A primeira visita presidencial dos EUA à China em 9 anos. O impacto vai muito além de qualquer acordo comercial.
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A primeira visita presidencial dos EUA à China em 9 anos. O impacto vai muito além de qualquer acordo comercial.

Publicado em: 2026-05-12

  • O presidente Trump chegará a Pequim em 13 de maio para uma visita de Estado de três dias, a primeira de um presidente americano em quase nove anos. A visita estava originalmente agendada para o final de março, mas foi adiada devido à guerra com o Irã, o que faz com que o próprio reagendamento seja um sinal de quanto ambos os lados desejam que este encontro aconteça.

  • A China chega à cúpula em uma posição de força econômica. O PIB do primeiro trimestre de 2026 cresceu 5,0%, atingindo o limite superior da meta de Pequim. As exportações de abril dispararam 14,1%, alcançando o recorde de US$ 359,44 bilhões. O superávit comercial de janeiro a abril de 2026 chegou a US$ 347,70 bilhões, com novos pedidos de exportação no maior patamar em dois anos.

  • O acordo comercial de outubro de 2025, que reduziu tarifas, garantiu o acesso dos EUA a minerais críticos e comprometeu a China a comprar 25 milhões de toneladas métricas de soja americana anualmente até 2028, expira em 10 de novembro de 2026. Sua prorrogação, ampliação ou expiração afetará diretamente os preços das commodities, os pares de moedas e as avaliações de ações tanto em mercados desenvolvidos quanto emergentes.

  • Uma delegação de importantes CEOs americanos, incluindo os chefes da Blackstone, Citigroup, Boeing e Mastercard, acompanhará o presidente. A agenda comercial, paralela à diplomática, sinaliza que ambos os lados veem isso como uma oportunidade para aprofundar o engajamento econômico, e não apenas para administrar tensões.


Amanhã, o presidente dos Estados Unidos desembarcará em Pequim para a primeira visita presidencial de Estado americana à China desde novembro de 2017. Na última vez em que um presidente americano visitou a China, a relação bilateral era marcada por atritos comerciais. Desta vez, ela é definida por algo muito maior: uma crise energética global, uma guerra no Oriente Médio que interrompeu 20% do fluxo mundial de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz e um período de fragmentação comercial que remodelou as cadeias de suprimentos em todos os continentes.


A visita decorre de 13 a 15 de maio. Inicialmente, estava agendada para o final de março, mas foi adiada devido à escalada da guerra com o Irã. O reagendamento, em vez do cancelamento, indica algo importante ao mercado: ambos os governos concluíram que o custo de não se encontrarem era superior ao risco político de um encontro.


Para os mercados globais, o que vier de Pequim esta semana influenciará os preços das commodities, os pares de moedas (particularmente USD/CNY, AUD/USD e USD/BRL), as cadeias de suprimentos de semicondutores e as avaliações de ações em toda a Ásia. O sinal a ser observado não é o acordo principal, mas sim se ambos os lados demonstrarem disposição para passar de tréguas de curto prazo para uma estrutura de longo prazo.

US-China Summit Markets Outlook

Situação econômica da China às vésperas da cúpula

A China chega a esta cúpula com dados econômicos que têm consistentemente superado as expectativas.


O PIB do primeiro trimestre de 2026 cresceu 5,0% em relação ao ano anterior, atingindo o limite superior da meta de Pequim e acelerando em relação aos 4,5% registrados no quarto trimestre de 2025. As exportações de abril dispararam 14,1%, atingindo o recorde de US$ 359,44 bilhões, recuperando-se acentuadamente da queda de 2,5% em março, quando os primeiros efeitos da interrupção do Estreito de Ormuz desaceleraram o transporte marítimo. As importações subiram 25,3%, refletindo a forte demanda por commodities, insumos industriais e componentes relacionados à inteligência artificial. O superávit comercial de abril aumentou para US$ 84,8 bilhões.


Nos primeiros quatro meses de 2026, o superávit comercial da China atingiu US$ 347,70 bilhões. Os novos pedidos de exportação alcançaram o maior patamar em dois anos em abril. As exportações para os Estados Unidos aumentaram 11,3% em abril, após uma queda de 26,5% em março, o que sugere que a relação comercial bilateral subjacente mantém um impulso significativo, mesmo sob condições de tarifas elevadas.


