Por que as ações da CAR estão disparando se a Avis ainda parece frágil?
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Por que as ações da CAR estão disparando se a Avis ainda parece frágil?

Publicado em: 2026-04-21

As ações da CAR estão em alta porque o Avis Budget Group se tornou um evento raro na estrutura de mercado, onde uma base de acionistas concentrada, posições vendidas a descoberto significativas e compras por impulso estão se retroalimentando muito mais rapidamente do que os fundamentos da empresa conseguem explicar.


Em 21 de abril, as ações da Avis eram negociadas a US$ 608,80, após atingirem uma alta intradiária de US$ 618, o que representou uma valorização de mais de cinco vezes em relação aos níveis próximos a US$ 100 um mês antes. Análises recentes descreveram o movimento como um dos maiores short squeezes do mercado, enquanto o Barclays o classificou como "puramente técnico" após as ações atingirem níveis recordes.

CAR Stock

Esse contraste é o que torna a história digna de ser escrita agora. A Avis reportou uma receita de US$ 11,7 bilhões para o ano fiscal de 2025, mas também registrou um prejuízo líquido de US$ 995 milhões, incluindo um prejuízo de US$ 856 milhões no quarto trimestre. Os mesmos resultados mostraram uma dívida corporativa de US$ 6,073 bilhões, dívida de programas de veículos de US$ 19,188 bilhões e patrimônio líquido negativo de US$ 3,129 bilhões, o que deixa o cenário operacional muito mais fraco do que o gráfico das ações sugere.


Principais conclusões

  • A alta é principalmente técnica, e não impulsionada por resultados financeiros. A Barron's afirma que as ações subiram mais de cinco vezes em cerca de um mês e atribui esse movimento a uma grande pressão de venda a descoberto, em vez de uma reavaliação repentina dos negócios.

  • A liquidez das ações é excepcionalmente baixa. A Avis tinha aproximadamente 35,32 milhões de ações em circulação, enquanto a SRS Investment Management e a Pentwater Capital detinham juntas cerca de 71% das ações, com a exposição adicional a swaps elevando ainda mais seu interesse econômico combinado.

  • Os vendedores a descoberto continuam sendo fundamentais para a história. A Barron's relatou que aproximadamente 9 milhões de ações foram vendidas a descoberto até 31 de março, o que ajuda a explicar por que a cobertura forçada se tornou um fator tão importante na movimentação dos preços.

  • Os fundamentos ainda parecem frágeis. A Avis permanece altamente alavancada e com prejuízos significativos, segundo os últimos resultados anuais, mesmo mantendo uma escala de receita considerável.


O que realmente está impulsionando a alta das ações da CAR?

A explicação mais plausível é a própria compressão.

A explicação mais clara começa com a concentração de propriedade. O relatório de procuração da Avis de 2 de abril mostra 35,32 milhões de ações em circulação, com a SRS detendo cerca de 17,43 milhões de ações e a Pentwater cerca de 7,82 milhões. A Barron's acrescentou então uma camada crucial, relatando que os dois investidores também detinham exposição suficiente em swaps com liquidação financeira para elevar seu interesse econômico combinado para aproximadamente 107% da empresa.


Essa é uma situação extraordinária para qualquer ação, especialmente para uma que já tinha cerca de 9 milhões de ações vendidas a descoberto no final de março.


Quando uma ação com esse perfil começa a subir rapidamente, o mecanismo pode se tornar auto-reforçador. Os vendedores a descoberto que precisam fechar suas posições devem recomprar ações em um volume cada vez menor de ações disponíveis, enquanto os investidores que seguem a tendência geralmente adicionam nova demanda à medida que o movimento se acelera.


O resultado é uma valorização que pode superar a avaliação, pelo menos por um tempo, porque o comprador marginal não está avaliando o poder de ganho normalizado, mas reagindo à escassez e ao estresse de posicionamento.


A questão da procura de viagens parece secundária.

A Barron's observou que as longas filas de segurança nos aeroportos e a interrupção generalizada das viagens podem ter ajudado as locadoras de veículos, ainda que marginalmente, e essa narrativa se encaixa na ideia de que a demanda por aluguel de carros no curto prazo pode melhorar quando os viajantes buscarem alternativas. Mesmo assim, a escala e a velocidade da mudança da CAR parecem extremas demais para serem explicadas apenas por um modesto fator operacional favorável.


Uma empresa normalmente não registra um aumento de várias centenas de por cento em um mês devido ao aumento da demanda por viagens quando seus resultados mais recentes ainda mostram prejuízos consideráveis, patrimônio líquido negativo e alta alavancagem. As evidências mais fortes ainda apontam para uma crise inicial, com qualquer aumento na demanda atuando como um fator secundário, e não como a principal causa.


Por que a Avis ainda parece frágil?

As perdas e a alavancagem não desapareceram.

