Publicado em: 2026-07-22
Atualizado em: 2026-07-22
Quase todos os Estados soberanos têm dívidas. Liechtenstein, Brunei, Tuvalu e Turcomenistão iniciam 2026 com dívidas públicas entre 0,5% e 3,7% do PIB, em comparação com uma média global próxima de 94%. No entanto, os países mais próximos de zero frequentemente dependem do petróleo, de doações estrangeiras ou de relatórios fiscais que deixam partes do setor público fora do alcance da transparência.

Liechtenstein lidera com 0,5% do PIB, seguido por Brunei com 1,5%, Tuvalu com 3,2% e Turcomenistão com 3,7%, mostrando o quão excepcional Liechtenstein continua sendo, mesmo dentro do grupo de menor endividamento do mundo.
Liechtenstein garante sua dívida próxima de zero com ativos financeiros governamentais líquidos acima de 140% do PIB, o que lhe confere a reserva financeira mais sólida entre os quatro países.
Brunei registrou um déficit fiscal de 11,8% em 2023/24 sem recorrer a empréstimos, dependendo, em vez disso, de reservas financeiras acumuladas durante anos de maior atividade do setor de petróleo e gás.
A relação dívida/PIB de Tuvalu, de 3,2%, oferece pouca proteção contra os custos climáticos, enquanto o índice de 3,7% do Turcomenistão apresenta menor transparência do que o título sugere.
Macau e Niue não possuem dívida pública. Seu status político os distingue de estados soberanos, com Macau sendo governada como uma Região Administrativa Especial da China e Niue operando em livre associação com a Nova Zelândia.
A ampla métrica do FMI considera que todos os Estados soberanos têm um índice de crescimento acima de zero. Os quatro menores índices previstos para 2026 são apresentados abaixo.
| País | dívida de 2026 | O que a proporção não mostra |
|---|---|---|
| Liechtenstein | 0,5% do PIB | Grandes ativos, mas riscos de exportação e envelhecimento. |
| Brunei | 1,5% do PIB | Riqueza petrolífera, mas forte dependência de hidrocarbonetos |
| Tuvalu | 3,2% do PIB | Apoio financeiro, mas exposição severa às mudanças climáticas. |
| Turcomenistão | 3,7% do PIB | Receita do gás, mas transparência fiscal limitada. |
Sua posição é ainda mais incomum em um ano em que a emissão global de títulos deve atingir US$ 29 trilhões.
O Liechtenstein possui a posição geral mais sólida, pois seu índice de endividamento de 0,5% é respaldado por grandes ativos públicos, superávits recorrentes e contas transparentes.

O governo de Liechtenstein descreve o país como não tendo dívida pública. O FMI usa a descrição mais precisa de "virtualmente zero", porque sua medida mais abrangente para o governo geral inclui empréstimos de curto prazo contraídos por municípios, equivalentes a cerca de 0,5% do PIB. A diferença decorre do escopo da contabilização, e não de uma divergência.
O governo registrou um superávit fiscal de 2,8% do PIB em 2025, enquanto os ativos financeiros líquidos do governo geral permaneceram acima de 140% do PIB. Esses ativos permitem que Liechtenstein absorva uma recessão sem emitir novas dívidas.
A principal pressão vem do envelhecimento da população e de uma economia fortemente voltada para a exportação, exposta à fraca demanda externa e à valorização do franco suíço. A dívida próxima de zero coloca o governo em uma posição excepcionalmente favorável para arcar com esses custos.
O governo de Brunei não registrou pagamentos de dívida ou juros em 2023/24, embora o FMI projete uma dívida pública geral mais ampla de 1,5% do PIB em 2026. O valor zero anterior e a projeção posterior refletem diferentes períodos de reporte e abrangência fiscal.
O governo registrou um déficit equivalente a 11,8% do PIB em 2023/24 sem recorrer a empréstimos. Os depósitos acumulados durante os anos de maior atividade do petróleo e gás cobriram o déficit.
A receita proveniente de hidrocarbonetos caiu de 24,5% do PIB em 2022/23 para 13% um ano depois, representando quase metade da sua participação na economia. Brunei pode continuar a recorrer aos depósitos do governo, mas os défices persistentes acabarão por forçar o país a reduzir as despesas, vender mais ativos ou emitir novas dívidas.
