O Fed elevou a taxa básica dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), levando o intervalo dos Fed Funds para 3,75% a 4,00% ao ano. A decisão foi unânime e marca a primeira alta de juros do banco central americano desde julho de 2023, revertendo um ciclo que vinha de manutenções sucessivas. O gatilho declarado é a combinação de petróleo acima de US$ 100 o barril, inflação ao consumidor ainda resistente e um mercado de trabalho que segue gerando vagas apesar da guerra no Oriente Médio.
A poucas horas dali, o Copom se reúne para fechar sua própria decisão sobre a Selic, hoje por volta das 18h30 (horário de Brasília). O cenário é bem diferente do americano: a taxa básica brasileira vem em trajetória de queda havia meses, e o consenso de mercado aponta para mais um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Mas não é uma decisão fechada. Este texto separa o que já é fato, a alta do Fed, do que ainda é projeção, a decisão do Copom, e mostra por que a combinação das duas pode mexer com o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.
O Fomc justificou a alta citando que os gastos internos seguem resilientes e que a geração de empregos tem acompanhado a força de trabalho, com desemprego pouco alterado nos últimos meses. Ao mesmo tempo, o comitê reconheceu que a inflação permanece elevada e que a incerteza geopolítica segue no radar. Na leitura do Fed, o aperto de hoje contribui para acelerar o retorno dos preços à meta de 2% ao ano.
As novas projeções econômicas (Summary of Economic Projections) também subiram. A estimativa de PIB para 2026 passou de 2,2% para 2,3%, e a de 2027 avançou de 2,3% para 2,4%. Já a inflação medida pelo PCE para 2026 foi revisada de 3,6% para 3,7%. Segundo analistas consultados pela imprensa financeira, o material de projeções indica que o Fed antevê mais uma alta de 0,25 ponto percentual ainda em 2026, embora o comunicado oficial não tenha dado sinalização explícita sobre os próximos passos.
Decisão: alta de 0,25 p.p., votação unânime
Novo intervalo: 3,75% a 4,00% ao ano
Contexto: petróleo entre US$ 97 e US$ 110 o barril desde o agravamento da guerra no Oriente Médio
Inflação ao consumidor (EUA, agosto): 3,4% no índice cheio, 2,4% no núcleo
Sinalização: dot plot aponta possibilidade de mais uma alta de 0,25 p.p. em 2026
Contexto institucional: reunião ocorre sob a gestão do novo presidente do Fed, Kevin Warsh
Diferente do cenário americano, o Copom vem de uma sequência de cortes. A taxa Selic saiu de 14,25% em junho para 14,00% em agosto, e a leitura predominante entre economistas é que o Banco Central deve promover mais um corte de 0,25 ponto percentual hoje, levando a Selic a 13,75% ao ano, o quinto recuo consecutivo. Essa é uma expectativa, não um fato: o resultado só sai depois do encerramento da reunião, hoje à noite.
A cautela é justificada. Parte dos analistas já trabalha com a possibilidade de esse ser o último corte de maior magnitude do ciclo, com o Copom voltando a calibrar o ritmo a partir de novembro. O mesmo petróleo que levou o Fed a subir os juros também pressiona a inflação brasileira via combustíveis e alimentos, o que pode deixar o comunicado do Copom mais cauteloso do que o corte em si sugere.
O mecanismo é direto. Quando o Fed sobe os juros e o Copom corta, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos encolhe dos dois lados ao mesmo tempo. Isso reduz, na margem, o prêmio que remunera o investidor estrangeiro por manter capital alocado no Brasil via operações de carry trade, o que tende a fortalecer o dólar frente a moedas emergentes, entre elas o real.
