Por que as ações da Charter despencaram e o que os resultados do segundo trimestre precisam comprovar?
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Por que as ações da Charter despencaram e o que os resultados do segundo trimestre precisam comprovar?

Publicado em: 2026-07-22   
Atualizado em: 2026-07-22

O produto de crescimento mais rápido da Charter é o de serviços móveis, mas a banda larga ainda sustenta os negócios, e as ações perderam quase dois terços do seu valor em 12 meses.

Charter Stock

O primeiro trimestre trouxe a perda de 120 mil clientes de internet, uma queda de 1,4% na receita residencial mensal por cliente e US$ 94,3 bilhões em dívidas, deixando menos tempo para que o crescimento do setor de telefonia móvel faça mais do que amenizar os danos.


O relatório do segundo trimestre, que será divulgado em 24 de julho, precisa mostrar que as perdas na banda larga estão diminuindo antes que o mercado considere o dano permanente.


Principais conclusões

  • As ações da Charter fecharam a US$ 127,79 em 21 de julho, 68,2% abaixo de sua máxima de 52 semanas de US$ 402,15, sugerindo que o mercado está precificando uma erosão prolongada da banda larga em vez de um trimestre fraco isolado.

  • O número de clientes de internet caiu em 120.000 no primeiro trimestre, mais que o dobro da perda registrada no ano anterior, enquanto a receita com internet diminuiu 1,3%. O segundo trimestre deverá mostrar se a taxa de perda está se estabilizando ou se tornando estrutural.

  • A Spectrum Mobile adicionou 368.000 linhas e a receita de serviços aumentou 15,1%, embora as adições tenham desacelerado em relação às 507.000 do ano anterior. A recuperação agora depende do lucro e do fluxo de caixa, e não apenas do crescimento de linhas.

  • A Charter possuía US$ 94,3 bilhões em dívidas e uma alavancagem líquida de 4,15 vezes o EBITDA ajustado. O fluxo de caixa livre trimestral caiu 12,3%, para US$ 1,37 bilhão, enquanto as despesas líquidas com juros atingiram US$ 1,26 bilhão, deixando pouca margem para resultados operacionais mais fracos.

  • A Charter reduziu sua participação ponderada em 11,4% no primeiro trimestre, permitindo que o lucro básico por ação (EPS) aumentasse, mesmo com a queda de 4,4% no lucro líquido atribuível. Outro aumento no EPS não comprovaria uma melhora na banda larga, nas margens ou no fluxo de caixa.


Perdas de banda larga estão quebrando a antiga fórmula da Charter

Charter Communications

A Charter está perdendo clientes de banda larga mais rápido do que os preços conseguem compensar as perdas. A empresa encerrou março com 29,56 milhões de clientes de internet, uma queda de 464 mil em relação ao ano anterior, enquanto a receita com internet caiu 1,3%, para US$ 5,85 bilhões.


A Charter cresceu adicionando clientes de banda larga e aumentando os preços. Cada nova conexão diluía seus altos custos de rede em uma base maior, enquanto aumentos periódicos elevavam a receita por cliente. Essa combinação sustentava as margens de lucro, os investimentos de capital, o serviço da dívida e a recompra de ações.


A receita residencial mensal por cliente caiu 1,4%, para US$ 118,44. Os preços subjacentes permaneceram ligeiramente positivos, com um aumento de 0,3% após a exclusão do efeito contábil dos aplicativos de streaming incluídos no serviço de vídeo. A queda nos preços foi menor do que o valor divulgado sugere, mas aumentos modestos não conseguem compensar as centenas de milhares de conexões perdidas.


A Charter não conseguirá retomar o crescimento da banda larga apenas com preços mais altos. Ela precisa impedir que mais clientes optem por internet fixa sem fio e fibra óptica.


O crescimento da banda larga está migrando para conexões sem fio fixas e fibra óptica

A internet fixa sem fio compete em preço, conveniência e facilidade de instalação. A fibra óptica compete em velocidade, capacidade e melhor desempenho de upload. Com a penetração da banda larga nos EUA já elevada, a Charter tem menos residências disponíveis para substituir as que estão cancelando o serviço.


O último trimestre mostra uma crescente divisão no setor. Os provedores de cabo perderam clientes de banda larga, enquanto os serviços de fibra e internet fixa sem fio continuaram a crescer.

Empresa Alteração relatada no primeiro trimestre Tipo de conexão principal
Carta -120.000 Internet a cabo
Comcast -65.000 Banda larga doméstica
AT&T +584.000 Fibra e internet fixa sem fio
Verizon +341.000 Fibra e internet fixa sem fio

Fontes : Relatórios de resultados do primeiro trimestre de 2026 da Charter, Comcast, AT&T e Verizon. Os valores seguem as definições divulgadas por cada empresa.


