CDI: o que é, como funciona e quanto rende hoje
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CDI: o que é, como funciona e quanto rende hoje

Autor:Pietro Costa

Publicado em: 2026-03-25

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa de juros utilizada como referência para a maioria dos investimentos de renda fixa no Brasil. Ele representa os juros cobrados nos empréstimos de curtíssimo prazo que os bancos realizam entre si e, na prática, acompanha de perto a taxa Selic, ficando cerca de 0,10 ponto percentual abaixo dela.


Em março de 2026, com a Selic em 14,75% ao ano, o CDI está em torno de 14,65% ao ano. Isso significa que investimentos como CDB, LCI, LCA e fundos DI, quando atrelados a 100% do CDI, oferecem um rendimento bruto anual nesse patamar. Para quem busca entender melhor onde seu dinheiro está rendendo, conhecer o CDI é indispensável.


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O que é o CDI e como ele surgiu?


O Certificado de Depósito Interbancário surgiu na década de 1980, criado pelo Banco Central do Brasil com o objetivo de estabilizar o sistema financeiro nacional. Antes da sua existência, era comum que bancos quebrassem de forma repentina por não conseguirem fechar o caixa diário no positivo.


Por determinação do Banco Central, toda instituição financeira precisa encerrar cada dia com saldo positivo. Quando um banco termina o dia com mais saídas do que entradas, ele toma empréstimo de outro banco que está superavitário. Esse empréstimo de curtíssimo prazo, geralmente com vencimento em 24 horas, é formalizado por meio da emissão de CDIs.


A taxa média cobrada em todas essas operações diárias origina o que o mercado chama de Taxa DI ou taxa CDI. Esse valor é apurado e divulgado diariamente pela B3 (antiga CETIP). Se você quer entender melhor como a B3 funciona e seu papel no mercado financeiro, esse contexto ajuda a compreender o peso do CDI no dia a dia dos investimentos.


Como o CDI é calculado e por que ele acompanha a Selic?


O cálculo do CDI é feito pela média ponderada das taxas praticadas em todos os empréstimos interbancários registrados em um determinado dia. Como essas operações acontecem no mercado aberto, as instituições usam a Selic como referência ao negociar entre si.


Existe uma lógica econômica nessa relação: se um banco pode emprestar dinheiro ao governo recebendo a taxa Selic com garantia total, ele não aceitará emprestar para outro banco a uma taxa muito menor. Assim, o CDI converge naturalmente para um patamar ligeiramente inferior à Selic, geralmente entre 0,10 e 0,15 ponto percentual abaixo.


Em março de 2026, após o Copom iniciar o ciclo de cortes e reduzir a Selic para 14,75% ao ano, o CDI acompanhou o movimento. Vale lembrar que as decisões do Fed e do BCE também influenciam indiretamente o ambiente de juros no Brasil, já que afetam o fluxo de capitais para países emergentes.


A variação é diária, mas o consolidado que mais interessa ao investidor é o mensal e o anual. O CDI mensal de fevereiro de 2026 foi de 1,00%, e o acumulado nos últimos 12 meses ficou em torno de 14,51%.


Quais investimentos são atrelados ao CDI?


O CDI não é um produto que o investidor compra diretamente. Ele funciona como indexador, ou seja, como uma régua que define o rendimento de diversos outros ativos. Os principais investimentos atrelados ao CDI são:


  • CDB (Certificado de Depósito Bancário): título emitido por bancos para captar recursos. Pode pagar entre 80% e 120% do CDI, dependendo do prazo e da instituição.

  • LCI e LCA (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio): isentas de Imposto de Renda para pessoa física, o que torna o rendimento líquido muito competitivo mesmo com percentuais menores do CDI.

  • Fundos DI: compostos por títulos públicos e privados atrelados à Taxa DI, refletem diretamente a variação diária do CDI.

  • Debêntures pós-fixadas: títulos de dívida corporativa que, em muitos casos, remuneram o investidor com base no CDI mais um spread adicional.


Além desses, o CDI também é usado como benchmark para fundos multimercados e como indexador em contratos de aluguel e empréstimos. Para quem opera no mercado e quer entender como os bancos centrais moldam os mercados financeiros, o CDI é um dos melhores termômetros disponíveis.

