Publicado em: 2026-02-17
O preço do ouro voltou a acelerar em 2026 e renovou a máxima histórica do ouro em meio a um cenário de juros reais pressionados, incerteza fiscal e demanda recorde de bancos centrais. Mesmo após um ciclo agressivo de aperto monetário global, o metal sustentou valorização consistente e voltou a ganhar força nas últimas semanas.
A recente alta do ouro não foi um movimento isolado. Ela reflete uma mudança estrutural na percepção de risco, combinando fragilidade cambial, reprecificação de juros e busca por ativos defensivos. A pergunta central agora é objetiva: ainda faz sentido investir em ouro após essa forte valorização?

O movimento recente de ouro subindo está ancorado em três vetores claros.
Primeiro: a expectativa de cortes graduais de juros nas principais economias reduziu o custo de oportunidade de manter posições em metal. O mercado começou a antecipar um ciclo de flexibilização monetária, especialmente após sinais de desaceleração econômica.
Segundo: o dólar perdeu força relativa frente a outras moedas. Como o valor do ouro é cotado internacionalmente em dólar americano, qualquer enfraquecimento cambial tende a impulsionar a demanda global.
Terceiro: e talvez mais relevante, houve aumento significativo nas compras institucionais e oficiais. Bancos centrais ampliaram reservas em ritmo elevado, consolidando o ouro como instrumento estratégico de diversificação cambial.
O resultado foi uma combinação rara: demanda estrutural forte e expectativa de ambiente monetário mais acomodatício.
O ouro continua sendo um hedge contra inflação, mas de forma mais sofisticada do que muitos imaginam.
Ele reage menos à inflação corrente e mais às expectativas futuras. Se investidores percebem risco de reaceleração inflacionária ou perda de controle fiscal, o metal ganha tração.
Em 2026, a inflação desacelerou em relação aos picos anteriores, mas permanece acima das médias históricas em várias economias desenvolvidas. Além disso, déficits públicos elevados mantêm o risco estrutural de pressões inflacionárias futuras.
Isso cria um ambiente onde o ouro como proteção volta a ganhar relevância estratégica.
Importante compreender que o ouro protege poder de compra ao longo do ciclo econômico, não como instrumento tático de curto prazo.
Historicamente, juros altos pressionam o ouro. Porém, o ciclo atual mostrou uma dinâmica diferente.
O que importa não é o juro nominal, mas o juro real ajustado à inflação esperada. Quando o mercado acredita que os bancos centrais não conseguirão manter juros elevados por tempo prolongado sem provocar recessão profunda, a credibilidade da política monetária fica parcialmente comprometida.
Esse fator sustenta o valor do ouro.
Além disso, a dívida pública global atingiu níveis estruturalmente elevados. Governos enfrentam limites fiscais que dificultam manutenção de juros reais muito altos por longo período.
O mercado começa a precificar essa limitação. O ouro responde antecipadamente.

