Publicado em: 2026-04-15
O maior golpe financeiro da história do Brasil é o caso Banco Master. A fraude, investigada pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, gerou um rombo estimado em R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), afetou 1,6 milhão de clientes e expôs conexões que chegaram aos três Poderes da República. O Ministério da Fazenda classificou oficialmente o caso como a maior fraude bancária da história do país.
O epicentro do escândalo é o banqueiro Daniel Vorcaro, que assumiu o controle do então Banco Máxima em 2018 e o transformou no Banco Master. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação da instituição e a Polícia Federal prendeu Vorcaro no aeroporto de Guarulhos quando ele tentava embarcar para Dubai. O caso ainda está em curso, com novas revelações surgindo a cada semana.

O Banco Master surgiu da aquisição do antigo Banco Máxima por Daniel Vorcaro e sócios a partir de 2018. Com uma capitalização inicial de R$ 400 milhões e receita estimada em R$ 190 milhões no primeiro ano, o banco cresceu de forma acelerada e pouco usual para o padrão do setor.
A estratégia de crescimento se baseava em um mecanismo simples, mas de alto risco: oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDB) com rentabilidade muito acima da média do mercado, chegando a 140% do CDI em algumas modalidades. Esses títulos tinham cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que funcionava como argumento de segurança para atrair investidores de varejo.
O que os clientes não sabiam é que, em vez de montar uma carteira de crédito convencional com os recursos captados, o banco investia em ativos de baixíssima liquidez e, segundo as investigações da PF, em créditos fictícios que inflavam artificialmente o balanço. A instituição aparentava solidez financeira enquanto, na prática, não tinha caixa suficiente para honrar seus compromissos.
A expansão incluiu a aquisição do Will Bank e do Banco Pleno (ex-Banco Voiter), que também foram liquidados pelo Banco Central em janeiro e fevereiro de 2026, respectivamente. Para entender os detalhes das falências do Will Bank e do Banco Master e suas consequências para o mercado, vale acompanhar a cobertura específica sobre o tema.
Segundo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao depor à CPI do Crime Organizado em abril de 2026, o esquema do Master girava em torno de uma distorção sofisticada na execução, mas simples na essência. O banco captava recursos do varejo com garantia do FGC e, em vez de aplicá-los em ativos líquidos e convencionais, os direcionava para operações de difícil conversão em caixa.
As investigações da PF identificaram a criação de créditos fictícios, a manipulação de balanços e o uso de fundos de investimento administrados pela Reag Investimentos para ocultar o rombo real. A Reag era suspeita de estruturar empresas de fachada para emprestar a fundos investigados por valorizar ativos que não existiam de fato.
Um elemento central do esquema era o uso estratégico do próprio FGC como argumento de venda. Como os CDBs do Master tinham cobertura do fundo, distribuidores e assessores de investimento indicavam os papéis da instituição sem questionar a solidez real do banco. O fundo, criado para proteger investidores em caso de falência, foi inadvertidamente utilizado como instrumento para legitimar a captação fraudulenta.
A ausência de práticas adequadas de compliance foi apontada como uma das falhas sistêmicas que permitiram ao esquema operar por anos sem ser detectado pelos órgãos reguladores. A Operação Compliance Zero, nome dado justamente em referência a essa ausência, foi deflagrada no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação da instituição.
Ao longo de 2025, à medida que a situação financeira do Master se deteriorava, Vorcaro tentou múltiplas saídas. A mais significativa foi a proposta de venda de 58% do capital do banco ao Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo do Distrito Federal, por cerca de R$ 2 bilhões. O Banco Central vetou a operação por avaliar que ela representava riscos ao próprio BRB.
Investigações do Ministério Público Federal apontaram que o BRB já havia injetado R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, dos quais R$ 12,2 bilhões estariam associados a operações fraudulentas. Ou seja, o banco público teria sido usado para socorrer uma instituição insolvente, sem que os gestores do BRB ou o regulador tenham barrado o fluxo a tempo. Para entender os riscos que esse vínculo gerou, o artigo BRB e Banco Master: risco, capital e futuro traz uma análise detalhada.