O superávit comercial da China atingiu o recorde de US$ 1,2 trilhão em 2025, resultado de uma diversificação deliberada e eficaz dos mercados de exportação. As remessas para a Europa, Sudeste Asiático, América Latina e África expandiram-se, reduzindo a dependência da China em relação a qualquer mercado específico. O bloco da ASEAN tornou-se um parceiro comercial mais importante para a China do que os Estados Unidos ou a União Europeia.


Essa diversificação, aliada à posição dominante da China no processamento de minerais críticos, no refino de terras raras e na manufatura avançada, significa que Pequim entra na cúpula com a resiliência econômica necessária para negociar a partir de uma posição de confiança.


O que está sobre a mesa

O prazo de 10 de novembro

O acordo comercial assinado na Cúpula de Busan, em outubro de 2025, reduziu as tarifas, garantiu o acesso dos EUA a minerais críticos e comprometeu a China a comprar 25 milhões de toneladas métricas de soja americana anualmente até 2028. O acordo expira em 10 de novembro de 2026, daqui a menos de seis meses.


O desfecho mais importante para os mercados globais no curto prazo é se esse acordo será prorrogado, ampliado ou expirado. Uma prorrogação sinaliza estabilidade. Uma expansão para um quadro de longo prazo eliminaria uma fonte de incerteza estrutural que tem afetado o investimento empresarial global desde 2018.


Uma falha nesse processo alteraria imediatamente os preços de risco nos mercados de commodities, pares de moedas e ações asiáticas.


A questão de Ormuz

O Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás antes do conflito, deverá estar entre os principais temas da agenda.


Ambos os governos desejam a reabertura do estreito. A China forneceu garantias de alto nível de que não fornecerá armas ao Irã, e o Secretário de Defesa, Hegseth, atribuiu esse compromisso à "relação forte e direta" entre os dois líderes.


Para os mercados de energia, qualquer progresso rumo à reabertura do Estreito de Ormuz aliviaria as pressões sobre os preços do petróleo e dos fertilizantes que têm impulsionado a inflação nas economias em desenvolvimento. A capacidade da China de servir como canal diplomático entre Washington e Teerã confere-lhe um papel singular na resolução de uma crise que afeta simultaneamente os preços globais da energia, os custos dos alimentos e as rotas de navegação.


A Agenda Comercial

Uma delegação de importantes CEOs americanos acompanhará o presidente, incluindo Steve Schwarzman, da Blackstone, Jane Fraser, do Citigroup, e os presidentes da Boeing e da Mastercard. A agenda comercial deverá incluir compras de aeronaves, acordos agrícolas e discussões sobre acesso a investimentos.


A presença dessa delegação, em paralelo ao programa diplomático, sinaliza que ambos os lados veem a visita como uma oportunidade para expandir os laços comerciais, e não apenas para gerir tensões políticas. Para a Boeing, que vem perdendo terreno para a Airbus no mercado chinês, novas encomendas teriam um impacto financeiro imediato.


Para os exportadores agrícolas, a continuidade e a possível expansão do compromisso com a soja proporcionariam segurança de preços pelo menos até 2028.


Por que esta visita presidencial é mais importante do que qualquer negócio individual

O Conselho de Relações Exteriores descreveu a cúpula como um esforço para estabilizar a relação bilateral, em vez de resolver disputas antigas. Essa abordagem subestima o que está em jogo.


O encontro das duas maiores economias do mundo em um período de crise energética simultânea, fragmentação do comércio e instabilidade geopolítica transmite uma mensagem que transcende qualquer comunicado: a economia global não pode se estabilizar sem a presença de ambas as potências. Nenhuma outra relação bilateral possui essa capacidade de influenciar os preços das commodities, redefinir as expectativas da cadeia de suprimentos e afetar as decisões de alocação de capital tanto em mercados desenvolvidos quanto em mercados emergentes simultaneamente.


Os dados comerciais comprovam isso. As exportações da China nos primeiros quatro meses de 2026 totalizaram mais de US$ 1,3 trilhão. Os Estados Unidos continuam sendo um dos maiores parceiros comerciais da China, apesar das elevadas tarifas. O superávit comercial bilateral com os EUA atingiu US$ 87,7 bilhões no período de janeiro a abril. Esses números refletem uma profunda interdependência econômica, do tipo que não pode ser desfeita por meio de tabelas tarifárias ou retórica política.


