USD/COP se aproxima de 3.100 enquanto o BanRep compra US$ 399,9 milhões para reforçar as reservas
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USD/COP se aproxima de 3.100 enquanto o BanRep compra US$ 399,9 milhões para reforçar as reservas

Publicado em: 2026-09-09   
Atualizado em: 2026-09-09

O par USD/COP se mantém perto de 3.100 porque os fluxos que sustentam o peso colombiano têm superado os dólares retirados do mercado pelo Banco de la República (BanRep). Em agosto, o banco central comprou US$ 399,9 milhões por meio de opções de venda (puts) de acumulação de reservas, valor próximo do total ofertado, e o par ainda opera abaixo do nível em que estava quando o programa começou.

USD/COP se aproxima de 3.100 com compras de US$ 399,9 milhões do BanRep

A TRM oficial (Taxa Representativa do Mercado, taxa de câmbio oficial da Colômbia) de 9 de setembro foi fixada em COP 3.116,47, cerca de 17% abaixo do nível em que o par começou 2026 e cerca de 18% abaixo da máxima de maio, perto de 3.805.


Uma taxa básica de juros de 12%, uma pauta de exportações dominada por combustíveis e ouro, e um dólar mais fraco no cenário global tiveram mais influência sobre a taxa de câmbio neste ano do que qualquer compra feita pelo banco central.


USD/COP permanece perto de 3.100 após compras de dólares do BanRep

O ano começou com uma TRM de 3.757,08 em 1º de janeiro, com o câmbio à vista (spot) negociado perto de 3.770. O par subiu até 3.805 em maio, e a partir de meados de junho passou a cair, em uma sequência de máximas e mínimas cada vez mais baixas.


Agosto também mostrou como o movimento tem sido volátil. A TRM oficial caiu para 3.048,12 em 24 de agosto, antes de subir para 3.202,79 entre 29 e 31 de agosto, alta de cerca de 5,1%. Em 1º de setembro, chegou a 3.213,97, para depois recuar de volta perto de 3.100. 


O nível atual, portanto, é resultado de uma forte oscilação de ida e volta, e não de uma valorização linear do peso.


O que exatamente o Banco de la República fez?

Em 31 de julho, a diretoria anunciou um programa para acumular até US$ 4 bilhões em reservas internacionais, o primeiro programa de acumulação de reservas desde que o anterior terminou, em outubro de 2024. A primeira sessão teve um teto de US$ 400 milhões, com as opções exercíveis entre 4 e 31 de agosto.


O desenho do leilão mantém o banco central fora do mercado, a menos que o peso já esteja fortalecido. A acumulação ocorre por meio de opções de venda que só podem ser exercidas quando a TRM está abaixo de sua média dos 20 dias úteis anteriores. 


As propostas no primeiro leilão somaram US$ 877,5 milhões, ante os US$ 399,9 milhões efetivamente concedidos, a um prêmio de corte de US$ 13.000 por US$ 1.000. Os leilões são mensais, mas o valor é anunciado a cada chamada individual, de modo que nada obriga o banco a repetir os US$ 400 milhões em setembro.


O BanRep tem sido explícito ao afirmar que o programa é precaucional e compatível com sua postura de política monetária, com compras distribuídas ao longo do tempo, em vez de concentradas, para limitar qualquer efeito sobre a taxa de câmbio. Nem o instrumento usado nem a intenção declarada sustentam a leitura de que se trata de um esforço para enfraquecer o peso.


Por que o peso colombiano continua forte?

O primeiro suporte é o diferencial de juros. A diretoria elevou a taxa básica em 75 pontos-base, para 12%, na reunião de junho, e a manteve nesse patamar em 31 de julho. 


Uma taxa nominal de dois dígitos dá aos ativos colombianos uma vantagem de rendimento considerável e torna as posições de carry trade em pesos colombianos mais atrativas, embora juros altos, isoladamente, não comprovem que capital de portfólio esteja de fato entrando no país.

Taxa de juros da Colômbia

O segundo suporte é a composição das exportações. Combustíveis e produtos extrativos responderam por 40,0% dos embarques de julho e cresceram 8,3%, enquanto a pauta de mineração e energia somou US$ 17,52 bilhões entre janeiro e julho, alta de cerca de 28,4% e equivalente a 53,9% do total exportado. 


O ouro não monetário puxou boa parte desse resultado, com US$ 4,57 bilhões e alta de 90,9%. Preços elevados do petróleo e do ouro se convertem diretamente em receita em dólares.


O terceiro suporte vem dos fluxos de capital associados ao financiamento fiscal. Villar observou em agosto que a emissão internacional de títulos do governo e as compras estrangeiras de dívida pública colombiana podem aumentar a oferta de moeda estrangeira, permitindo, paradoxalmente, que um grande déficit fiscal contribua para a valorização do peso no curto prazo. 


