Bilionários brasileiros: o que revela o ranking Forbes
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Bilionários brasileiros: o que revela o ranking Forbes

Autor:Pietro Costa

Publicado em: 2026-08-28   
Atualizado em: 2026-08-28

O Brasil tem 255 bilionários em 2026, segundo levantamento divulgado pela Forbes Brasil em 27 de agosto. Juntos, os bilionários brasileiros somam patrimônio estimado em R$ 1,86 trilhão. Entre os integrantes da lista, 146 aumentaram a fortuna no período analisado e 77 registraram perdas.


A leitura mais interessante do ranking não está no topo, que segue praticamente inalterado, mas na movimentação abaixo dele. Um dos maiores avanços veio do agronegócio, o setor financeiro consolidou ganhos expressivos e a fortuna do primeiro colocado encolheu quase um terço sem que ele perdesse a liderança. Cada um desses movimentos tem uma explicação de mercado bem definida.

BILIONÁRIOS

255

no Brasil em 2026

PATRIMÔNIO SOMADO

R$ 1,86 tri

total do grupo

GANHARAM

146

+ patrimônio

PERDERAM

77

- patrimônio

Fonte: Forbes Brasil, levantamento divulgado em 27 de agosto de 2026.

Quem são os maiores bilionários do Brasil em 2026?


A Forbes calcula as fortunas com base no valor das participações em empresas listadas em bolsa, tomando como referência as cotações de fechamento de 30 de junho de 2026. Isso significa que o ranking é uma fotografia daquela data, e não uma medida atualizada em tempo real.



NOME

ORIGEM DA FORTUNA

PATRIMÔNIO

VARIAÇÃO

1

Eduardo Saverin

Meta e B Capital

R$ 162,9 bi

-28,24%

2

Vicky Safra e família

Banco Safra

R$ 130,6 bi

+8,38%

3

Jorge Paulo Lemann e família

3G Capital e AB InBev

R$ 103,5 bi

+17,61%

4

André Esteves

BTG Pactual

R$ 66,1 bi

+29,61%

5

Fernando Moreira Salles

Itaú Unibanco e CBMM

R$ 50,3 bi

+25,12%

6

Pedro Moreira Salles

Itaú Unibanco e CBMM

R$ 46,6 bi

+22,63%

7

Max Herrmann Telles

3G Capital e AB InBev

R$ 38,8 bi

+32,42%

8

Miguel Krigsner

O Boticário

R$ 35,7 bi

estável

9

Carlos Alberto Sicupira e família

AB InBev e 3G Capital

R$ 35,4 bi

-9,46%

10

Ricardo Faria

Granja Faria

R$ 35,1 bi

+79,08%

Fonte: Forbes Brasil, edição de 2026. Variação calculada frente ao levantamento de 2025.

Eduardo Luiz Saverin, de 44 anos, lidera pelo quarto ano consecutivo. Nascido em São Paulo e residente em Singapura desde 2012, o cofundador do Facebook também comanda a B Capital, gestora focada em startups que anunciou em julho um fundo de US$ 500 milhões voltado a inteligência artificial nas áreas de saúde e energia.

Por que o líder do ranking perdeu patrimônio?

A fortuna de Saverin caiu de R$ 227 bilhões em 2025 para R$ 162,9 bilhões, redução de 28,24%. A explicação é direta: a maior parte desse patrimônio está atrelada às ações da Meta, que recuaram cerca de 16% nos doze meses encerrados em junho. Como a base de comparação é o preço da ação, a variação do patrimônio amplifica a variação do papel.

O caso ilustra o ponto central de qualquer ranking de riqueza. Fortunas dessa escala não são feitas de dinheiro parado, e sim de participações acionárias avaliadas a mercado. Elas sobem e descem com o humor da bolsa, mesmo quando nada muda na operação da empresa. A bolsa de valores brasileira funciona da mesma forma para os patrimônios locais.

Há ainda o efeito cambial. Boa parte das fortunas do topo está em ativos negociados no exterior, e a conversão para reais depende da cotação do dólar na data de corte. Um empresário pode aparecer mais rico ou mais pobre em reais sem que sua participação tenha se alterado em nada.

Quem subiu e quem caiu no ranking de 2026?


MOVIMENTO

NOME

O QUE MUDOU

Maior alta da lista

Ricardo Faria

Saltou da 21ª para a 10ª posição, com avanço de 79,08% no patrimônio

Maior avanço interno

Max Herrmann Telles

Subiu da 11ª para a 7ª colocação, com alta de 32,42%

Maior perda de valor

Eduardo Saverin

Manteve a liderança apesar da redução de 28,24% na fortuna

Maior recuo de posição

Carlos Alberto Sicupira

Caiu da 6ª para a 9ª colocação, com perda de 9,46%

Principais movimentações entre os dez maiores patrimônios do país em 2026.

O destaque de alta é Ricardo Castellar de Faria, fundador da Granja Faria, que saltou da 21ª para a 10ª posição com crescimento de 79,08%. Formado em engenharia agronômica, ele criou a empresa em 2006 e hoje comanda uma operação com 34 unidades produtoras, cerca de 2.700 funcionários e fornecimento aproximado de 16 milhões de ovos por dia.