O contexto mais amplo torna o momento ainda mais significativo. O crescimento do comércio global desacelerou para 0,5% em 2026, segundo a OMC, o menor índice desde o início da pandemia. O bloqueio de Ormuz interrompeu os fluxos de energia na Ásia, no Oriente Médio e na Europa. Os preços dos alimentos estão subindo em economias dependentes de importações. Vinte e dois países de baixa renda estão em situação de sobreendividamento ou correm alto risco de endividamento.


Nesse contexto, uma cúpula bem-sucedida entre as duas maiores economias do mundo fornece um sinal estabilizador que nenhuma outra reunião, instituição ou acordo consegue replicar.


O que os mercados estão acompanhando

Para operadores de mercado e investidores institucionais, as implicações práticas se dividem em três categorias.

Commodities: Um sinal de continuidade da distensão daria suporte aos preços da soja, do milho e de outras commodities agrícolas, confirmando os compromissos de compra até 2028. Qualquer progresso em relação ao Ormuz aliviaria os preços do petróleo bruto, do GNL e dos fertilizantes, que estão elevados desde fevereiro.


Moedas: Uma relação estável ou em melhoria entre os EUA e a China normalmente alivia a pressão sobre o yuan (USD/CNY), sustenta moedas atreladas a commodities, como o dólar australiano (AUD/USD) e o real brasileiro (USD/BRL), e oferece um piso para as moedas de mercados emergentes asiáticos que têm sido negociadas com desconto em relação aos seus fundamentos.


Ações: Os mercados de ações asiáticos têm precificado o risco geopolítico ao longo de 2026. Uma cúpula que sinalize estabilidade plurianual, em vez de prorrogações contínuas de 90 dias, reduziria o prêmio de risco das ações asiáticas, particularmente em setores ligados a fluxos comerciais, cadeias de suprimentos de tecnologia e infraestrutura de energia.


O cenário de risco é igualmente claro. Um colapso nas negociações, uma escalada das tensões sobre questões bilaterais não resolvidas ou o não cumprimento do prazo de 10 de novembro redefiniriam o risco em todas as classes de ativos simultaneamente.


A Visita de Retorno

Espera-se que Xi Jinping faça uma visita presidencial de Estado recíproca a Washington ainda este ano. Essa expectativa, sinalizada na Cúpula de Busan e reforçada em conversas diplomáticas prévias à cúpula, é por si só um dado relevante para o mercado. Ela sugere que ambos os governos veem os encontros desta semana como o início de um engajamento diplomático contínuo, e não como um evento isolado.


Para os mercados globais, essa continuidade tem mais peso do que qualquer redução tarifária, compromisso com a soja ou encomenda de aeronaves. A incerteza estrutural que tem afetado negativamente o investimento transfronteiriço desde 2018 foi impulsionada menos por uma política comercial específica e mais pela percepção de que a relação bilateral poderia deteriorar-se de forma imprevisível a qualquer momento.


Um padrão de diálogo regular e de alto nível entre as duas maiores economias contribuiria mais para restaurar a confiança empresarial do que qualquer acordo isolado.


Considerações finais

A primeira visita presidencial dos EUA à China em quase nove anos ocorre em um momento em que a economia global precisa que seus dois maiores motores trabalhem em harmonia. O crescimento de 5,0% da China no primeiro trimestre, o desempenho recorde das exportações e a diversificação comercial eficaz na Ásia, África e América Latina demonstram uma economia que absorveu choques externos e manteve seu ritmo de crescimento.


A trégua comercial de outubro de 2025 expira em menos de seis meses, a crise de Ormuz permanece sem solução e o crescimento do comércio global desacelerou para o ritmo mais fraco desde o início da pandemia.


O fato de esta cúpula criar um arcabouço para um engajamento contínuo ou permanecer apenas uma visita simbólica com pouca concretização influenciará os preços das commodities, os mercados cambiais e os fluxos de capital em ambos os hemisférios. O mercado terá sua resposta até sexta-feira.

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