O investimento direto também colaborou: o investimento estrangeiro direto (IED) atingiu US$ 8,138 bilhões no primeiro semestre, alta de 31,1% em relação ao ano anterior.


Diante de fluxos dessa magnitude, os US$ 399,9 milhões distribuídos ao longo de um mês de sessões elegíveis têm peso limitado em um mercado no qual apenas o pregão de 25 de agosto movimentou US$ 1.744 milhões.


Inflação mais alta complica o cenário para o peso

A inflação anual acelerou para 6,24% em agosto, ante 6,03% em julho, com variação mensal de 0,39% e acumulado no ano de 5,35%. O dado mensal veio acima do consenso de 0,27% na própria pesquisa de analistas do BanRep, deixando a inflação cheia em mais do que o dobro da meta de 3%.


Para as famílias, e para a credibilidade da meta, esse é um resultado indesejado. Para a moeda, porém, a surpresa inflacionária funciona de outra forma, já que reduz o espaço para um corte de juros no curto prazo. Se o mercado passar a esperar que a taxa de 12% permaneça em vigor por mais tempo, a vantagem de rendimento da Colômbia pode continuar sustentando o peso. 


O custo é que essa mesma postura restritiva pesa sobre o crédito e a atividade econômica.


Peso forte cria vencedores e perdedores

Os números agregados de exportação não mostram colapso. Os embarques de julho somaram US$ 4.690,7 milhões FOB, alta de 5,9% na comparação anual, e o total de janeiro a julho atingiu US$ 32.489,2 milhões, avanço de 12,7%.

Evolução do câmbio USD/COP

A pressão está concentrada na pauta de produtos não commodities. Entre janeiro e julho, o café não torrado caiu 9,9% e as flores recuaram 7,9%, enquanto as bananas subiram 22,5% e o óleo de palma bruto avançou 32,2%. As exportações de manufaturados caíram 2,5% no mesmo período. 

Os exportadores faturam em dólares, mas pagam salários, frete e insumos em pesos, de modo que uma moeda mais forte comprime as margens mesmo quando os volumes se mantêm estáveis.


Para os importadores, um peso mais forte reduz o custo em moeda local de bens e insumos estrangeiros e pode moderar a inflação importada. Separadamente, as importações da Colômbia cresceram 27,0% na comparação anual, para US$ 6.775,8 milhões CIF em junho, contribuindo para a ampliação do déficit comercial de bens para US$ 2.161 milhões FOB. O aumento não pode ser atribuído apenas à taxa de câmbio.


O que poderia reverter a queda do USD/COP?

Vários contrapesos vêm se acumulando ao longo do segundo semestre. Uma queda no petróleo ou no ouro removeria rapidamente essa perna exportadora, dado o quanto do crescimento de 2026 veio dessas duas linhas. Um dólar globalmente mais forte teria o mesmo efeito, na direção oposta. Qualquer eventual ciclo de corte de juros a partir dos 12% reduziria o atrativo do carry trade.


A política fiscal traz o risco mais evidente. O Plano Financeiro atualizado projeta um déficit do governo central de 9,4% do PIB para 2027 e uma dívida líquida de 66,2%, ante 4,5% e 58,9% no marco de médio prazo de 2026. 


O BanRep tem enfatizado que esses números representam um diagnóstico de risco, e não metas do governo, e que devem ser lidos como ponto de partida até que a racionalização dos gastos se concretize.


As contas externas acompanharam esse movimento. O déficit em conta corrente do segundo trimestre chegou a US$ 4.702 milhões, ou 3,5% do PIB trimestral, e o déficit do primeiro semestre foi de US$ 5.981 milhões, equivalente a 2,3% do PIB do semestre. Nada disso garante um peso mais fraco, mas enfraquece o argumento de que o movimento de 2026 possa se estender indefinidamente.


O que observar a seguir no USD/COP

A próxima decisão de juros ocorre em 30 de setembro, e a surpresa inflacionária de agosto torna mais fácil defender a manutenção da taxa do que um corte. Além disso, as próximas chamadas de leilão mensal de reservas mostrarão se o BanRep vai dimensionar as futuras operações perto do teto inicial ou abaixo dele. 


Os próximos dados de inflação, o projeto de ajuste fiscal vinculado ao orçamento de 2027, os preços do petróleo e do ouro, e a política do Federal Reserve (Fed) completam a lista de fatores a monitorar. As projeções para o fim do ano seguem bastante dispersas, e há pouco valor em se ancorar a um único número.


O sinal por trás do USD/COP perto de 3.100

O que chama atenção em 2026 é a resiliência do peso ao longo de um período em que o banco central começou a reconstruir reservas, a inflação subiu ainda mais acima da meta e as perspectivas fiscais para 2027 pioraram. O programa de reservas se encaixa nesse quadro: o BanRep está aproveitando uma fase de força cambial para reconstituir um colchão externo, e não defendendo um nível específico no mercado.

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