Inflação cai a 4,90% no Focus: Selic vai cair nesta semana?
English ภาษาไทย Español 한국어 简体中文 繁體中文 日本語 Tiếng Việt Bahasa Indonesia Монгол ئۇيغۇر تىلى العربية Русский हिन्दी O‘zbekcha Қазақша

Inflação cai a 4,90% no Focus: Selic vai cair nesta semana?

Publicado em: 2026-09-15   
Atualizado em: 2026-09-15

O IPCA projetado para 2026 caiu de 5,00% para 4,90% no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (14). É a terceira queda semanal seguida e a primeira vez desde maio que a mediana do mercado fica abaixo de 5%. A leitura chega horas antes de uma semana decisiva para os juros no Brasil.

1.png

O Comitê de Política Monetária se reúne nos dias 15 e 16 de setembro, com decisão prevista para a noite de quarta-feira. A Selic está em 14% ao ano desde agosto, e o mercado precifica um corte de 0,25 ponto percentual, o quinto consecutivo na mesma magnitude. Se confirmado, o juro básico chega a 13,75%, exatamente o patamar que o próprio Focus projeta para o fim do ano.

Essa coincidência entre o corte desta semana e a projeção de dezembro carrega um recado implícito: pelas contas atuais do mercado, não há mais cortes precificados até o fim de 2026. O Banco Central teria feito, na prática, o último ajuste do ciclo nesta Superquarta, mesmo com a inflação corrente em desaceleração e o PIB perdendo fôlego.


Boletim Focus: por que a projeção de inflação caiu para 4,90%

A queda desta semana é a primeira edição do Focus após a divulgação oficial do IPCA de agosto, que registrou deflação de 0,32%, a menor taxa em quatro anos. O dado oficial mais fraco puxou a mediana das projeções de inflação para baixo pela terceira semana seguida, em um ritmo mais acelerado que as revisões anteriores.

Há quatro semanas, o mercado ainda trabalhava com IPCA de 5,02% para o fim de 2026. Mesmo com a melhora, a projeção atual de 4,90% segue acima do teto da meta de inflação, fixado em 4,50%. Para 2027, a leitura caminha na direção oposta: a mediana subiu pela quinta semana consecutiva, para 4,30%, sinal de que a convergência de médio prazo ainda preocupa o Banco Central.

IPCA Focus 2026
4,90%
▼ -0,10 p.p. na semana
PIB Focus 2026
1,89%
▼ -0,04 p.p. na semana
Selic atual
14,00%
desde ago/2026
Selic projetada dez/26
13,75%
estável há 6 semanas
Dólar Focus 2026
R$ 5,20
estável há 13 semanas
Dólar hoje
R$ 5,15
▼ -0,56% intradia


Os números do Focus desta segunda-feira

O relatório concentra as mudanças recentes em apenas dois indicadores: inflação e atividade. Câmbio e Selic seguem inalterados há 13 e 6 semanas, respectivamente, o que reforça a leitura de que o mercado já considera essas duas variáveis ancoradas até o fim do ano.

Indicador 4 semanas atrás Semana anterior Focus 14/09
IPCA 2026 5,02% 5,00% 4,90%
PIB 2026 1,98% 1,93% 1,89%
Selic dez/26 13,75% 13,75% 13,75%
Dólar dez/26 R$ 5,20 R$ 5,20 R$ 5,20

O PIB de 2026 também foi revisado para baixo, de 1,93% para 1,89%, terceiro corte seguido na estimativa de crescimento. Para 2027, a projeção de atividade caiu de 1,50% para 1,45%. A combinação de inflação em queda com atividade perdendo força é o argumento central de quem defende que o BC ainda tem espaço para reduzir juros, mesmo que de forma gradual.

Selic: a trajetória de cortes em 2026

A taxa básica chegou a 15% ao ano em junho de 2025, o maior nível em quase 20 anos, e permaneceu ali até março de 2026. Desde então, o Copom vem reduzindo os juros em passos de 0,25 ponto a cada reunião, com a taxa saindo de 14,25% em junho para 14% em agosto. Um novo corte nesta semana levaria a Selic a 13,75%.

