Publicado em: 2026-07-18
Atualizado em: 2026-07-18
O dólar hoje fechou a R$ 5,10 e o Ibovespa perdeu 1,24% na quinta-feira (16), mas nem todo o mercado sofreu junto. Enquanto a Braskem liderou as perdas do pregão, a CSN Mineração disparou mais de 4%. A diferença entre os dois papéis está impressa na letra miúda da tarifa de 25% que os Estados Unidos confirmaram para o Brasil.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) oficializou na quarta-feira (15) a sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 22 de julho. A medida nasce de uma investigação de um ano baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que cita o sistema de pagamentos Pix, o acesso ao mercado de etanol, o desmatamento ilegal e falhas no combate à pirataria como práticas que prejudicariam empresas americanas.
O detalhe que moveu o pregão de quinta-feira não foi a tarifa em si, mas a lista de exceções. Minério de ferro, ferro-gusa, petróleo, carne bovina, café e celulose ficaram de fora da cobrança extra, enquanto aço, açúcar, etanol, vestuário e calçados seguem taxados. Essa divisão explica, sozinha, por que CMIN3 subiu e BRKM5 despencou no mesmo pregão.
A sobretaxa aprovada pelo USTR não incide sobre todas as exportações brasileiras. Na quinta-feira (16), o próprio órgão publicou a versão final da medida excluindo mais de 2.100 produtos da cobrança, após audiências públicas realizadas no início de julho. O resultado é uma tarifa mais cirúrgica do que a inicialmente temida pelo mercado.
Itens de aviação civil, petróleo, carne bovina e café, que somam cerca de um terço da pauta de exportação do Brasil aos Estados Unidos, ficaram de fora. Minério de ferro e ferro-gusa também entraram na lista de isenções, o que blindou diretamente o principal produto da CSN Mineração da nova cobrança.
Na prática, o fluxo de exportação funciona como um portão seletivo: produtos como minério de ferro, petróleo, café e carne seguem para os Estados Unidos sem custo adicional, enquanto aço, petroquímicos, açúcar e vestuário passam a pagar 25% a mais a partir de 22 de julho. Essa divisão explica por que CMIN3 atravessa o portão livre e BRKM5 fica retida na cobrança.
A CMIN3 fechou o pregão de quinta-feira como a maior alta do Ibovespa, subindo 4,01% e encostando na máxima dos últimos doze meses. O motivo é direto: o minério de ferro está na lista de produtos isentos porque os Estados Unidos não têm capacidade produtiva suficiente para substituir o insumo sem gerar escassez interna.
Essa isenção reduz o risco de receita da mineradora justamente no momento em que a demanda chinesa por aço segue como o principal motor de preço do minério no mercado global. A China continua sendo o maior comprador da commodity do planeta, e a manutenção do apetite chinês por insumo siderúrgico funciona como um piso de demanda para a Casa de Pedra, ativo central da CSN Mineração.
Minério de ferro e ferro-gusa ficaram fora da tarifa de 25% dos EUA.
A demanda chinesa por aço segue como âncora de preço para o minério.
A receita da CMIN3 é dolarizada, o que amplia o ganho em reais com a alta do dólar hoje.
O papel fechou próximo da resistência dos últimos doze meses.
Para o trader: a combinação de isenção tarifária, demanda chinesa estável e dólar em alta cria um cenário duplamente favorável para a receita em reais da CSN Mineração no curto prazo.
O papel encosta na máxima de doze meses após a rodada de isenções. Romper R$ 5,45 com volume consistente abriria espaço para novos topos; rejeição na região devolveria o papel à faixa entre R$ 5,00 e R$ 4,80, onde negociou na maior parte do primeiro semestre.
Enquanto o minério escapou, a cadeia petroquímica não teve a mesma sorte. Resinas e derivados de petróleo processados, diferentemente do petróleo bruto, não entraram na lista de exceções e seguem sujeitos à tarifa de 25% a partir de 22 de julho. A Braskem fechou o pregão de quinta-feira com a maior queda do Ibovespa, recuando 4,84%, a R$ 6,13.
O mercado dos Estados Unidos representa parcela relevante das exportações de resinas termoplásticas da companhia, o que aumenta a sensibilidade do papel a qualquer sobretaxa sobre o produto final. Some-se a isso um cenário setorial já pressionado por margens apertadas na indústria petroquímica global, e a reação do mercado ganha contexto.
