Os contratos futuros de café estão caindo, mas os preços no varejo ainda não se deram conta disso.
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Os contratos futuros de café estão caindo, mas os preços no varejo ainda não se deram conta disso.

Publicado em: 2026-05-21

Os contratos futuros de café caíram cerca de 27% no último ano, fechando perto de 268 centavos de dólar por libra em 20 de maio. Isso parece positivo para os consumidores, mas o repasse da alta ainda não ocorreu. O café torrado e moído dos EUA atingiu um recorde nominal de US$ 9,723 por libra em abril de 2026, ante US$ 9,608 por libra em março, mesmo com os preços no atacado já em queda.

Coffee Futures Falling

Essa diferença entre o mercado futuro e o preço nas prateleiras dos varejistas é o que realmente importa no mercado de café. Os preços futuros refletem as expectativas de oferta futura. Os preços no varejo refletem contratos, estoques, mão de obra, frete, torrefação, embalagem, energia e margens dos varejistas. Os dois estão interligados, mas não se movem na mesma velocidade.


Por que os preços do café ainda são rígidos?

Os contratos futuros de café estão em queda porque o Brasil e o Vietnã estão caminhando para um ciclo de oferta mais robusto em 2026. Algumas projeções do setor privado apontam para uma safra brasileira de 2026/27 entre 75 e 76 milhões de sacas, enquanto as exportações vietnamitas de janeiro a abril aumentaram cerca de 16% em relação ao ano anterior, atingindo aproximadamente 810 mil toneladas.

Coffee Prices


Indicador Último sinal
futuros de Arábica Próximo a 268 centavos/libra em 20 de maio.
Mudança de 1 ano para o Arábica Queda de cerca de 27%
Futuros robustos Aproximadamente US$ 3.328 por tonelada
café torrado moído dos EUA US$ 9,723/lb em abril de 2026
Exportações do Vietnã de janeiro a abril Cerca de 810 mil toneladas métricas, um aumento de aproximadamente 16%.
Safra brasileira de 2026/27 Algumas previsões privadas apontam para cerca de 75 a 76 milhões de sacos.
excedente global projetado Cerca de 10 milhões de sacos


O mercado de café passou grande parte de 2024 e 2025 com escassez de oferta. Safras ruins no Brasil, interrupções nas exportações de Robusta do Vietnã e riscos climáticos recorrentes levaram o Arábica a um recorde próximo a 441 centavos de dólar por libra em fevereiro de 2025. Torrefadores substituíram o Arábica por Robusta em seus blends, o que também impulsionou esse mercado e, eventualmente, se refletiu nos preços em supermercados e cafeterias.


Essa situação da oferta está se revertendo. A safra brasileira de 2026/27 deverá ser uma das maiores da história, embora as estimativas oficiais e privadas ainda variem. O Vietnã também se recuperou, com as exportações aumentando acentuadamente nos primeiros quatro meses de 2026.


Quando os dois maiores produtores de café se movem simultaneamente em direção a uma oferta mais robusta, os mercados futuros se reajustam rapidamente. Analistas projetam que o excedente global de café poderá chegar a cerca de 10 milhões de sacas este ano, em comparação com menos de 2 milhões em 2025. Esse tipo de mudança pode transformar um sentimento otimista em pessimista em questão de semanas.


O preço do Arábica, portanto, caiu acentuadamente em relação aos seus picos. O Robusta também apresentou queda, sendo negociado em torno de US$ 3.328/tonelada no final de maio. Nos mercados de commodities, o café parece mais barato. Nos canais de varejo, o ajuste é mais lento.


Por que os preços no varejo não acompanharam essa tendência?

Os operadores de contratos futuros negociam grãos de café verde. Os consumidores compram café torrado, embalado e distribuído. Essa diferença explica por que o preço no varejo se move mais lentamente do que no mercado futuro.


Existem diversos custos entre a fazenda e a prateleira do supermercado:


  • Taxas de frete e portuárias

  • Armazenagem e torrefação

  • Trabalho, energia e embalagens

  • Financiamento, distribuição e margens de lucro dos varejistas

  • Contratos a termo e operações de hedge assinados a preços mais altos e antecipadamente.


