Acordo Comercial Canadá-EUA Está “Muito Perto”. Por Que USD/CAD Já Caiu?
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Acordo Comercial Canadá-EUA Está “Muito Perto”. Por Que USD/CAD Já Caiu?

Publicado em: 2026-08-21   
Atualizado em: 2026-08-21

USDCAD
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Canadá e Estados Unidos afirmam estar "muito perto" de um acordo comercial, mas o USD/CAD já havia tocado 1,3757 em 20 de agosto, mínima desde 21 de maio, antes mesmo de os termos finais serem anunciados. Propostas divulgadas podem reduzir pela metade a tarifa geral dos EUA sobre aço e alumínio canadenses e diminuir a tarifa sobre veículos, enquanto a alta dos preços do petróleo e o enfraquecimento generalizado do dólar americano também sustentaram o CAD. A moeda já precificou parte dessa melhora, o que eleva a régua para o acordo que vier a ser fechado.

Gráfico mostrando a evolução do USD/CAD, com o dólar americano em relação ao dólar canadense (loonie)

Principais pontos

  • O USD/CAD tocou 1,3757 em 20 de agosto, mínima desde 21 de maio, antes de o acordo final entre Canadá e Estados Unidos ser anunciado.

  • Propostas divulgadas podem reduzir as tarifas gerais sobre aço e alumínio de 50% para 25% e a tarifa sobre veículos de 25% para 15%.

  • Segundo a Reuters, a alta do petróleo e o enfraquecimento generalizado do dólar americano também sustentaram o CAD, de modo que as negociações comerciais não explicam todo o movimento.

  • Com o USD/CAD já perto de uma mínima de três meses, os termos finais das tarifas precisam superar as expectativas para gerar um novo catalisador específico para o Canadá.


Expectativa de acordo comercial, petróleo e dólar fraco movem o USD/CAD juntos

O USD/CAD vem caindo há semanas. A média diária do Bank of Canada (BC, banco central canadense) passou de 1,4114, em 27 de julho, para 1,3785, em 20 de agosto, enquanto a Reuters registrou uma mínima intradiária de 1,3757 na quinta-feira.


O risco comercial diminuiu ao longo dessa queda. O ministro do Comércio do Canadá, Dominic LeBlanc, afirmou que as duas partes estavam "muito perto" de um acordo após quase três horas de conversas com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, na quinta-feira, embora ainda houvesse trabalho a ser feito e os termos finais não tivessem sido anunciados.


Ao mesmo tempo, o petróleo e o dólar americano também se moveram a favor do CAD. Os contratos futuros do petróleo americano subiram cerca de 2%, para US$ 87,50 o barril, na quinta-feira, enquanto a Reuters apontou a alta do petróleo e o enfraquecimento generalizado do dólar como os principais sustentáculos da moeda canadense. O otimismo com o acordo comercial acrescentou mais um fator de suporte, mas não explica todo o movimento.


O mercado não precisa de um acordo assinado para reagir a mudanças nas probabilidades. À medida que caiu a chance de um desfecho comercial mais duro para o Canadá, parte do risco específico do país refletido no USD/CAD também começou a se dissipar.


O acordo em discussão vai além de evitar novas tarifas

O prazo imediato envolve novas tarifas de 50% previstas na Seção 338, que atingiriam cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. A cobrança foi adiada para as 0h01 (horário de verão do leste dos EUA, EDT) de sábado, 22 de agosto, enquanto as negociações continuam. Essas tarifas abrangem produtos selecionados ligados a disputas sobre veículos, laticínios e bebidas alcoólicas, e excluem itens já sujeitos às tarifas da Seção 232.


O acordo em discussão também poderia reduzir tarifas que já afetam grandes setores da indústria canadense.

Medida comercial

Posição atual (tarifa geral)

Proposta divulgada

Aço e alumínio

Tarifa americana de 50%

Redução para 25%

Veículos canadenses

Tarifa geral de 25%

Redução para 15%

Novas tarifas da Seção 338

Ameaça de 50% adicional

Evitadas ou adiadas novamente

Os números de 25% para metais e 15% para veículos ainda são propostas divulgadas, não termos finais confirmados. A cobertura de produtos, as isenções e outros detalhes permanecem indefinidos.


Evitar as novas tarifas da Seção 338 eliminaria uma ameaça adicional. Já a redução das tarifas vigentes sobre metais e veículos diminuiria de forma mais direta os custos que já afetam o comércio entre os dois países.


Tarifas menores reduziriam um risco para o crescimento do Canadá

O Canadá continua fortemente exposto à demanda americana. Em 2025, 71,7% das exportações canadenses de mercadorias tiveram como destino os Estados Unidos, ante 75,9% um ano antes.


