Payroll dispara nos EUA: o dólar ainda vai subir mais?
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Payroll dispara nos EUA: o dólar ainda vai subir mais?

Publicado em: 2026-09-05   
Atualizado em: 2026-09-05

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O dólar comercial abre a sexta-feira (04/09) cotado a R$ 5,128 na venda, com alta de 0,44% no início do pregão. O gatilho da manhã foi o payroll de agosto: os Estados Unidos criaram 162 mil vagas de trabalho, quase o triplo da estimativa de 56 mil. O dado chega no meio de uma semana que já vinha tensa, com Federal Reserve e Copom decidindo juros quase ao mesmo tempo, nos dias 15 e 16 de setembro.

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O mercado de juros já vinha se mexendo antes do payroll. Em 28 de agosto, em Jackson Hole, o presidente do Fed, Kevin Warsh, descreveu a meta de inflação de 2% como algo "firme e fixo", frase lida pelo mercado como um giro hawkish. A probabilidade de alta de juros em setembro, medida pelo CME FedWatch, saltou de 35,4% para cerca de 60% em poucos dias. O payroll forte de hoje reforça essa leitura e devolve força ao dólar globalmente.

USD/BRL
R$ 5,128
▲ 0,44%
DXY
99,5 pts
SELIC
14,00% a.a.
Prob. alta Fed set.
~60%
Ibovespa
185.188 pts
Payroll ago.
162 mil
Vagas criadas em agosto
162 mil
vs. 56 mil esperadas
Desemprego nos EUA
4,1%
estável ante julho
DXY hoje
~99,5
mín. pós Jackson Hole: 98,55
Selic atual
14,00%
Copom decide em 15-16/09


Por que o dólar subiu hoje: payroll, Warsh e a semana da dupla decisão

O payroll é o indicador de emprego mais observado pelo Fed. Com 162 mil vagas em agosto, quase o triplo da mediana de 56 mil projetada pelos economistas, o dado mostra um mercado de trabalho americano mais resistente do que o precificado pelos investidores nos últimos dias. A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, no mesmo nível de julho, o que reforça a leitura de estabilidade.

O setor de lazer e hospitalidade sozinho adicionou 62 mil vagas, número considerado elevado por gestores consultados pelo mercado. Os dados de junho e julho também foram revisados para cima, somando 55 mil vagas a mais do que o informado anteriormente. Para o Fed, isso reduz o argumento de flexibilizar a política monetária no curto prazo.

Indicador Resultado Observação
Payroll (agosto) 162 mil vagas Estimativa era de 56 mil, quase 3x abaixo do real
Taxa de desemprego 4,1% Estável ante julho, dentro do esperado
Lazer e hospitalidade +62 mil vagas Maior contribuição setorial do mês
Revisão jun/jul +55 mil vagas Nível combinado revisado para cima
DXY (hoje) ~99,5 pts Recupera da mínima pós Jackson Hole, de 98,55
Prob. de alta do Fed em setembro ~60% CME FedWatch, ante 35,4% antes do discurso de Warsh


O que está em jogo entre 15 e 16 de setembro: Fed e Copom no mesmo calendário

O calendário de setembro concentra dois dos principais gatilhos para o câmbio brasileiro em uma única janela. O FOMC se reúne nos dias 15 e 16 de setembro para decidir os juros americanos, reunião que também traz a atualização das projeções econômicas (dot plot). O Copom decide a Selic praticamente na mesma data, o que reduz o intervalo de reação entre as duas decisões.

Antes disso, o CPI de agosto sai na próxima sexta-feira, 11 de setembro, e deve ser o dado mais observado pelo mercado até lá. Gestores consultados pela imprensa financeira já apontam a inflação americana como o fator decisivo para a votação do Fed. Em julho, a decisão de manter os juros já teve dissidência hawkish: três dos doze votantes do FOMC defenderam alta imediata de 25 pontos-base.

Data Evento Por que importa
11/09/2026 CPI dos EUA (agosto) Principal variável restante antes da decisão do Fed
15-16/09/2026 Reunião do FOMC Decide juros dos EUA e traz o dot plot atualizado
15-16/09/2026 Reunião do Copom Decide a Selic, hoje em 14,00% ao ano

No Brasil, o Boletim Focus já havia elevado a projeção da Selic para o fim de 2026, de 13,50% para 13,75% ao ano, mesmo antes do payroll de hoje. Um Fed mais hawkish tende a reduzir ainda mais o espaço para o Banco Central iniciar cortes de juros no curto prazo, o que sustenta o diferencial de juros que atrai capital estrangeiro para o Brasil.

Análise técnica do USD/BRL: até onde vai a alta desta semana?

Na última semana, o USD/BRL oscilou entre a máxima de R$ 5,2173, tocada em 28 de agosto, e a mínima de R$ 5,0848, registrada em 3 de setembro. A cotação de hoje, a R$ 5,128, fica no meio dessa faixa recente, ainda distante da resistência do mês e acima do piso semanal. O dólar futuro para outubro acompanha o movimento, negociado a R$ 5,151 na B3.