Período Selic (% a.a.)
jun/25 a mar/26 15,00%
jun/26 14,25%
ago/26 14,00%
16/set (projeção) 13,75%
dez/26 (projeção) 13,75%

Trajetória da Selic em 2026, com base no Boletim Focus de 14/09/2026.

Caso o corte de 0,25 ponto se confirme nesta semana, a Selic teria caído cinco vezes seguidas na mesma magnitude desde março. O ponto de atenção é o que vem depois: com a projeção de dezembro já igual à taxa esperada para depois da decisão, o Copom teria pouco espaço declarado para novos cortes em novembro e dezembro, a menos que os dados de inflação e atividade surpreendam para baixo.


Agenda: o que observar até a próxima reunião

  • 15 e 16 de setembro: reunião do Copom, com decisão divulgada na noite de quarta-feira, no mesmo dia da decisão do Federal Reserve nos Estados Unidos.

  • 22 de setembro: divulgação da ata do Copom, com o detalhamento da avaliação do comitê sobre inflação e atividade.

  • 3 e 4 de novembro: penúltima reunião do Copom em 2026.

  • 8 e 9 de dezembro: última reunião do ano, que deve confirmar (ou não) a Selic em 13,75%.

Na mesma semana da decisão brasileira, o mercado também acompanha o Federal Reserve, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão. A leitura predominante nos EUA é de viés mais duro, o que tende a limitar o espaço para uma valorização mais forte do real, mesmo com o diferencial de juros favorável ao Brasil. Para quem acompanha o câmbio, a combinação de USD/BRL na página de forex CFD da EBC costuma ser a forma mais direta de acompanhar esse tipo de decisão em tempo real.


O que muda para traders com a Selic em 13,75%

Para quem opera renda fixa, o corte reduz o carrego de posições pós-fixadas e estreita o prêmio de prefixados mais curtos. Para quem opera câmbio e índices, o dado relevante não é o corte em si, já precificado, mas o tom do comunicado do Copom sobre os próximos passos.

Classe de ativo Efeito esperado do corte Ponto de atenção
Pós-fixados (CDI) Rendimento nominal menor a partir do corte Ainda atrativos com juro real elevado
Prefixados curtos Espaço limitado de valorização, corte já precificado Comunicado do Copom sobre próximos passos
USD/BRL Impacto marginal, dado o corte já esperado Diferencial de juros Brasil x EUA na Superquarta
Ibovespa Suporte a setores sensíveis a juros (varejo, construção) Fluxo estrangeiro e ata do dia 22/09

USD/BRL: níveis de referência para a semana

O dólar opera nesta segunda-feira em queda de 0,56%, cotado a R$ 5,15, abaixo da projeção do próprio Focus para o fim do ano, de R$ 5,20. Como a estimativa cambial está estável há 13 semanas, esses dois valores funcionam como referências de curto e médio prazo para quem opera o par.

Zona Nível Leitura
Resistência R$ 5,20 Projeção Focus para o fim de 2026, patamar psicológico de curto prazo
Cotação atual R$ 5,15 Fechamento intradia desta segunda-feira, em queda de 0,56%
Suporte R$ 5,09 Região testada em sessões recentes de maior apetite a risco

Atenção: a decisão do Copom na quarta-feira é um catalisador binário para o câmbio nesta semana. Níveis técnicos tendem a perder relevância nas horas próximas ao comunicado, quando o texto e o tom da decisão passam a pesar mais que suporte e resistência.


