SUZB3: lucro cai 64% no 2T26 e o câmbio explica
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SUZB3: lucro cai 64% no 2T26 e o câmbio explica

Autor:Pietro Costa

Publicado em: 2026-08-14   
Atualizado em: 2026-08-15

A queda de 64% no lucro da Suzano tem três causas principais: a valorização do real frente ao dólar, o menor volume de vendas de celulose e o aumento dos custos de produção. A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,807 bilhão no segundo trimestre de 2026, ante R$ 5,012 bilhões no mesmo período de 2025. A receita líquida somou R$ 11,59 bilhões, recuo de 13% na base anual.


Há, porém, um detalhe que muda a interpretação do número. Boa parte da diferença não veio da operação, e sim da linha financeira. No 2T25, o resultado financeiro líquido havia registrado receita de R$ 4,425 bilhões, efeito contábil do câmbio sobre a dívida. Neste trimestre, ficou praticamente zerado, em despesa de R$ 10 milhões. Sozinho, esse contraste explica a maior parte da variação do lucro.


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Como o câmbio afetou o resultado da Suzano?


A Suzano é uma exportadora com receita majoritariamente em dólar e dívida também denominada em moeda estrangeira. Quando o real se valoriza, cada dólar faturado se converte em menos reais, e a receita encolhe mesmo com volumes estáveis. No trimestre, o dólar médio recuou 11% frente ao real na comparação anual.


Esse mesmo movimento tem efeito duplo. Ele reduz a receita convertida, mas também diminui o valor em reais da dívida em dólar, o que aparece como ganho ou perda contábil no resultado financeiro. Por isso, exportadoras costumam apresentar lucros voláteis sem que a operação tenha mudado de forma relevante. Entender por que o dólar caiu tanto ajuda a separar efeito cambial de desempenho real.


O que aconteceu com os volumes e os preços da celulose?


As vendas de celulose totalizaram 2,897 milhões de toneladas, queda de 11% ante o 2T25, principalmente pela redução dos embarques para a Ásia. As vendas de papel somaram 406 mil toneladas, recuo de apenas 1%. O negócio de celulose seguiu como principal gerador de receita, representando 76% do faturamento consolidado.


O preço, por outro lado, jogou a favor. Os preços médios da celulose em dólar subiram 8% na comparação anual, o que compensou parcialmente a perda de volume. Segundo a companhia, o mercado global de celulose demonstrou resiliência mesmo diante do aumento das tensões geopolíticas e da pressão sobre custos da cadeia produtiva.


Essa combinação de preço em alta e volume em queda é típica de mercados de matéria prima em ajuste. A dinâmica se repete em outros setores exportadores brasileiros, como se observa no comportamento das ações da Vale e do minério de ferro, igualmente sensíveis à demanda asiática.


A operação da Suzano piorou ou melhorou?


Depende da base de comparação. Contra o 2T25, o Ebitda ajustado caiu 23%, para R$ 4,705 bilhões, e a margem Ebitda encolheu de 46% para 41%. A geração de caixa operacional somou R$ 2,885 bilhões, queda de 30% em um ano.


Contra o primeiro trimestre de 2026, porém, houve melhora sequencial, com crescimento de 3% no Ebitda ajustado, sustentado pelo avanço dos preços e pelo aumento dos volumes vendidos. Isso indica que o ponto mais baixo do ciclo pode ter ficado para trás na operação, ainda que o câmbio continue mascarando esse movimento no lucro contábil.


O endividamento merece atenção. A alavancagem em reais passou de 3,0 para 3,3 vezes na comparação anual e, em dólares, de 3,1 para 3,4 vezes, reflexo de um Ebitda menor combinado ao efeito cambial sobre a dívida. A dívida líquida em dólar ficou em US$ 12,8 bilhões, redução de 2% ante o trimestre anterior. Para traders que acompanham a tese de matérias primas por trás de papéis como esse, a página de commodities da EBC reúne as especificações de instrumentos como XAUUSD, Brent e WTI.


O que o caso da Suzano ensina sobre empresas de commodities?


Empresas de matéria prima têm o resultado determinado por três variáveis que a administração não controla: preço internacional, taxa de câmbio e demanda global. A gestão atua sobre custo, volume e estrutura de capital, mas o lucro final depende de fatores externos. Por isso, comparações anuais isoladas dizem pouco.


O setor de papel e celulose no Brasil ilustra bem esse padrão, como se vê também no desempenho recente da Klabin e suas ações. A leitura mais útil costuma vir da observação simultânea de preço da commodity, câmbio e alavancagem, tema explorado na relação entre crescimento global e mercado de commodities.


Como avaliar SUZB3 depois do balanço?


A primeira métrica a observar é o preço internacional da celulose de fibra curta, referência direta para 76% da receita da companhia. Preço em alta com volume estabilizado é a combinação que recompõe margem mais rápido do que qualquer iniciativa interna de corte de custo.


A segunda é a trajetória do dólar. Como a receita é majoritariamente em moeda estrangeira e a dívida líquida está em US$ 12,8 bilhões, o câmbio afeta simultaneamente o faturamento convertido e o valor da obrigação. Um real persistentemente forte comprime as duas pontas do resultado ao mesmo tempo.


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A terceira é a alavancagem. Em 3,4 vezes em dólar, a companhia opera acima do que costuma ser considerado confortável para o setor, o que limita a flexibilidade para novos investimentos e para distribuição de proventos. A redução de 2% na dívida líquida frente ao trimestre anterior é um sinal na direção certa, ainda que modesto.


Quem acompanha SUZB3 com horizonte mais longo tende a dar peso maior ao custo caixa de produção por tonelada, indicador que define a competitividade da Suzano contra produtores de outras geografias e que sustenta a margem mesmo em cenários de preço deprimido.


Conclusão


O tombo de 64% no lucro de SUZB3 parece dramático, mas exige contexto. A operação piorou na comparação anual por volume e custo, e melhorou na comparação trimestral por preço e volume. A maior parte da diferença veio da linha financeira, altamente sensível ao câmbio. Para quem investe em exportadoras, o exercício útil é acompanhar o Ebitda ajustado e a geração de caixa em vez do lucro líquido isolado, além de entender quais são as commodities mais negociadas do mundo e como seus ciclos se comportam.


Para traders que querem exposição direta ao tema de ações listadas no exterior em vez de apenas ao ciclo de matérias primas via bolsa brasileira, a página de stock CFDs da EBC apresenta os instrumentos disponíveis, incluindo AMZN, GOOGL e TSLA, com execução de nível institucional e acesso via MT4, MT5 ou o aplicativo da EBC. Consulte as especificações atuais de cada contrato antes de operar. Operar CFDs envolve risco de perda de capital.


Perguntas Frequentes (FAQ)


Quando a Suzano divulgou o balanço do 2T26?

A companhia divulgou os resultados do segundo trimestre de 2026 na quarta-feira, 12 de agosto de 2026.


O que é Ebitda ajustado?

É o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, excluindo itens não recorrentes que distorcem a comparação entre períodos.


O que significa alavancagem de 3,4 vezes?

Indica que a dívida líquida equivale a 3,4 vezes o Ebitda ajustado dos últimos doze meses da companhia.


Onde a Suzano mais vende celulose?

A Ásia é o principal destino dos embarques, e a redução dessa demanda foi a causa central da queda de volume no trimestre.


Real forte é ruim para toda empresa brasileira?

Não. Prejudica exportadoras com receita em dólar, mas beneficia importadoras e empresas com dívida em moeda estrangeira.



Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.