Publicado em: 2026-09-10
Atualizado em: 2026-09-10
O petróleo Brent superou a marca de US$ 100 por barril nesta semana pela primeira vez desde maio. Na quarta (9), o contrato mais negociado fechou a US$ 101,21, alta de 3,4%, e nesta quinta (10) chegou a passar de US$ 102 no início do pregão europeu. O movimento veio após a maior onda de ataques a navios desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã.
A resposta direta: enquanto o fluxo pelo Estreito de Ormuz seguir restrito, o viés de curto prazo para o preço do petróleo continua de alta, com volatilidade elevada. O cenário muda rápido, porém, se surgir um sinal concreto de trégua. A própria EIA, agência de energia dos EUA, projeta o Brent perto de US$ 90 na média do segundo semestre, abaixo do preço atual.

O conflito começou no fim de fevereiro e completa seis meses com o principal gargalo da oferta global ainda comprometido. Antes da guerra, o Estreito de Ormuz escoava cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo. Segundo dados citados pela Reuters, os embarques de petróleo bruto pela rota caíram de 8 a 9 milhões de barris por dia para menos de 2 milhões.
Depois de um acordo temporário que suspendeu os ataques em meados do ano, os combates foram retomados em agosto sem um pacto de paz definitivo. Nesta semana, segundo relatos da imprensa internacional, os EUA afundaram cinco petroleiros iranianos e o Irã disse ter atacado dez embarcações perto do estreito. Houthis alinhados a Teerã também intensificaram ataques contra a Arábia Saudita.
A escalada reacende um padrão que o mercado já viu neste ano, quando o petróleo disparou acima de US$ 100 com a guerra no Oriente Médio nas primeiras semanas do conflito. Desde as mínimas do início de agosto, o Brent acumula valorização próxima de 30%, sustentado também pela retomada das compras da China, que havia reduzido importações e agora recompõe estoques.
A referência mais recente é o relatório mensal de curto prazo da EIA, o STEO, publicado em 9 de setembro. A agência estima que os estoques globais já caíram cerca de 400 milhões de barris em 2026 e devem continuar em queda até dezembro, o que mantém os preços próximos da média de agosto nos próximos meses.
A EIA revisou suas contas para cima: a média de 2026 subiu US$ 4 e a do segundo semestre ficou cerca de US$ 8 acima da estimativa de agosto. O motivo é a interrupção mais longa do que o esperado. A agência calcula que 6,7 milhões de barris por dia ficaram parados no Oriente Médio em agosto, contra 5 milhões em julho.
Há um detalhe importante: o modelo usou dados até 3 de setembro e não captou a escalada desta semana. A comparação com a previsão do petróleo para junho de 2026 mostra como o cenário mudou em poucos meses, já que em junho um acordo provisório levou analistas a reduzir suas projeções.
Hoje, um grande banco de investimento americano mantém cenário base de US$ 80 para o quarto trimestre, condicionado ao alívio das tensões até o fim do ano. A mesma instituição, porém, aponta risco de o Brent passar de US$ 120 se as interrupções em Ormuz persistirem.
No domingo (6), os sete principais membros da Opep+ (Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã) decidiram manter em outubro a mesma produção exigida para setembro. A decisão interrompe a sequência de aumentos mensais. O último, de 188 mil barris por dia, entrou em vigor em 1º de setembro e concluiu a reversão do corte voluntário de 1,65 milhão de barris diários feito em 2023.
Na prática, o poder do grupo sobre o petróleo hoje é limitado. Como boa parte das exportações do Golfo depende de Ormuz, produzir mais não significa colocar mais barris no mercado, tema que explica por que os aumentos da Opep+ não chegam ao preço de imediato. O grupo ainda mantém cortes obrigatórios até o fim de 2026.
O cenário de alta ganha força se os ataques a petroleiros continuarem ou atingirem instalações de exportação na Arábia Saudita e no Mar Vermelho, rota alternativa ao estreito. O mercado de derivados também preocupa: a EIA prevê que os estoques de diesel e outros destilados nos EUA fiquem abaixo de 100 milhões de barris em setembro, sob a mínima de cinco anos.
Do lado da baixa, o gatilho mais forte seria um avanço diplomático. Em 17 de abril, quando o Irã declarou o estreito aberto, o Brent caiu 9% em um único pregão, para US$ 90,38. A EIA também espera aumento gradual dos fluxos por Ormuz e maior uso de rotas alternativas, além da manutenção sazonal das refinarias americanas entre setembro e outubro.
Para o Brasil, o efeito aparece no câmbio e na bolsa. Na manhã de quinta (10), o Ibovespa recuava 0,93% e o dólar subia a R$ 5,11, refletindo a pressão do petróleo sobre os juros longos globais. É o mesmo mecanismo pelo qual petróleo e dólar forte pressionam moedas globais, sobretudo as emergentes.

Os dois lados mostram que setembro deve seguir guiado por manchetes, mais do que por fundamentos de demanda. Para traders que preferem acompanhar o tema por meio de um fundo ligado ao petróleo em vez do contrato do barril, o CFD do ETF United States Oil Fund (USO) pode ser consultado na página de ETF CFDs da EBC, com negociação durante o pregão americano.
Para quem opera ou investe com base no preço do barril de petróleo, quatro sinais merecem atenção: o tráfego de navios em Ormuz, os ataques no Mar Vermelho, os dados semanais de estoques dos EUA e a reunião da Opep+ marcada para 4 de outubro. Mudanças no discurso de Washington e Teerã tendem a mover o mercado mais do que qualquer dado econômico isolado.
O quadro para o petróleo Brent em setembro combina viés de alta no curto prazo com risco relevante de correção. Enquanto os ataques continuarem, o preço tende a oscilar acima da média projetada pela EIA. Uma trégua crível, por outro lado, poderia aproximar rapidamente o Brent da faixa de US$ 90, como ocorreu em abril.
Em momentos assim, o tamanho da posição importa tanto quanto a direção. Empresas e investidores expostos a combustíveis costumam recorrer a estratégias de hedge para limitar perdas, enquanto traders de curto prazo tendem a reduzir a alavancagem diante de saltos de preço provocados por notícias fora do horário de negociação.
Para traders que acompanham de perto o Brent e o WTI, os contratos de petróleo estão disponíveis na plataforma de commodities da EBC, com acesso à liquidez institucional via MT4, MT5 ou o app da EBC. Em um mercado sujeito a saltos de vários dólares em um único pregão, vale conferir as especificações atuais de margem e os horários antes de abrir qualquer posição.
O Brent vem do Mar do Norte e é a referência global de preços; o WTI é extraído nos EUA. Em 9 de setembro, o WTI fechou a US$ 96,05, cerca de US$ 5 abaixo do Brent.
O Brent chegou a cerca de US$ 126 no fim de abril de 2026, o maior nível em quatro anos, em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz.
É a referência física do Brent, usada para precificar cerca de dois terços da oferta mundial. Segundo a LSEG, ele é negociado acima de US$ 100 desde 3 de setembro.
A produção exigida da Arábia Saudita para outubro de 2026 é de 10,478 milhões de barris por dia, o mesmo nível definido para setembro.
Pode encarecer, via câmbio e preços de refinaria. Em setembro, porém, o corte de tributos sobre combustíveis deve aliviar o IPCA do mês, segundo economistas do mercado.