As definições de relatórios variam de empresa para empresa, portanto, os números mostram a direção do crescimento da banda larga, e não uma transferência direta de clientes. O contraste mais acentuado é o da AT&T, com 584.000 novas adições de fibra e internet fixa sem fio, em comparação com a perda de 120.000 clientes de internet a cabo da Charter no mesmo trimestre.


A internet fixa sem fio precisa apenas oferecer velocidade suficiente a um preço mais baixo e com instalação mais fácil. A fibra óptica, por sua vez, oferece maior capacidade e desempenho de upload mais rápido, algo que a internet a cabo precisa compensar com atualizações de rede caras.


A Charter espera concluir seu programa de evolução da rede em 2027, trazendo velocidades simétricas mais rápidas e Wi-Fi aprimorado em uma área maior de sua cobertura. A tecnologia irá melhorar. O teste comercial será se essas atualizações reduzirão o cancelamento de assinaturas antes da conclusão da implementação.


O crescimento da tecnologia móvel está ganhando tempo, não substituindo a banda larga

A Spectrum Mobile está crescendo rapidamente, mas a Charter não demonstrou gerar lucro suficiente para compensar as perdas com banda larga. A empresa adicionou 368.000 linhas no primeiro trimestre, atingindo 12,13 milhões de linhas e aumentando a receita de serviços em 15,1%, para US$ 1,05 bilhão.


O serviço móvel também torna mais difícil o cancelamento do pacote de banda larga. A combinação de ambos os serviços pode reduzir a rotatividade de clientes e aumentar a receita de cada residência, oferecendo à Charter uma ferramenta de retenção que a banda larga a cabo sozinha não conseguiria proporcionar.


A questão ainda sem solução é a rentabilidade. O número de novos clientes de telefonia móvel diminuiu em relação aos 507.000 do ano anterior, enquanto os custos aumentaram, em parte devido ao aumento das despesas com serviços móveis e vendas de aparelhos. A Charter divulga seus resultados como um único segmento operacional, portanto, seus relatórios não revelam o lucro obtido pela Spectrum Mobile isoladamente.


A Charter provou que consegue adicionar linhas móveis. Mas não provou que essas linhas podem substituir o fluxo de caixa e o poder de precificação que estão desaparecendo da banda larga. Enquanto as margens e a conversão de caixa não melhorarem, a telefonia móvel continua sendo uma defesa contra as perdas da banda larga, e não uma substituta.


A dívida da Charter encarece cada falha de banda larga

A dívida de US$ 94,3 bilhões da Charter torna cada queda no fluxo de caixa da banda larga ainda mais prejudicial. A alavancagem líquida ficou em 4,15 vezes o EBITDA ajustado dos últimos 12 meses no final do primeiro trimestre, enquanto as despesas líquidas com juros no trimestre atingiram US$ 1,26 bilhão.


A rede ainda exige investimentos consideráveis, visto que o negócio principal está em declínio. Os gastos de capital aumentaram 19%, para US$ 2,86 bilhões, o fluxo de caixa livre caiu 12,3%, para US$ 1,37 bilhão, e a previsão de despesas para o ano todo permanece próxima de US$ 11,4 bilhões, antes de qualquer impacto da transação com a Cox.


A Charter precisa continuar aprimorando sua rede enquanto financia os juros e as necessidades operacionais normais. Um crescimento mais lento do EBITDA resulta em menos caixa disponível para reduzir a dívida, tornando cada perda de cliente ou decepção com os preços mais difícil de absorver.


A Charter não precisa de uma crise de solvência imediata para que suas ações permaneçam sob pressão. Se o fluxo de caixa enfraquecer enquanto o endividamento permanecer alto, a maior parte do prejuízo recairá sobre as ações.


A dívida, que antes impulsionava o crescimento da banda larga da Charter, agora amplifica todos os sinais de que a banda larga está encolhendo.


O acordo com a Cox amplia a mesma aposta

Charter Communications and Cox

O acordo da Charter com a Cox oferece maior escala e aproximadamente US$ 500 milhões em economia anual de custos, mas também aumenta a exposição ao modelo de banda larga atualmente sob pressão. A transação de US$ 34,5 bilhões traz cerca de US$ 12 bilhões em dívidas da Cox para um balanço patrimonial que já tem pouca margem para um fluxo de caixa mais fraco.


Uma rede maior poderia reduzir os custos operacionais e de capital, ao mesmo tempo que expandiria os pacotes de serviços da Spectrum Mobile e da Charter para toda a área de cobertura da Cox. Esses ganhos só gerarão valor duradouro se reduzirem a rotatividade de clientes e protegerem a receita mais rapidamente do que os custos de integração e financiamento absorverem as economias.


