Publicado em: 2026-02-14
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos desacelerou para 3.1% em base anual, abaixo da projeção de 3.3%, enquanto o núcleo avançou 3.3%, também inferior ao consenso. O dado reduziu imediatamente os yields do Treasury de 10 anos para a faixa de 4.10%–4.15%, impulsionando S&P 500. Nasdaq e contratos futuros do Dow Jones. O movimento recolocou na curva a probabilidade de dois cortes de juros pelo Federal Reserve no segundo semestre.

Nas primeiras horas após a divulgação, o S&P 500 avançou mais de 1%, o Nasdaq Composite superou 1.5% e setores sensíveis a juros, tecnologia e consumo discricionário, lideraram ganhos. Empresas como Cisco Systems, McDonald's e AppLovin também reagiram a resultados trimestrais, adicionando volatilidade tática ao fluxo institucional.
- Inflação abaixo do consenso reduz pressão sobre o Federal Reserve e reabre janela para flexibilização monetária.
- Yields em queda sustentam múltiplos mais altos, especialmente para tecnologia e growth.
- Fluxo institucional rotacionando de defensivos para setores cíclicos.
- Rompimento técnico próximo a máximas históricas amplia probabilidade de extensão do movimento.
- Risco-chave: núcleo de serviços ainda resiliente pode limitar cortes agressivos.
O ponto mais relevante não é apenas o número cheio do CPI, mas a composição: desaceleração em bens e moderação gradual em aluguéis. Para gestores quantitativos e fundos macro, isso reduz o risco de surpresa hawkish na próxima reunião do Fed. Em termos práticos: o custo de capital projetado para 12 meses cai, impactando diretamente valuation de empresas com fluxo de caixa mais longo, caso clássico do Nasdaq.

- Resistência anterior próxima às máximas recentes.
- Setores líderes: tecnologia, semicondutores, consumo discricionário.
- Múltiplo forward P/E volta a expandir com expectativa de cortes.
- Alta sensibilidade à taxa real.
- Empresas de software e semicondutores aceleraram após queda dos yields.
- Volatilidade implícita caiu após divulgação do CPI.
- Movimento mais moderado.
- Empresas industriais e defensivas responderam menos ao dado inflacionário.
Tecnicamente, o S&P 500 mantém estrutura de topos e fundos ascendentes no gráfico diário. O índice trabalha acima das médias móveis de 50 e 200 períodos, reforçando viés primário positivo.
- Suporte imediato: região da média de 50 dias.
- Resistência: máxima histórica recente.
- RSI ainda abaixo de sobrecompra extrema, abrindo espaço para continuidade.
- Operações de rompimento ganham probabilidade estatística quando combinadas com expansão de volume.
- Pullbacks curtos tendem a ser defendidos enquanto yields permanecerem abaixo de 4.30%.
- Monitorar VIX: queda consistente abaixo de 15 fortalece cenário de risk-on.
- Guidance revisado com foco em demanda corporativa.
- Reação mista, refletindo margens sob pressão em hardware.
- Crescimento de vendas globais moderado.
- Sensibilidade a consumo e inflação de alimentos ainda relevante.
- Forte crescimento em monetização de anúncios.
- Papel altamente volátil, beneficiado por ambiente de juros mais baixos.
| Variável |
- Aumento gradual de exposição a setores sensíveis a juros.
- Preferência por empresas com geração de caixa consistente.
- Avaliar hedge parcial via ouro ou utilities.
- Foco em rompimentos confirmados.
- Gestão ativa de risco com stop abaixo da mínima anterior.
- Atenção à próxima divulgação de dados de emprego.
Não garante. Reduz a pressão inflacionária, mas o Fed observa núcleo de serviços e mercado de trabalho antes de decidir cortes consistentes.
Empresas de tecnologia possuem valuation mais sensível ao custo de capital. Queda nos yields amplia valor presente dos fluxos futuros.
Sim. Energia, salários e serviços ainda são vetores de risco. Um novo choque pode alterar rapidamente a precificação da curva.
Depende do perfil. Estruturalmente positivo, mas entradas após rompimentos confirmados reduzem risco técnico.
Monitorar volume, volatilidade implícita e comportamento dos yields. Evitar alavancagem excessiva em dias de forte gap.
A desaceleração do CPI reprecificou expectativas de política monetária e sustentou a expansão de múltiplos no curto prazo. O movimento não é apenas emocional; há fundamento quantitativo na queda das taxas reais e no ajuste da curva futura de juros.
Entretanto, o mercado já antecipa cortes relevantes. Se os próximos dados, especialmente payroll e núcleo de serviços, não confirmarem a tendência de desinflação, parte do rali pode ser devolvida. Para investidores estratégicos, o cenário favorece exposição calibrada a setores sensíveis a juros, com disciplina de valuation. Para traders, o ambiente é de oportunidade, mas exige leitura constante de fluxo, volume e comportamento dos Treasuries.
O pano de fundo continua sendo política monetária e lucro corporativo. Enquanto ambos convergirem para estabilidade e crescimento moderado, a estrutura primária do mercado permanece construtiva, mas não imune a correções técnicas rápidas.
Aviso: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não constitui (nem deve ser considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou de qualquer outra natureza que deva ser levado em consideração. Nenhuma opinião expressa neste material constitui uma recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento em particular seja adequado para qualquer pessoa específica.