Publicado em: 2026-02-17
A falência do Banco Master e a liquidação do Will Bank marcaram um dos momentos mais delicados para o segmento de bancos médios no Brasil nos últimos anos. O encerramento das operações pelo Banco Central expôs fragilidades estruturais em modelos altamente dependentes de captação via CDB com taxas elevadas e crescimento acelerado em ambiente de juros restritivos.
Esses eventos não ocorreram em isolamento. Eles refletem a interação direta entre política monetária, qualidade do crédito, liquidez bancária e supervisão regulatória. O ciclo prolongado de juros altos elevou o custo de funding, pressionou margens e testou a sustentabilidade de instituições com menor colchão de capital.

A liquidação extrajudicial do Banco Master ocorreu após deterioração severa da liquidez e incapacidade de honrar compromissos de curto prazo. O banco enfrentou pressão crescente sobre sua estrutura de capital, em um momento de maior rigor regulatório e aumento da inadimplência no sistema.
Pouco depois, o Will Bank também teve sua liquidação decretada. O banco digital, que operava com forte base de clientes e modelo de expansão acelerada, acabou sendo atingido pela fragilidade financeira do grupo controlador.
O que aconteceu foi um colapso de liquidez combinado com dificuldades estruturais no modelo de negócios.
Entre os fatores determinantes:
• Forte dependência de CDB Banco Master com remuneração acima da média do mercado
• Carteira de crédito com maior exposição a risco
• Redução de confiança do mercado e pressão sobre captação
• Ambiente macroeconômico restritivo
O ponto central não foi apenas rentabilidade insuficiente. Foi a incapacidade de sustentar o equilíbrio entre captação cara e retorno sobre ativos em cenário adverso.
O sistema financeiro brasileiro é reconhecido por regulação rigorosa e altos níveis de capitalização nos grandes bancos. Entretanto, instituições médias que cresceram rapidamente enfrentam maior volatilidade quando o ciclo econômico se torna desfavorável.
A Selic em patamar elevado encarece o custo de captação e reduz o apetite por crédito. Bancos que oferecem CDB com taxas muito superiores precisam gerar retorno compatível em suas carteiras. Quando a inadimplência sobe, esse modelo se fragiliza.
O modelo baseado em captação agressiva exige confiança contínua. Se investidores começam a questionar a saúde financeira, o fluxo de recursos pode desacelerar rapidamente.
A liquidação demonstra que o regulador atua de forma preventiva para evitar contágio sistêmico. O objetivo é proteger a estabilidade do sistema e preservar a confiança.
Esses fatores indicam que não se trata de crise sistêmica, mas de ajuste seletivo. Instituições com governança sólida e capital robusto atravessam o ciclo com menor impacto.

A figura do dono do Banco Master ganhou destaque após a falência. O nome mais associado ao controle da instituição é Daniel Vorcaro.
Em momentos de estresse financeiro, governança e transparência tornam se elementos decisivos. Investidores analisam não apenas números, mas também qualidade da liderança, comunicação e estratégia de risco.
O Banco Master expandiu operações por meio de crédito estruturado e aquisição de carteiras. Esse modelo pode gerar crescimento acelerado em fases de liquidez abundante. No entanto, quando o ambiente macroeconômico se torna restritivo, a alavancagem implícita do modelo aumenta o risco.
A deterioração da liquidez mostrou que a margem de segurança era limitada diante de um choque prolongado.
O Brasil passou por um período prolongado de política monetária restritiva para conter pressões inflacionárias. Esse ambiente produziu efeitos encadeados:
• Custo de capital elevado
• Aumento da inadimplência
• Redução da demanda por crédito
• Maior seletividade dos investidores
Empresas enfrentaram crescimento menor e maior custo financeiro. Isso afetou a qualidade das carteiras bancárias.
Instituições com base de capital mais enxuta sentiram o impacto de forma mais intensa. O elo entre macroeconomia e risco bancário tornou se evidente.
O ambiente atual exige análise mais criteriosa.
• Bancos médios com dependência elevada de captação de curto prazo
• Remunerações muito acima da média de mercado
• Estruturas de capital menos robustas
• Governança pouco transparente
Investidores que buscam rendimento elevado precisam compreender que o prêmio oferecido reflete risco adicional.
• Consolidação do setor bancário
• Bancos sólidos ampliando participação de mercado
• Renda fixa com spreads mais atrativos
• Melhoria estrutural na supervisão regulatória
O investidor deve avaliar indicadores como índice de Basileia, liquidez imediata e composição da carteira de crédito antes de aplicar recursos.
O Fundo Garantidor de Créditos oferece proteção até determinado limite, mas não elimina desconforto operacional em caso de intervenção.

Até o momento, não há evidências de risco sistêmico amplo. Grandes bancos permanecem capitalizados e sujeitos a rigoroso monitoramento prudencial.
As falências do Banco Master e do banco Will Bank representam ajustes dentro de um segmento específico do mercado. O sistema como um todo continua operando com estabilidade.
A dinâmica observada é típica de ciclos monetários restritivos. Modelos mais agressivos enfrentam maior pressão. Estruturas conservadoras preservam solidez.
Pode gerar restrição temporária em determinados segmentos, especialmente onde essas instituições eram mais atuantes. No entanto, grandes bancos tendem a absorver parte da demanda.
Aplicações dentro do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos são protegidas. Valores acima desse teto entram em processo de liquidação e dependem da recuperação de ativos.
Sim. Juros altos pressionam inadimplência e encarecem captação. Instituições com menor capitalização sentem o impacto de forma mais intensa.
A atuação regulatória buscou preservar estabilidade sistêmica. A liquidação é mecanismo previsto para evitar contaminação do sistema.
Instituições com estrutura frágil ou dependência excessiva de funding caro são mais vulneráveis em ambientes restritivos.
A falência do Banco Master e a liquidação do Will Bank reforçam uma lição central do sistema financeiro: crescimento acelerado exige base sólida de capital e liquidez. Em ambiente de juros elevados e crédito seletivo, modelos baseados em captação cara tornam se vulneráveis.
O Brasil não enfrenta colapso bancário generalizado. Enfrenta um ajuste disciplinador. Para investidores, o momento exige análise técnica rigorosa, compreensão do ciclo macroeconômico e avaliação detalhada da saúde financeira de cada instituição. Prudência e seleção criteriosa tornam se diferenciais decisivos neste novo estágio do mercado financeiro brasileiro.