Por que as ações da Raia Drogasil (RADL3) caíram?
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Por que as ações da Raia Drogasil (RADL3) caíram?

Autor:Pietro Costa

Publicado em: 2026-06-04

As ações da Raia Drogasil (RADL3), hoje sob a marca RD Saúde, caíram cerca de 20% no acumulado de 2026, saindo da casa dos R$ 23,45 no início do ano para perto de R$ 18,77. O recuo chama atenção porque o setor farmacêutico é visto como resiliente, com demanda que costuma resistir bem a crises.


A queda combina fatores: um lucro reportado abaixo do padrão histórico da empresa, um valuation que sempre foi elevado e o peso dos juros altos sobre ações de crescimento. Ao mesmo tempo, a operação seguiu crescendo, o que dividiu a leitura do mercado entre risco e oportunidade.


A seguir, você vai entender o que a empresa faz, por que o papel recuou, se a operação continua saudável e o que os analistas projetam.


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O que é a Raia Drogasil (RD Saúde)?


A RD Saúde é a maior rede de farmácias do Brasil, dona das marcas Droga Raia e Drogasil, com mais de 3,5 mil lojas em operação. Embora não figure entre as maiores empresas do mundo, é uma gigante do varejo nacional, combinando presença física com uma operação digital cada vez mais relevante.


O negócio é considerado defensivo porque medicamentos, produtos de saúde, higiene e beleza têm demanda recorrente. As pessoas continuam comprando remédios mesmo em momentos de aperto, o que dá previsibilidade à receita e historicamente justificou múltiplos altos para o papel.


O modelo de crescimento da rede combina a abertura constante de novas lojas com o avanço do canal digital, incluindo aplicativo próprio, entrega rápida e programas de fidelidade. Essa estratégia de expansão acelerada exige caixa no curto prazo, já que lojas novas demoram alguns anos para atingir a maturidade de vendas. Em um cenário de juros altos, esse investimento contínuo passa a ser visto com mais rigor pelo mercado, que cobra retorno mais rápido sobre cada unidade aberta.


Por que as ações da Raia Drogasil (RADL3) caíram?


O primeiro fator foi o resultado. No primeiro trimestre de 2026, o lucro líquido reportado caiu 9,4% na comparação anual, somando R$ 173 milhões, um número considerado fora do padrão da companhia. No critério ajustado, o lucro saltou para perto de R$ 300 milhões, mas boa parte veio de itens não recorrentes, o que deixou o mercado cauteloso quanto à qualidade do balanço.


O segundo fator foram os juros. Com a taxa básica elevada, ações de empresas de crescimento e múltiplo alto ficam menos atraentes, porque o investidor passa a exigir retornos maiores. Acompanhar quando ocorre a reunião do Copom virou parte da análise, já que a trajetória da Selic afeta diretamente o apetite por papéis como a RADL3.


O terceiro elemento é um receio específico do setor. A possível chegada do genérico da semaglutida, princípio ativo de remédios para diabetes e obesidade, pode pressionar preços a partir do segundo semestre de 2026. Esse tipo de movimento lembra a consolidação vista em consolidação em genéricos, que muda a dinâmica de margens em toda a cadeia farmacêutica.


A queda esconde uma operação saudável?


Os números operacionais sugerem que sim. Em 2025, a receita bruta consolidada chegou a R$ 47,6 bilhões, alta de 13,9%, com Ebitda ajustado de R$ 3,4 bilhões, avanço de 12,8%. A empresa também acelerou as vendas digitais e seguiu expandindo a rede de lojas, sinais de que a operação continua ganhando escala.


A companhia ainda fez ajustes no portfólio, como a venda da 4Bio por R$ 600 milhões, simplificando a estrutura. Movimentos de queda em empresas de saúde não são exclusividade do Brasil, como mostram as ações do setor de saúde que enfrentaram correções no exterior, em um ambiente de revisão de margens no segmento.


Há ainda o chamado efeito dos medicamentos para emagrecimento, que ampliou o fluxo de clientes nas farmácias. Para parte dos analistas, o aumento de volume pode compensar, ao menos em parte, uma eventual queda de preços com a entrada dos genéricos.


Esse ponto merece atenção porque tem dois lados. De um lado, os remédios da classe GLP-1, usados para diabetes e perda de peso, viraram um dos produtos de maior crescimento nas farmácias e atraíram um público novo às lojas. De outro, quando a versão genérica chegar ao mercado, o preço médio desses produtos tende a cair de forma acentuada, o que pode reduzir o faturamento por unidade vendida mesmo com mais clientes comprando. O equilíbrio entre esses dois efeitos será decisivo para o resultado dos próximos trimestres.


O que dizem os analistas sobre a RADL3?


Apesar do ano difícil, há visões otimistas. Algumas casas, como o JP Morgan, enxergam potencial de valorização expressivo, com estimativas que apontam mais de 40% de alta em relação aos preços recentes. Os preços-alvo de bancos giram em torno de R$ 24 a R$ 25, acima da cotação atual.


A tese de recuperação se apoia na combinação de crescimento de receita, ganho de eficiência e demanda estrutural por saúde. O ponto de atenção é o tempo: o mercado quer ver o lucro voltar ao padrão histórico antes de pagar múltiplos mais altos novamente.


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Quais riscos seguem no radar?


O principal risco é a compressão de margens com a chegada dos genéricos, que pode chegar perto de 50% de queda de preço em algumas categorias. Some-se o ambiente de juros, em que a política monetária apertada segue pressionando ações de crescimento, e a concorrência acirrada no varejo farmacêutico.


Há também o risco de o investidor pagar caro por uma recuperação que pode demorar. Mesmo com a queda, o papel historicamente negocia a múltiplos elevados, o que exige confiança na retomada do lucro para justificar a compra.


Conclusão


A queda das ações da Raia Drogasil em 2026 misturou lucro abaixo do esperado, juros altos e receio com genéricos, mesmo com a operação seguindo em crescimento. Para quem acredita na resiliência do setor e na recuperação do lucro, a correção pode representar oportunidade. Para os mais cautelosos, o múltiplo ainda elevado e os riscos de margem pedem paciência antes de decidir. O ponto-chave será observar, nos próximos balanços, se o lucro reportado volta a se aproximar do potencial da operação.


Perguntas frequentes (FAQ)


Por que o setor de farmácias é considerado resiliente?

Porque medicamentos e itens de saúde têm demanda recorrente, que pouco varia com crises, dando à receita das redes maior previsibilidade.


O que são itens não recorrentes em um balanço?

São efeitos pontuais, como venda de ativos ou ajustes fiscais, que entram no resultado de um período, mas não tendem a se repetir nos seguintes.


O que é a semaglutida?

É o princípio ativo de medicamentos usados no tratamento de diabetes e obesidade, cujo genérico pode alterar preços e volumes no setor farmacêutico.


Por que a Raia Drogasil vendeu a 4Bio?

A venda, por R$ 600 milhões, fez parte de um ajuste de portfólio, simplificando a estrutura e concentrando o foco no varejo farmacêutico principal.


Múltiplo alto significa ação cara?

Em geral indica que o investidor paga mais por cada real de lucro, apostando em crescimento futuro. Isso aumenta o risco se o resultado não acompanhar.



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