Publicado em: 2026-01-07
Atualizado em: 2026-01-08
Os preços do petróleo estão em queda, pois o mercado deixou de valorizar a escassez. Com a oferta superando a demanda, o excesso de barris é armazenado, e o aumento dos estoques transforma o comércio de petróleo bruto, antes impulsionado pelo medo, em um comércio impulsionado pela saúde financeira do mercado. Os preços caem até que a produção diminua, a demanda aumente ou os produtores reduzam a oferta.
A atual fraqueza dos preços segue um padrão conhecido: quando se espera um excedente, qualquer notícia relacionada à oferta pode acelerar as quedas. Relatórios recentes sobre a chegada de barris adicionais de petróleo venezuelano aos Estados Unidos reforçaram as expectativas de ampla oferta e fraca demanda sazonal no início de 2026.

O desenvolvimento na Venezuela é significativo como um sinal, e não como um evento isolado. Em um mercado que antecipa excesso de oferta em 2026, mesmo a possibilidade de mais barris pode pressionar os preços. Como o petróleo é precificado na margem, pequenas mudanças nos fluxos esperados podem ter efeitos desproporcionais.
O destino do fornecimento adicional também é importante. Barris redirecionados podem pressionar os preços locais para baixo e influenciar as referências globais, especialmente quando o sentimento do mercado já é negativo.
A maneira mais confiável de reduzir os preços do petróleo não é uma queda drástica na demanda. É um excedente constante que envia barris para os tanques. Quando os estoques aumentam semana após semana, os vendedores começam a competir pelos compradores, e o preço se torna a ferramenta que equilibra o mercado.
Essa dinâmica torna as expectativas de estoque para 2026 extremamente influentes. A previsão de aumentos contínuos nos estoques faz com que as altas se dissipem, já que o mercado espera mais petróleo do que pode ser absorvido aos preços atuais.
A curva de futuros também sinaliza as condições de mercado. O contango, quando os preços futuros excedem os preços à vista, geralmente indica excesso de oferta e aumento das necessidades de armazenamento. Essa estrutura pode limitar as recuperações de preços, já que armazenar petróleo se torna preferível às compras imediatas.
A desaceleração é impulsionada pelo crescimento constante e diversificado da oferta de países não pertencentes à OPEP. Quando múltiplas fontes contribuem para o aumento da oferta, torna-se mais difícil para qualquer grupo compensar o excedente sem disciplina consistente.
Isso representa um desafio estratégico para 2026. Se o crescimento da oferta de países não pertencentes à OPEP+ continuar, a OPEP+ terá que escolher entre cortes mais profundos para sustentar os preços, aceitar preços mais baixos para manter a participação de mercado ou adotar uma abordagem intermediária para reduzir a volatilidade.
A demanda global por petróleo continua a aumentar em muitas previsões, mas o crescimento é modesto. Esse é o meio-termo desconfortável, onde os preços ainda podem cair. A demanda não precisa entrar em colapso para que o preço do petróleo caia. Basta que cresça mais lentamente do que a oferta.
Existem pontos positivos, especialmente em grandes regiões importadoras, onde preços mais baixos podem incentivar o uso de combustíveis. Mas o forte consumo em uma única região não é suficiente por si só. Para reequilibrar a economia global, a demanda precisa ser ampla e sustentada nas principais economias.
A OPEP+ pode orientar a direção do mercado, mas não pode fixar um preço específico. Sua influência depende de credibilidade, coordenação e implementação eficaz. Os mercados reagem a mudanças políticas reais que afetam o equilíbrio da oferta.
A OPEP+ suspendeu os aumentos de produção planejados até o início de 2026, alegando demanda sazonal e condições de mercado. Essa suspensão ajuda marginalmente, evitando o aumento da oferta.
No entanto, uma pausa não resolve o excedente existente. Se os estoques continuarem a aumentar, o mercado normalmente busca uma pausa mais longa, cortes mais profundos ou uma aplicação mais rigorosa dos limites.
Esta é a opção menos disruptiva e pode desacelerar a queda dos preços, mas pode ser insuficiente se a oferta e os estoques de países não pertencentes à OPEP continuarem a aumentar.
Esta é a forma mais rápida de sustentar os preços, reduzindo diretamente o excedente. No entanto, apresenta desafios políticos e fiscais, uma vez que os cortes diminuem a receita dos membros dependentes do volume e dificultam o cumprimento das normas em um contexto de pressão orçamentária.
