Quais países estão abandonando o dólar e por quê?
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Quais países estão abandonando o dólar e por quê?

Autor:Pietro Costa

Publicado em: 2026-06-17

A desdolarização ganhou força nos últimos anos, com um número crescente de países buscando reduzir o uso do dólar americano no comércio e nas reservas. Estão entre eles China, Rússia, Índia, Brasil e outras economias que negociam cada vez mais em moedas locais.


A razão central é diversificar e ganhar autonomia. Quando parte do mundo passa a desconfiar de sanções e da concentração em uma única moeda, abandonar o dólar de forma gradual vira uma estratégia de proteção, e não um rompimento imediato com o sistema atual.


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O que significa abandonar o dólar?


Abandonar o dólar não quer dizer eliminá-lo da noite para o dia. O termo descreve um processo gradual de reduzir a dependência da moeda americana em três frentes: as reservas dos bancos centrais, o comércio internacional e a precificação de ativos e dívidas.


Para entender o movimento, ajuda conhecer a dolarização, quando um país adota o dólar no dia a dia, e a própria origem do dólar como moeda de reserva global. A desdolarização caminha no sentido inverso dessa dependência histórica.


Na prática, cada país escolhe por onde começar. Alguns priorizam acordos de comércio em moeda local, outros mudam a composição das reservas, e há quem invista em sistemas de pagamento próprios. Raramente o movimento acontece nas três frentes ao mesmo tempo.


Vale separar dois conceitos que costumam se misturar. Reduzir o uso do dólar no comércio é diferente de tirá-lo das reservas. Um país pode negociar em moeda local com vizinhos e, ainda assim, manter boa parte de suas reservas em dólar por segurança.


Quais países estão abandonando o dólar?


A China lidera o esforço. O país expandiu seu sistema próprio de pagamentos, alternativo às redes ocidentais, e fechou acordos para negociar em yuan com diversos parceiros. A Rússia acelerou o processo após as sanções de 2022, que congelaram parte de suas reservas internacionais.


A Índia passou a liquidar parte de suas importações de energia em rupias e ampliou acordos bilaterais. O Brasil, por sua vez, defende o uso de moedas locais no comércio regional e dentro do bloco dos emergentes. Vários outros países seguem caminho parecido.


O movimento também chegou ao petróleo. Acordos para precificar parte das exportações de energia fora do dólar enfraquecem o chamado sistema do petrodólar, que por décadas sustentou boa parte da demanda global pela moeda americana no comércio internacional.


Países do Oriente Médio e do Sudeste Asiático também entraram nessa conversa. Muitos passaram a aceitar pagamentos em outras moedas para parte de suas exportações, sobretudo de energia, ampliando o leque de quem reduz o uso do dólar no comércio.


Esse grupo se concentra em boa parte no bloco de desdolarização global formado pelos países emergentes, que cresceu com novos membros. Juntos, eles buscam corredores de comércio que não passem obrigatoriamente pela moeda americana.


Por que esses países querem reduzir o dólar?


O principal motor é a percepção de risco. O uso de sanções financeiras mostrou que reservas em dólar podem ser bloqueadas em disputas políticas. Isso levou bancos centrais a buscar alternativas e a diversificar onde guardam o seu valor ao longo do tempo.


A resposta mais visível tem sido o acúmulo de ouro. Com a alta procura, o ouro como proteção voltou ao centro das reservas, visto como um ativo que não depende da política de nenhum país específico.


Há também a busca por autonomia monetária. Economias de peso crescente querem precificar parte do comércio em suas próprias moedas, reduzir custos de transação e depender menos das decisões de juros tomadas nos Estados Unidos para conduzir suas políticas.


A inflação americana e o tamanho da dívida dos Estados Unidos reforçam o debate. Quando cresce a desconfiança sobre a trajetória fiscal de um país, parte dos investidores e dos governos prefere distribuir o risco entre vários ativos e moedas diferentes.


Os números confirmam a tendência, ainda que de forma lenta. A participação do dólar nas reservas globais caiu para cerca de 57 por cento, o menor nível em décadas, segundo dados acompanhados pelo FMI.


Mesmo assim, o dólar segue dominante. Ele ainda responde pela maior parte das transações cambiais do mundo e pela liquidez dos títulos americanos. Por isso, analistas falam em redução de dependência, e não em substituição imediata da moeda.


O que a desdolarização muda para o investidor brasileiro?


Para quem investe no Brasil, o tema importa porque mexe com o câmbio, com o preço das commodities e com o fluxo de capital para mercados emergentes. Movimentos de desdolarização tendem a aumentar a volatilidade do dólar frente a outras moedas ao longo do tempo.


Quem quer acompanhar de perto como os pares de moedas reagem a esse rearranjo pode conhecer a página de forex da EBC, que reúne os principais pares cambiais com execução via MT4, MT5 e app da corretora.


Outro reflexo aparece no preço das commodities. Como muitas são cotadas em dólar, oscilações da moeda afetam diretamente exportadores brasileiros de minério, petróleo e produtos agrícolas, com impacto na bolsa e no câmbio do dia a dia.


Para a carteira, a leitura prática é simples. Em vez de tentar adivinhar o momento exato de cada virada, faz mais sentido manter exposição equilibrada entre moedas, renda variável e ativos de proteção, ajustando os pesos conforme o cenário evolui.


Vale lembrar que tendências macro como essa se desenrolam ao longo de anos. Em vez de apostar em rupturas súbitas, o investidor consciente observa a direção do movimento e ajusta a diversificação da carteira de forma gradual e planejada.


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Conclusão


A lista de países que abandonam o dólar cresce, puxada por China, Rússia, Índia, Brasil e por economias que querem mais autonomia. O processo é real, mas avança devagar e ainda convive com a força do dólar no sistema financeiro global.


Entender quem está reduzindo a moeda americana e por quê ajuda a ler o noticiário com mais clareza. Para o investidor, o ponto prático é acompanhar reservas, ouro e câmbio, sem se deixar levar por previsões de colapso imediato do dólar.


O dólar não desaparece de cena por enquanto, mas perde participação aos poucos. Acompanhar esse processo com calma, sem alarmismo nem negação, é o que separa decisões bem informadas de reações impulsivas ao noticiário econômico.


Como o ouro virou peça central nesse movimento, traders que querem exposição ao metal podem estudar o XAUUSD na página de commodities da EBC, com execução de nível institucional. Consulte as especificações atuais na página do produto antes de operar.


Perguntas Frequentes (FAQ)


Existe um substituto pronto para o dólar?

Por enquanto não há candidato único. Euro, yuan e ouro absorvem parte do espaço, mas nenhum reúne hoje a liquidez e a confiança que o dólar concentra.


A desdolarização valoriza ou desvaloriza o real?

Não há efeito direto garantido. O real responde mais a juros, risco fiscal e fluxo de capital, mas um dólar mais fraco no mundo pode aliviar pressões sobre moedas emergentes.


Quais moedas ganham espaço com a desdolarização?

Principalmente o yuan chinês em acordos bilaterais e o ouro nas reservas dos bancos centrais. Moedas locais também avançam no comércio regional entre parceiros.


Vale a pena ter dólar mesmo com a desdolarização?

Para muitos investidores, o dólar segue como proteção e diversificação. A sua redução é gradual e ele continua sendo a principal referência global de liquidez.


Desdolarização é o mesmo que o fim do dólar?

Não. Desdolarização é reduzir a dependência da moeda, de forma gradual. O fim do dólar seria a perda do status de reserva, cenário que os dados atuais não apontam.


Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.