A Charter não está investindo em diversificação. Está investindo em mais serviços de TV a cabo.


A transação torna-se mais difícil de defender se as perdas de banda larga persistirem em toda a área de cobertura combinada. Uma escala maior, nesse caso, espalharia a mesma fragilidade por uma empresa maior, em vez de corrigi-la.


O sucesso do negócio será avaliado, em última análise, pela capacidade da maior escala em melhorar a retenção de clientes e o fluxo de caixa após a conclusão.


O que os resultados do segundo trimestre da Charter precisam comprovar em 24 de julho

O resultado do segundo trimestre da Charter será avaliado com base nas perdas com banda larga, nos preços subjacentes, na rentabilidade da área de telefonia móvel e no fluxo de caixa livre, e não no lucro por ação (LPA) divulgado. A empresa reduziu o número de ações ponderadas em 11,4% no primeiro trimestre, o que permitiu um aumento no LPA básico, mesmo com uma queda de 4,4% no lucro líquido atribuível. Portanto, outro aumento no LPA poderia mascarar um desempenho operacional mais fraco.


1) Perdas de banda larga

Uma queda para menos de 100.000 clientes representaria uma melhora significativa em relação ao primeiro trimestre e aos 117.000 clientes perdidos no segundo trimestre de 2025. Uma perda acima de 150.000 reforçaria a ideia de que a pressão competitiva está se tornando estrutural.


2) Preços subjacentes

A receita residencial por cliente deve permanecer positiva após a exclusão do efeito contábil dos aplicativos de streaming incluídos em pacotes. Um crescimento subjacente mais fraco demonstraria que a Charter está perdendo poder de precificação enquanto sua base de clientes diminui.


3) Crescimento e custos da telefonia móvel

Adições próximas aos 368.000 do primeiro trimestre manteriam o ritmo de crescimento. Uma desaceleração acentuada ou outro aumento desproporcional nos custos de serviços e dispositivos enfraqueceria a capacidade da telefonia móvel de compensar as perdas da banda larga.


4) EBITDA ajustado

O EBITDA ajustado caiu 2,2% no primeiro trimestre. Um resultado estável ou positivo indicaria que o controle de custos e o crescimento do segmento móvel estão começando a compensar a queda no setor de banda larga.


5) Fluxo de caixa livre

O fluxo de caixa livre caiu 12,3% no primeiro trimestre. Outra queda de dois dígitos reduziria a capacidade de redução da dívida e o investimento em rede necessário para competir com a fibra óptica.


Um único número forte não restaurará a confiança. Perdas menores na banda larga, combinadas com preços mais baixos, sugerem que a retenção está sendo comprada às custas da receita. Um forte crescimento no mercado de telefonia móvel, aliado a uma baixa conversão de caixa, resultaria em mais clientes sem melhorar a flexibilidade financeira.


O segundo trimestre deve demonstrar que as perdas com banda larga estão diminuindo sem comprometer preços, margens ou fluxo de caixa.


Perguntas frequentes

Quando a Charter divulgará seus resultados do segundo trimestre de 2026?

A Charter divulgará os resultados do segundo trimestre às 7h (horário do leste dos EUA) na sexta-feira, 24 de julho. A teleconferência começará às 8h (horário do leste dos EUA).


Será que a Spectrum Mobile consegue compensar as perdas da Charter no setor de banda larga?

Ainda não. Os serviços móveis podem reduzir a taxa de cancelamento e aumentar a receita por domicílio, mas a Charter não divulga o lucro específico dessa área. Essa compensação só se torna crível quando o crescimento da base de clientes gerar uma melhora visível nas margens e no fluxo de caixa livre.


A Charter está em risco devido à sua dívida?

A Charter não enfrenta uma crise de solvência óbvia no curto prazo, mas sua dívida de US$ 94,3 bilhões deixa pouca margem para um fluxo de caixa mais fraco. Perdas contínuas no setor de banda larga dificultariam o equilíbrio entre gastos com a rede, custos com juros e redução da dívida.


As ações da Charter podem cair ainda mais após o segundo trimestre?

Sim. Uma queda ainda maior se torna mais provável se o segundo trimestre confirmar que as perdas com banda larga são estruturais e o fluxo de caixa livre continuar se deteriorando. Um resultado por ação acima do esperado, por si só, não protegeria as ações de resultados operacionais mais fracos.


O segundo trimestre mostrará se a janela de recuperação está se estreitando

Os resultados de 24 de julho não recuperarão a posição da Charter no mercado de banda larga, mas precisam mostrar que a perda de clientes está diminuindo antes que a dívida e o fluxo de caixa mais fraco restrinjam o caminho para a recuperação. O segundo trimestre revelará se a Charter ainda tem tempo para corrigir os problemas que afetaram negativamente suas ações.

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