3 países, US$ 15 trilhões: Fundos soberanos estão remodelando o investimento global
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3 países, US$ 15 trilhões: Fundos soberanos estão remodelando o investimento global

Publicado em: 2026-04-28

  • Os Estados Unidos, a Indonésia e o Canadá criaram fundos soberanos de investimento em um intervalo de 12 meses. Trump assinou a ordem executiva em fevereiro de 2025, a Indonésia lançou o Danantara com US$ 900 bilhões em ativos também em fevereiro de 2025, e o canadense Mark Carney anunciou hoje, 27 de abril de 2026, o Canada Strong Fund, com um capital inicial de US$ 25 bilhões.

  • De acordo com a Global SWF, os ativos globais de fundos soberanos atingiram o recorde de US$ 15 trilhões em 2025. Investidores soberanos aplicaram coletivamente US$ 66 bilhões em inteligência artificial e infraestrutura digital, com fundos do Golfo respondendo por 43% de todos os investimentos globais.

  • O fundo norueguês ultrapassou os US$ 2 trilhões e detém 1,5% de todas as empresas de capital aberto do mundo. O PIF da Arábia Saudita comprometeu-se com US$ 36,2 bilhões em negócios em 2025. A Mubadala de Abu Dhabi investiu um valor recorde de US$ 32,7 bilhões em 40 transações.

  • Os EUA atraíram US$ 131,8 bilhões em capital soberano em 2025, quase o dobro do ano anterior. A China viu seus fluxos de entrada despencarem de US$ 10,3 bilhões para US$ 4,3 bilhões. O capital está fluindo para setores estratégicos, principalmente inteligência artificial, semicondutores, minerais críticos e infraestrutura energética .


Três países criaram fundos soberanos de investimento em um período de 12 meses. Os Estados Unidos assinaram uma ordem executiva em fevereiro de 2025. A Indonésia lançou o Danantara com US$ 900 bilhões em ativos no mesmo mês. E nesta manhã, 27 de abril de 2026, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou o Canada Strong Fund com um capital federal inicial de US$ 25 bilhões, explicitamente concebido para financiar “projetos de desenvolvimento nacional” nas áreas de energia, minerais críticos, agricultura e infraestrutura.


Essa sequência merece ser estudada porque não se trata de estados do Golfo ricos em petróleo acumulando receitas excedentes. Trata-se da maior economia de mercado do mundo, a maior economia do Sudeste Asiático e o parceiro comercial mais próximo dos Estados Unidos, todos decidindo, em um único ano, que os mercados privados sozinhos não conseguem mais garantir seus interesses econômicos estratégicos. O modelo antigo, em que os governos definiam as políticas e o capital privado se alocava por conta própria, está dando lugar a algo diferente.

Sovereign Funds Reshape Markets

US$ 15 trilhões e crescendo

De acordo com o relatório anual da Global SWF, publicado em janeiro de 2026, os ativos globais de fundos soberanos atingiram o recorde de US$ 15 trilhões em 2025. Esse valor é superior a toda a indústria global de fundos de hedge e à maioria das empresas de private equity juntas.


A dimensão de cada fundo individual conta uma história mais específica. O Fundo Soberano da Noruega ultrapassou os 2 biliões de dólares e detém agora participações em 7.200 empresas em 60 países, possuindo aproximadamente 1,5% de todas as ações cotadas em bolsa no mundo.


O fundo gerou um lucro de US$ 247 bilhões somente em 2025. O Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita investiu US$ 36,2 bilhões em negócios, tornando-se o maior investidor individual entre os fundos soberanos. A Mubadala, de Abu Dhabi, investiu um valor recorde de US$ 32,7 bilhões em 40 transações.


Os sete maiores fundos soberanos do Golfo investiram um total de US$ 126 bilhões em capital em 2025, representando 43% de todos os investimentos globais de fundos soberanos, a maior proporção já registrada.


Para onde foi a capital?

Em 2025, dois destinos dominaram os fluxos de capital soberano: os Estados Unidos e a inteligência artificial.


Os EUA atraíram US$ 131,8 bilhões em investimentos soberanos, quase o dobro dos US$ 68,9 bilhões registrados em 2024. Esse aumento coincidiu com a recuperação do índice S&P 500 e com o crescente interesse soberano em infraestrutura de IA, fabricação de semicondutores e ativos de energia. Os investidores soberanos, coletivamente, investiram US$ 66 bilhões em IA e infraestrutura digital em 2025. A Mubadala liderou com US$ 12,9 bilhões em investimentos em IA e digitalização, seguida pela Autoridade de Investimentos do Kuwait, com US$ 6 bilhões, e pela Autoridade de Investimentos do Catar, com US$ 4 bilhões.


O contraste com a China é acentuado. O fluxo de capital soberano para a China caiu de US$ 10,3 bilhões em 2024 para US$ 4,3 bilhões, uma queda de 58% impulsionada pelo risco geopolítico e pelo baixo desempenho dos investimentos. O capital está migrando para jurisdições percebidas como estrategicamente estáveis, e os EUA estão capturando a maior parte desse fluxo.


Os fundos soberanos do Golfo também adquiriram participações acionárias diretas em empresas de IA de ponta. Fundos de Omã, Catar, Arábia Saudita, Singapura e Emirados Árabes Unidos obtiveram posições na OpenAI, Anthropic e xAI. Essas não são alocações passivas de portfólio. São apostas estratégicas nas empresas que constroem a infraestrutura da próxima era tecnológica, feitas por investidores com horizontes de 30 anos e sem pressão por resultados trimestrais.


Três Fundos, Três Cálculos Estratégicos

Cada um dos três novos fundos soberanos reflete uma lógica estratégica diferente, mas todos os três compartilham uma conclusão comum: os governos precisam de ferramentas de alocação direta de capital que os mercados privados não oferecem.


