Faturamento médio das empresas brasileiras em 2026
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Faturamento médio das empresas brasileiras em 2026

Autor:Pietro Costa

Publicado em: 2026-08-27   
Atualizado em: 2026-08-27

O faturamento médio das empresas brasileiras é de R$ 402,1 mil por ano, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado em 24 de agosto de 2026. O estudo analisou 27,7 milhões de companhias ativas na Receita Federal, considerando apenas negócios com receita estimada de até R$ 4,8 milhões anuais, faixa que abrange microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.


O dado que mais chamou atenção foi a diferença entre setores. O segmento financeiro representa somente 1,5% das empresas analisadas, mas lidera em receita, com média de R$ 927,2 mil. É quase o triplo dos R$ 332,7 mil registrados pelo setor de serviços, que concentra 63,1% de todos os negócios do país.


A leitura imediata é contraintuitiva. Estar no setor com mais empresas não significa faturar mais. Na prática, a quantidade de concorrentes em uma atividade diz pouco sobre a capacidade financeira de cada negócio quando observada isoladamente.


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O que o levantamento revelou sobre cada setor?


Depois do financeiro, o setor primário aparece com faturamento médio de R$ 582,7 mil, seguido pelo comércio, com R$ 567,3 mil. Ambos ficam acima da média geral da base. A indústria registra R$ 389,4 mil, ligeiramente abaixo, enquanto o terceiro setor apresenta a menor marca, de R$ 286,7 mil.


Os serviços, apesar de reunirem quase dois terços das empresas, faturam cerca de 17% abaixo da média geral. A explicação está na composição do segmento, que agrupa desde consultorias e escritórios técnicos até prestadores autônomos formalizados como MEI, categoria com receita naturalmente limitada por teto legal.


Vale lembrar que faturamento não é lucro. Entender o conceito de receita de uma empresa e como ele se distingue de margem e resultado líquido evita conclusões apressadas: um negócio financeiro com receita alta pode operar com custo de captação igualmente elevado.


Por que o setor financeiro fatura quase o triplo de serviços?


A vantagem do segmento financeiro tem origem estrutural. Ele trabalha com produtos escaláveis, nos quais o custo marginal de atender mais um cliente é baixo, e opera sobre volume de capital, não sobre volume de horas trabalhadas. Uma correspondente bancária ou uma pequena gestora movimenta valores que não guardam relação com o tamanho da equipe.


Há também o efeito do ciclo de juros. Com a Selic em 14% ao ano, spreads e receitas de intermediação permanecem em patamar elevado, o que sustenta a receita de quem opera nesse mercado. O mesmo ambiente que comprime as margens de quem toma crédito amplia a receita de quem o concede.


Esse padrão se repete em escalas maiores. Entre as maiores empresas do Brasil em receita, bancos e instituições financeiras aparecem consistentemente no topo, mesmo representando uma fração pequena do total de CNPJs ativos no país.


Para traders que querem exposição a essa assimetria setorial, companhias financeiras listadas nos mercados internacionais oferecem a leitura mais líquida dessa tese. A página de stock CFDs da EBC reúne as especificações dos contratos disponíveis, incluindo instrumentos do setor bancário americano como JPM.N, com negociação alinhada ao pregão de origem.


Como o tempo de operação influencia o faturamento?


A maturidade do negócio se mostrou uma variável mais forte do que a localização geográfica. Empresas com até seis meses de existência faturam, em média, R$ 116,9 mil por ano. Entre as que operam há mais de 20 anos, a média sobe para R$ 858,5 mil, mais de sete vezes o valor do grupo mais jovem.


A progressão é gradual e acompanha o tempo de atuação, o que sugere acúmulo de carteira, reputação e acesso a crédito ao longo dos anos. Para quem concede financiamento, essa curva é um dado tão relevante quanto o balanço do último exercício.