Esse padrão já apareceu em decisões anteriores do Fed em 2026: nas reuniões em que o comitê americano sinalizou juros mais altos, o dólar fechou em alta contra o real mesmo em dias de sessão doméstica tranquila. Para quem acompanha esse movimento de perto, o par USD/BRL é um dos instrumentos de forex mais líquidos para operar justamente esse tipo de divergência entre política monetária brasileira e americana, disponível como CFD na página de forex da EBC. Ainda assim, o efeito líquido de hoje só fica claro depois que o Copom falar.
Fed Funds x Selic em 2026. Valor de Selic em set/26 é projeção de mercado, não confirmado.
Com o resultado do Copom ainda em aberto, qualquer leitura técnica do USD/BRL feita antes das 18h30 tem utilidade limitada: o par pode saltar de faixa assim que a decisão for divulgada, invalidando suportes e resistências traçados horas antes. As zonas abaixo servem como referência de contexto, não como projeção de preço.
Nas últimas semanas, o USD/BRL vem operando predominantemente na faixa entre R$ 5,10 e R$ 5,30, com o piso testado em momentos de maior apetite a risco global e o teto pressionado sempre que o Fed reforça o discurso de juros mais altos por mais tempo. A reação de hoje tende a se concentrar nos minutos seguintes a cada um dos dois anúncios.
Para quem opera no intradia, o texto do comunicado do Copom costuma pesar tanto quanto o número do corte em si. Um corte de 0,25 p.p. acompanhado de linguagem mais dura sobre os riscos de inflação pode gerar reação bem diferente de um corte idêntico com discurso mais aberto a continuar cortando em novembro.
Sim. O Fomc elevou a taxa dos Fed Funds em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), para o intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano, em decisão unânime. É a primeira alta do ciclo desde julho de 2023.
O comitê citou inflação ainda elevada, mercado de trabalho resiliente e o impacto do petróleo mais caro por causa da guerra no Oriente Médio. As novas projeções também elevaram a estimativa de inflação (PCE) para 2026.
A decisão é esperada para hoje à noite, por volta das 18h30 no horário de Brasília, ao final do segundo dia de reunião do comitê. A ata detalhada sai na terça-feira seguinte, dia 22 de setembro.
Não há confirmação. O consenso de mercado aponta para um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, mas manutenção ou um tom mais cauteloso no comunicado também estão nas planilhas dos analistas.
Juros mais altos nos EUA reduzem o diferencial de juros com o Brasil, o que pode pesar contra reais estrangeiros alocados aqui. Isso não impede o corte, mas pode influenciar o tom do comunicado sobre os próximos passos.
Historicamente, altas do Fed tendem a fortalecer o dólar frente a moedas emergentes. Se o Copom cortar como esperado, o efeito combinado tende a reforçar essa pressão, mas o texto do comunicado brasileiro também pesa na reação.
O Fed volta a se reunir em 27 e 28 de outubro. O Copom tem encontros marcados para 3 e 4 de novembro e para 8 e 9 de dezembro, fechando o calendário de política monetária de 2026.
O dia marca uma inflexão real na política monetária americana: depois de mais de três anos sem elevar juros, o Fed voltou a apertar, pressionado por um choque de petróleo que a política monetária não controla bem. Do lado brasileiro, o Copom ainda decide, e o consenso de corte para 13,75% não deve ser tratado como fato consumado até a divulgação oficial, hoje à noite.
Para o trader, o dia de hoje concentra dois catalisadores no mesmo pregão, com poucas horas de intervalo entre eles. A combinação de um Fed mais duro com um Copom potencialmente mais cauteloso do que o esperado é o cenário que mais mexeria com o USD/BRL nas próximas sessões. A confirmação, ou não, do corte de 0,25 p.p. hoje à noite, e principalmente o tom do comunicado do Banco Central, serão os fatores a acompanhar até o fechamento do mercado.
Traders que queiram operar o efeito da divergência de juros entre Brasil e Estados Unidos no câmbio podem encontrar o par USD/BRL, entre outros pares de forex, na página de produtos de câmbio da EBC.
Diego Bonfati — Analista de mercados financeiros, EBC Financial Group.