Publicado em: 2026-08-12
O crack spread 3-2-1 compara o custo de três barris de petróleo bruto com o valor de dois barris de gasolina e um barril de destilado, expresso por barril. É a referência padrão para a margem bruta de refino: um spread em alta significa que os combustíveis estão ganhando valor em relação ao petróleo, enquanto um spread em queda significa que estão perdendo valor. É por isso que os preços dos combustíveis podem se manter altos mesmo com a queda do petróleo: a restrição está no sistema de refino, não no mercado de petróleo bruto.
O crack spread 3-2-1 compara três barris de petróleo bruto com dois barris de gasolina e um barril de destilado, cotado por barril de petróleo.
Um spread em alta indica que os produtos refinados estão ganhando valor em relação ao petróleo bruto; um spread em queda indica que estão perdendo valor.
O spread é uma referência para a economia bruta do refino, não o lucro líquido que uma refinaria efetivamente obtém.
Os crack spreads revelam pressões de oferta no elo downstream que um gráfico isolado do petróleo bruto não mostra, incluindo por que a queda do petróleo nem sempre significa combustível mais barato.

O crack spread é a diferença de preço entre o petróleo bruto e os produtos derivados de petróleo refinados a partir dele. O nome vem de “cracking” (craqueamento), o processo de refino que quebra hidrocarbonetos mais pesados em produtos mais leves, como gasolina e diesel.
A estrutura 3-2-1 usa uma composição simplificada de produtos:
3 barris de petróleo bruto → 2 barris de gasolina + 1 barril de combustível destilado
A proporção é uma referência, não o rendimento literal de uma refinaria. Refinarias reais também produzem querosene de aviação, insumos petroquímicos e outros produtos, e a composição da produção varia conforme a configuração da planta e a qualidade do petróleo. O 3-2-1 apenas padroniza a forma de acompanhar o valor dos dois principais combustíveis de transporte em relação à sua matéria-prima.
O destilado abrange combustíveis como diesel e óleo de aquecimento.
A versão mais comum nos EUA cota o petróleo por barril e os produtos por galão, usando como referências a gasolina RBOB da NYMEX e o diesel de ultrabaixo teor de enxofre (ULSD). Um barril equivale a 42 galões americanos, então os preços dos produtos são primeiro convertidos em equivalentes de barril.
Crack Spread 3-2-1 = [(2 × preço da gasolina × 42) + (1 × preço do ULSD × 42) − (3 × preço do petróleo)] ÷ 3
Por exemplo:
O petróleo é negociado a US$ 70 por barril, a gasolina a US$ 2,50 por galão e o ULSD a US$ 2,80 por galão.
Dois barris de gasolina: 2 × US$ 2,50 × 42 = US$ 210
Um barril de ULSD: 1 × US$ 2,80 × 42 = US$ 117,60
Três barris de petróleo: 3 × US$ 70 = US$ 210
Spread: (US$ 210 + US$ 117,60 − US$ 210) ÷ 3 = US$ 39,20 por barril
Esses US$ 39,20 representam a diferença teórica entre a cesta de produtos de referência e o petróleo usado como insumo, antes de qualquer custo de refino. O mesmo método funciona com outras referências regionais de petróleo e produtos.
Um spread em alta significa que a gasolina e o destilado estão se fortalecendo em relação ao petróleo bruto; um spread em queda significa que estão perdendo força. Os produtos refinados têm sua própria dinâmica de oferta e demanda, portanto não precisam se mover no mesmo ritmo do petróleo.
| O spread sobe quando | O spread cai quando |
| Os estoques de combustíveis ficam mais apertados | Os estoques de produtos aumentam |
| A demanda por gasolina ou diesel se fortalece | O consumo de combustíveis desacelera |
| Manutenções ou paradas em refinarias reduzem a produção de combustíveis | A produção das refinarias aumenta |
| O petróleo cai mais rápido que os preços dos produtos | O petróleo sobe mais rápido que os preços dos produtos |
A sazonalidade empurra os dois produtos em direções diferentes. Os cracks de gasolina costumam se fortalecer na entrada da primavera e do verão nos EUA, período de maior circulação de veículos, enquanto as margens do destilado tendem a ganhar suporte nos meses mais frios, com a demanda por aquecimento.
