O Bitcoin vai acabar? Perspectiva realista para o BTC
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O Bitcoin vai acabar? Perspectiva realista para o BTC

Autor:Pietro Costa

Publicado em: 2026-02-17

Sempre que o Bitcoin cai de forma abrupta, a mesma pergunta ressurge com força: o bitcoin vai acabar? Movimentos intensos no gráfico do BTCUSD alimentam manchetes pessimistas e ampliam a sensação de que o ativo pode estar próximo do fim. Em mercados voláteis, medo e preço costumam andar juntos.


No entanto, preço e sobrevivência não são sinônimos. Para avaliar se o Bitcoin pode chegar a zero, é preciso analisar fundamentos econômicos, arquitetura tecnológica, dinâmica de adoção e contexto macrofinanceiro. Sem essa estrutura analítica, qualquer conclusão tende a ser emocional, não racional.


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O Bitcoin realmente pode chegar ao fim?


A hipótese de extinção exige condições extremas. Um ativo desaparece quando perde utilidade, confiança e demanda de forma simultânea. No caso do bitcoin, isso implicaria um colapso estrutural da rede, rejeição global coordenada ou abandono completo por parte de usuários e investidores.


A rede opera de maneira descentralizada, com milhares de participantes validando transações. Não depende de uma empresa específica nem de um banco central. Esse desenho reduz o risco de encerramento unilateral.


Além disso, a política monetária é previsível. A oferta total é limitada a 21 milhões de unidades. Diferentemente de moedas fiduciárias, não há expansão discricionária. Essa escassez programada sustenta parte relevante da narrativa de valor.


Para que o bitcoin chegasse efetivamente a zero, seria necessário que ninguém, em nenhum mercado relevante, estivesse disposto a pagar qualquer valor por ele. Na prática, enquanto houver utilidade percebida ou expectativa futura de valorização, o preço tende a encontrar algum nível de equilíbrio.


Por que a queda do Bitcoin gera tanto medo?


A queda do bitcoin costuma ser rápida e profunda. Em ciclos anteriores, o ativo já recuou mais de 70% em relação às máximas históricas. Esse padrão cria a percepção de fragilidade estrutural.


Contudo, volatilidade não equivale a falência. Em mercados financeiros, ativos inovadores passam por fases de euforia, excesso de alavancagem e posterior correção. O gráfico do BTCUSD reflete esse comportamento cíclico.


Grande parte das correções ocorre em ambientes de aperto monetário. Quando bancos centrais elevam juros e drenam liquidez, investidores reduzem exposição a ativos considerados mais arriscados. O bitcoin, ainda classificado por muitos como ativo de risco, tende a sofrer nessas fases.


A pergunta relevante não é simplesmente por que o bitcoin caiu, mas se a infraestrutura e a adoção também estão encolhendo. Historicamente, mesmo após quedas expressivas, a rede manteve crescimento em termos de desenvolvimento, custódia institucional e integração com o sistema financeiro.


O Bitcoin vai acabar? O histórico já respondeu essa pergunta


Essa pergunta não surgiu agora. Ela apareceu com força em 2011, quando o preço despencou mais de 90% após seu primeiro grande rali especulativo. Voltou em 2013 depois do colapso de grandes plataformas de negociação.


Reapareceu em 2018, após a euforia das ICOs e a queda superior a 80% no ciclo seguinte. E novamente ganhou destaque em 2022, com a contração de liquidez global, falências no setor cripto e forte correção no BTCUSD.


Em todas essas ocasiões, o diagnóstico foi semelhante: excesso de especulação, fim da narrativa e suposta morte estrutural do ativo. Ainda assim, a rede continuou produzindo blocos a cada aproximadamente dez minutos, o desenvolvimento técnico avançou e novos participantes entraram no mercado.


O bitcoin caiu, perdeu valor de mercado temporariamente e enfrentou descrédito, mas não desapareceu. A recorrência dessa previsão fracassada revela mais sobre a natureza cíclica dos mercados do que sobre a viabilidade estrutural do próprio bitcoin.



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O que sustenta o valor do Bitcoin no longo prazo?


O valor do bitcoin não está ancorado em fluxo de caixa tradicional, como ações. Ele depende de três pilares centrais.


Primeiro: escassez digital verificável. A limitação da oferta cria uma dinâmica semelhante à de ativos escassos, como ouro. Em contextos de desvalorização cambial ou expansão monetária agressiva, ativos escassos tendem a ganhar relevância estratégica.


Segundo: neutralidade e resistência a censura. A rede permite transferência de valor sem intermediários tradicionais. Em regiões com controles de capital ou sistemas financeiros instáveis, essa característica possui valor concreto.


Terceiro: efeito de rede. Quanto mais participantes utilizam e validam o sistema, maior a robustez e a legitimidade. A consolidação do mercado de derivativos, a presença de produtos regulados e a entrada de investidores institucionais reforçam essa dinâmica.


Esses fatores não eliminam risco. Eles apenas explicam por que o ativo sobreviveu a múltiplos ciclos de queda e continua relevante no debate sobre reserva alternativa de valor.


A regulação pode inviabilizar o mercado?


A regulação é frequentemente vista como ameaça existencial. Na prática, ela tende a transformar o ambiente, não eliminá lo.


Restrições severas em determinadas jurisdições podem reduzir liquidez local e pressionar preços no curto prazo. Porém, o caráter descentralizado dificulta a erradicação global. Mesmo em países com restrições à mineração ou negociação, a atividade migrou para outras regiões.


