Publicado em: 2026-06-15
As ações da Roku subiram 20,08% em 12 de junho de 2026; o valor de aproximadamente 32% representa o desempenho acumulado no ano, e não a variação diária.
As negociações de venda ou fusão, noticiadas pela Bloomberg, explicam a renegociação de preços, mas nenhum comprador, acordo ou PIPE foi confirmado.
A receita do primeiro trimestre de 2026 aumentou 22% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 1,25 bilhão, com a receita da plataforma subindo 28%, para US$ 1,13 bilhão.
A Roku ultrapassou a marca de 100 milhões de residências com acesso a serviços de streaming, reforçando seu papel como uma plataforma independente de TV conectada.
Após a alta, a avaliação se tornou menos generosa, com alguns provedores de dados atribuindo à ROKU um múltiplo de lucros futuros superior a 50 vezes.
As ações da Roku (NASDAQ: ROKU) dispararam 20,08% em 12 de junho de 2026, fechando a US$ 143,66 em uma única sessão. O estopim foi uma reportagem da Bloomberg sobre discussões a respeito de uma possível venda ou fusão da Roku. Mas isso foi mais do que uma simples aquisição. Tratava-se de uma reavaliação da Roku como uma plataforma de TV conectada (CTV) escalável, com retorno à lucratividade, receita publicitária crescente e domínio estratégico na distribuição de streaming.
A Roku serve de intermediária entre os usuários e todos os principais aplicativos, incluindo Netflix, YouTube, Disney+, Prime Video e Peacock. Sua tela inicial, sistema operacional, ferramentas de publicidade e mecanismos de faturamento moldam a forma como o conteúdo é descoberto, monetizado e convertido em assinaturas. A avaliação da empresa agora se baseia nesse papel da plataforma, e não no hardware.

Um esclarecimento importante para contextualizar: o aumento de 20% ocorreu em apenas um dia. O ganho acumulado da Roku no ano está próximo de 32%, e seu retorno em um ano varia entre 87% e 93%, dependendo da fonte.
O catalisador foi claro. Segundo a Bloomberg, a Roku explorou opções estratégicas, incluindo uma venda, uma fusão com uma empresa de mídia americana ou um investimento privado em ações de capital aberto (PIPE).
Mas notícias não significam acordos. Nenhum comprador foi nomeado, e os nomes que surgiram na cobertura jornalística — Amazon, Comcast e Netflix — são mera especulação. Além disso, as probabilidades de aquisição variam: uma investida da Amazon ou do Google atrairia a atenção das autoridades antitruste, enquanto uma empresa de mídia ou de TV a cabo como a Comcast teria um caminho mais tranquilo. Até que um documento confirme os termos, a possibilidade de aquisição é apenas um catalisador, não um fato consumado.
A questão mais profunda reside no domínio da Roku sobre a interface da TV conectada. O sistema operacional e a tela inicial se destacam na disputa pela atenção do usuário, permitindo que a Roku monetize buscas, descoberta, assinaturas e publicidade antes mesmo que o espectador abra um aplicativo.
Essa posição é valiosa, mas não incontestável: Amazon Fire TV, Google TV, Tizen da Samsung e Vizio (de propriedade do Walmart) disputam o mesmo sistema operacional e espaço publicitário. A vantagem da Roku reside em sua base instalada nos EUA e em sua plataforma de anúncios, razão pela qual um comprador estaria disposto a pagar mais pela distribuição, pelos dados primários ou pela própria interface.
Os resultados do primeiro trimestre de 2026 da Roku deram suporte fundamental à alta. A receita líquida total aumentou 22% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 1,25 bilhão, a receita da plataforma subiu 28%, para US$ 1,13 bilhão, e o EBITDA ajustado saltou 165%, para US$ 148,4 milhões. O lucro líquido foi de US$ 86 milhões e o lucro por ação diluído foi de US$ 0,57, revertendo o prejuízo do ano anterior.
| Métrica | 1º trimestre de 2026 | Variação anual | Leitura completa |
|---|---|---|---|
| Receita líquida total | US$ 1,25 bilhão | +22% | Crescimento acelerado |
| Receita da plataforma | US$ 1,13 bilhão | +28% | Expansão do negócio principal |
| Receita de publicidade | US$ 612,7 milhões | +27% | A demanda por anúncios em CTV melhorou. |
| Receita de assinaturas | US$ 518,5 milhões | +30% | Conversão reforçada |
| Receita de dispositivos | US$ 117,6 milhões | -16% | O hardware continuou fraco. |
| EBITDA ajustado | US$ 148,4 milhões | +165% | A alavancagem operacional melhorou |
| EPS diluído | $ 0,57 | Oscilação positiva | A rentabilidade retornou. |
A composição da receita explica a reavaliação. A receita com dispositivos é menor, está em declínio e exposta aos custos de componentes, enquanto a receita da plataforma abrange publicidade, assinaturas, distribuição e monetização da tela inicial, o tipo de combinação que justifica um múltiplo mais alto.
Uma ressalva: o EBITDA ajustado inclui uma parcela considerável da remuneração baseada em ações, portanto, a variação de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP) para um lucro líquido de US$ 86 milhões é a prova mais conservadora de que a lucratividade é real.
