Publicado em: 2026-01-26
O ouro atingiu patamares de preço que seriam considerados impossíveis há poucos anos. No movimento mais recente, o XAU/USD ultrapassou a marca de US$ 5.090 e registrou uma nova máxima histórica próxima a US$ 5.090,81.

No momento da redação deste texto, o ouro à vista (XAU/USD) estava em torno de US$ 5.080, com alta de aproximadamente 1,87% na sessão, e uma variação intradiária de cerca de US$ 4.982,91 a US$ 5.090,81.
Portanto, os investidores agora estão fazendo duas perguntas simples:
Por que o preço de ouro subiu tão rapidamente?
Será que a próxima grande meta é atingir US$ 5.400, um patamar que o Goldman Sachs agora destaca em sua previsão atualizada para o final de 2026?

O preço de ouro ultrapassou a marca de US$ 5.090, com investidores buscando segurança em meio à desvalorização do dólar americano, enquanto as compras de bancos centrais e a nova demanda privada mantiveram o mercado sob controle.
Eis os principais fatores que motivaram essa mudança:
A procura por ativos de refúgio aumentou à medida que os riscos geopolíticos e políticos cresceram.
A desvalorização do dólar americano geralmente impulsiona o preço do ouro, pois este é cotado em dólares.
Durante anos, os bancos centrais têm sido compradores significativos de ouro, e essa demanda consistente estabeleceu um novo nível de suporte.
Uma forte ruptura técnica impulsionou ainda mais o preço, e os indicadores atuais sugerem que, embora o ouro possa estar sobrevalorizado, ele permanece em uma tendência de alta.
O ouro geralmente se valoriza quando os investidores têm dificuldade em avaliar o risco. Por exemplo, o aumento das tensões geopolíticas e as incertezas tarifárias em 2026 têm levado os investidores a buscar ativos tradicionalmente considerados refúgio seguro.
Isso é significativo porque o ouro deixou de ser apenas uma "história sobre inflação". Ele também representa uma história de confiança, especialmente quando os investidores se preocupam com a estabilidade das moedas, as regras comerciais e as alianças globais.
O preço do ouro é cotado em dólares americanos, o que faz com que o dólar atue como uma força gravitacional sobre os preços do ouro.
Quando o dólar se desvaloriza, o ouro muitas vezes se valoriza mesmo que nada mais mude, porque os compradores globais podem pagar menos euros, ienes ou libras pela mesma onça do metal.
Na semana passada, o dólar caiu aproximadamente 1,9% em relação a uma cesta de moedas principais, e essas flutuações podem influenciar rapidamente os preços do ouro.
O panorama do mercado de hoje também mostrou o Índice do Dólar em queda, o que está em consonância com um cenário favorável para o ouro.
Os bancos centrais têm comprado ouro a um ritmo que teria parecido extremo em ciclos anteriores. Os dados do Conselho Mundial do Ouro para 2024 mostram compras líquidas de 1.045 toneladas, com compras acima de 1.000 toneladas por três anos consecutivos.
Essa demanda constante pode restringir a oferta do mercado e reduzir o impacto da realização de lucros a curto prazo.
O Conselho Mundial do Ouro também destacou que muitos gestores de reservas esperam que a participação do dólar americano nas reservas continue a diminuir ao longo do tempo. Em sua pesquisa, 73% dos entrevistados previram que a participação do dólar seria menor em cinco anos.
Além disso, em sua Pesquisa de Reservas de Ouro de Bancos Centrais de 2025, o Conselho Mundial do Ouro também constatou que 95% dos entrevistados esperam que as reservas globais de ouro dos bancos centrais aumentem nos próximos 12 meses, e 43% esperam que suas próprias reservas aumentem.
O ouro costuma se beneficiar quando a diversificação das reservas se torna um tema estratégico.
O Goldman Sachs elevou sua previsão para o preço do ouro no final do ano para US$ 5.400 por onça, citando compradores privados que competem com os bancos centrais pelo metal precioso.
Goldman também salientou que a oferta de ouro não se ajusta rapidamente a preços mais altos, uma vez que a maior parte do ouro já existe e a produção de novas minas é relativamente pequena em comparação com o estoque total.
Essa situação pode prolongar as altas de preços além do que o mercado prevê, principalmente quando os fluxos de entrada em ETFs forem retomados.
Mesmo quando os fundamentos são favoráveis, uma ruptura abrupta pode alimentar ainda mais a polêmica.
No gráfico, o ouro vem apresentando sinais de alta em diversos indicadores-chave, e o preço atingiu hoje uma nova máxima de 52 semanas.

