Publicado em: 2026-06-01
Maio de 2026 marcou uma divergência clara entre o Brasil e o exterior. A bolsa brasileira viveu o pior mês em mais de três anos, enquanto as ações de tecnologia nos Estados Unidos renovaram máximas históricas. Esta retrospectiva do mercado financeiro reúne o desempenho dos principais ativos no período.
A resposta curta para quem acompanha o mercado financeiro em maio é direta. O Ibovespa caiu 7,22% e fechou aos 173.787 pontos, na sétima semana consecutiva de queda. O dólar avançou 1,71% sobre o real, o petróleo despencou e os estrangeiros retiraram bilhões da B3. No exterior, a Nasdaq subiu cerca de 8%, no caminho oposto.
Como foi o desempenho do mercado financeiro em maio de 2026?
Para entender a retrospectiva do mercado financeiro, vale separar o que aconteceu dentro e fora do Brasil. No mercado doméstico, o mês foi negativo em quase todas as frentes de risco. No exterior, a força veio quase toda da tecnologia.
O ponto central foi a fuga de capital estrangeiro. Investidores reduziram a exposição ao Brasil e migraram para os ativos de tecnologia americanos, que voltaram a liderar os ganhos. Esse fluxo explica boa parte da queda da bolsa e da valorização do dólar no período.
Por que o Ibovespa teve o pior mês desde 2023?
O Ibovespa recuou 7,22% em maio, o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023, quando havia caído 7,49%. O índice encerrou o mês aos 173.787 pontos e acumulou sete semanas consecutivas de perdas, a maior sequência negativa de sua história desde 1982.
A principal causa foi a saída de investidores estrangeiros, que retiraram cerca de R$ 14,1 bilhões da bolsa ao longo do mês. Some-se a isso a inflação em alta, com o IPCA-15 acelerando, e as revisões para cima nas projeções de Selic no Boletim Focus.
Os ruídos políticos também pesaram. Pesquisas eleitorais e debates como o do fim da escala de trabalho 6 por 1, que pode elevar custos das empresas, aumentaram a percepção de risco. O UBS chegou a rebaixar as ações brasileiras de atrativas para neutra ao longo do mês.
Apesar da queda, o índice ainda sobe 7,86% em 2026. Analistas lembram que muitas companhias entregaram balanços sólidos no primeiro trimestre, o que sustenta os fundamentos para uma eventual recuperação quando o fluxo estrangeiro voltar.
O que explica a alta do dólar e a queda do petróleo?
O dólar fechou maio com valorização de 1,71% frente ao real, a maior alta mensal desde julho de 2025, encerrando o mês na casa de R$ 5,04. O movimento chama atenção, porque no mundo a moeda americana esteve fraca: o índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta global, terminou maio perto de 98,8 pontos.
A explicação está no Brasil. Para entender a cotação do dólar por aqui, é preciso olhar o fluxo local. Com a saída de estrangeiros, a demanda interna por dólar subiu, mesmo com a divisa perdendo força lá fora.
O petróleo foi o grande destaque negativo entre as commodities. O Brent caiu 17,4% no mês e o WTI recuou 16,8%, pressionados pela expectativa de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. A queda derrubou as ações da Petrobras, que recuaram tanto nos papéis ON quanto nos PN e ajudaram a puxar o Ibovespa para baixo.
Como as bolsas dos Estados Unidos bateram recordes em maio?
Enquanto o Brasil caía, Wall Street vivia o cenário oposto. A Nasdaq subiu cerca de 8% em maio e fechou em 26.972 pontos, novo recorde. O S&P 500 encerrou aos 7.580 pontos e o Dow Jones superou os 51 mil pontos, todos em máximas históricas.
O motor foi a retomada das ações de tecnologia e o otimismo com inteligência artificial. A Micron disparou e ultrapassou US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez, com mais de 200% de alta no ano. Dell e Snowflake também tiveram dias de forte valorização após balanços acima do esperado.
Essa rotação, com o capital voltando para a tecnologia americana, foi justamente o que drenou recursos dos mercados emergentes, incluindo o Brasil. A confiança do consumidor nos Estados Unidos, porém, recuou em maio, um sinal de cautela em meio às tensões geopolíticas.

O que aconteceu com ouro, Bitcoin e os juros no Brasil?
O ouro seguiu como porto seguro e operou perto das máximas históricas, cotado em torno de US$ 3.400 a onça ao fim de maio. O metal se beneficiou das tensões no Oriente Médio e da busca por proteção em um mês turbulento para os ativos de risco.
O Bitcoin teve comportamento mais lateral, terminando o mês na faixa de US$ 82 mil, com leve queda no último pregão diante de receios sobre a economia americana. A criptomoeda não acompanhou o rali da renda variável dos Estados Unidos.
No campo dos juros, a Selic está em 14,5% ao ano, após o corte de 0,25 ponto em abril. O Comitê de Política Monetária adotou cautela diante da inflação resistente e das incertezas externas. A próxima reunião do Copom será acompanhada de perto pelo mercado, que busca pistas sobre o ritmo dos próximos passos.
Conclusão
Maio de 2026 entregou uma das maiores divergências recentes entre o Brasil e o exterior. O Ibovespa viveu seu pior mês em mais de três anos, pressionado pela fuga de estrangeiros, pela inflação e pelo ruído político, enquanto as bolsas americanas renovaram recordes puxadas pela tecnologia.
Para o investidor, a leitura do mês reforça a importância de acompanhar o fluxo global de capital. O mesmo movimento que castigou a bolsa brasileira impulsionou Wall Street. Junho começa com atenção voltada ao Oriente Médio, à inflação e ao comportamento do dólar, fatores que devem definir o rumo dos próximos pregões.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que significa a expressão "sell in May" no mercado financeiro?
É um ditado de Wall Street que sugere vender ações em maio e voltar depois, baseado no histórico de meses mais fracos no período.
O Ibovespa ainda está positivo no ano de 2026?
Sim. Mesmo com a queda de maio, o índice acumula alta de 7,86% em 2026, sustentado pelo forte início de ano.
Quanto a economia brasileira cresceu no primeiro trimestre de 2026?
O PIB do Brasil avançou 1,1% no primeiro trimestre, somando cerca de R$ 3,3 trilhões, segundo o IBGE.
O que é a rotação global de ativos citada no período?
É o movimento em que investidores trocam de mercados ou setores, como sair de emergentes e voltar para a tecnologia dos EUA.
Qual é a meta de inflação perseguida pelo Banco Central?
A meta contínua é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, ou seja, um teto de 4,5%.