No setor automotivo, essa concentração é ainda maior: mais de 90% dos veículos fabricados no Canadá e 60% das autopeças produzidas no país são exportados para os EUA. Desde abril de 2025, os veículos fabricados no Canadá enfrentam uma tarifa americana de 25% sobre o conteúdo não americano, enquanto o conteúdo americano em veículos elegíveis fica isento.


Uma eventual redução da tarifa geral sobre veículos para 15% reduziria custos ao longo de uma cadeia de suprimentos profundamente integrada. Um corte na tarifa geral sobre aço e alumínio também traria algum alívio, embora uma tarifa de 25% ainda seja restritiva.


O BC canadense acrescenta mais um elo entre a política comercial e o CAD. A instituição mantém sua taxa básica de juros em 2,25% desde outubro de 2025, e seu relatório de julho ainda descrevia a política comercial dos EUA como um fator de pressão sobre o crescimento canadense, ao mesmo tempo em que os preços elevados do petróleo permaneciam como risco inflacionário. Um acordo comercial mais robusto reduziria parte desse risco para o crescimento, sem eliminar a preocupação do banco central com a inflação persistente de energia.


USD/CAD perto de 1,376 já precificou boas notícias

O momento em que o movimento cambial ocorreu eleva a régua para o acordo final. O USD/CAD chegou a cerca de 1,376 antes mesmo de reduções tarifárias confirmadas serem publicadas. Um simples anúncio de acordo pode gerar uma reação menor caso suas principais condições coincidam com os termos que já circulam no mercado.


Um acordo que reduza de forma significativa as tarifas sobre metais e veículos reforçaria a justificativa econômica por trás do recente movimento do CAD. Já um acordo que basicamente evite as novas tarifas da Seção 338, mas mantenha praticamente intactas as barreiras setoriais existentes, ofereceria menos alívio adicional.


Um fracasso nas negociações criaria o risco oposto. As tarifas da Seção 338, atualmente adiadas, estão programadas para entrar em vigor em 22 de agosto, a menos que os EUA mudem de rumo novamente, de modo que a falta de um acordo final poderia trazer rapidamente de volta a incerteza comercial para o USD/CAD.


O que poderia fazer o USD/CAD subir de novo?

  • Um acordo mais fraco do que o esperado poderia deixar praticamente inalteradas as tarifas mais relevantes sobre metais e veículos.

  • Uma queda no preço do petróleo eliminaria um dos fatores que sustentaram o CAD no movimento de quinta-feira.

  • Uma recuperação mais ampla do dólar americano poderia elevar o USD/CAD mesmo que o Canadá obtenha um alívio tarifário favorável.

Uma manchete comercial favorável, isoladamente, não determina o par de moedas. Os termos finais das tarifas, o petróleo e o dólar americano em geral ainda precisam apontar na mesma direção.


Perguntas frequentes

O acordo comercial entre Canadá e Estados Unidos já foi assinado?

Não. Até 21 de agosto, autoridades afirmavam que as duas partes estavam "muito perto" de um acordo, mas os termos finais das tarifas não haviam sido confirmados publicamente. As reduções divulgadas para metais e veículos continuam sendo propostas até que haja um anúncio formal.


O que acontece com o USD/CAD se o acordo comercial entre Canadá e Estados Unidos fracassar?

Se as negociações fracassarem e as tarifas adiadas da Seção 338 entrarem em vigor, parte do risco específico do Canadá pode voltar a ser refletida no USD/CAD. O tamanho de qualquer movimento ainda dependerá do petróleo e do comportamento geral do dólar americano.


O USD/CAD pode subir mesmo que o Canadá feche um acordo comercial favorável?

Sim. Um acordo favorável pode já estar parcialmente precificado nos níveis atuais. O USD/CAD ainda pode subir se os termos finais decepcionarem as expectativas, se o petróleo cair de forma acentuada ou se o dólar americano se fortalecer de maneira generalizada.


Agora, o acordo precisa superar o que o USD/CAD já precificou

O próximo teste ocorre no sábado, 22 de agosto, data em que as tarifas adiadas da Seção 338 devem entrar em vigor, a menos que os dois governos fechem um acordo ou prorroguem a pausa mais uma vez.


Um acordo que basicamente evite novas tarifas tende a confirmar as expectativas já refletidas perto de 1,376. Já um alívio significativo sobre metais e veículos daria ao loonie (o dólar canadense) algo novo para precificar. A manchete é se o Canadá vai fechar um acordo. A pergunta que realmente move o mercado é se esse acordo será melhor do que aquele que o USD/CAD já espera.


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