Publicado em: 2026-07-14
Atualizado em: 2026-07-15
O ouro tenta reverter a queda de mais de 2% registrada na segunda-feira (13). Nesta terça (14), o XAU/USD volta a operar acima de US$ 4.000, mas a recuperação depende do CPI de junho dos EUA e do primeiro depoimento de Kevin Warsh diante do Congresso.

O tombo de segunda-feira levou o metal à mínima em duas semanas depois de o dirigente do Federal Reserve Christopher Waller sinalizar que o banco central pode ser forçado a subir os juros caso a pressão inflacionária persista. A fala pesou justamente no momento em que o mercado calibra a probabilidade de novo aperto monetário para a reunião de 28 e 29 de julho.
Nesta terça, o cenário é de recomposição parcial. Por volta das 6h58 no horário de Brasília, o ouro à vista era negociado a US$ 4.021,87, alta de 0,5%, enquanto os futuros avançavam 0,55%, para US$ 4.027,22. A prata acompanhava o movimento com alta de 0,78%, a US$ 58,10, e a platina subia 0,34%, para US$ 1.609,82.
O movimento desta semana resume o dilema atual do XAU/USD. As falas hawkish de Waller na segunda-feira reforçaram a leitura de que o Fed pode manter os juros elevados por mais tempo, o que encarece o custo de oportunidade de carregar um ativo que não paga juros como o ouro.
Ao mesmo tempo, a escalada no Estreito de Ormuz, com trocas de ataques entre Estados Unidos e Irã, elevou o petróleo e reacendeu temores inflacionários. Em condições normais, tensão geopolítica costuma sustentar o ouro como proteção. Desta vez, o efeito colateral sobre a inflação e sobre as apostas de juros mais altos pesou mais do que a busca por porto seguro.
O foco de hoje é o CPI de junho, com o núcleo projetado em 2,9%, estável frente ao mês anterior. Um número abaixo do esperado tende a aliviar a pressão sobre o Fed e favorecer o ouro. Um resultado mais quente reforça o argumento de Waller e pode reabrir espaço para nova perna de queda no XAU/USD.
Kevin Warsh assumiu a presidência do Federal Reserve em 22 de maio, após confirmação apertada do Senado, e comandou sua primeira reunião do FOMC em 16 e 17 de junho. Ele chega ao cargo defendendo maior disciplina no combate à inflação, ao mesmo tempo em que promete não seguir ordens diretas da Casa Branca sobre juros.
Para o mercado de ouro, isso cria um equilíbrio delicado. Warsh é visto por parte dos analistas como potencialmente mais aberto a cortes no médio prazo, mas o cenário imediato de inflação acima da meta e choque de energia no Oriente Médio reduz o espaço para qualquer sinalização dovish nas próximas semanas.
Leitura editorial do tom do Fed: com base nas falas de Waller, no calendário de dados e no primeiro depoimento de Warsh ao Congresso, o tom desta semana está mais próximo do território neutro a levemente hawkish do que do dovish. Não é um indicador oficial do Fed.
Do ponto de vista técnico, o ouro opera dentro de um canal descendente de curto prazo, após rejeição na resistência de US$ 4.090 a US$ 4.100 na semana passada. A reação em forma de martelo no gráfico de 4 horas, próxima à banda inferior de Bollinger, sugere tentativa de fôlego compradora, mas ainda sem confirmação de reversão de tendência.
Uma perda consistente de US$ 4.000 em fechamento diário reforça o viés de baixa e abre espaço para teste de US$ 3.960 e, em cenário mais fraco, de US$ 3.920. Já uma reação sustentada acima de US$ 4.090, com volume, muda a leitura de curto prazo e projeta o próximo teto entre US$ 4.120 e US$ 4.140.
Nenhum dos cenários abaixo deve ser lido como recomendação de compra ou venda. São leituras de contexto para ajudar o trader a mapear gatilhos, não previsões de preço.
Mesmo com a volatilidade de curto prazo ligada a juros e geopolítica, a demanda estrutural por ouro segue sustentada pelos bancos centrais de mercados emergentes. A China lidera esse movimento, ao lado de Índia e Turquia, como parte de uma estratégia de diversificação de reservas que segue avançando ao longo de 2026.
Projeções do J.P. Morgan apontam demanda combinada de investidores e bancos centrais em torno de 585 toneladas por trimestre neste ano. Esse fluxo, puxado em boa parte pela China como motor de demanda física, funciona como um piso relevante para o ouro mesmo em janelas de correção como a atual.
Enquanto o curto prazo do XAU/USD é decidido por Waller, CPI e Warsh, o médio prazo segue apoiado por um comprador estrutural que não depende de reunião de Fed: os bancos centrais asiáticos, com a China na liderança.
A queda foi puxada pelas falas hawkish de Christopher Waller, do Fed, que sinalizou possibilidade de alta de juros caso a inflação persista. Isso encareceu o custo de manter ouro, ativo que não paga rendimento, e levou o XAU/USD à mínima em duas semanas.
Nesta terça, o XAU/USD já opera acima de US$ 4.000, perto de US$ 4.021. A sustentação desse nível depende do resultado do CPI de junho dos EUA e do tom do depoimento de Kevin Warsh no Congresso ao longo do dia.
Warsh é o novo presidente do Federal Reserve, empossado em maio de 2026. Suas declarações sobre juros movem diretamente o custo de oportunidade de manter ouro, e seu primeiro depoimento no Congresso, nesta semana, é acompanhado de perto pelo mercado.
A escalada no Estreito de Ormuz elevou o petróleo, o que reacende temores de inflação e reforça expectativas de juros mais altos nos EUA. Esse efeito sobre os juros tem pesado mais sobre o XAU/USD do que o apelo tradicional de porto seguro geopolítico.
Segundo o CME FedWatch, a chance de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% na reunião de 28 e 29 de julho está em 66,3%. O banco ANZ, por sua vez, estima em torno de 43% a probabilidade de alta, refletindo divergência entre casas de análise.
Sim. A China segue como um dos principais compradores globais de ouro entre os bancos centrais, ao lado de Índia e Turquia, como parte da diversificação de reservas. Esse fluxo estrutural ajuda a sustentar o preço mesmo em períodos de correção de curto prazo.
O XAU/USD entra nesta terça-feira em modo de recuperação técnica, mas ainda sob o peso das falas hawkish de Waller e da incerteza em torno do CPI de junho. O primeiro depoimento de Kevin Warsh no Congresso adiciona uma camada extra de atenção, já que qualquer sinalização sobre o ritmo de juros tende a mover o ouro de forma imediata.
Para o trader, os níveis de US$ 4.000 e US$ 4.090 seguem como as referências mais relevantes de curto prazo. Para o investidor de médio e longo prazo, a demanda estrutural de bancos centrais, com a China em posição de destaque, continua funcionando como piso para o metal, independentemente do resultado da reunião do Fed em 28 e 29 de julho.