A projeção para US$ 5.400 não é algo leviano, mas agora faz parte do debate público, visto que pelo menos um grande banco já divulgou essa meta para o final do ano.
Para contextualizar, o Goldman Sachs agora prevê um preço de US$ 5.400 até o final de 2026, acima da estimativa anterior de US$ 4.900.
O principal argumento do Goldman Sachs é que a demanda se ampliou e que as compras dos bancos centrais permanecem estruturalmente fortes.
Se o ouro já estiver acima de US$ 5.000 em janeiro, o mercado agora se concentrará em saber se a demanda permanecerá intensa o suficiente para manter os preços elevados, em vez de retornar à média para baixo.
Se o dólar americano permanecer fraco, o ouro geralmente se mantém sustentado.
Se os bancos centrais continuarem a comprar ativos a um ritmo elevado, é provável que o mercado permaneça restrito.
Se a procura por investimentos privados, como ETFs e opções, continuar a crescer, os preços poderão ultrapassar as expectativas.
Se as notícias sobre aversão ao risco continuarem frequentes, a procura por ativos de refúgio pode manter-se estável.
Se a tensão geopolítica diminuir, a procura por ativos de refúgio pode cair.
Se os rendimentos reais aumentarem, o ouro poderá ter dificuldades, pois não paga juros.
Caso o Federal Reserve indique que planeja menos cortes nas taxas de juros do que o mercado prevê, o ouro poderá perder seu ímpeto de alta.
No que diz respeito ao Fed, os investidores estão acompanhando de perto a próxima reunião, esperando que o Fed mantenha as taxas de juros estáveis.
Do ponto de vista da análise técnica, o ouro está em uma forte tendência de alta no gráfico diário, mas o ímpeto está agora esticado.
| Indicador | Valor | Sinal |
|---|---|---|
| RSI (14) | 80,947 | Sobrecomprado |
| MACD (12,26) | 42,22 | Comprar |
| ADX (14) | 56,635 | Comprar |
| ATR (14) | 26.0221 | Alta volatilidade |
Os indicadores diários mostram o RSI (14) próximo de 80,95, indicando uma condição de sobrecompra.
| Nível (pivôs clássicos) | Preço |
|---|---|
| S1 | 5.038,64 |
| Pivô | 5.062,05 |
| R1 | 5.094,50 |
| R2 | 5.117,91 |
Como ler as tabelas:
Os compradores geralmente querem que o preço se mantenha acima da área de pivô próxima de US$ 5.062 em recuos.
Os ursos costumam procurar uma queda abaixo de US$ 5.038 a US$ 5.040, porque isso pode sinalizar que a alta está falhando no curto prazo.

O calendário oficial do Federal Reserve indica que a próxima reunião do FOMC está marcada para 27 e 28 de janeiro de 2026.
Quando o Fed está prestes a anunciar sua decisão, os investidores em ouro observam o dólar, os rendimentos reais e o tom das orientações da comissão mais do que a decisão específica sobre a taxa de juros.
A cobertura recente da inflação medida pelo PCE indica que o mercado ainda debate se a inflação está diminuindo rápido o suficiente para justificar cortes confortáveis nas taxas de juros.
Se a inflação se mostrar persistente, o ouro ainda pode subir caso os investidores acreditem que a credibilidade das políticas esteja enfraquecendo, mas a trajetória pode se tornar mais volátil.
Se as ameaças de tarifas voltarem repentinamente, o preço de ouro pode oscilar antes mesmo da abertura do mercado de ações.
Se os riscos tarifários diminuírem ao longo de um período prolongado, o ouro normalmente precisa de outro catalisador, como um dólar mais fraco ou um aumento nos fluxos de entrada em ETFs, para manter seu ímpeto de alta.
O ouro ultrapassou a marca de US$ 5.090 com o aumento da demanda por ativos de refúgio e a desvalorização do dólar americano. As compras por bancos centrais e a retomada da demanda privada também contribuíram para manter a pressão de alta sobre os preços.
Uma alta para US$ 5.400 é possível, dependendo de fatores como um dólar mais fraco, compras contínuas por bancos centrais e demanda persistente por segurança. O Goldman Sachs publicou uma meta de US$ 5.400 para o final do ano, o que mantém esse nível em foco.
O ouro parece sobrecomprado em alguns indicadores diários. Por exemplo, o RSI (14) próximo de 80,95 está em território de sobrecompra, o que pode aumentar o risco de fortes correções mesmo em uma tendência de alta acentuada.
Uma redução sustentada do risco comercial, um dólar americano mais forte ou uma forte alta nos rendimentos reais podem arrefecer a procura por ouro e desencadear a realização de lucros após uma valorização rápida.
Em conclusão, a superação dos US$ 5.090 pelo ouro não é apenas um evento gráfico. Reflete um mercado que está pagando mais por segurança, buscando proteção contra um dólar mais fraco e ainda absorvendo uma forte demanda de longo prazo de bancos centrais e investidores privados.
A próxima fase dependerá de o cenário de risco permanecer tenso e de as taxas de juros e o dólar continuarem a apresentar valores favoráveis.
Se esses fatores permanecerem, US$ 5.400 torna-se um objetivo plausível para o preço de ouro. Caso contrário, se perderem, o ouro ainda pode sofrer uma forte correção, mesmo dentro de uma tendência de alta de longo prazo.
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