No sistema financeiro, o avanço veio da valorização das ações. André Esteves viu o patrimônio subir 29,61%, para R$ 66,1 bilhões, movimento sustentado pela alta de 33% dos papéis do BTG Pactual nos doze meses encerrados em junho. Fernando e Pedro Moreira Salles, ligados ao Itaú Unibanco e à CBMM, registraram altas de 25,12% e 22,63%.


Na ponta oposta, Carlos Alberto Sicupira recuou da sexta para a nona colocação, com queda de 9,46%. A trajetória acompanha o desempenho da AB InBev, que também pesa nos patrimônios de outros integrantes do grupo 3G Capital. Vale notar que Lemann, exposto às mesmas empresas, subiu 17,61%, o que mostra como a composição individual de cada carteira produz resultados distintos dentro do mesmo setor.


Para traders que acompanham como o desempenho de uma única ação reprecifica patrimônios inteiros em doze meses, papéis como META.OQ estão entre os mais negociados do mercado global e ilustram exatamente essa mecânica. A página de stock CFDs da EBC reúne as especificações dos contratos disponíveis, com acesso via MT4, MT5 ou aplicativo. Operações alavancadas ampliam ganhos e perdas na mesma proporção.


Quais setores concentram as fortunas dos bilionários brasileiros?


O ranking de 2026 mostra três blocos dominantes. O primeiro é o financeiro, presente em quatro das dez maiores fortunas por meio de bancos e gestoras. O segundo é o de bebidas e bens de consumo, historicamente forte no país. O terceiro, mais recente entre os primeiros colocados, é o agronegócio, que ganhou espaço com a entrada da Granja Faria no grupo de elite.


Tecnologia aparece de forma concentrada e sujeita a alta oscilação, como mostra o caso do primeiro colocado. Saúde, varejo e cosméticos completam o quadro, com O Boticário representando um modelo de crescimento baseado em marca e distribuição. O grupo registrou faturamento recorde de R$ 38,1 bilhões em vendas ao consumidor em 2025.


US Gold ETF Demand (15) (1).png


Esse mapa setorial diz mais sobre a economia brasileira do que os nomes individuais. Ele mostra onde o capital privado se acumulou nos últimos anos e quais atividades geraram valor de forma consistente. Quem acompanha a análise do Ibovespa em 2026 reconhece a mesma distribuição setorial que sustenta o índice, com bancos e commodities pesando de forma desproporcional.


Setores ligados a matérias primas seguem relevantes por outro caminho. Quem acompanha as ações da Vale sabe que o preço internacional das commodities altera diretamente o valor de mercado dessas companhias e, por consequência, o patrimônio de seus controladores.


Como o investidor deve interpretar esses números?


A lição prática do ranking é sobre exposição, não sobre imitação. Todas as fortunas dos bilionários brasileiros se formaram por concentração extrema em um único negócio, estratégia que funciona para quem controla a empresa e costuma ser destrutiva para quem apenas investe nela. A queda de 28,24% do primeiro colocado em um único ano deixa isso evidente.


A diversificação existe justamente porque não há como saber de antemão qual setor liderará o próximo ciclo. Em 2026 o agronegócio produziu a maior alta do top 10; em outras edições, bebidas e varejo ocuparam esse papel. Carteiras que dependem de acertar o setor vencedor carregam risco desnecessário.


Outro ponto é a distinção entre patrimônio e liquidez. Participações acionárias não são conversíveis em dinheiro sem impacto de preço, e o mesmo vale, em escala menor, para o investidor comum. Posições grandes em ativos pouco líquidos criam a ilusão de patrimônio estável até o momento em que é preciso vender. Uma comparação sobre qual bolsa de valores é mais valiosa ajuda a dimensionar o quanto o tamanho do mercado local limita essa liquidez.


O ranking da Forbes, portanto, é mais útil como termômetro de mercado do que como lista de celebridades. Ele mostra quais setores foram reprecificados no último ano, como o câmbio distorce comparações e o quanto a riqueza brasileira está atrelada ao humor da bolsa. São variáveis que o investidor encontra diariamente nos próprios extratos, apenas em outra escala.


Se esta leitura setorial fez você considerar exposição a mercados amplos em vez de apostas concentradas, índices como o US500 e o US100 reúnem centenas de companhias em um único instrumento, com racional distinto da concentração vista no ranking. As condições estão descritas na página de índices CFDs da EBC, com execução de nível institucional e acesso a diferentes fusos de negociação. Instrumentos alavancados envolvem risco de perda do capital investido.


Perguntas Frequentes (FAQ)


Qual a data de corte usada pela Forbes Brasil em 2026?

O cálculo considera as cotações de fechamento de 30 de junho de 2026 para as participações em empresas listadas em bolsa.


Quantos brasileiros da lista ganharam e perderam patrimônio?

Entre os 255 nomes listados, 146 aumentaram o patrimônio no período analisado e 77 registraram perdas em relação ao levantamento anterior.


Por que a lista brasileira difere da lista global da Forbes?

A edição brasileira usa data de corte, moeda e critérios de elegibilidade próprios, o que gera contagens e valores distintos do ranking mundial.


Fortunas familiares contam como um único nome?

Sim. Quando o patrimônio é compartilhado entre herdeiros, a Forbes costuma agrupar sob a designação de família, o que altera a contagem total.


O ranking mede dinheiro disponível em conta?

Não. A maior parte corresponde a participações acionárias avaliadas a preço de mercado, que não podem ser convertidas em caixa sem afetar a cotação.



Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.