Publicado em: 2026-08-17
Atualizado em: 2026-08-17
O tráfego monitorado de navios pelo Estreito de Hormuz praticamente parou no fim de semana, mas o Brent se manteve abaixo de US$ 90 após chegar a US$ 89,40 na segunda-feira. A Kpler registrou cinco travessias de navios de commodities no sábado e nenhuma no domingo, ante 31 no fim de semana anterior, embora os navios possam passar sem aparecer nos dados de rastreamento quando os transponders estão desligados.
Um Hormuz severamente restrito já faz parte do cenário-base do mercado há meses, portanto um movimento maior de preço agora exige evidências de que novas interrupções estão retirando mais barris do que o já esperado.

A Kpler registrou cinco travessias de navios de commodities pelo Estreito de Hormuz no sábado e nenhuma no domingo, queda em relação às 31 do fim de semana anterior. A desaceleração é severa, embora dados da Administração de Informação sobre Energia dos EUA (EIA) mostrem que o fluxo pelo estreito já havia caído para 4,9 milhões de barris por dia no segundo trimestre, ante 21,6 milhões antes do conflito.
O Brent subiu até 1%, para US$ 89,40, na segunda-feira, e era negociado a US$ 89,20 às 2h29 (GMT), enquanto o WTI chegou a US$ 82,83. O Brent também superou brevemente US$ 90 em 11 de agosto, antes de fechar em US$ 88,91, mostrando que os recentes sustos de oferta têm tido dificuldade para estabelecer um patamar de preço mais alto.
O mercado físico de petróleo segue apertado, apesar de o Brent permanecer abaixo de US$ 90. A IEA estima um déficit global de oferta de 1,8 milhão de barris por dia no terceiro trimestre, enquanto os estoques observados caíram 69 milhões de barris em julho e 410 milhões de barris entre o fim de fevereiro e julho.
A demanda é o maior ponto de divergência. A IEA espera que o consumo global de petróleo caia 1,6 milhão de barris por dia em 2026, enquanto a Opep prevê crescimento de cerca de 0,6 milhão de barris por dia, deixando uma diferença de 2,2 milhões de barris por dia entre as duas projeções.
As condições de navegação pioraram novamente depois que os Emirados Árabes Unidos informaram que três navios operados pela ADNOC foram atacados durante a travessia de Hormuz na semana passada. Na sequência, a Kpler registrou apenas cinco travessias de navios de commodities no sábado e nenhuma no domingo. Em Bab el-Mandeb, outra rota importante para as exportações do Golfo, a Kpler registrou 49 travessias de navios de commodities no fim de semana e nenhum carregamento saudita de petróleo rastreado.
A EIA estima que o petróleo bruto e os líquidos de petróleo que passam pelo estreito somaram em média apenas 4,9 milhões de barris por dia no segundo trimestre, ante 21,6 milhões de barris por dia no quarto trimestre de 2025, antes do conflito. A projeção da agência para agosto já pressupõe que os carregamentos permanecerão severamente restritos ao longo do mês e começarão a se recuperar lentamente em setembro.
A contagem de navios de segunda-feira, portanto, não representa automaticamente mais 15 milhões ou 20 milhões de barris por dia desaparecendo da oferta. Uma reação mais forte nos preços viria se a mais recente desaceleração levasse as exportações e a produção reais a ficarem significativamente abaixo dos níveis já considerados nas projeções atuais.
O Brent subiu até 1%, para US$ 89,40, na segunda-feira, à medida que a paralisação das negociações entre Estados Unidos e Irã e a redução do tráfego em Hormuz devolveram parte do prêmio geopolítico ao preço. O contrato era negociado a US$ 89,20 às 2h29 (GMT), enquanto o WTI chegou a US$ 82,83. As duas referências acumularam alta de mais de 5% na semana passada.
O Brent já havia testado US$ 90 dias antes. O contrato chegou a esse nível durante o pregão de 11 de agosto, antes de fechar em alta de 1,4%, a US$ 88,91. Em 13 de agosto, o Brent caiu 2,15%, para US$ 87,07, encerrando uma sequência de seis pregões consecutivos de alta, à medida que expectativas mais fracas de demanda e o aumento dos estoques de petróleo dos EUA compensaram as preocupações com a oferta.
A mais recente desaceleração em Hormuz levou o Brent de volta a esse teto, sem produzir um rompimento sustentado. As novas manchetes sobre a navegação ainda sustentam os preços do petróleo, embora o mercado reaja cada vez mais à questão de saber se cada novo desenvolvimento altera o volume ou a duração esperados da perda de oferta já existente.
O fato de o Brent estar abaixo de US$ 90 não significa que a interrupção da oferta tenha sido branda. A IEA estima que 8,3 milhões de barris por dia da produção do Golfo permaneceram paralisados em julho, enquanto as exportações do Golfo, incluindo rotas alternativas, caíram cerca de 2,1 milhões de barris por dia, para 15 milhões de barris por dia.