Estados Unidos: A ordem executiva de Trump, de fevereiro de 2025, determinou a criação de um fundo soberano americano, uma medida que reconheceu que nem mesmo os mercados de capitais mais profundos do mundo podem garantir resultados estratégicos em semicondutores, minerais críticos e tecnologia de defesa sem investimento estatal. A estrutura e a capitalização do fundo ainda estão em desenvolvimento, mas o sinal foi imediato: Washington pretende competir diretamente com o capital soberano do Golfo e da Ásia pelo controle de ativos estratégicos.


Indonésia: O Danantara foi lançado em fevereiro de 2025 com US$ 900 bilhões em ativos sob gestão, tornando-se o sétimo maior fundo soberano do mundo desde o primeiro dia. O fundo assumiu o controle de participações governamentais em empresas estatais nos setores bancário, de mineração, energia e telecomunicações.


Seus primeiros investimentos visaram o processamento de níquel, petroquímica e infraestrutura de IA, setores nos quais a Indonésia busca capturar valor internamente, em vez de permitir que o capital estrangeiro o extraia. O fundo firmou acordos de parceria com fundos soberanos do Catar, China, Arábia Saudita, Japão e Emirados Árabes Unidos, posicionando a Indonésia como um nó em múltiplas redes de capital simultaneamente.


Canadá: O anúncio de Carney esta manhã é o mais revelador dos três. O Fundo Canadá Forte, apoiado por um capital federal inicial de 25 bilhões de dólares, investirá em energia limpa e convencional, minerais críticos, agricultura e infraestrutura.


Carney descreveu-o como “uma conta nacional de poupança e investimento” que será “gerida profissionalmente e funcionará como uma empresa estatal independente”. O fundo também oferecerá um produto de investimento a retalho, permitindo que os canadianos individuais invistam e recebam dividendos.


O momento da criação do fundo é deliberado. O Canadá o criou em resposta direta à pressão tarifária dos EUA e à constatação de que depender de um único parceiro comercial para 75% das exportações gera uma vulnerabilidade que o capital privado não consegue mitigar. Carney definiu explicitamente a estratégia econômica do Canadá em torno da diversificação para reduzir a dependência dos Estados Unidos.


Capital soberano versus capital privado

Quando um fundo soberano com US$ 900 bilhões e sem pressão de resgate entra em um processo de licitação contra uma empresa de private equity com um prazo de saída de cinco anos, a vantagem estrutural pertence ao governo. Não porque o governo seja mais inteligente, mas porque ele pode manter os ativos por mais tempo, precificá-los de forma diferente e absorver perdas de curto prazo que um fundo com compromissos de investidores institucionais não pode.


Essa dinâmica já é visível nos setores mais estratégicos. Os fundos soberanos do Golfo estão realizando aquisições multimilionárias em ativos de tecnologia, saúde e transição energética, com avaliações que o capital privado não consegue justificar em um horizonte de retorno de cinco a sete anos. A Mubadala investiu US$ 12,9 bilhões em inteligência artificial e ativos digitais em um único ano. O PIF está construindo cidades inteiras e investindo diretamente na fabricação de semicondutores.


Os setores mais importantes para a segurança nacional e a competitividade econômica — semicondutores, infraestrutura de IA, minerais críticos, geração de energia e tecnologia de defesa — estão sendo cada vez mais adquiridos e controlados por capital soberano.


Para investidores privados, o cenário competitivo nesses setores mudou fundamentalmente. A questão não é mais qual fundo tem a melhor equipe de negociação. É qual fundo tem o horizonte de investimento mais longo e os maiores recursos financeiros, e a resposta, cada vez mais, é o governo.


A Nova Competição entre Grandes Potências

Os fundos soberanos tornaram-se a principal ferramenta através da qual as nações projetam poder econômico sem o uso da força militar. A Arábia Saudita utiliza o PIF para transformar sua economia, reduzindo a dependência do petróleo. Os Emirados Árabes Unidos utilizam a Mubadala e a ADIA para posicionar Abu Dhabi como um centro global de tecnologia e finanças.


A Indonésia utiliza a Danantara para controlar sua cadeia de valor de minerais críticos e negociar diretamente com Washington e Pequim para obter acesso estratégico. O Canadá criou seu fundo como medida defensiva contra a pressão econômica americana. Os EUA criaram um para competir com todos eles.


Essa competição se intensificará. A nação que aplicar o capital soberano de forma mais eficaz nos setores que definirão os próximos 30 anos — inteligência artificial, energia, minerais críticos, robótica e biotecnologia — capturará o valor econômico da era.


Os US$ 15 trilhões já em mãos soberanas estão crescendo, se concentrando e se deslocando para setores onde os retornos são medidos em décadas e em vantagem estratégica, e não apenas em desempenho financeiro.


Considerações finais

Três anúncios de fundos soberanos em 12 meses, de três países com economias fundamentalmente diferentes, convergindo para a mesma conclusão: os governos precisam deter participações nos setores que determinarão a prosperidade nacional.


Os US$ 15 trilhões em ativos soberanos globais já estão remodelando o fluxo de negócios em inteligência artificial, semicondutores, energia e minerais críticos. O capital privado ainda domina os mercados globais em termos agregados, mas nos setores que definem a competitividade estratégica, os fundos soberanos estão ditando as regras. A antiga divisão entre economias dirigidas pelo Estado e economias orientadas pelo mercado está se dissolvendo.


O que está surgindo em seu lugar é um modelo híbrido em que os governos investem diretamente ao lado do capital privado e, cada vez mais, antes dele. O anúncio feito pelo Canadá esta manhã confirma que essa mudança não se limita mais a petroestados e sistemas autoritários. Ela chegou às democracias.

Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.