O último relatório de resultados financeiros oferece pouco respaldo à ideia de que a Avis já tenha concluído uma recuperação duradoura. A receita do quarto trimestre de 2025 foi de aproximadamente US$ 2,7 bilhões, mas a empresa ainda registrou um prejuízo líquido de US$ 856 milhões, enquanto o prejuízo líquido anual atingiu US$ 995 milhões.

Avis Budget Short Squeeze

Parte desse prejuízo decorreu de uma baixa contábil de US$ 518 milhões relacionada a determinados veículos elétricos de aluguel nos EUA e encargos associados, o que demonstra a rapidez com que a estratégia de frota pode pressionar os lucros quando os valores residuais e as projeções de utilização se movem na direção errada.


O balanço patrimonial continua sendo outro ponto de pressão evidente. A Avis encerrou 2025 com cerca de US$ 818 milhões em liquidez, o que lhe dá margem de manobra, mas a empresa também carregava US$ 6,073 bilhões em dívida corporativa e US$ 19,188 bilhões em dívida relacionada a programas de veículos.


Essas obrigações não impedem uma alta impulsionada por uma pressão de mercado, mas tornam mais difícil argumentar que o preço atual das ações reflete uma melhoria consolidada na qualidade dos negócios.


Um novo lote de ações poderia mudar o rumo da história.

Há também uma segunda força atuando por trás da alta: a administração agora tem uma opção clara para vender ações. A Avis protocolou um suplemento ao prospecto 424B5 em 27 de março de 2026, permitindo que a empresa emita até 5.000.000 de ações ordinárias por meio de uma oferta pública inicial (IPO).


Considerando que há aproximadamente 35,32 milhões de ações em circulação, esse número é suficientemente grande para fazer diferença caso a empresa utilize o programa de forma agressiva.


A Barron's informou que nenhuma unidade havia sido vendida até a sua cobertura de 20 de abril, mas a autorização por si só cria um excesso real de oferta, porque uma movimentação baseada na escassez se torna menos explosiva quando um novo lote entra no mercado.


O que os investidores devem acompanhar a seguir

Se o interesse em posições vendidas começar a diminuir.

Se os próximos dados sobre posições vendidas mostrarem que essas posições já foram reduzidas drasticamente, parte do impulso que impulsionou o movimento pode ter sido consumido. Caso as posições vendidas permaneçam elevadas enquanto o número de ações em circulação continuar baixo, a ação poderá permanecer volátil e vulnerável a novas altas aparentemente desvinculadas de sua avaliação.


Se a Avis realmente usa o programa de caixas eletrônicos

O pedido da empresa lhe confere flexibilidade, mas o mercado se preocupará mais com a execução do plano do que com a autorização em si. Se a Avis vender ações em alta, o balanço patrimonial poderá melhorar, mas essa mesma medida também enfraqueceria a escassez que amplificou a valorização de forma tão drástica.


Se os fundamentos começarem a acompanhar o ritmo

Para que as ações da CAR se mantenham nesses patamares por um período mais longo, os investidores precisariam observar resultados financeiros mais consistentes, menor alavancagem e evidências mais sólidas de que a empresa consegue gerar retornos duradouros sem depender de distorções de mercado. Até que esses indicadores melhorem, as ações ainda parecem mais uma expressão de estresse de posicionamento do que uma reavaliação convencional de seu valor intrínseco.


Perguntas frequentes

Por que as ações da CAR estão em alta hoje?

As ações da CAR subiram porque o mercado está enfrentando uma forte pressão de venda. A propriedade está concentrada, com aproximadamente 9 milhões de ações vendidas a descoberto no final de março, e o impulso de compras intensificou a pressão sobre os investidores que apostam na queda das ações e precisam cobrir suas posições.


A valorização das ações da Avis Budget é impulsionada por fundamentos sólidos?

Não principalmente. Os resultados anuais mais recentes ainda mostram um prejuízo líquido de US$ 995 milhões, dívida elevada e patrimônio líquido negativo, o que torna o cenário operacional muito mais fraco do que a recente valorização das ações sugere.


A diluição representa um risco real para as ações da CAR?

Sim. A Avis já apresentou um pedido de emissão de ações no mercado para até 5 milhões de ações, portanto a administração tem um mecanismo para captar recursos próprios caso opte por aproveitar a alta do mercado.


Será que a pressão pode continuar?

Isso pode acontecer, desde que as posições vendidas permaneçam altas e a quantidade de ações em circulação seja limitada, mas essa mesma configuração também torna a ação vulnerável a reversões abruptas assim que a pressão de cobertura diminuir ou surgir nova oferta.


Resumo

As ações da CAR estão em alta por razões reais, mas são principalmente técnicas, e não fundamentais. A explicação mais forte é um forte short squeeze, resultante da concentração de ações na bolsa, da baixa liquidez efetiva e do grande número de posições vendidas, enquanto a empresa, por trás da valorização, ainda apresenta grandes prejuízos recentes, alta alavancagem e uma opção de diluição ativa por meio de seu programa ATM de 5 milhões de ações.


A valorização das ações da CAR é genuína, mas o negócio subjacente ainda parece frágil.

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