Nem toda máxima histórica sinaliza sobrevalorização.
O preço do ouro precisa ser analisado em termos reais e comparado com expansão monetária global, crescimento da base de dívida e tamanho dos balanços dos bancos centrais.
Quando se ajusta por liquidez global acumulada desde 2020, o metal não apresenta desconexão extrema com fundamentos.
Além disso, o posicionamento institucional ainda não indica euforia generalizada. A participação do ouro em carteiras diversificadas continua relativamente modesta.
Bolhas costumam ser marcadas por excesso especulativo visível. O atual movimento parece mais estrutural do que irracional.
Investir em ouro exige clareza de objetivo.
Se a finalidade for preservação patrimonial e redução de risco sistêmico, a exposição direta ao metal físico ou ETFs lastreados tende a ser mais adequada.
Se o objetivo for potencializar ganhos em cenário de alta do ouro, ações de mineradoras podem oferecer maior alavancagem operacional, embora com risco adicional.
Uma abordagem racional envolve:
Alocação gradual ao longo do tempo
Uso de correções como oportunidade de entrada
Exposição entre 5% e 15% do portfólio, dependendo do perfil
O ouro deve funcionar como estabilizador, não como ativo central da carteira.
Além do ouro físico, ETFs e ações de mineradoras, uma das formas mais utilizadas no mercado global é a negociação do par XAUUSD. Esse par representa a cotação do ouro em relação ao dólar americano no mercado internacional, sendo amplamente operado em plataformas de Forex e CFDs.
O XAUUSD permite exposição direta às variações do preço do ouro sem necessidade de posse física do metal. Para traders, isso oferece alta liquidez, execução rápida e possibilidade de operar tanto na alta quanto na queda. Em momentos de ouro subindo, posições compradas capturam o movimento de valorização. Já em correções, posições vendidas permitem estratégias de proteção ou especulação tática.
Outro ponto relevante é a sensibilidade do XAUUSD aos dados macroeconômicos dos Estados Unidos. Indicadores como inflação, payroll, decisões de juros e discursos de autoridades monetárias impactam diretamente o comportamento do par. Isso torna o XAUUSD especialmente interessante para estratégias baseadas em análise macro e técnica, combinando leitura de juros reais, força do dólar e fluxos institucionais.
Para investidores de perfil mais ativo, o XAUUSD pode complementar a alocação estratégica em ouro, funcionando como instrumento de gestão dinâmica de risco e aproveitamento de volatilidade de curto e médio prazo.

A tendência dependerá de três fatores estruturais:
Trajetória dos juros reais
Sustentabilidade fiscal das grandes economias
Nível de incerteza geopolítica
Se os bancos centrais iniciarem cortes consistentes de juros enquanto a inflação permanecer resistente, o ambiente tende a favorecer nova alta do ouro.
Se houver choque fiscal ou perda de confiança em títulos soberanos, o movimento pode acelerar.
Entretanto, correções são naturais. O ouro raramente sobe em linha reta. Volatilidade faz parte da dinâmica.
Comparado a títulos públicos, o ouro não carrega risco de crédito. Comparado ao dólar, não depende de política monetária específica de um país.
Ele funciona como reserva neutra de valor.
Por outro lado, não gera rendimento periódico. Em ambientes de estabilidade macroeconômica e crescimento robusto, tende a performar menos que ativos produtivos.
Sua função é equilíbrio, não maximização de retorno.
Tentar acertar o ponto exato de entrada costuma gerar ineficiência.
A estratégia mais disciplinada é construir posição gradualmente, diluindo preço médio ao longo do tempo.
Em ciclos estruturais, o custo de ficar completamente fora pode ser maior do que o risco de entrada imperfeita.
Sim. Movimentos de realização de lucro e ajustes técnicos podem provocar quedas temporárias, mesmo com fundamentos positivos. O horizonte de investimento é determinante.
Em geral, sim. Como é precificado internacionalmente, tende a preservar valor quando moedas locais perdem poder de compra.
Pode ser, desde que como parcela moderada da carteira. Ele reduz volatilidade, mas não substitui ativos geradores de renda.
Sim. A demanda oficial permanece elevada, sustentando suporte estrutural ao mercado.
Não substitui. Ele complementa a carteira, funcionando como amortecedor quando mercados acionários enfrentam estresse.
O ouro reafirmou seu papel em 2026. A recente alta do ouro não decorre apenas de especulação, mas de fatores macroeconômicos consistentes: reprecificação de juros, fragilidade fiscal e busca por ativos defensivos.
Investir em ouro continua fazendo sentido como instrumento de gestão de risco. Ele não substitui crescimento, mas protege patrimônio em ambientes de instabilidade.
A questão não é se o preço do ouro está elevado após nova máxima histórica do ouro. A questão relevante é se o cenário estrutural global justifica manter proteção estratégica.
Para investidores disciplinados, o ouro segue menos como aposta e mais como ferramenta de preservação de capital em ciclos de incerteza prolongada.
Isenção de responsabilidade: Este material é apenas para fins informativos gerais e não deve ser considerado como aconselhamento financeiro, de investimento ou outro. Nenhuma opinião dada no material constitui uma recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, segurança, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa específica.