigações federais genuínas, mas ficam dentro de contas do governo, e não em poder de investidores externos.


Portanto, a manchete dos US$ 40 trilhões não descreve US$ 40 trilhões parados em carteiras de investidores em títulos do Tesouro.


Quão grande são os US$ 40 trilhões em comparação com a economia dos EUA?

Um valor nominal, isoladamente, diz pouco, então a forma padrão de dimensioná-lo é compará-lo à produção anual do país. No cenário-base do CBO divulgado em fevereiro, a dívida federal em poder do público equivale a cerca de 101% do PIB no ano fiscal de 2026, ante 99% um ano antes, com projeção de chegar a 108% até 2030. Esse patamar superaria o recorde do pós-guerra de 106%, registrado em 1946.


A relação dívida/PIB dá mais contexto ao número de US$ 40 trilhões, embora esse indicador, isoladamente, não determine a sustentabilidade da dívida. O custo da captação, o perfil de vencimento dos títulos em circulação, o crescimento nominal da economia e as condições de financiamento também moldam esse peso. 


Para uma comparação mais ampla, veja os países com as maiores relações entre dívida e PIB.


O custo de carregar a dívida também está subindo

Um estoque maior de dívida gera uma conta de juros maior. Títulos emitidos em anos de juros mais baixos também estão vencendo, obrigando o Tesouro a refinanciá-los às taxas de mercado atuais. A taxa média de todos os títulos do Tesouro que pagam juros era de 3,41% ao final de junho, ainda abaixo dos rendimentos disponíveis em boa parte da dívida emitida recentemente.


O efeito aparece no orçamento. As despesas líquidas com juros somaram US$ 931 bilhões até julho de 2026, superando os US$ 804 bilhões gastos com defesa nacional e se aproximando dos US$ 955 bilhões do Medicare no mesmo período.


A emissão de títulos também não desacelerou. O Tesouro espera captar US$ 739 bilhões em dívida líquida negociável em mãos privadas no trimestre de julho a setembro, e mais US$ 628 bilhões entre outubro e dezembro, o que ajuda a explicar a pressão observada na ponta longa do mercado de títulos do Tesouro.


US$ 40 trilhões é um marco. O próximo trilhão ainda precisa ser financiado

Além dos US$ 40 trilhões, as condições de financiamento da captação adicional se tornam o sinal de mercado mais relevante.


O déficit chegou a cerca de US$ 1,8 trilhão nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, já acima do total registrado em todo o ano fiscal de 2025, o que significa que novos títulos precisam continuar encontrando compradores.


O Tesouro também está captando esses recursos em um mercado concorrido. Governos e empresas de economias desenvolvidas estão emitindo volumes incomumente altos de títulos ao mesmo tempo, e o recorde na emissão global de títulos significa que os compradores de papéis do Tesouro têm outras opções concorrentes. Quando a oferta é pesada em vários mercados ao mesmo tempo, o rendimento exigido para escoar essa captação ganha ainda mais importância.


Alguma coisa realmente acontece quando a dívida dos EUA chega a US$ 40 trilhões?

Nenhum evento financeiro automático ocorre quando a dívida dos EUA ultrapassa os US$ 40 trilhões.


O Tesouro não se torna insolvente, e sua capacidade de pagamento permanece a mesma no dia seguinte. Os rendimentos não sobem mecanicamente só porque um contador muda de dígito. As ações não caem automaticamente. A composição da dívida não muda de um lado ou outro dessa linha, e nenhuma cláusula contratual, gatilho de classificação de risco ou dispositivo legal é acionado ao se chegar a US$ 40 trilhões.


Os números que realmente movem as condições de financiamento são a dívida em poder do público, o déficit anual, as despesas federais com juros, as necessidades trimestrais de captação, os rendimentos de longo prazo, a demanda nos leilões e a trajetória da relação entre dívida e PIB. São eles que mostram se o peso do financiamento está aumentando.


Para os mercados, vai importar mais quanto custará a Washington financiar o próximo trilhão do que o momento exato em que o contador passar de 39 para 40.


Perguntas frequentes

A dívida nacional dos EUA já chegou a US$ 40 trilhões?

Ainda não, de acordo com o último registro confirmado pelo Tesouro. O total da dívida pública em circulação estava em US$ 39,99 trilhões em 17 de agosto de 2026, cerca de US$ 13 bilhões abaixo desse patamar.


O que está incluído na dívida nacional dos EUA?

A dívida bruta do governo federal combina a dívida em poder do público com as participações intragovernamentais. Na divisão de 17 de agosto, cerca de US$ 32,23 trilhões estavam em poder de agentes fora das contas do governo, e US$ 7,76 trilhões eram participações intragovernamentais.


O que acontece quando a dívida dos EUA chega a US$ 40 trilhões?

Nada muda mecanicamente ao se atingir esse patamar. O custo do serviço da dívida, o déficit anual, a emissão de títulos pelo Tesouro, a demanda dos investidores e a dívida medida em relação ao tamanho da economia são indicadores muito mais úteis para avaliar as consequências financeiras.


Conclusão

O patamar de US$ 40 trilhões será historicamente significativo, ainda que o número em si mude pouco a forma como os Estados Unidos financiam suas obrigações. Os indicadores mais relevantes estão por trás dele: a dívida em poder do público, o déficit anual, o custo líquido dos juros e os rendimentos exigidos para continuar absorvendo a nova oferta de títulos do Tesouro. Essas medidas é que vão mostrar se o peso do financiamento está se tornando de fato mais difícil de carregar.


Por isso, o próximo trilhão importa mais do que o marco em si. Se os déficits continuarem grandes e os custos de refinanciamento permanecerem elevados, Washington vai precisar seguir emitindo volumes substanciais de dívida em um mercado que já exige uma remuneração maior nos vencimentos mais longos. 


Os mercados vão se importar menos com o dia em que a dívida dos EUA ultrapassar os US$ 40 trilhões do que com quanto vai custar financiar os próximos US$ 41 trilhões.

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