Publicado em: 2026-07-16
Atualizado em: 2026-07-17
A Toyota vendeu 11,3 milhões de veículos em 2025. A BYD vendeu 4,8 milhões. A diferença é de quase sete milhões de unidades. Ainda assim, a executiva-chefe de operações internacionais da BYD, Stella Li, disse ao Financial Times que a montadora chinesa vai assumir o posto de maior fabricante de automóveis do mundo dentro de cinco anos. Sem vender um único carro nos Estados Unidos.

A declaração não é isolada. Wang Chuanfu, fundador e presidente da BYD, fez a mesma projeção no mês passado, apoiando a meta em dois pilares: avanço acelerado em tecnologia de recarga e expansão internacional fora do mercado americano, hoje fechado para carros chineses por tarifas e restrições de software. A BYD acumulou 17 milhões de veículos de energia nova (NEV) produzidos globalmente, marco atingido em ritmo crescente nos últimos anos.
Para o investidor que acompanha o setor automotivo global, a disputa entre BYD e Toyota é hoje o teste mais direto de uma pergunta maior: até onde a China consegue projetar sua indústria automotiva sem depender do maior mercado consumidor do planeta. A resposta está sendo construída trimestre a trimestre, e os números já começam a aparecer no gráfico das duas ações.
A meta da BYD não depende de aquisições. Stella Li foi clara ao afirmar que a empresa não precisa comprar outra montadora para tomar a liderança da Toyota, embora não descarte adquirir uma marca de luxo europeia caso surja uma oportunidade concreta. Hoje não há nenhum alvo específico em negociação, segundo a executiva.
O plano é crescimento orgânico. A BYD já ultrapassou a Tesla em veículos elétricos a bateria, entregando 557 mil unidades no segundo trimestre de 2026 contra o resultado da rival americana no mesmo período. Em junho, as vendas globais da BYD cresceram 5,5% na comparação anual, encerrando oito meses seguidos de queda no mercado doméstico chinês.
Tecnologia de recarga ultrarrápida: carregadores "flash" capazes de levar a bateria a 70% em cinco minutos.
Verticalização completa: a BYD fabrica desde baterias até semicondutores automotivos internamente.
Foco em mercados abertos: Europa, América Latina, Sudeste Asiático e Austrália concentram a expansão.
Marca própria de luxo: a Denza compete diretamente com fabricantes alemães estabelecidos.
A China segue como motor central dessa engrenagem. É o maior mercado do mundo em veículos de nova energia, responsável por cerca de 670% das vendas globais de NEV, e funciona como base industrial e financeira que sustenta a expansão internacional da BYD sem que a empresa precise do aval do mercado americano para crescer.
Distância a fechar em 5 anos: aproximadamente 6,5 milhões de veículos por ano.
A Europa concentra hoje a prioridade da BYD fora da China. A margem de lucro em veículos elétricos e híbridos plug-in no continente é maior do que a praticada no mercado doméstico chinês, o que torna a região estrategicamente mais atrativa do que uma simples expansão de volume.
Em maio de 2026, a participação de mercado da BYD na Europa mais que dobrou na comparação anual, chegando a 2,8% e ultrapassando Ford, Tesla e Nissan, segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis. A empresa também prepara o início da montagem local em sua fábrica na Hungria ainda em 2026, movimento que reduz exposição a tarifas e reforça presença industrial de longo prazo no bloco.
A aposta em premium também ganhou forma com a Denza Z, supercarro elétrico lançado a partir de £142.900 no Reino Unido, concorrendo diretamente com o Porsche 911. A BYD planeja investir cerca de €2 bilhões na instalação de 3 mil carregadores "flash" pela Europa até 2027, tecnologia que a empresa aponta como diferencial competitivo frente às marcas alemãs estabelecidas.
O mercado americano segue como a peça que falta no tabuleiro da BYD. Tarifas sobre veículos fabricados na China e restrições a softwares automotivos de origem chinesa bloqueiam praticamente todo o acesso da marca a consumidores dos EUA. O Comitê de Comércio do Senado americano votou em 15 de julho um projeto bipartidário para endurecer ainda mais essa barreira.
A resposta da BYD tem sido construir a meta de cinco anos sem depender dessa aprovação. Enquanto isso, a Toyota reforça sua base de produção justamente nos EUA: anunciou investimento de US$ 3,6 bilhões para transferir a montagem da picape Tacoma do México para o Texas, movimento que fortalece sua posição doméstica em meio às novas regras da USMCA.
Com base nos preços de fechamento de 15/07/2026, a ação BYDDY (ADR da BYD negociada em OTC nos EUA) opera a US$ 11,08, com valorização de 1,65% no pregão. O papel acumula queda de aproximadamente 35% em 12 meses e negocia a um P/L de 24,6x, com meta média de analistas em US$ 15,00. Já a TM (ADR da Toyota na NYSE) fechou a US$ 176,22, negociando a um P/L projetado bem mais baixo, próximo de 8x, com meta média de US$ 239,02.
Para o trader, o contraste é evidente: a TM negocia com desconto relevante sobre o consenso de mercado e menor volatilidade histórica, enquanto a BYDDY carrega prêmio de crescimento e maior sensibilidade a notícias regulatórias dos EUA e da Europa. Isso não é recomendação de investimento: avalie o perfil de risco com seu assessor antes de qualquer posição.
É uma meta declarada pela própria empresa, não uma projeção de mercado independente. A BYD vendeu 4,8 milhões de veículos em 2025 contra 11,3 milhões da Toyota. Fechar essa distância exige manter crescimento acelerado de forma consistente por cinco anos seguidos.
Tarifas sobre veículos fabricados na China e restrições a softwares automotivos de origem chinesa bloqueiam o acesso da BYD ao mercado americano. O Senado dos EUA avalia endurecer ainda mais essas regras, o que mantém a barreira no curto e médio prazo.
Não no momento. A executiva Stella Li afirmou que a meta é baseada em crescimento orgânico, embora a empresa não descarte adquirir uma marca de luxo europeia caso surja uma oportunidade concreta no futuro.
BYDDY negocia com maior prêmio de crescimento e mais volatilidade, enquanto TM opera com desconto e menor risco percebido pelo mercado. Esta não é uma recomendação de investimento: avalie o risco-retorno com seu assessor financeiro.
A China é o maior mercado de veículos de nova energia do mundo, respondendo por cerca de 60% das vendas globais de NEV. Essa base doméstica gigantesca funciona como motor industrial que sustenta a capacidade da BYD de crescer agressivamente no exterior.
A Toyota reforça sua base industrial nos mercados onde já lidera, incluindo um investimento de US$ 3,6 bilhões para mover a produção da picape Tacoma do México para o Texas, fortalecendo presença nos EUA em meio às novas regras comerciais da USMCA.
A meta de cinco anos da BYD é ambiciosa e depende de uma execução quase perfeita fora da China: Europa em expansão constante, tecnologia de recarga como diferencial e nenhum retrocesso regulatório grave em mercados-chave.
A Toyota, por sua vez, segue com folga de sete milhões de veículos e reforça sua posição justamente onde a BYD ainda não pode entrar. O próximo marco relevante para acompanhar é o resultado da BYD do terceiro trimestre de 2026, que deve mostrar se o crescimento de junho é tendência ou pontual.