Por isso, o spread conta uma história diferente da do petróleo isolado. Uma queda de US$ 10 no petróleo significa uma coisa se a gasolina cair os mesmos US$ 10, e algo completamente diferente se a gasolina praticamente não se mover. E se o petróleo estiver caindo enquanto o spread sobe, a pressão não desapareceu: apenas migrou para o elo downstream.
O petróleo bruto é a matéria-prima, a gasolina e o diesel são produtos finais, e a capacidade de refino fica entre os dois elos. Se a oferta de petróleo melhora e os preços do petróleo caem enquanto refinarias estão paradas ou os estoques de combustíveis estão baixos, ainda não chega gasolina ou diesel suficiente ao mercado. Os preços dos produtos se sustentam mesmo com o insumo mais barato.
Uma parada de refinaria pode até empurrar os dois mercados em direções opostas ao mesmo tempo. Uma refinaria parada precisa de menos petróleo, o que enfraquece a demanda por petróleo bruto, e produz menos combustível, o que sustenta os preços dos produtos. Uma única interrupção gera dois movimentos de preço opostos, e é por isso que os crack spreads são acompanhados de perto em torno de furacões, temporadas de manutenção e paradas não programadas.
O choque de demanda de 2020 mostrou a mesma separação, só que invertida. Dados semanais da EIA registraram queda da demanda por gasolina nos EUA de cerca de 9,7 milhões de barris por dia na semana encerrada em 13 de março de 2020 para 5,1 milhões em 3 de abril, e os crack spreads da gasolina ficaram brevemente negativos, já que a gasolina caiu mais rápido que o petróleo. A demanda por destilados recuou de forma menos severa, e a margem mais firme desse produto manteve o spread 3-2-1 geral positivo.
Não. Um erro comum é tratar um crack spread de US$ 30 ou US$ 50 como o valor que uma refinaria ganha em cada barril.
O spread é uma referência de margem bruta de refino. A rentabilidade real também depende de despesas operacionais, consumo de energia, manutenção, transporte, qualidade do petróleo e do valor do restante da composição de produtos; a EIA observa que os crack spreads excluem esses outros custos variáveis e fixos.
Também não existe um único crack spread válido para todas as refinarias. Uma planta na Costa do Golfo dos EUA que processa um determinado tipo de petróleo enfrenta uma economia de insumos diferente da de uma refinaria em outro local, referenciada em outro benchmark. Trate o spread como uma medida de valor relativo, não como a demonstração de resultados de uma refinaria, e tampouco como um sinal direcional isolado para o petróleo, já que um spread elevado pode se estreitar por qualquer um dos dois lados.
Não existe um nível fixo que seja sempre considerado alto. Os crack spreads variam com os preços do petróleo, a demanda sazonal por combustíveis, a capacidade de refino e os estoques de produtos. Comparar o spread atual com sua própria faixa histórica e sazonal é mais informativo do que qualquer limite fixo permanente.
Os números descrevem a proporção de referência: três barris de petróleo bruto são comparados com dois barris de gasolina e um barril de destilado. Essa combinação se aproxima de uma composição típica de produção das refinarias, mas não representa a produção exata de nenhuma refinaria específica.
Não necessariamente. Um spread mais amplo significa que a gasolina e o destilado estão valorizados em relação ao petróleo. Ele pode subir porque os preços dos combustíveis sobem, porque o petróleo cai, ou pelos dois motivos ao mesmo tempo. O spread mede a relação entre os dois mercados, e não prevê o próximo movimento de nenhum deles.
Sim. Se os preços dos produtos caírem o suficiente em relação ao petróleo, o crack de um produto isolado ou o spread completo pode ficar negativo. Os crack spreads da gasolina nos EUA ficaram brevemente negativos durante o colapso de demanda da primavera de 2020, enquanto a força do destilado manteve o spread 3-2-1 positivo.
O crack spread 3-2-1 mede o elo de refino que fica entre o petróleo e o posto de combustível: três barris de petróleo entram, dois de gasolina e um de destilado saem. Sua limitação é que ele mostra valor relativo, não o lucro da refinaria, e não diz nada por si só sobre o próximo movimento do petróleo. Quando os preços do petróleo e dos combustíveis deixam de se mover juntos, é esse número que explica o porquê.