Petroquímicos e resinas não constam na lista de isenções da tarifa de 25%.
BRKM5 liderou as perdas do Ibovespa no pregão de 16/07, com queda de 4,84%.
O setor já enfrentava pressão de margem antes do anúncio da tarifa.
A entrada em vigor em 22 de julho deixa uma janela curta para reposicionamento comercial.
No gráfico diário, o Ibovespa vinha de um recuo de 0,36% na quarta-feira (15), já pressionado pela expectativa do anúncio tarifário, antes de aprofundar a queda para 1,24% na confirmação da medida. O índice oscilou entre a mínima de 173.536 e a máxima de 176.011 pontos no pregão de quinta-feira, com volume financeiro de R$ 18,92 bilhões.
A resistência em 176.011 pontos marca o teto operado antes da confirmação da tarifa e é o nível a ser recuperado para validar retomada técnica. Abaixo de 173.536, o índice abre caminho para testar o suporte estrutural de 172.197 pontos, mínima registrada no início de junho durante a escalada de tensão entre Irã, Israel e Estados Unidos.
Para o trader: analistas do BTG Pactual apontam que o mini-índice futuro (WINQ26) pode buscar a região de 175 mil pontos no curto prazo, com volatilidade ainda contida diante da falta de definição sobre os próximos passos da disputa comercial.
A entrada em vigor da tarifa, em 22 de julho, deixa uma janela de negociação em aberto. O USTR sinalizou que a medida pode ser revista caso o Brasil altere práticas consideradas incompatíveis com as regras comerciais americanas, o que mantém o mercado atento a qualquer sinalização diplomática nos próximos dias.
Nenhum desses cenários é uma previsão de movimento de preço. São referências de leitura para o trader acompanhar os próximos desdobramentos da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, incluindo o desenrolar das negociações e o comportamento dos setores diretamente afetados.
O Ibovespa recuou 1,24%, aos 173.825 pontos, porque a confirmação da tarifa de 25% aumentou a aversão a risco em ativos brasileiros. Vale e grandes bancos exerceram as maiores pressões negativas sobre o índice no pregão de quinta-feira (16).
Minério de ferro e ferro-gusa ficaram isentos da tarifa de 25%, o que blindou a receita da CSN Mineração. Somado à demanda chinesa estável por aço e ao dólar em alta, o papel fechou como a maior alta do Ibovespa, com ganho de 4,01%.
Petroquímicos e resinas não entraram na lista de isenções da tarifa dos EUA, diferentemente do petróleo bruto. A BRKM5 recuou 4,84%, a R$ 6,13, refletindo a exposição direta do setor à nova sobretaxa que entra em vigor em 22 de julho.
A tarifa entra em vigor em 22 de julho de 2026. Mercadorias que já tiverem deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos antes dessa data não serão taxadas, segundo o comunicado do USTR.
Aeronaves civis, petróleo, carne bovina, café, celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e semicondutores estão na lista de isenções. Juntos, aviação, petróleo, carne e café somam cerca de um terço da pauta exportadora do Brasil aos EUA.
O dólar hoje fechou a R$ 5,098, alta de 0,40%, em movimento de aversão a risco típico de dias de incerteza comercial. Investidores buscaram proteção cambial diante da falta de clareza sobre os próximos passos da disputa entre Brasil e EUA.
Sim. O USTR afirmou que a medida pode ser revisada ou suspensa caso o Brasil altere práticas consideradas incompatíveis com as regras comerciais americanas. O mercado deve monitorar sinalizações diplomáticas nos próximos dias.
O pregão de quinta-feira mostrou que a tarifa de 25% dos Estados Unidos não trata o Brasil como um bloco único. Minério de ferro, petróleo e café seguem circulando sem custo adicional, enquanto aço, petroquímicos e têxteis pagam a conta a partir de 22 de julho. Essa divisão explica por que a CSN Mineração fechou perto da máxima do ano enquanto a Braskem liderou as perdas do Ibovespa.
Para o trader, o mapa de isenções virou ferramenta de leitura setorial tão importante quanto o gráfico de preços. A demanda chinesa por minério segue como âncora para os exportadores isentos, enquanto o setor petroquímico entra em uma janela de definição até a entrada em vigor da tarifa. Os próximos dias, até 22 de julho, devem seguir pautados por sinalizações diplomáticas entre Brasília e Washington.