Por outro lado, clareza regulatória costuma atrair capital institucional. Gestores de grande porte exigem segurança jurídica. Quando regras são definidas, a percepção de risco sistêmico diminui.


Para destruir completamente o bitcoin, seria necessária coordenação internacional eficaz e fiscalização tecnológica ampla. Esse cenário é operacionalmente complexo e politicamente improvável no ambiente geopolítico atual.


O Bitcoin pode ser substituído por outra tecnologia?


Outra preocupação recorrente envolve obsolescência tecnológica. O mercado cripto é competitivo, com milhares de projetos prometendo maior velocidade ou funcionalidades adicionais.


Entretanto, o bitcoin mantém a maior capitalização, o maior poder computacional dedicado à segurança da rede e a marca mais reconhecida globalmente. Em sistemas monetários, confiança acumulada ao longo do tempo é ativo estratégico.


Substituição exigiria migração maciça de capital e consenso social em escala global. Até o momento, nenhum outro protocolo demonstrou capacidade de deslocar o bitcoin como principal reserva digital descentralizada.


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Como o cenário macro influencia o BTCUSD?


O comportamento do BTCUSD está fortemente ligado ao ciclo de liquidez global. Três variáveis são decisivas: juros reais, política monetária e apetite por risco.


Em ambientes de juros reais negativos e expansão monetária, investidores buscam ativos alternativos. Nessas fases, o bitcoin tende a se beneficiar.


Já em períodos de aperto monetário e fortalecimento do dólar, ocorre compressão de liquidez. Ativos voláteis sofrem reprecificação. Essa dinâmica explica por que o bitcoin caiu de forma significativa em ciclos de política monetária mais restritiva.


A longo prazo, se consolidar posição como reserva estratégica e instrumento de proteção, a correlação com ativos de risco pode diminuir. Esse processo, porém, depende de maturidade adicional do mercado.


Existe cenário plausível para o Bitcoin ir a zero?


Embora improvável, o risco extremo não é inexistente. Alguns cenários teóricos incluem:


Uma falha criptográfica estrutural que comprometa a segurança da rede.

Perda total de confiança por parte dos principais participantes do mercado.

Proibição coordenada global com capacidade real de bloqueio tecnológico.

No entanto, cada um desses eventos isoladamente não garante colapso absoluto. A combinação simultânea é que tornaria o cenário de preço zero plausível.

Em termos probabilísticos, trata-se de evento de baixa frequência, mas impacto elevado. Investidores precisam ponderar essa assimetria ao decidir exposição.


O investidor deve evitar o ativo por medo de colapso?


O medo de que o bitcoin vá acabar leva muitos a evitar qualquer exposição. Essa decisão pode ser coerente para perfis conservadores.


Por outro lado, a inclusão de pequena parcela em portfólio diversificado pode oferecer assimetria positiva. O ativo apresenta volatilidade elevada, mas também potencial de valorização em ciclos favoráveis.


A gestão de risco é central. Exposição excessiva amplifica perdas em momentos de queda do bitcoin. Alocação moderada, compatível com o perfil do investidor, reduz impacto emocional e financeiro.


Perguntas Frequentes sobre a queda do Bitcoin


O que diferencia o bitcoin de outras criptomoedas?
O principal diferencial está na segurança da rede, no histórico mais longo de funcionamento e na maior descentralização. Esses fatores reforçam confiança e reduzem o risco percebido em comparação com projetos mais recentes.


Por que o preço oscila tanto em períodos curtos?
A volatilidade decorre de liquidez global, especulação, uso de alavancagem e sensibilidade a notícias macroeconômicas. Como o mercado ainda é relativamente menor que o de moedas tradicionais, movimentos são mais intensos.


A limitação de 21 milhões garante valorização?
Não garante. A escassez é condição necessária para sustentar valor, mas não suficiente. A demanda precisa permanecer ativa para que o preço se mantenha ou suba.


É possível que governos criem alternativas que reduzam a relevância do bitcoin?
Moedas digitais estatais podem competir em eficiência, mas não replicam descentralização e oferta limitada. Elas podem reduzir parte da demanda especulativa, mas não necessariamente eliminam a proposta original do bitcoin.


Quem investe precisa acompanhar o mercado diariamente?
Não obrigatoriamente. Estratégias de longo prazo podem reduzir impacto de oscilações diárias. Contudo, entender o ambiente macroeconômico ajuda a contextualizar movimentos mais amplos.


Conclusão


A pergunta sobre se o bitcoin vai acabar simplifica um fenômeno estrutural complexo. O ativo já enfrentou ciclos de euforia e colapsos expressivos, sem que sua rede deixasse de operar ou sua relevância diminuísse de forma estrutural.


Ir a zero exigiria combinação rara de falha tecnológica, repressão global eficaz e abandono completo da demanda. Embora teoricamente possível, esse cenário permanece de baixa probabilidade diante da maturidade atual do ecossistema.


O debate mais produtivo não é se o bitcoin vai chegar a zero, mas qual papel ele pode desempenhar em um sistema financeiro em transformação. Em vez de previsões absolutas, investidores devem focar em probabilidade, gestão de risco e visão estratégica de longo prazo.



Isenção de responsabilidade: Este material é apenas para fins informativos gerais e não deve ser considerado como aconselhamento financeiro, de investimento ou outro. Nenhuma opinião dada no material constitui uma recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, segurança, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa específica.