R$ 5,128        ▲ +0,44%        USD/BRL venda · 04/09/2026, 09h32
RESISTÊNCIA FORTE — R$ 5,20 – R$ 5,22
Topo da última semana (28/08). Rompimento reabriria espaço para testar a máxima de 52 semanas.
RESISTÊNCIA INTERMEDIÁRIA — R$ 5,15
Nível psicológico e referência do contrato futuro de outubro negociado hoje na B3.
COTAÇÃO ATUAL — R$ 5,128
Alta intraday de 0,44% após o payroll, em 04/09.
SUPORTE 1 — R$ 5,08
Mínima da última semana, registrada em 03/09.

Para traders que acompanham o USD/BRL nessa janela de decisões concentradas, a página de forex da EBC reúne as condições e ferramentas para operar o par durante a volatilidade que tende a aumentar entre o CPI de agosto e a dupla decisão de Fed e Copom.

Três cenários para o USD/BRL até a reunião do Fed

Cenário de dólar mais forte
R$ 5,18 – R$ 5,25
CPI de agosto vem acima do esperado e o Fed sinaliza alta de juros em setembro. O USD/BRL testaria a resistência de R$ 5,22 e poderia buscar novas máximas do trimestre.
Cenário base
R$ 5,05 – R$ 5,18
CPI em linha com o consenso, Fed mantém os juros com discurso neutro e Copom também mantém a Selic. O câmbio segue lateralizado dentro da faixa recente.
Cenário de dólar mais fraco
R$ 4,95 – R$ 5,05
CPI vem abaixo do esperado, reduzindo a probabilidade de alta do Fed. O DXY perde força globalmente e o real volta a se valorizar, aproximando-se da mínima das últimas semanas.

Leitura técnica objetiva: o movimento de hoje é de continuidade dentro de uma faixa já estabelecida, não de rompimento. A cotação de R$ 5,128 está distante tanto da resistência de R$ 5,22 quanto do suporte de R$ 5,08. Novas entradas direcionais fazem mais sentido depois do CPI de 11 de setembro, quando parte relevante da incerteza sobre o rumo do Fed deve ser dissipada.

FAQ: payroll, Fed, Copom e o dólar em setembro

1) Por que o dólar subiu hoje, 4 de setembro?

O gatilho foi o payroll de agosto, que mostrou criação de 162 mil vagas nos Estados Unidos contra expectativa de apenas 56 mil. O mercado de trabalho aquecido reforça a chance de o Federal Reserve manter os juros altos ou até elevá-los na reunião de setembro, o que fortalece o dólar globalmente.


2) O Fed realmente pode subir os juros em setembro?

É uma possibilidade real, mas ainda não é o cenário mais provável. Após o discurso hawkish de Kevin Warsh em Jackson Hole, a probabilidade de alta subiu para cerca de 60% no CME FedWatch. O CPI de agosto, divulgado na próxima sexta-feira, deve ser o dado decisivo antes da reunião.


3) Por que Fed e Copom decidem juros na mesma semana?

É uma coincidência de calendário. O FOMC se reúne nos dias 15 e 16 de setembro, e o Copom decide na mesma janela. Isso concentra dois dos principais gatilhos para o USD/BRL em 48 horas, o que tende a aumentar a volatilidade do câmbio brasileiro nessa semana.


4) A Selic pode subir na próxima reunião do Copom?

O cenário mais discutido pelo mercado é de manutenção em 14,00% ao ano, mas o Boletim Focus já elevou a projeção para o fim de 2026 de 13,50% para 13,75%. Um Fed mais hawkish reduz o espaço para o Banco Central cortar juros no curto prazo.


5) O dólar vai continuar subindo até o fim do ano?

Não há resposta única. O cenário depende do CPI de agosto, da decisão do Fed e do tom da ata do Copom. Por ora, o USD/BRL opera dentro da faixa das últimas 52 semanas, entre R$ 4,89 e R$ 5,61, sem romper suporte ou resistência estrutural.


6) O que é o índice DXY e por que ele importa agora?

O DXY mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, como euro e iene. O índice caiu para 98,55 pontos logo após o discurso de Warsh perder força inicial, mas recuperou para a casa de 99,5 com o payroll, sinalizando dólar mais forte no mundo.


Conclusão

O payroll de agosto não decide sozinho a trajetória do dólar, mas muda o ponto de partida da semana mais importante de setembro. Com Fed e Copom decidindo juros quase ao mesmo tempo, e o CPI americano no meio do caminho, o USD/BRL entra em um período de dados concentrados que tende a elevar a volatilidade além do padrão observado nas últimas semanas.


Para o trader, a leitura objetiva de hoje é de continuidade dentro da faixa recente, não de rompimento confirmado. A cotação segue distante tanto da resistência de R$ 5,22 quanto do suporte de R$ 5,08. O CPI de 11 de setembro e a decisão do Fed em 16 de setembro são os dois gatilhos que devem definir se a alta de hoje ganha continuidade ou perde força.


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