Já as diferenças regionais são modestas. O Norte lidera com R$ 432 mil, quase empatado com o Centro-Oeste, em R$ 431,4 mil, influenciado pela maior concentração de empresas de pequeno porte na região. Seguem o Sul, com R$ 414 mil, o Sudeste, com R$ 395,9 mil, e o Nordeste, com R$ 377,1 mil.


O que faturamento e score de crédito revelam juntos?


A distribuição por faixas mostra uma economia formada por negócios pequenos. Ao todo, 63,4% das empresas analisadas faturam até R$ 300 mil por ano. Outros 12,1% ficam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, 13,6% entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, e apenas 10,9% alcançam a faixa de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões.


O score de crédito acompanha essa escada. Entre os negócios que faturam até R$ 60 mil por ano, 86,5% possuem pontuação de até 500. Na faixa de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões, essa proporção cai para 51,8%, o que praticamente dobra a participação de empresas com score acima de 500.


Segundo Viviane Moura, diretora de serviços de crédito da Serasa Experian, estimar o faturamento real das empresas brasileiras segue como um dos grandes desafios de quem concede crédito, diante da diversidade de setores e de estágios de maturidade. Em um ambiente de juros elevados, esse desafio se agrava, e nem sempre cortes de juros são positivos para o mercado no curto prazo, já que a transmissão até o custo efetivo do crédito leva meses.


Como esses dados ajudam quem investe?


Estudos de base ampla como esse funcionam como pano de fundo macro para decisões de alocação. Saber qual é o faturamento médio das empresas em cada setor indica onde a receita está concentrada, quais atividades sustentam margem em ciclos de juros altos e quais dependem de volume para compensar preço.


Aplicar essa leitura à seleção de ativos é o passo seguinte. A análise fundamentalista parte exatamente desse tipo de comparação setorial antes de descer ao nível de balanço individual, evitando que uma empresa saudável seja avaliada com a régua de um setor completamente diferente.


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Há ainda o componente de custo de oportunidade. Quando a renda fixa oferece retorno próximo ao que rende o CDI hoje, o investimento produtivo e a bolsa competem com uma alternativa de risco muito menor, e isso ajuda a explicar por que empresas menores encontram dificuldade para captar recursos em ciclos como o atual.


O retrato final é de uma economia em que poucos setores concentram receita alta e muitos negócios operam em faixas estreitas de faturamento. Para quem investe, essa concentração significa que a bolsa brasileira reflete apenas uma parte da atividade econômica do país, o que reforça a importância de olhar também para mercados e classes de ativos fora desse recorte.


Se esta comparação entre setores despertou interesse em exposição temática, os ETFs são o instrumento mais usado para traduzir uma tese setorial em posição. A página de ETF CFDs da EBC apresenta os contratos disponíveis sobre fundos como SPY e QQQ, com acesso via MT4, MT5 ou o app da EBC. Consulte as especificações atuais de margem na página do produto.


Perguntas Frequentes (FAQ)


Qual o limite de faturamento de um MEI?

O microempreendedor individual tem teto anual definido por lei, revisado periodicamente. Ultrapassá-lo obriga a migração para microempresa no ano seguinte.


O que é score de crédito PJ?

É uma pontuação que estima a probabilidade de uma empresa honrar compromissos financeiros, calculada a partir de histórico de pagamento e dados cadastrais.


Faturamento e receita bruta são a mesma coisa?

Na prática comercial, sim. Ambos indicam o total vendido no período, antes de deduzir impostos, custos, devoluções e descontos concedidos.


Quantas empresas ativas existem no Brasil?

O levantamento citado analisou 27,7 milhões de CNPJs ativos na Receita Federal dentro do recorte de faturamento estimado de até R$ 4,8 milhões por ano.


Empresa de pequeno porte fatura quanto?

A classificação de EPP segue faixas de receita bruta anual definidas pelo Simples Nacional, situadas acima do teto de microempresa e abaixo do limite legal.



Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.