Publicado em: 2026-08-11
Atualizado em: 2026-08-11
O EUR/USD recuou 0,26% em 6 de agosto de 2026 e fechou em 1,1523 dólares, antes de voltar à faixa de 1,155 no início da semana seguinte. A resposta direta para quem opera o par é que o dólar não está sendo movido por expectativa de corte de juros nos Estados Unidos, e sim pelo contrário: o mercado passou a precificar uma alta na reunião de setembro do Federal Reserve. Isso inverte a lógica que dominou boa parte de 2025 e muda o peso de cada dado do calendário macroeconômico.
Vale corrigir uma leitura ainda comum em análises do período. Nas semanas anteriores, a ferramenta FedWatch da CME atribuía cerca de 81% de probabilidade a uma alta de juros em setembro, 19% à manutenção e praticamente zero a um corte. Quem monta posição no par partindo da hipótese de afrouxamento monetário está trabalhando com uma premissa que o mercado de juros já descartou. Para uma visão de médio prazo, a previsão do EUR/USD para 2026 ajuda a enquadrar esse movimento dentro da tendência maior.

O movimento teve três componentes. O primeiro foi a leitura de resiliência da economia americana, que reduziu a chance de flexibilização monetária e devolveu prêmio de juro ao dólar. O segundo foi a demanda por proteção diante da indefinição sobre o estreito de Ormuz, tema que manteve o petróleo volátil e costuma favorecer moedas de reserva. O terceiro foi técnico: o par vinha testando a região de resistência entre 1,1516 e 1,1535, faixa que já havia barrado tentativas anteriores de alta.
É importante separar o ruído do sinal. O índice do dólar chegou a cair para 99,8 pontos no início de agosto, menor nível em sete semanas, pressionado pela valorização do iene após intervenção de Tóquio no câmbio e por compras da moeda japonesa pelo Tesouro americano. Ou seja, parte da fraqueza recente do dólar veio de um fator cruzado com o Japão, não de uma reavaliação do euro. Esse detalhe explica por que o par não conseguiu romper com convicção mesmo com o dólar em mínimas de várias semanas.
Na sequência, o EUR/USD reabriu a semana perto de 1,1524, oscilou entre 1,1517 e 1,1581 e acumulou alta em torno de 0,26% na comparação semanal. A amplitude de doze meses permanece entre 1,1325 e 1,2079, o que coloca a cotação atual na metade inferior do intervalo anual.
Em 29 de julho, o Federal Reserve manteve a taxa no intervalo de 3,50% a 3,75%, mas a votação não foi unânime: três membros defenderam alta imediata. Foi a primeira reunião do ciclo em que a divergência apontou para cima, e não para baixo, uma inversão relevante em relação ao início do ano, quando o comitê discutia quando começar a cortar.
O que sustenta esse giro é a inflação. O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos desacelerou para 3,5% na comparação anual em junho, bem abaixo dos 4,2% registrados em maio, mas ainda muito distante da meta de 2%. Do outro lado do Atlântico, a inflação da zona do euro ficou em 2,9% no dado mais recente, uma décima acima do mês anterior, e o Banco Central Europeu não tem reunião marcada para agosto. Esse descompasso entre os dois lados é o que dá direção ao par, como detalha a análise sobre decisões do Fed e do BCE no mercado de câmbio.
Nem todo o mercado concorda com o cenário de alta. Parte das casas de análise sustenta que o próximo movimento ainda será de corte, apenas adiado para 2027, sob o argumento de que a inflação já teria atingido o pico e deve convergir para a faixa de 3% a 3,5% até o fim do ano, principalmente se o estreito de Ormuz for reaberto. A discordância entre o preço de mercado e as projeções fundamentalistas é, em si, uma fonte de volatilidade.
O mês se resume a poucas datas de alto impacto. A divulgação do índice de preços ao consumidor americano na segunda semana é o evento central, porque é o dado que valida ou derruba a aposta de alta em setembro. Uma leitura acima do esperado consolida a precificação atual e tende a pressionar o euro. Uma surpresa para baixo devolve espaço à hipótese de pausa prolongada e alivia o dólar.
O segundo marco é o simpósio de Jackson Hole, no fim do mês, em que o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, deve dar o tom para a reunião de setembro. Historicamente, esse discurso funciona como prévia da decisão. O terceiro elemento é o mercado de trabalho: acompanhar o relatório de emprego dos EUA continua sendo a forma mais direta de antecipar mudanças no discurso do banco central, já que emprego forte remove o argumento contra juro mais alto. Traders que querem operar essas janelas encontram as especificações de EURUSD, incluindo horários de negociação e condições de margem, na página de forex da EBC.
A faixa de trabalho projetada para o mês fica entre 1,13 e 1,17, com a maior parte dos modelos técnicos apontando para a região de 1,15 a 1,16 no encerramento. Um rompimento abaixo de 1,13 abriria caminho para 1,11, enquanto a recuperação sustentada acima de 1,16 colocaria 1,17 e 1,18 no radar. Esses níveis funcionam melhor como gatilhos de decisão do que como alvos, porque o par tende a passar mais tempo dentro do intervalo do que fora dele.

A prática mais útil em meses assim é reduzir a exposição nas horas que antecedem os dados e concentrar operação nas janelas de maior liquidez, tema tratado no guia sobre o melhor horário para operar o par. Vale ainda entender como a divergência de inflação entre blocos se traduz em fluxo cambial, mecanismo explicado no material sobre inflação nos pares de moedas. Operar câmbio com alavancagem em semanas de calendário carregado amplia tanto o acerto quanto o erro, e o dimensionamento da posição costuma importar mais que a direção escolhida.
O EUR/USD entra na segunda quinzena de agosto preso entre dois bancos centrais em fases diferentes. O Federal Reserve caminha para discutir aperto, enquanto o Banco Central Europeu observa uma inflação próxima da meta sem pressa para agir. Enquanto essa assimetria persistir, o viés estrutural favorece o dólar, ainda que movimentos de curto prazo continuem ditados por intervenções cambiais e pela geopolítica da energia. A leitura correta do calendário vale mais, neste momento, do que qualquer projeção de alvo.
Se esta análise deixou claro que o principal risco do mês é um choque de manchete e não uma tendência ordenada, faz sentido observar o comportamento do metal que costuma reagir primeiro a esse tipo de evento. O XAUUSD negocia praticamente durante todo o ciclo de vinte e quatro horas, o que permite reagir a dados americanos mesmo fora do horário europeu. As condições atualizadas do instrumento estão na plataforma de commodities da EBC, com acesso à liquidez institucional via MT4, MT5 ou o aplicativo da EBC.
A cotação oscilou entre 1,1325 e 1,2079 nas últimas cinquenta e duas semanas. O nível atual está na metade inferior desse intervalo, mais perto do piso do que do topo.
Não há reunião de política monetária do Banco Central Europeu marcada para agosto. A próxima decisão fica para setembro, o que concentra a atenção nos dados americanos.
Kevin Warsh comanda o Federal Reserve. Sua fala no simpósio de Jackson Hole, no fim de agosto, é tratada pelo mercado como sinalização para a reunião seguinte.
Intervenções que fortalecem o iene enfraquecem o dólar de forma generalizada. Isso empurra o EUR/USD para cima sem que exista qualquer mudança nos fundamentos do euro.
É a probabilidade implícita nos contratos futuros de juros para cada decisão do banco central. Ela muda a cada dado divulgado e antecipa parte do movimento cambial.