Este é o cenário que os mercados mais temem durante recessões. Se os produtores se concentrarem no volume, os preços podem cair até que os fornecedores de custo mais elevado reduzam a produção e a demanda aumente.
Os grupos de produtores geralmente agem quando as quedas de preço se tornam suficientemente severas para justificar cortes e quando acreditam que os concorrentes não substituirão rapidamente a oferta perdida. A faixa de US$ 50 a US$ 60 é significativa: se os preços permanecerem nesse patamar, uma abordagem cautelosa pode ser suficiente, mas novas quedas aumentam a pressão por medidas mais drásticas.
Uma queda para US$ 50 normalmente requer múltiplos fatores de baixa. Isso ocorre quando o mercado detém excesso de petróleo e não possui razões convincentes para manter as posições.

Um cenário provável para 2026 é uma ampla faixa de negociação, com as altas perdendo força a menos que os estoques se reduzam consistentemente. Em um cenário de excedente, os preços sofrem, pois os vendedores se protegem com base na alta e os produtores demoram a reduzir a oferta até que as perdas sejam evidentes.
O excedente aumenta no início de 2026, conforme confirmado por diversos aumentos consecutivos nos estoques.
A OPEP+ demonstra paciência, o que significa que não haverá cortes mais profundos além da pausa atual.
Nesse cenário, US$ 50 não é uma previsão drástica. Representa um nível de equilíbrio em que o mercado antecipa restrição de oferta, crescimento mais lento da produção e demanda mais forte para iniciar o reequilíbrio.
Mesmo com excesso de oferta, os preços do petróleo não caem em linha reta. Problemas logísticos, de refinaria, restrições de transporte e gargalos regionais podem apertar mercados específicos, apesar de um equilíbrio global instável.
Caso esses atritos aumentem, os preços podem se estabilizar acima de US$ 50, apesar do excedente, já que a escassez local sustenta as margens e atrai barris pelo sistema.
Tendências de estoque: Semanas isoladas são menos importantes do que padrões sustentados ao longo de várias semanas.
Curva de futuros: Um contango mais profundo geralmente sinaliza excesso de oferta e pressão sobre os estoques.
Orientações da OPEP+: se a pausa será prorrogada e se as diretrizes de conformidade se tornarão mais rigorosas.
Dinamismo da oferta fora da OPEP: Monitore a taxa de crescimento fora da estrutura da OPEP+.
Força da demanda nos principais importadores: Uma demanda ampla e sustentada é necessária para mudar a narrativa do mercado.
Os preços do petróleo estão em queda devido a preocupações com o excesso de oferta e o aumento dos estoques. Novas notícias sobre a oferta reforçam as expectativas de entrada de mais barris no mercado durante um período de demanda sazonalmente fraca.
A OPEP+ pode desacelerar ou reverter as quedas removendo oferta suficiente por um período prolongado para alterar as tendências de estoque. Uma breve pausa nos aumentos planejados pode ajudar, mas o acúmulo persistente de estoques geralmente exige medidas mais drásticas.
O petróleo a US$ 50 é possível se o excedente aumentar no início do ano e a resposta dos produtores for limitada. Nesse cenário, US$ 50 funciona como um nível de equilíbrio que reduz a oferta e estimula uma demanda mais forte.
O contango ocorre quando os preços futuros excedem os preços à vista, geralmente refletindo excesso de oferta e aumento das necessidades de armazenamento. Essa estrutura pode limitar altas nos preços, já que manter estoque se torna mais atraente do que compras imediatas.
Nem sempre. Os preços da gasolina dependem das condições de refino, dos estoques de combustível, dos impostos e das cadeias de suprimentos locais. Embora o petróleo bruto seja um insumo fundamental, o momento e a magnitude das mudanças de preço podem variar.
Os preços do petróleo estão caindo porque a produção global excede a demanda aos preços atuais, levando a maiores expectativas de armazenamento. Notícias sobre oferta têm maior impacto quando reforçam a narrativa mais ampla de excedente, provocando reações rápidas do mercado em condições de baixa.
A OPEP+ só conseguirá sustentar os preços alinhando suas políticas à magnitude do excedente. Suspender os aumentos planejados ganha tempo, mas não elimina o excesso de oferta. Se os estoques continuarem a subir até o início de 2026, novas quedas são prováveis, tornando o patamar de US$ 50 uma questão prática de tempo e resposta dos produtores.
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