Greg Abel e a virada da Berkshire Hathaway em 2026
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Greg Abel e a virada da Berkshire Hathaway em 2026

Autor:Pietro Costa

Publicado em: 2026-08-21   
Atualizado em: 2026-08-21

A resposta curta para quem acompanha a Berkshire Hathaway é esta: sob Greg Abel, a holding deixou de acumular caixa e voltou a comprar. No segundo trimestre de 2026, a companhia adquiriu cerca de US$ 23,5 bilhões em ações e vendeu US$ 3,7 bilhões, resultando em compra líquida de aproximadamente US$ 19,8 bilhões. Foi o fim de uma sequência de 14 trimestres consecutivos como vendedora líquida.


O movimento importa porque contraria o padrão dos últimos anos. Warren Buffett deixou o comando executivo em 31 de dezembro de 2025 e permaneceu como presidente do conselho. Abel, que assumiu em janeiro, herdou uma montanha de dinheiro parado e o problema mais difícil da gestão de ativos: onde alocar centenas de bilhões sem destruir retorno.


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O que Greg Abel mudou na Berkshire Hathaway?


A primeira mudança foi de concentração. No trimestre inicial de sua gestão, Abel reduziu a carteira de ações de 45 para 29 posições, cumprindo o compromisso de operar com um grupo menor de convicções altas. A segunda mudança foi de ritmo. Em junho, a holding fechou uma compra direta de US$ 10 bilhões em ações da Alphabet junto à própria companhia, uma operação de colocação privada pouco usual no histórico do grupo.


A terceira mudança apareceu nas aquisições integrais. A Berkshire anunciou a compra da construtora residencial Taylor Morrison por US$ 6,8 bilhões, sinalizando que Abel não pretende abandonar negócios de controle. Para quem estuda as lições de Warren Buffett, o padrão é reconhecível: preferência por negócios previsíveis, com fluxo de caixa e vantagem competitiva durável.


O efeito agregado apareceu no balanço. O caixa da companhia recuou de quase US$ 400 bilhões no fim de março para US$ 365,5 bilhões ao fim de junho. Não é uma redução dramática em termos proporcionais, mas inverte a direção que vinha sendo observada desde 2022.


Por que a recompra de ações virou o sinal mais forte?


No segundo trimestre, a Berkshire recomprou cerca de US$ 4,5 bilhões em ações próprias. O número em si não é recorde, mas o contexto é relevante. A autorização de recompra do grupo permite operações apenas quando o executivo principal, após consulta ao presidente do conselho, considera que o preço está abaixo do valor intrínseco calculado de forma conservadora.


Na prática, cada dólar recomprado é uma declaração pública sobre valuation. Quando o próprio emissor compra o papel, o mercado interpreta como piso informal de avaliação. Isso não elimina o risco de queda, e vale lembrar que nenhuma leitura de sinal permite prever quando uma ação vai subir com precisão.


Os resultados operacionais deram sustentação ao movimento. O lucro operacional subiu 16% no trimestre, para US$ 12,98 bilhões, contra US$ 11,16 bilhões um ano antes. Manufatura, serviços e varejo avançaram 24%, para US$ 4,47 bilhões. A divisão de energia cresceu 27%, para US$ 891 milhões, e a ferrovia BNSF avançou 6%, para US$ 1,56 bilhão.


O ponto fraco foi o seguro. O resultado de subscrição caiu 13%, para US$ 1,73 bilhão, e a receita de investimentos do segmento recuou 9%, para US$ 3,06 bilhões. É uma divisão historicamente cíclica e sensível a sinistros, mas a queda simultânea das duas linhas merece atenção nos próximos trimestres.


Para traders que acompanham essa reprecificação de perto, a exposição a papéis americanos de grande capitalização, incluindo o GOOGL citado nesta análise, aparece na página de stock CFDs da EBC, onde as especificações de cada contrato ficam disponíveis. Vale notar que os CFDs de ações dos Estados Unidos seguem a janela de negociação do mercado americano, e não o horário integral da B3.


Quais foram as maiores mudanças na carteira?


A posição em Alphabet foi a mais comentada. Buffett iniciou a compra no terceiro trimestre de 2025 e Abel ampliou de forma agressiva, combinando aquisição em bolsa e a colocação privada de US$ 10 bilhões. Quem quer entender o mecanismo por trás de operar ações da Alphabet encontra na estrutura de CFDs uma alternativa ao investimento direto no exterior.


