Retrospectiva do mercado financeiro: como foi maio de 2026
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Retrospectiva do mercado financeiro: como foi maio de 2026

Autor:Pietro Costa

Publicado em: 2026-06-01

Maio de 2026 marcou uma divergência clara entre o Brasil e o exterior. A bolsa brasileira viveu o pior mês em mais de três anos, enquanto as ações de tecnologia nos Estados Unidos renovaram máximas históricas. Esta retrospectiva do mercado financeiro reúne o desempenho dos principais ativos no período.


A resposta curta para quem acompanha o mercado financeiro em maio é direta. O Ibovespa caiu 7,22% e fechou aos 173.787 pontos, na sétima semana consecutiva de queda. O dólar avançou 1,71% sobre o real, o petróleo despencou e os estrangeiros retiraram bilhões da B3. No exterior, a Nasdaq subiu cerca de 8%, no caminho oposto.



-7,22%

Ibovespa em maio

pior mês desde fev/2023

+8%

Nasdaq em maio

novo recorde histórico

+1,71%

Dólar no mês

maior alta desde jul/2025

-17,4%

Petróleo Brent

forte queda no mês


Como foi o desempenho do mercado financeiro em maio de 2026?


Para entender a retrospectiva do mercado financeiro, vale separar o que aconteceu dentro e fora do Brasil. No mercado doméstico, o mês foi negativo em quase todas as frentes de risco. No exterior, a força veio quase toda da tecnologia.


Ativo

Variação em maio

Destaque do mês

Ibovespa

-7,22%

Pior mês desde fevereiro de 2023

Dólar (USD/BRL)

+1,71%

Maior alta mensal desde julho de 2025

S&P 500

recorde

Fechou aos 7.580 pontos

Nasdaq

+8%

Novo recorde, aos 26.972 pontos

Petróleo Brent

-17,4%

Queda com cessar-fogo no Oriente Médio

Ouro

perto das máximas

Cotado a cerca de US$ 3.400 a onça

Bitcoin

leve queda

Em torno de US$ 82 mil ao fim do mês


O ponto central foi a fuga de capital estrangeiro. Investidores reduziram a exposição ao Brasil e migraram para os ativos de tecnologia americanos, que voltaram a liderar os ganhos. Esse fluxo explica boa parte da queda da bolsa e da valorização do dólar no período.


Por que o Ibovespa teve o pior mês desde 2023?


O Ibovespa recuou 7,22% em maio, o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023, quando havia caído 7,49%. O índice encerrou o mês aos 173.787 pontos e acumulou sete semanas consecutivas de perdas, a maior sequência negativa de sua história desde 1982.


A principal causa foi a saída de investidores estrangeiros, que retiraram cerca de R$ 14,1 bilhões da bolsa ao longo do mês. Some-se a isso a inflação em alta, com o IPCA-15 acelerando, e as revisões para cima nas projeções de Selic no Boletim Focus.


Os ruídos políticos também pesaram. Pesquisas eleitorais e debates como o do fim da escala de trabalho 6 por 1, que pode elevar custos das empresas, aumentaram a percepção de risco. O UBS chegou a rebaixar as ações brasileiras de atrativas para neutra ao longo do mês.


Indicador

Dado

Contexto

Queda do Ibovespa em maio

-7,22%

Pior mês desde fevereiro de 2023

Fechamento (29/05)

173.787 pts

Menor nível desde janeiro de 2026

Semanas seguidas de queda

7

Maior sequência negativa desde 1982

Saída de estrangeiros

R$ 14,1 bi

Fluxo líquido no mês, exceto ofertas

Desempenho no ano

+7,86%

Índice segue positivo em 2026


“Vender em maio fez sentido, mas eu não ficaria longe por muito tempo.”

Ruy Hungria, analista da Empiricus Research


Apesar da queda, o índice ainda sobe 7,86% em 2026. Analistas lembram que muitas companhias entregaram balanços sólidos no primeiro trimestre, o que sustenta os fundamentos para uma eventual recuperação quando o fluxo estrangeiro voltar.


O que explica a alta do dólar e a queda do petróleo?