Os estoques estão absorvendo uma parcela maior do impacto. Os estoques globais observados de petróleo caíram 69 milhões de barris em julho, elevando as retiradas acumuladas entre o fim de fevereiro e o fim de julho a 410 milhões de barris. A IEA agora espera um déficit global de 1,8 milhão de barris por dia no terceiro trimestre, mais do que o dobro do déficit de cerca de 800 mil barris por dia projetado um mês antes.
Oleodutos alternativos impediram que a interrupção em Hormuz se transformasse em uma paralisação total das exportações do Golfo. A EIA estima que o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e o oleoduto de Abu Dhabi, dos Emirados Árabes Unidos, juntos podem fornecer cerca de 4,7 milhões de barris por dia de capacidade para contornar Hormuz. Isso representa apenas uma fração dos volumes normais que passavam pelo estreito antes do conflito, e essas rotas seguem mais lentas, mais caras e com capacidade limitada.
A ausência de carregamentos sauditas de petróleo rastreados por Bab el-Mandeb no último fim de semana acrescenta mais um risco a essas alternativas. A infraestrutura de contorno pode amenizar a perda de tráfego em Hormuz, mas não consegue substituir o estreito nem de longe em sua escala normal.
A demanda oferece uma explicação para o fato de um mercado físico apertado não ter levado o Brent decisivamente acima de US$ 90, embora o tamanho dessa fraqueza esteja longe de ser um consenso.
A IEA espera que a demanda global de petróleo se contraia em 1,6 milhão de barris por dia em 2026. O relatório da Opep de agosto chega a uma conclusão bem diferente, prevendo crescimento da demanda de cerca de 0,6 milhão de barris por dia. A diferença resultante, de 2,2 milhões de barris por dia, é maior do que o déficit de oferta projetado pela IEA para o terceiro trimestre.
A IEA também associa parte de sua projeção mais fraca de demanda diretamente à interrupção em Hormuz. A oferta restrita atrapalhou cadeias de suprimento internacionais e reduziu a disponibilidade de produtos, enquanto preços de combustíveis mais altos reprimiram o consumo. A projeção da agência descreve, assim, um ciclo de retroalimentação em que o mesmo choque de oferta que sustenta os preços do petróleo também prejudica a demanda necessária para sustentar esses preços.
A Opep enxerga uma destruição de demanda muito menor, sobretudo fora das economias desenvolvidas. A divergência deixa o mercado diante de dois cenários bem diferentes para o restante de 2026, mesmo antes de se saber a duração da interrupção em Hormuz.
Não. A Kpler não registrou nenhuma travessia de navio de commodities no domingo, mas os navios podem cruzar o estreito sem aparecer nos dados de rastreamento quando seus transponders AIS estão desligados. A EIA também alertou que os dados de AIS em torno de Hormuz se tornaram particularmente pouco confiáveis desde o início do conflito.
O Brent é a principal referência para o petróleo transportado por via marítima no comércio internacional, enquanto o WTI reflete principalmente o mercado americano. Por isso, interrupções que afetam as exportações do Golfo e a navegação internacional tendem a se refletir mais diretamente no prêmio de oferta embutido no preço do Brent.
Sim. Os preços podem cair se a demanda enfraquecer ainda mais, se a produção e as exportações se recuperarem mais rápido do que o esperado, se os estoques se estabilizarem ou se negociações melhorarem as perspectivas para a navegação. O cenário-base atual da EIA já pressupõe que Hormuz permaneça severamente restrito até o fim de agosto, com o Brent em média de cerca de US$ 85 no terceiro trimestre.
Uma recuperação sustentada do tráfego em Hormuz removeria parte do prêmio de oferta que sustenta o petróleo e permitiria a retomada da produção paralisada no Golfo. A EIA espera que o Brent recue para uma média de US$ 78 no quarto trimestre, caso o tráfego e a produção se recuperem gradualmente.
Um movimento duradouro acima de US$ 100 exigiria perdas adicionais de oferta, além da interrupção já refletida nas expectativas atuais. Novas paralisações na produção do Golfo, danos à infraestrutura de exportação, perda de capacidade das rotas alternativas, uma interrupção mais profunda em Bab el-Mandeb ou evidências de que a recuperação do fluxo em Hormuz esperada pela EIA para setembro não vai ocorrer mudariam o equilíbrio atual.
O mercado físico já está apertado, com estoques em queda e milhões de barris por dia da produção do Golfo ainda fora de operação. A próxima grande reprecificação depende de as condições piorarem de forma significativa em relação a esse cenário-base já existente. Um rompimento sustentado acima de US$ 100 se torna mais crível quando contagens de navios próximas de zero geram perdas adicionais de barris além das que o mercado já espera.