Publicado em: 2026-09-12
Atualizado em: 2026-09-12
O Ibovespa hoje, sexta (11), opera em leve queda enquanto investidores digerem dois indicadores de inflação divulgados com meia hora de diferença. Por volta das 10h10, o principal índice da B3 recuava 0,36%, aos 187.587 pontos, depois de subir 1,42% na véspera e fechar a quinta aos 188.268 pontos.
A leitura do mercado é de sinais opostos. No Brasil, o IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, abaixo do esperado, o que reforça a expectativa de corte da Selic. Nos Estados Unidos, o CPI subiu 0,4% no mês, acelerando frente a julho e mantendo viva a pressão por juros mais altos. Essa assimetria explica a cautela na bolsa brasileira.
A seguir, você entende o que cada dado revelou e como ele chega ao preço das ações, do dólar e dos juros.

A sessão começou com o índice futuro em leve baixa, perto de 189.900 pontos, e o dólar futuro praticamente estável, cotado a R$ 5,127. Após a divulgação dos dados, o Ibovespa passou a operar no campo negativo, enquanto o dólar à vista recuava frente ao real, acompanhando o movimento da moeda americana no exterior.
O recuo acontece depois de uma sequência de ganhos. Na quinta, a alta foi puxada por bancos e varejistas, setores sensíveis à queda de juros, em um pregão também influenciado pelas expectativas em torno do cenário eleitoral. O dólar comercial fechou aquele dia em queda de 0,18%, a R$ 5,103.
No exterior, o pano de fundo é mais tenso. O petróleo caminha para encerrar a semana acima de US$ 100 pela primeira vez em quase quatro meses, com o aumento dos ataques em rotas marítimas do Oriente Médio. O petróleo acima de US$ 100 alimenta a inflação global e ajuda a explicar por que os bancos centrais seguem cautelosos.
O IPCA caiu 0,32% em agosto, depois de subir 0,07% em julho. O mercado projetava queda de 0,29%. Foi a deflação mais intensa desde agosto de 2022, e o acumulado em 12 meses desacelerou de 4,44% para 4,22%, também abaixo da projeção de 4,27%. No ano, a inflação oficial soma 3,11%.
O grupo Habitação liderou a queda, com recuo de 1,87%. A energia elétrica residencial ficou 7,63% mais barata por causa do Bônus de Itaipu, creditado nas contas de agosto. Em Transportes, que caiu 0,86%, as passagens aéreas recuaram 13,17% e os combustíveis, 0,91%. Alimentação e bebidas caiu 0,34%, com destaque para batata inglesa, cenoura e tomate.
Na direção contrária, Despesas pessoais subiu 1,30%, puxado pelo cigarro, que ficou 19,59% mais caro após reajustes tributários. O detalhe importante é que boa parte da deflação veio de fatores pontuais. O bônus na conta de luz não se repete em setembro, e as passagens aéreas costumam se recompor com a proximidade do fim do ano.
Mesmo com esses efeitos temporários, um dado chamou atenção: a alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,55% em julho para 0,36% em agosto. Esse componente costuma resistir a quedas e funciona como termômetro de pressões persistentes, por isso a moderação sugere uma demanda das famílias mais contida.
O CPI americano subiu 0,4% em agosto, acima do 0,1% de julho, e manteve a taxa anual em 3,4%, em linha com o consenso. Na véspera, o índice de preços ao produtor já havia avançado 0,5% no mês, com taxa anual de 5,4%, acima dos 5,3% esperados.
Esses números importam porque influenciam a decisão do Federal Reserve, marcada para 15 e 16 de setembro. Antes do CPI, o CME FedWatch indicava 73,1% de probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual nos juros americanos. Juros mais altos nos EUA elevam o rendimento dos Treasuries, cujo título de 10 anos se aproxima de 5%, e tornam os ativos de países emergentes menos atrativos.
Esse é o caminho pelo qual a taxa de juros americana chega à B3: o capital estrangeiro fica mais seletivo, o dólar tende a ganhar força e as ações sensíveis a juros sofrem. Como o CPI move primeiro Wall Street, traders que querem acompanhar a reação dos índices americanos a esses dados podem consultar as especificações do SPXUSD na página de índices CFD da EBC, disponível via MT4, MT5 ou o app da EBC.
No Brasil, o cenário caminha em sentido oposto ao americano. Com a Selic em 14% ao ano, as opções de Copom negociadas na B3 indicavam 95% de chance de corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom. A deflação de agosto reforça esse cenário, já que a inflação acumulada segue em trajetória de desaceleração.

O ponto de atenção é o diferencial de juros. Se o Banco Central corta a Selic enquanto o Fed sobe os juros, a distância entre as taxas diminui, o que pode reduzir o apelo do real para investidores estrangeiros e pressionar o câmbio. Para a bolsa, juros menores barateiam o crédito e favorecem empresas endividadas, mas um dólar mais forte pode limitar esse ganho.
Por isso, o mercado não olha apenas o número cheio. A composição do IPCA, o comportamento dos núcleos de inflação e a reação do dólar hoje ajudam a definir se o dado será lido como tendência ou como ruído pontual.
A próxima semana concentra as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, o que tende a manter a volatilidade elevada. Um episódio recente mostra essa dinâmica: na semana passada, um payroll muito acima do esperado chegou a derrubar o Ibovespa em mais de 1%, mas o índice recuperou quase toda a perda até o fechamento.
Para o investidor, a leitura mais útil é cruzar três variáveis: a sinalização do Copom sobre o ritmo de cortes, o tom do Fed diante do CPI mais forte e o comportamento do petróleo. A combinação entre inflação doméstica em queda e juros americanos pressionados deve seguir no centro da formação de preços da bolsa nas próximas sessões.
Em dias de agenda carregada, acompanhar o Ibovespa hoje exige atenção ao horário de cada divulgação, já que a reação do mercado costuma se concentrar nos minutos seguintes aos dados e pode se inverter até o fechamento.
Se esta leitura da inflação te fez olhar para o câmbio, a página de forex da EBC reúne pares como EUR/USD, que costuma reagir rapidamente ao CPI americano, e USD/CAD, sensível ao petróleo pelo peso da commodity na economia canadense. As especificações atuais de spread e margem estão disponíveis na página do produto.
A meta é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, verificada de forma contínua com base no acumulado em 12 meses.
O IBGE calcula o índice desde 1980, com base no consumo de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos em 16 áreas urbanas do país.
É o índice do IBGE voltado a famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos. Em agosto, também caiu 0,32%, com alta de 3,98% em 12 meses.
O CPI cheio mede todos os preços ao consumidor nos EUA. O núcleo exclui alimentos e energia, itens mais voláteis, e mostra melhor a tendência da inflação.
É a prévia do IPCA, com preços coletados entre a metade de um mês e a metade do seguinte. Em agosto de 2026, a prévia registrou queda de 0,40%.