O dólar fechou maio com valorização de 1,71% frente ao real, a maior alta mensal desde julho de 2025, encerrando o mês na casa de R$ 5,04. O movimento chama atenção, porque no mundo a moeda americana esteve fraca: o índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta global, terminou maio perto de 98,8 pontos.


A explicação está no Brasil. Para entender a cotação do dólar por aqui, é preciso olhar o fluxo local. Com a saída de estrangeiros, a demanda interna por dólar subiu, mesmo com a divisa perdendo força lá fora.


O petróleo foi o grande destaque negativo entre as commodities. O Brent caiu 17,4% no mês e o WTI recuou 16,8%, pressionados pela expectativa de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. A queda derrubou as ações da Petrobras, que recuaram tanto nos papéis ON quanto nos PN e ajudaram a puxar o Ibovespa para baixo.


Como as bolsas dos Estados Unidos bateram recordes em maio?


Enquanto o Brasil caía, Wall Street vivia o cenário oposto. A Nasdaq subiu cerca de 8% em maio e fechou em 26.972 pontos, novo recorde. O S&P 500 encerrou aos 7.580 pontos e o Dow Jones superou os 51 mil pontos, todos em máximas históricas.


O motor foi a retomada das ações de tecnologia e o otimismo com inteligência artificial. A Micron disparou e ultrapassou US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez, com mais de 200% de alta no ano. Dell e Snowflake também tiveram dias de forte valorização após balanços acima do esperado.


Essa rotação, com o capital voltando para a tecnologia americana, foi justamente o que drenou recursos dos mercados emergentes, incluindo o Brasil. A confiança do consumidor nos Estados Unidos, porém, recuou em maio, um sinal de cautela em meio às tensões geopolíticas.


TDIC Stock Surge (53) (1).png


O que aconteceu com ouro, Bitcoin e os juros no Brasil?


O ouro seguiu como porto seguro e operou perto das máximas históricas, cotado em torno de US$ 3.400 a onça ao fim de maio. O metal se beneficiou das tensões no Oriente Médio e da busca por proteção em um mês turbulento para os ativos de risco.


O Bitcoin teve comportamento mais lateral, terminando o mês na faixa de US$ 82 mil, com leve queda no último pregão diante de receios sobre a economia americana. A criptomoeda não acompanhou o rali da renda variável dos Estados Unidos.


No campo dos juros, a Selic está em 14,5% ao ano, após o corte de 0,25 ponto em abril. O Comitê de Política Monetária adotou cautela diante da inflação resistente e das incertezas externas. A próxima reunião do Copom será acompanhada de perto pelo mercado, que busca pistas sobre o ritmo dos próximos passos.


Conclusão


Maio de 2026 entregou uma das maiores divergências recentes entre o Brasil e o exterior. O Ibovespa viveu seu pior mês em mais de três anos, pressionado pela fuga de estrangeiros, pela inflação e pelo ruído político, enquanto as bolsas americanas renovaram recordes puxadas pela tecnologia.


Para o investidor, a leitura do mês reforça a importância de acompanhar o fluxo global de capital. O mesmo movimento que castigou a bolsa brasileira impulsionou Wall Street. Junho começa com atenção voltada ao Oriente Médio, à inflação e ao comportamento do dólar, fatores que devem definir o rumo dos próximos pregões.


Perguntas Frequentes (FAQ)


O que significa a expressão "sell in May" no mercado financeiro?

É um ditado de Wall Street que sugere vender ações em maio e voltar depois, baseado no histórico de meses mais fracos no período.


O Ibovespa ainda está positivo no ano de 2026?

Sim. Mesmo com a queda de maio, o índice acumula alta de 7,86% em 2026, sustentado pelo forte início de ano.


Quanto a economia brasileira cresceu no primeiro trimestre de 2026?

O PIB do Brasil avançou 1,1% no primeiro trimestre, somando cerca de R$ 3,3 trilhões, segundo o IBGE.


O que é a rotação global de ativos citada no período?

É o movimento em que investidores trocam de mercados ou setores, como sair de emergentes e voltar para a tecnologia dos EUA.


Qual é a meta de inflação perseguida pelo Banco Central?

A meta contínua é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, ou seja, um teto de 4,5%.


Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.