O fato de a Roku ter ultrapassado a marca de 100 milhões de domicílios com serviços de streaming, definidos como contas distintas que realizaram streaming em um período de 30 dias, consolida a tese de investimento. À medida que os espectadores alternam entre Netflix, YouTube, Disney+, canais FAST e aplicativos de esportes, a interface da Roku se torna a camada onde eles decidem o que assistir, e esse papel de filtro agrega valor comercial.
O Roku Channel amplia ainda mais essa vantagem. De acordo com o The Gauge da Nielsen, ele ficou em segundo lugar entre os aplicativos gratuitos com anúncios mais populares na plataforma Roku e em quinto lugar no ranking geral de aplicativos de streaming nos EUA, uma métrica que mede o engajamento dentro do próprio ecossistema da Roku, e não em todos os serviços gratuitos.

O segmento de plataforma da Roku opera com dois motores. A receita com publicidade cresceu 27%, atingindo US$ 612,7 milhões no primeiro trimestre, e as assinaturas aumentaram 30%, para US$ 518,5 milhões, um trimestre recorde para novas assinaturas Premium. A oportunidade de publicidade em CTV vai além do The Roku Channel, chegando à tela inicial, à busca e a anúncios de performance relacionados à experiência de visualização.
A reformulação da tela inicial é o pilar da tese otimista. A Jefferies estimou que de um a três blocos de anúncios com lances na tela inicial poderiam aumentar a receita da plataforma no ano fiscal de 2027 em cerca de 4% a 7% ao longo do tempo. Essa é uma estimativa de analista, não uma previsão oficial, mas reflete a ideia de que a Roku ainda pode estar subutilizando a monetização de sua tela mais valiosa.
Em relação às assinaturas, o serviço Howdy, de US$ 2,99, expandiu-se para o Prime Video, dispositivos móveis e México, e a Antenna estima que já ultrapassou a marca de 1 milhão de assinantes, número que a Roku não confirmou.
A Roku elevou sua previsão para o ano fiscal de 2026, estimando uma receita da plataforma próxima a US$ 5 bilhões (um aumento de cerca de 21%), receita com dispositivos em torno de US$ 535 milhões, receita total próxima a US$ 5,5 bilhões e EBITDA ajustado de US$ 675 milhões. A previsão para o segundo trimestre aponta para um aumento de cerca de 20% na receita da plataforma, queda de um dígito alto na receita com dispositivos, receita total de US$ 1,3 bilhão e EBITDA ajustado de US$ 170 milhões.
As projeções mostram que o crescimento da plataforma compensa a fraqueza dos dispositivos, mas elevam o patamar. Após um aumento de 20% em um único dia, a Roku precisa manter a demanda por anúncios estável e a conversão de assinaturas firme. Os custos dos chips de memória representam um risco específico: a Roku alertou que uma oferta mais restrita pode pressionar as margens de lucro dos dispositivos no final de 2026, embora seu sistema operacional utilize menos DRAM e memória flash do que as plataformas concorrentes.
Após um aumento de 20%, a avaliação se torna o aspecto mais difícil de defender. Cotada a US$ 143,66 contra um lucro por ação (EPS) dos últimos doze meses próximo a US$ 1,33, a Roku negocia a cerca de 108 vezes o lucro dos últimos doze meses e acima de 50 vezes o lucro projetado, segundo algumas estimativas, um prêmio que só se justifica se os lucros aumentarem rapidamente. A Netflix negocia a um múltiplo projetado muito menor, com margens já estabelecidas, portanto, o prêmio da Roku representa uma aposta na expansão das margens, que ainda não se concretizou totalmente.
As opiniões dos analistas estão divididas. A Evercore ISI elevou sua meta para US$ 185, próxima ao limite superior, enquanto as metas mais conservadoras variam entre US$ 95 e US$ 120, dependendo da fonte. Essa discrepância demonstra que o mercado ainda diverge sobre o quão premium a posição da plataforma Roku merece.
As ações da Roku subiram 20,08%, para US$ 143,66, após uma reportagem da Bloomberg sobre possíveis negociações de venda ou fusão, impulsionadas por fortes resultados no primeiro trimestre de 2026 e projeções revisadas para cima.
Nenhuma aquisição foi confirmada. Segundo relatos, a Roku explorou opções estratégicas, mas não nomeou um comprador, e nenhum acordo ou PIPE (Private Investment in Public Equity) foi anunciado.
Cotada a cerca de US$ 143,66, a Roku está sendo negociada a quase 108 vezes o lucro dos últimos 12 meses e acima de 50 vezes o lucro projetado, segundo algumas estimativas. Se isso se justifica ou não, depende da rapidez com que o crescimento da plataforma e as margens de lucro se expandirem.
As ações da Roku dispararam porque o mercado deixou de vê-la apenas como uma simples empresa de dispositivos de streaming. As negociações de venda acenderam a faísca, mas os resultados do primeiro trimestre, a revisão para cima das projeções e a marca de 100 milhões de lares conectados deram peso à alta. Essa valorização reavalia a posição da Roku, ainda que disputada, no mercado de TVs conectadas: a tela inicial, o espaço publicitário e a conversão de assinaturas.
A oportunidade reside na escassez; o risco está na avaliação, que deixa pouca margem para um crescimento mais lento da publicidade, margens de lucro menores por dispositivo ou especulação sobre negócios em declínio.