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Quanto rende o CDI hoje na prática?


Com o CDI em aproximadamente 14,65% ao ano em março de 2026, veja exemplos de quanto rendem diferentes valores investidos a 100% do CDI, antes do desconto do Imposto de Renda:


  • R$ 10.000 investidos: renda bruta mensal de aproximadamente R$ 115 (cerca de 1,15% ao mês).

  • R$ 50.000 investidos: renda bruta mensal de aproximadamente R$ 575.

  • R$ 100.000 investidos: renda bruta mensal de aproximadamente R$ 1.150.


Para calcular o rendimento líquido, é preciso descontar o Imposto de Renda, que segue tabela regressiva: 22,5% para aplicações de até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; e 15% acima de 720 dias. LCI e LCA são isentas de IR, o que as torna especialmente vantajosas em períodos de juros elevados.


Um ponto importante: investimentos que pagam percentuais acima de 100% do CDI, como 110% ou 120%, costumam exigir prazos mais longos ou ter liquidez restrita. Avalie sempre o conjunto de características do produto antes de decidir.


Qual a diferença entre CDI, Selic e poupança?


A confusão entre esses três indicadores é comum, mas cada um tem uma função distinta:


  • Selic: é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom a cada 45 dias. Serve como referência para o custo do dinheiro no país.

  • CDI: é a taxa efetivamente praticada nas operações interbancárias, sempre muito próxima da Selic (geralmente 0,10 p.p. abaixo).

  • Poupança: quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Com o CDI atual acima de 14%, a poupança rende bem menos do que investimentos atrelados ao CDI.


Essa diferença de rendimento é um dos motivos pelos quais os saques da poupança dispararam nos últimos anos. Se você quer entender como a taxa de juros americana impacta o mercado financeiro e, por extensão, as decisões do Copom sobre a Selic, o assunto está mais interligado do que parece.


Também vale destacar que o CDI é amplamente monitorado por quem opera no mercado cambial. Taxas de juros altas no Brasil atraem capital estrangeiro, o que afeta diretamente os pares de moedas e a cotação do real frente ao dólar e outras divisas.


Conclusão


O CDI é um dos pilares do mercado financeiro brasileiro. Ele não é um investimento em si, mas a taxa de referência que orienta o rendimento de dezenas de produtos de renda fixa. Com a Selic em patamar elevado no início de 2026, os investimentos atrelados ao CDI oferecem retornos expressivos quando comparados à poupança e a outros ativos mais conservadores.


Acompanhar a taxa CDI hoje é essencial para qualquer investidor que queira avaliar se seus ativos estão rentando de forma adequada. Use-a como balizador: se um investimento não supera 100% do CDI líquido de impostos, vale questionar se existem alternativas mais eficientes para o seu perfil.


Perguntas Frequentes (FAQ)


O CDI muda todos os dias?

Sim. A taxa CDI é calculada diariamente pela B3 com base nas operações interbancárias do dia. O consolidado divulgado ao mercado é mensal e anual.


Posso investir diretamente no CDI?

Não. O CDI circula apenas entre bancos. O investidor acessa indiretamente essa taxa por meio de CDBs, LCIs, LCAs, fundos DI e outros produtos atrelados à Taxa DI.


100% do CDI é sempre uma boa opção?

Depende do contexto. Produtos isentos de IR pagando 90% do CDI podem ter rendimento líquido superior ao de um CDB que paga 110% do CDI com incidência de Imposto de Renda.


O CDI protege contra a inflação?

Em ciclos de juros elevados, o CDI tende a superar o IPCA, preservando o poder de compra. Em cenários de Selic baixa, essa diferença pode se estreitar ou inverter.


Qual órgão divulga o CDI oficialmente?

A B3 apura e divulga a taxa CDI diariamente. Os dados também podem ser consultados no site do Banco Central do Brasil.


Aviso Legal

Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não se destina a ser (e não deve ser considerado como tal) aconselhamento financeiro, de investimento ou de qualquer outro tipo no qual se deva confiar. Nenhuma opinião expressa neste material constitui uma recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento em particular seja adequado para qualquer pessoa específica.