Banco Master e Biomm: os empréstimos de R$ 336 milhões
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Banco Master e Biomm: os empréstimos de R$ 336 milhões

Autor:Pietro Costa

Publicado em: 2026-07-21   
Atualizado em: 2026-07-21

O Banco Master registrou ter emprestado R$ 336 milhões a acionistas e conselheiros da farmacêutica Biomm no mesmo período em que Daniel Vorcaro, então controlador do banco, se tornava o maior acionista individual da companhia, segundo reportagem da coluna Demétrio Vecchioli, do Metrópoles. Os créditos foram concedidos em 2024, justamente na janela em que as ações da Biomm se valorizaram mais de 300% na B3, entre fevereiro e maio daquele ano.


O caso ganhou relevância porque o desenho da operação é apontado como semelhante ao investigado pela Comissão de Valores Mobiliários no episódio da Ambipar, em que a área técnica da autarquia vê indícios de atuação coordenada para inflar o preço das ações. Nenhuma condenação foi proferida, e os envolvidos negam irregularidades. Abaixo, os fatos conhecidos até aqui e por que eles importam para quem investe.


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O que aconteceu entre o Banco Master e a Biomm?


De acordo com as reportagens, Daniel Vorcaro entrou no capital da Biomm por meio do fundo Catargo, comprando as sobras de um aumento de capital realizado pela farmacêutica em 2023. A participação de cerca de 18% foi homologada em janeiro de 2024 e depois chegou a 25,86%, tornando o banqueiro o maior acionista individual da companhia, dona de uma fábrica de insulina em Nova Lima, Minas Gerais.


No mesmo intervalo, o Banco Master, controlado por Vorcaro, teria concedido R$ 336 milhões em empréstimos e cessões de crédito a dois fundadores da empresa, um conselheiro e um investidor. A coincidência temporal entre a entrada do controlador do banco no capital, os créditos a pessoas ligadas à companhia e a disparada das ações é o ponto central levantado pelas reportagens.


O pano de fundo é a fase de expansão da farmacêutica. Nesse período, a Biomm firmou contratos com o Ministério da Saúde para produção de insulina no valor de R$ 303,65 milhões, e a inauguração das novas instalações da fábrica contou com a presença do presidente da República e de ministros das áreas de Saúde, Fazenda e Minas e Energia. Não há, até o momento, informação oficial de investigação que relacione a entrada de Vorcaro na empresa a qualquer atuação do governo federal.


Quem recebeu os empréstimos do Banco Master?


O beneficiário de maior destaque é Walfrido dos Mares Guia, fundador da Biomm, ex-deputado federal e ex-ministro do governo Lula, que recebeu duas cessões de crédito somando R$ 45,5 milhões, sendo R$ 10 milhões em janeiro e R$ 35 milhões em fevereiro de 2024. Ao Metrópoles, o empresário afirmou que usou os recursos para subscrever o aumento de capital da própria Biomm e negou qualquer irregularidade, dizendo que a companhia tem capital pulverizado e não possui controlador.


Outro caso citado é o de Pedro Mesquita, ex-chefe do banco de investimento da XP e fundador da Exa Capital, indicado pelo Master para o conselho de administração da Biomm. Segundo a reportagem, ele tomou R$ 10,3 milhões emprestados em 21 de abril de 2024, nove dias antes de ser eleito conselheiro, além de um financiamento anterior de R$ 5,1 milhões em janeiro. Parte desses créditos foi depois repassada a outras instituições, incluindo o banco que viria a ser alvo da liquidação do Banco Pleno decretada pelo Banco Central.


Qual é a semelhança com o caso Ambipar investigado pela CVM?


A área técnica da CVM investiga se Vorcaro, o investidor Nelson Tanure e o CEO da Ambipar teriam agido em conluio para inflar as ações da companhia entre junho e agosto de 2024, por meio de compras coordenadas. No caso da Biomm, as reportagens apontam um padrão parecido: crédito farto do banco a pessoas ligadas à empresa em período de forte valorização dos papéis. Entender o papel da CVM ajuda a dimensionar o que está em jogo, já que cabe à autarquia apurar manipulação de preços e abuso de informação no mercado brasileiro.


