Publicado em: 2026-05-05
Eduardo Saverin é a pessoa mais rica do Brasil. Com um patrimônio estimado em US$ 37,3 bilhões em 2026, segundo a Forbes, o empresário paulistano figura entre os 60 maiores bilionários do planeta. Sua fortuna tem origem no Facebook, rede social que ajudou a fundar em 2004, e cresce continuamente por meio da B Capital Group, seu fundo global de venture capital com sede em Cingapura.
A trajetória de Saverin é marcada por decisões ousadas, conflitos societários e uma capacidade de reinvenção que o colocou em um patamar raramente alcançado por empreendedores brasileiros no cenário global. Este artigo conta a história completa de como um jovem de São Paulo se tornou o brasileiro mais rico da história.

Eduardo Luiz Saverin nasceu em 19 de março de 1982, em São Paulo. Filho de Roberto Saverin, empresário do setor de vestuário, navegação e imóveis, e de Sandra Saverin, psicóloga, Eduardo cresceu em uma família já conectada ao mundo dos negócios. Seu avô materno, Eugênio Saverin, fundou a Tip Top, uma das primeiras fabricantes de roupas infantis do Brasil.
Com 11 anos, a família se mudou para Miami. Eduardo concluiu o ensino médio na Gulliver Preparatory School e ingressou na Universidade de Harvard, onde se formou magna cum laude em Economia em 2006. Ainda durante a graduação, demonstrou aptidão natural para finanças: utilizando conhecimentos de meteorologia, previu padrões de furacões e lucrou US$ 300 mil com investimentos em futuros de petróleo.
Em 2004, durante o terceiro ano em Harvard, Saverin conheceu Mark Zuckerberg. Os dois identificaram a ausência de uma rede social dedicada aos alunos da universidade e decidiram criar o Thefacebook. Cada um aportou US$ 1.000 no projeto, depois elevando o investimento para mais US$ 18.000 cada. Saverin atuou como diretor financeiro e primeiro investidor, enquanto Zuckerberg ficou responsável pelo desenvolvimento tecnológico.
A plataforma cresceu rapidamente, expandindo para outras universidades e, em 2006, para o público em geral. A história, porém, teve um revés: em 2005, Saverin foi surpreendido com uma manobra societária que reduziu sua participação acionária. Ele acionou a Justiça norte-americana, e o caso foi resolvido em acordo extrajudicial. O resultado: Saverin manteve cerca de 5% das ações da Meta e teve seu nome formalmente reconhecido como cofundador da empresa.
Com a abertura de capital do Facebook na Nasdaq em 2012, à época o maior IPO da história da tecnologia, a fortuna de Saverin disparou. A rede social se transformou na Meta Platforms, dona também do WhatsApp e do Instagram, acumulando mais de 3,5 bilhões de usuários ativos diários. As ações da empresa valorizaram mais de 300% em 2023, praticamente triplicando o patrimônio do bilionário em apenas um ano, impulsionado pelo boom da inteligência artificial.
Para além das ações da Meta, Eduardo Saverin construiu seu segundo grande negócio por meio da diversificação de investimentos. Em 2016, fundou a B Capital Group em parceria com Raj Ganguly, ex-executivo da Bain Capital e ex-colega de Harvard. A empresa é um fundo de venture capital focado em startups de séries B e C, ou seja, negócios já validados que buscam escalar globalmente.
A B Capital tem hoje escritórios em Cingapura, Nova York e Califórnia, mais de 100 colaboradores e mais de US$ 9 bilhões em ativos sob gestão. O fundo investe prioritariamente em tecnologia, inteligência artificial, saúde digital e software empresarial, com presença forte no sudeste asiático, nos Estados Unidos e na Europa. Eduardo Saverin ocupa o cargo de cofundador e co-CEO, dedicando-se pessoalmente à seleção de startups com potencial de impacto global.
Em 2020, ele também fez aportes na Antler, fundo de capital de risco criado por outro ex-colega de Harvard voltado ao estágio mais inicial das startups. Essa estratégia de atuar em diferentes estágios e geografias distingue Saverin de outros grandes investidores, que geralmente concentram capital em mercados já consolidados.
Em 2009, Saverin se mudou para Cingapura, e em 2011 renunciou à cidadania norte-americana, decisão que gerou grande repercussão. Muitos associaram a escolha à tentativa de evitar impostos sobre os ganhos do IPO do Facebook, mas ele sempre negou essa motivação, afirmando que a mudança foi impulsionada por razões pessoais e pelo interesse nos mercados asiáticos em expansão.
De fato, Cingapura é um dos principais centros financeiros e tecnológicos do mundo, com regime tributário favorável e posição estratégica para investimentos na Ásia. O bilionário se casou com Elaine Andriejanssen, de origem indonésia, em 2015. Em 2023, o casal registrou a fundação filantrópica Eduardo and Elaine Saverin Foundation, voltada para educação, conservação ambiental, saúde e saúde mental.
Cingapura é considerada uma das cidades mais fáceis do mundo para fazer negócios, e a presença de Saverin ali não é mero acaso. Trata-se de um posicionamento deliberado, similar ao de outros grandes investidores globais que buscam atuar próximo aos mercados de maior crescimento do século XXI.

Segundo dados atualizados da Forbes de abril de 2026, o patrimônio líquido de Eduardo Saverin está estimado em US$ 37,3 bilhões, o que o posiciona como o 57º homem mais rico do mundo e a pessoa mais rica de Cingapura. No Brasil, a distância para o segundo colocado no ranking, Jorge Paulo Lemann, é considerável: Lemann tem uma fortuna estimada em cerca de US$ 27 bilhões.
A fortuna de Saverin cresceu 45,5% entre 2024 e 2025, impulsionada principalmente pela valorização das ações da Meta no contexto da corrida pela inteligência artificial. A empresa de Zuckerberg figura entre as maiores empresas do mundo por valor de mercado, e qualquer valorização significativa de suas ações impacta diretamente o patrimônio de Saverin.
Para contextualizar, o Brasil tem um ecossistema empresarial robusto. As maiores empresas do Brasil movimentam bilhões em setores como energia, mineração e financeiro, mas nenhum empresário nacional chegou perto de Saverin em termos de patrimônio individual. Sua fortuna equivale ao PIB de vários países de médio porte.
A história de Eduardo Saverin é um caso raro de empreendedorismo nascido em São Paulo, forjado em Harvard e consolidado na Ásia. Ele não apenas sobreviveu a um dos conflitos societários mais famosos da história da tecnologia, como transformou sua participação minorityária no Facebook em uma plataforma de investimento global. Hoje, seu legado vai além de uma tela de rede social: é um modelo de construção de patrimônio por meio de visão de longo prazo, diversificação e posicionamento estratégico.
Sim. Estima-se que ele mantenha menos de 5% das ações da Meta Platforms, herdadas do acordo com Zuckerberg após o litígio de 2005.
Sim. O bilionário e sua esposa Elaine Andriejanssen têm filhos e vivem em Cingapura, onde também administram uma fundação filantrópica registrada em 2023.
Sim. Saverin declarou interesse em apoiar startups brasileiras e afirmou que o Brasil está em seu coração, embora seus principais investimentos sejam na Ásia, EUA e Europa.
Sim. O personagem de Saverin foi interpretado por Andrew Garfield no filme "A Rede Social" (2010), indicado ao Oscar de Melhor Filme. O bilionário criticou algumas cenas como imprecisas.
A B Capital é um fundo de venture capital que investe em startups em estágios de crescimento (séries B e C), com foco em tecnologia, saúde digital e inteligência artificial, com mais de US$ 9 bi em gestão.