Publicado em: 2026-07-14
Atualizado em: 2026-07-14
As ações da Oracle estão em queda porque os investidores estão menos focados em sua carteira de pedidos de IA de US$ 638 bilhões e mais no caixa, na dívida e no risco de execução necessários para concretizá-la. A empresa encerrou o ano fiscal de 2026 com essa carteira de pedidos 363% maior em um ano, mas as ações caíram 6,47%, para US$ 131,54, em 13 de julho, seu menor nível em doze meses e cerca de 28% abaixo do valor de um mês antes.
Uma carteira de encomendas recorde surgiu juntamente com um déficit de fluxo de caixa livre de US$ 23,7 bilhões e uma redução da classificação de crédito da S&P para BBB-, levando o mercado a reavaliar as ações em torno de uma questão: quem financiará a expansão.

A carteira de pedidos de US$ 638 bilhões cresceu 363% em um ano, mas o valor de mercado da Oracle caiu abaixo do tamanho de sua própria carteira de pedidos, um sinal incomum para uma empresa lucrativa.
Os investimentos de capital atingiram US$ 55,7 bilhões, cerca de 83% da receita, transformando o fluxo de caixa operacional recorde em um déficit de fluxo de caixa livre de US$ 23,7 bilhões.
Relatórios estimam que a OpenAI seja responsável por quase metade da carteira de pedidos, por meio de um contrato de cinco anos, estimado em cerca de US$ 300 bilhões, que só terá início em 2027.
A reclassificação da S&P para BBB- fez com que a Oracle ficasse um nível acima do grau especulativo e transformou uma história de crescimento em uma história de crédito.
Analisando a demonstração de resultados, o quarto trimestre da Oracle foi excepcional. A receita aumentou 21%, para US$ 19,2 bilhões, a receita total de nuvem subiu 47%, para US$ 9,9 bilhões, e a Oracle Cloud Infrastructure, divisão que aluga recursos de computação para inteligência artificial, cresceu 93%, para US$ 5,8 bilhões. A administração elevou a projeção para o ano fiscal de 2027 para cerca de US$ 90 bilhões em receita e US$ 8,05 em lucro por ação (não-GAAP).

Abaixo da linha operacional, o cenário se inverte. Os investimentos de capital atingiram US$ 55,7 bilhões, um aumento de 162%, equivalente a aproximadamente 83 centavos de cada dólar de receita, um ritmo de crescimento mais típico de uma empresa de serviços públicos do que de uma fornecedora de software. O fluxo de caixa operacional recorde de US$ 32 bilhões ficou muito aquém do necessário para cobrir esses investimentos, resultando em um fluxo de caixa livre negativo de US$ 23,7 bilhões.
| Métrica | Valor |
|---|---|
| 13 de julho encerra | US$ 131,54, queda de 6,47% (mínima em um ano) |
| Mudança de um mês | Aproximadamente -28% |
| Receita do 4º trimestre do ano fiscal de 2026 | US$ 19,2 bilhões, um aumento de 21% em relação ao ano anterior. |
| Receita de outros resultados do 4º trimestre | US$ 5,8 bilhões, um aumento de 93% em relação ao ano anterior. |
| RPO / backlog | US$ 638 bilhões, um aumento de 363% em relação ao ano anterior. |
| despesas de capital do ano fiscal de 2026 | US$ 55,7 bilhões, um aumento de 162% |
| fluxo de caixa livre do ano fiscal de 2026 | Negativo US$ 23,7 bilhões |
| Classificação de crédito | BBB- (S&P, 9 de julho de 2026) |
| Contrato da OpenAI relatado | Cerca de 300 bilhões de dólares ao longo de cinco anos. |
A queda se acumulou ao longo de semanas, não em uma única sessão. A S&P Global rebaixou a classificação da Oracle de BBB para BBB- em 9 de julho, seu último nível de grau de investimento, alertando que a mudança para IA, que exigiu muito capital, deixa a empresa com menos flexibilidade financeira do que a Microsoft, a Amazon ou a Alphabet.
Relatórios sobre a nota citam um déficit de fluxo de caixa projetado para o ano fiscal de 2027 próximo a US$ 42 bilhões e despesas de capital (capex) de US$ 90 bilhões a US$ 95 bilhões, acima dos US$ 60 bilhões estimados pela S&P um ano antes. O sentimento já estava frágil em 13 de julho, quando o processo da Apple contra a OpenAI adicionou mais uma notícia sobre o cliente por trás do maior investimento em IA divulgado pela Oracle.
Uma venda prévia de ações por um membro da administração também chamou a atenção: o vice-presidente Jeff Henley vendeu 400.000 ações no final de junho a um preço entre US$ 155,50 e US$ 165,57, de acordo com um plano da Regra 10b5-1 vinculado a opções com vencimento próximo, uma negociação programada em vez de uma nova oferta pública inicial.
As obrigações de desempenho restantes (RPO, na sigla em inglês) contabilizam a receita que a Oracle assinou, mas ainda não reconheceu. Cerca de US$ 75 bilhões são pagos antecipadamente ou cobertos por GPUs compradas e fornecidas pelos clientes, reduzindo o capital que a Oracle precisa investir.