Um detalhe destacado pela reportagem chama atenção pelo padrão dos valores: o crédito concedido a Pedro Mesquita em abril seria idêntico, até nos centavos, aos empréstimos concedidos a Walfrido dos Mares Guia e a outro beneficiário, enquanto o financiamento anterior corresponderia exatamente à metade desse montante. Coincidências desse tipo não provam nada por si só, mas costumam ser o tipo de indício que leva reguladores a aprofundar a análise das operações.


É importante separar o que é fato registrado do que é suspeita. Os empréstimos constam de registros citados pelas reportagens, e a valorização das ações é pública. A eventual coordenação para inflar os papéis, porém, é objeto de apuração, e não há decisão administrativa ou judicial que a confirme até o momento.


O que o caso significa para o mercado e para os investidores?


O episódio se soma a uma sequência que já incluía a prisão de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal e a liquidação extrajudicial do Banco Master decretada pelo Banco Central. Com a liquidação, a participação ligada ao banqueiro na Biomm, avaliada em torno de R$ 250 milhões para uma companhia com valor de mercado próximo de R$ 1 bilhão, entrou no caminho da venda para pagar credores. Reportagens indicam ainda que parte dessas ações foi repassada ao Banco de Brasília em compensações ligadas a carteiras de crédito, capítulo que se conecta à relação entre BRB e Banco Master já analisada anteriormente.


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Para o investidor, o caso é um lembrete de que governança importa tanto quanto balanço. Empresas com estruturas societárias opacas, partes relacionadas ativas no crédito e valorizações abruptas sem fato gerador claro merecem escrutínio redobrado. O histórico recente de falências bancárias no Brasil mostra como problemas de governança em instituições financeiras podem contaminar empresas investidas e acionistas minoritários.


Conclusão


O caso Banco Master e Biomm ainda está em aberto. Os números conhecidos, R$ 336 milhões em créditos a pessoas ligadas à farmacêutica e uma alta de mais de 300% nas ações em poucos meses, explicam por que o episódio atraiu a atenção de jornalistas e do regulador. A comparação com a investigação da Ambipar indica que a CVM tende a olhar com lupa operações em que crédito bancário e movimentos acionários se entrelaçam.


Enquanto as apurações avançam, a lição prática permanece: diversificar posições, acompanhar a qualidade da governança das companhias investidas e desconfiar de valorizações desconectadas de fundamentos são defesas básicas de qualquer carteira.


Se este caso reforçou sua preferência por companhias globais com padrões de governança consolidados, a página de stock CFDs da EBC apresenta CFDs de ações internacionais selecionadas, com possibilidade de posições compradas ou vendidas e negociação nos horários das bolsas de origem. CFDs são produtos alavancados de risco elevado, e cada trader deve avaliar sua adequação ao próprio perfil.


Perguntas Frequentes (FAQ)


O que é a Biomm?

É uma farmacêutica brasileira de capital aberto listada na B3, conhecida pela fábrica de insulina em Nova Lima, Minas Gerais, inaugurada em 2024.


A Biomm tem contratos com o governo federal?

Sim. Reportagens citam contratos com o Ministério da Saúde para produção de insulina no valor de R$ 303,65 milhões.


O que é uma cessão de crédito?

É a transferência de um crédito de um credor para outro. No caso, créditos concedidos pelo Master foram repassados a bancos como o antigo Voiter, depois Banco Pleno.


O que acontece com as ações da Biomm ligadas ao Master?

Com a liquidação do banco, a participação de 25,86% ligada ao fundo Catargo deve ser vendida para pagar credores, processo que pode levar cerca de um ano.


Alguém já foi condenado neste caso?

Não. Há investigações e apurações em curso, incluindo a análise da CVM sobre o caso Ambipar, mas nenhuma condenação foi proferida até o momento.


Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.