Do lado das vendas, a redução de mais da metade da participação em Nucor chamou atenção, assim como o desmonte de posições que estavam sob responsabilidade de Todd Combs, gestor que deixou o grupo no fim de 2025. Abel também aumentou exposição ao Japão, com aporte na seguradora Tokio Marine e reforço nas tradings japonesas.


Vale lembrar o tamanho do problema. Quando Abel assumiu, a carteira de ações somava algo próximo de US$ 355 bilhões e o caixa beirava US$ 369 bilhões. Alocar um volume dessa ordem sem mover o preço dos próprios ativos comprados é um desafio operacional, não apenas analítico. Por isso operações negociadas diretamente com a companhia emissora, como no caso da Alphabet, tendem a ganhar espaço.


A leitura possível é que a carteira está migrando de uma coleção ampla de participações minoritárias para um conjunto menor, com peso maior por posição e viés em tecnologia, infraestrutura e serviços financeiros internacionais.


O que isso significa para o investidor brasileiro?


Três implicações práticas. A primeira é de sinal macro: quando a maior reserva de caixa corporativa do mundo começa a ser gasta, o gestor por trás dela está sinalizando que encontrou preços aceitáveis. A segunda é de método, já que a concentração adotada por Abel contraria a intuição de que diversificação protege investimentos em qualquer cenário.


A terceira é de acesso. A Berkshire negocia em Nova York e não integra o Ibovespa, o que significa que a exposição do brasileiro passa por BDRs, contas internacionais ou instrumentos derivativos. Quem pesquisa como investir em ações dos EUA costuma comparar custo de câmbio, tributação e liquidez antes de escolher o caminho.


Existe ainda um efeito indireto sobre o mercado brasileiro. Movimentos de alocação global influenciam o apetite por risco em mercados emergentes, e a decisão de uma gestora do porte da Berkshire de voltar a comprar ações costuma ser lida como redução da percepção de risco sistêmico. Isso não garante fluxo para a bolsa local, mas altera o pano de fundo com que investidores estrangeiros olham para ativos fora dos Estados Unidos.


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Vale registrar o risco embutido na tese. A Berkshire é uma holding com dezenas de negócios operacionais, e o desempenho da ação depende tanto das escolhas de alocação quanto do ciclo econômico americano. A ação classe B era negociada perto de US$ 503 em 19 de agosto de 2026, próxima de máximas recentes, o que reduz a margem de segurança para novos compradores.


A conclusão razoável é que Abel não está reescrevendo o manual, e sim acelerando a execução. Ele mantém critérios conhecidos de qualidade e preço, mas age com mais velocidade quando identifica oportunidade. Os próximos trimestres dirão se essa velocidade se traduz em retorno superior ou apenas em maior rotatividade da carteira.


Se esta análise despertou interesse pelo comportamento dos grandes índices americanos, os CFDs sobre o S&P 500 permitem acompanhar o mesmo mercado que a Berkshire está comprando, sem a necessidade de selecionar papéis individuais. As condições de contrato, horários e margens estão detalhadas na página de índices da EBC, com execução de nível institucional e acesso via MT4, MT5 ou o aplicativo da corretora. Operar índices envolve risco de perda e exige gestão de posição.


Perguntas Frequentes (FAQ)


Quantos anos tem Greg Abel?

Greg Abel tem 64 anos. Nasceu em Edmonton, no Canadá, é formado em contabilidade pela Universidade de Alberta e possui registro de contador público certificado.


Warren Buffett saiu completamente da Berkshire?

Não. Ele deixou o cargo de executivo principal em 31 de dezembro de 2025, mas continua como presidente do conselho de administração e segue entre os maiores acionistas.


Qual o salário de Greg Abel como executivo principal?

Documentos regulatórios indicaram aumento de cerca de 19% sobre a remuneração anterior de US$ 21 milhões registrada em 2024, referente ao primeiro ano no cargo.


A Berkshire paga dividendos aos acionistas?

A companhia historicamente não distribui dividendos regulares, preferindo reter lucros para reinvestimento e recompra de ações próprias.


Onde a Berkshire é negociada?

Na Bolsa de Nova York, com duas classes: as ações classe A, de valor unitário muito elevado, e as classe B, mais acessíveis e com direito a voto reduzido.



Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.