O restante se converte em receita reconhecida à medida que a Oracle entrega a capacidade contratada, enquanto o recebimento efetivo depende de pagamentos antecipados e condições de faturamento. A maior obrigação pertence à OpenAI, embora a Oracle não divulgue a divisão desse valor entre os clientes.
O Wall Street Journal noticiou um acordo de cinco anos no valor aproximado de US$ 300 bilhões, com início em 2027, representando cerca de 47% da carteira de pedidos e aproximadamente US$ 60 bilhões por ano após o início das operações.
Só esse valor anual supera todo o negócio da OpenAI, que a Reuters estimou em uma receita anualizada de US$ 25 bilhões no início de 2026, mesmo ainda apresentando prejuízo, e cujos gastos são financiados por investidores como SoftBank, Nvidia e Amazon, que também lucram com a expansão da IA.
Como o contrato só entra em vigor no ano fiscal de 2028 da Oracle, quase nada desses US$ 300 bilhões está incluído na estimativa de US$ 90 bilhões que o mercado está precificando atualmente.
A Oracle captou US$ 43 bilhões em dívida e US$ 5 bilhões em capital próprio no ano fiscal de 2026 e espera captar cerca de US$ 40 bilhões adicionais este ano, impulsionados por uma venda de ações no valor de US$ 20 bilhões, descartando, porém, a emissão de novas dívidas no ano civil de 2026. A dívida total está próxima de US$ 167 bilhões, e o passivo total aumentou cerca de 48%, chegando a US$ 218,7 bilhões.
O financiamento por meio de ações evita maior alavancagem, mas a emissão constante de ações dilui os lucros por ação, que já precisam absorver a alta depreciação das GPUs. Para uma empresa que por muito tempo foi avaliada com base na durabilidade das licenças de software, os fatores decisivos agora são a disciplina nos investimentos de capital, o custo de financiamento e o crédito dos clientes.
A demanda em si não está em questão. A Oracle afirmou que sua frota de GPUs operou com 97,5% de utilização, e o crescimento de 93% do OCI demonstra que a empresa está conquistando cargas de trabalho de IA de concorrentes maiores no mercado de nuvem. As projeções indicam um crescimento de 58% a 64% no primeiro trimestre para a nuvem, e os analistas apontam um preço-alvo médio de US$ 251,85, com 37 recomendações de compra, 5 de manutenção e 1 de venda, embora esses preços-alvo não sejam garantidos.
A tese pessimista se baseia em cálculos aritméticos e no momento oportuno, e não em dúvidas sobre a inteligência artificial. Uma classificação BBB- eleva os custos de empréstimo justamente quando a Oracle mais depende de capital externo, e as emissões de ações diluem a participação dos acionistas existentes.
A construção, o fornecimento de energia e de GPUs podem sofrer atrasos justamente quando a receita deveria começar a ser gerada, e um estouro de caixa exigiria mais financiamento. Vincular quase metade da carteira de pedidos a um único cliente não lucrativo deixa a Oracle exposta a uma contraparte que ela não controla.
Os próximos trimestres definirão a questão do financiamento. O crescimento da demanda em nuvem no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, em comparação com a projeção de 58% a 64%, é o indicador mais preciso da demanda, com a conversão do RPO (Objetivo de Ponto de Receita) mostrando a rapidez com que a carteira de pedidos se transforma em receita faturada.
O fluxo de caixa livre continua sendo o principal indicador, e novas emissões de dívida ou ações mostram quanto financiamento ainda resta. A receita e a captação de recursos da OpenAI têm o maior peso, dada a sua participação na carteira de pedidos.
O resultado foi positivo na receita, não no fluxo de caixa. Uma carteira de pedidos de US$ 638 bilhões foi compensada por um fluxo de caixa livre negativo de US$ 23,7 bilhões, despesas de capital próximas a 83% da receita, um rebaixamento da classificação de crédito da S&P para BBB- e forte dependência da OpenAI para receitas futuras contratadas.
Relatórios estimam que aproximadamente metade do valor corresponda a esse percentual. O Wall Street Journal citou um contrato de cinco anos no valor de cerca de US$ 300 bilhões a partir de 2027, próximo a 47% do RPO de US$ 638 bilhões, embora a Oracle não divulgue a divisão exata por cliente.
A S&P apontou para o risco estrutural decorrente da expansão da IA, que exige grande investimento de capital, do aumento da alavancagem e da dependência da OpenAI. A classificação BBB- está um nível acima da classificação especulativa, ou grau especulativo.
O relatório do primeiro trimestre fiscal, em setembro, é a próxima leitura importante, permitindo que os investidores comparem o crescimento do resultado abrangente (OCI) com a projeção de 58% a 64% e verifiquem se o déficit de caixa diminui. O ritmo da venda de ações no valor de US$ 20 bilhões, bem como a receita e a captação de recursos da OpenAI, mostrarão se o compromisso de US$ 300 bilhões permanece viável antes de seu início em 2027.
Enquanto o fluxo de caixa livre não se tornar um fator determinante, as ações da Oracle são negociadas como uma aposta de que a maior carteira de pedidos de software empresarial pode ser financiada mais rapidamente do que o consumo de caixa durante a expansão.