Três cenários para o Copom nesta semana

Cenário 1
Corte com sinalização de pausa
Copom reduz a Selic para 13,75% e o comunicado indica fim do ciclo de cortes no curto prazo, em linha com a mediana do Focus para dezembro.
Cenário 2
Corte com porta aberta
Copom corta 0,25 ponto, mas mantém linguagem dependente de dados, deixando em aberto a possibilidade de mais um ajuste em novembro ou dezembro.
Cenário 3
Manutenção da Selic
Copom opta por manter a taxa em 14%, citando a inflação de 2027 em alta e o cenário externo mais hostil como fatores de cautela.

Nenhum dos três cenários representa recomendação de posicionamento. A leitura do comunicado e da ata, publicada em 22 de setembro, tende a ser mais relevante para o mercado do que o número do corte isoladamente, já que este está amplamente precificado.


FAQ: Perguntas frequentes sobre o Focus e a Selic

1) O que é o Boletim Focus e por que ele importa?

É a pesquisa semanal do Banco Central com projeções de instituições financeiras para inflação, PIB, câmbio e Selic. Não é uma previsão oficial do BC, mas funciona como termômetro das expectativas do mercado e influencia diretamente a leitura de política monetária.


2) Por que a inflação projetada caiu para 4,90%?

O principal gatilho foi o IPCA oficial de agosto, que veio em deflação de 0,32%, a menor taxa em quatro anos. É a terceira queda semanal seguida na projeção, mas o número ainda está acima do teto da meta de inflação, de 4,50%.


3) A Selic vai cair nesta semana?

O mercado precifica um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 15 e 16 de setembro, levando a taxa de 14% para 13,75%. Essa é a expectativa da maioria dos analistas, mas a decisão final cabe ao Copom e será divulgada na noite de quarta-feira.


4) O corte de juros continua depois de setembro?

Pelo Focus atual, não. A projeção para o fim de 2026 é a mesma esperada após o corte desta semana, 13,75%, sinalizando que o mercado não trabalha com novas reduções em novembro ou dezembro, salvo surpresa nos próximos dados.


5) Como essa decisão afeta o dólar frente ao real?

O impacto direto tende a ser limitado, já que o corte está precificado. O fator mais relevante para o câmbio nesta semana é o diferencial entre a decisão do Copom e a do Federal Reserve, que ocorre no mesmo dia.


6) O que esperar da bolsa brasileira com o cenário atual?

Juros mais baixos tendem a favorecer setores sensíveis a crédito, como varejo, construção civil e utilidades públicas. Ainda assim, o desempenho do Ibovespa na semana depende também do fluxo estrangeiro e da leitura do mercado sobre a ata do dia 22 de setembro.


7) Vale a pena trocar pós-fixado por prefixado agora?

Depende do perfil de risco e do horizonte de cada investidor. Com o ciclo de cortes considerado próximo do fim pelo próprio Focus, parte do espaço de valorização de prefixados já pode estar precificada. Não é recomendação de investimento.


8) Qual o próximo evento macro a acompanhar depois do Copom?

A ata da reunião, prevista para 22 de setembro, deve trazer o detalhamento da decisão e sinalizações sobre os próximos passos. Depois dela, o próximo Boletim Focus e os dados de atividade de outubro são os principais pontos de atenção.


Conclusão

O Boletim Focus desta segunda-feira reforça um cenário de desinflação gradual, mas ainda distante da meta de 3% perseguida pelo Banco Central. A inflação de 2026 caiu para 4,90%, o PIB perdeu força para 1,89% e a Selic caminha para 13,75%, exatamente o patamar já projetado para o fim do ano.


Para o mercado, a decisão da Superquarta desta semana tem menos a ver com o número do corte, praticamente garantido, e mais com o tom do comunicado sobre o que vem depois. A ata de 22 de setembro e os próximos dados de inflação e atividade vão dizer se o ciclo de cortes realmente termina em 13,75% ou se há espaço para mais um ajuste até dezembro.


EBC Financial Group

Traders que acompanham decisões de política monetária como a desta semana costumam usar CFDs de USD/BRL para se posicionar em torno de eventos como o Copom e a Superquarta.

Ver página de forex CFD da EBC.

Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.