A dívida pública de Tuvalu está projetada em 3,2% do PIB em 2026. Doações, receitas de licenças de pesca e projetos financiados por parceiros de desenvolvimento reduzem o montante que o governo precisa tomar emprestado.
Essas fontes de financiamento também limitam a independência fiscal. A receita da pesca pode flutuar, enquanto as principais infraestruturas e serviços públicos permanecem dependentes de apoio externo.
A adaptação climática exige recursos muito além da capacidade da pequena economia doméstica de Tuvalu. Uma dívida próxima de zero reduz os custos com juros, mas não consegue financiar a escala de proteção que o país pode precisar.
A dívida pública do Turcomenistão está projetada em 3,7% do PIB em 2026. A receita da exportação de gás e a contenção dos gastos de capital reduziram a necessidade de empréstimos convencionais.
Os dados divulgados apresentam um panorama menos completo do que os disponíveis para Liechtenstein ou Brunei. A divulgação de informações sobre empresas estatais e o setor público em geral ainda é limitada, o que dificulta a avaliação de alguns passivos vinculados ao governo.
Uma queda prolongada na receita do gás pressionaria o orçamento e testaria a margem fiscal existente além do valor divulgado.
Macau e Niue não apresentam dívida pública. Macau é uma Região Administrativa Especial da China, enquanto Niue é autogovernada em livre associação com a Nova Zelândia e não é membro da ONU.
Seu status político coloca ambos fora da comparação entre os quatro países soberanos.
Singapura possui uma dívida pública bruta próxima a 172% do PIB, mais de 300 vezes a proporção de Liechtenstein. Esse número reflete a forma como o governo administra as poupanças e os mercados financeiros, e não os gastos deficitários rotineiros.
Singapura detém ativos financeiros substanciais e restringe a forma como os recursos obtidos por meio de empréstimos podem ser utilizados. Os títulos do governo servem de apoio às poupanças para pensões, à gestão de reservas e ao mercado interno de títulos.
A dívida bruta mostra o que um governo deve sem revelar seus ativos. Os ativos e a estrutura de empréstimos de Singapura tornam suas finanças públicas muito mais sólidas do que o índice de 172% sugere. Liechtenstein demonstra o poder de uma dívida próxima de zero lastreada em ativos, enquanto Singapura mostra que a solidez financeira não exige dívida zero.
Liechtenstein apresenta a menor projeção de dívida bruta do governo geral entre os estados soberanos, em torno de 0,5% do PIB.
O governo nacional de Liechtenstein se declara livre de dívidas. O FMI registra uma dívida próxima a 0,5% do PIB, pois sua métrica mais abrangente inclui empréstimos municipais de curto prazo. As duas descrições refletem diferentes limites contábeis, e não condições financeiras conflitantes.
Macau e Niue não apresentam dívida pública. Macau é uma Região Administrativa Especial da China, enquanto Niue é autogovernada em livre associação com a Nova Zelândia e não é membro da ONU.
Singapura emite títulos do governo para apoiar as poupanças para pensões, gerir as reservas e manter um mercado de títulos interno funcional. Os recursos obtidos não podem ser utilizados em despesas rotineiras, enquanto os ativos financeiros públicos compensam o elevado valor da dívida bruta.
Uma economia grande poderia reduzir a dívida por meio de superávits sustentados, crescimento mais acelerado, inflação ou venda de ativos. Chegar a zero também eliminaria uma importante fonte de ativos financeiros seguros e deixaria menos flexibilidade fiscal durante recessões, guerras ou emergências nacionais.
O relatório Perspectivas da Economia Mundial do FMI, de outubro de 2026, mostrará se Liechtenstein, Brunei, Tuvalu e Turcomenistão ainda possuem os quatro menores índices de dívida pública do mundo. Novos empréstimos, saques de reservas ou uma divulgação mais abrangente das informações do setor público podem alterar essa classificação.
A classificação pode mudar em outubro. O verdadeiro teste é se esses baixos índices ainda se baseiam em ativos, receitas estáveis e contas públicas íntegras.