Em setembro de 2025, o Master formalizou ao Banco Central o reconhecimento de sua situação e apresentou investidores árabes como possível solução. O BC nunca chegou a ser apresentado a esses investidores de forma concreta. Em novembro de 2025, um consórcio liderado pela Fictor Holding anunciou a compra do banco, mas a liquidação foi decretada no dia seguinte ao anúncio, tornando a operação sem efeito.
No dia 17 de novembro de 2025, horas após o anúncio da tentativa de venda para a Fictor, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos enquanto tentava embarcar para Dubai. A prisão marcou o início público da Operação Compliance Zero.
Vorcaro foi liberado 11 dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com tornozeleira eletrônica e passaporte retido. Em 4 de março de 2026, foi preso novamente, desta vez com ordem do ministro André Mendonça, do STF, sob acusação de continuar operando o esquema e interferindo nas investigações. Para mais detalhes sobre essa segunda prisão, o artigo da EBC sobre Daniel Vorcaro preso novamente pela PF oferece o contexto completo.
As investigações revelaram que Vorcaro construiu uma extensa rede de relacionamentos com figuras dos três Poderes. Mensagens recuperadas pela PF mostram conversas com senadores, ministros e autoridades do Poder Judiciário. A dimensão política do caso levou à abertura de uma CPI no Senado e a questionamentos sobre a atuação do Banco Central nos anos anteriores à liquidação.
O escândalo gerou a maior liquidação da história do Banco Central. Além do Banco Master, foram liquidadas a Reag Investimentos, o Will Bank e o Banco Pleno. Em fevereiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Pleno, mais uma instituição ligada ao grupo, consolidando o maior colapso em rede da história financeira brasileira.

O rombo causado pelo grupo Master ao FGC ultrapassou R$ 52 bilhões, segundo levantamento da CNN Money de fevereiro de 2026. Esse valor representou mais de um terço do patrimônio líquido do fundo, estimado em R$ 122 bilhões. Para recompor o caixa, os bancos participantes do FGC foram convocados a antecipar cinco anos de contribuições, em um aporte de R$ 32,5 bilhões.
Os 1,6 milhão de clientes diretamente afetados pela liquidação passaram a ser ressarcidos de forma escalonada a partir de janeiro de 2026, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Quem tinha investido valores acima desse teto ficou sem cobertura para o excedente, o que gerou perdas relevantes para investidores institucionais e pessoas físicas de maior patrimônio.
O caso expôs uma brecha estrutural no sistema financeiro brasileiro: a possibilidade de um banco usar a cobertura do FGC como alavanca de captação, sem que os reguladores consigam agir preventivamente antes que o rombo se torne sistêmico. Esse tipo de risco reforça a importância de entender como decisões do Banco Central impactam o mercado financeiro e como a regulação bancária funciona na prática.
O caso Banco Master é, por todos os critérios objetivos, o maior golpe financeiro da história do Brasil. Com um rombo de mais de R$ 52 bilhões, 1,6 milhão de clientes afetados, múltiplas liquidações bancárias e ramificações que alcançaram os três Poderes da República, o escândalo redefine o conceito de fraude sistêmica no país.
Para investidores, o principal aprendizado é que rentabilidade muito acima da média de mercado não é vantagem — é sinal de alerta. O FGC existe para proteger, mas não é uma garantia irrestrita. Diversificar, questionar e conhecer as instituições onde se investe são práticas que nenhum investidor pode dispensar.
Não. O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Investidores com valores acima desse limite não têm cobertura para o excedente e registraram perdas definitivas.
É a investigação da Polícia Federal que apura crimes no Banco Master, incluindo gestão fraudulenta, emissão de títulos sem cobertura, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Teve início em novembro de 2025.
Não. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. A instituição foi encerrada e um liquidante nomeado pelo BC assumiu a gestão dos ativos remanescentes.
Sim. O Will Bank e o Banco Pleno, ambos pertencentes ao grupo de Vorcaro, também foram liquidados pelo Banco Central em janeiro e fevereiro de 2026, respectivamente.
Verifique o registro da instituição no Banco Central, avalie a rentabilidade oferecida (retornos muito acima do mercado são sinal de risco), consulte o histórico de gestão e não concentre todo o patrimônio em um único emissor.
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