Grandes torrefadoras costumam comprar com meses de antecedência, e não semanalmente no mercado à vista. Se o fornecimento foi garantido durante o pico de preços de 2025, a queda nos preços futuros em 2026 levará tempo para reduzir a base de custos real.


É por isso que o café no varejo pode permanecer caro mesmo depois que os contratos futuros atingem o pico. A questão é o momento certo, não apenas as margens de lucro. Os preços nas prateleiras geralmente caem somente depois que os contratos futuros permanecem baixos, os estoques são recompostos e os contratos de alto custo expiram.


Arábica e Robusta não são o mesmo mercado.

O café é frequentemente discutido como uma única mercadoria, mas as variedades Arábica e Robusta comportam-se de maneira diferente.


O café Arábica, comercializado em Nova York , é cultivado principalmente no Brasil e na Colômbia. É mais delicado, mais sensível à geada e à seca, e mais associado a cafés especiais e produtos premium de torra moída. Quando o clima brasileiro se torna adverso, o Arábica geralmente é o primeiro a reagir.


O café Robusta, comercializado em Londres, é cultivado principalmente no Vietnã, Indonésia e em partes da África. É mais resistente, tem maior teor de cafeína e é mais comumente usado em cafés instantâneos e blends para espresso. Durante a escassez de 2024 e 2025, o Robusta tornou-se especialmente importante porque as torrefadoras o utilizaram como substituto quando o Arábica ficou caro.


Ambos os mercados estão agora mais fracos, mas podem não se normalizar no mesmo ritmo. Os estoques de café robusta em armazéns certificados têm estado excepcionalmente baixos, o que pode sustentar os preços mesmo quando as previsões de oferta melhorarem. Um excedente de estoques não significa necessariamente disponibilidade física imediata de café no local certo.


Produtos misturados, incluindo muitos cafés comercializados, dependem de ambos os mercados. Mesmo que uma variedade tenha uma queda mais acentuada, o custo da mistura depende da composição total dos insumos.


Uma camada de custos regulatórios está a caminho.

A oferta e a procura não são as únicas forças que moldam os preços do café. A regulamentação também está a tornar-se parte da estrutura de preços.


O Regulamento da UE sobre o Desflorestamento deverá entrar em vigor a partir de 30 de dezembro de 2026 para os grandes e médios produtores, sendo que os pequenos produtores terão um prazo posterior. O café vendido para, proveniente de ou exportado através da UE terá de cumprir os requisitos de rastreabilidade e de ausência de desflorestamento.


Essa é uma mudança significativa para uma cultura frequentemente produzida por pequenos agricultores com sistemas de registro limitados. Rastreabilidade, documentação em nível de parcela, verificação e infraestrutura de conformidade acarretam custos. Esses custos podem não ser totalmente visíveis nos preços futuros, mas podem influenciar os prêmios físicos e os preços de varejo.


Um mercado de dois níveis pode se desenvolver. O café com fortes credenciais de rastreabilidade pode ser negociado a um preço premium, enquanto o fornecimento não conforme pode enfrentar acesso restrito. Mesmo que a produção global aumente, a oferta conforme para os mercados regulamentados pode permanecer mais restrita do que os números oficiais da safra sugerem.


O que precisa acontecer antes que os preços do café caiam?

What Must Happen Before Coffee Prices Fall

A queda nos preços futuros é apenas o primeiro passo. Para que os preços do café no varejo diminuam, várias condições precisam se alinhar:


  • A colheita do Brasil precisa chegar sem problemas, sem grandes transtornos climáticos ou atrasos logísticos.

  • Os estoques precisam ser repostos para que o excedente projetado se torne café físico disponível, e não apenas uma previsão.

  • As torrefadoras precisam cumprir os contratos de alto custo de 2025 e substituí-los por um fornecimento mais barato.

  • Os varejistas precisam de margem de segurança ou pressão competitiva antes de repassar aos consumidores a redução dos custos de atacado.


A moeda também importa. Um real brasileiro mais fraco pode incentivar as vendas dos produtores, pois o café cotado em dólares se converte mais em moeda local. Um real mais forte pode desacelerar as vendas, reduzindo os retornos em moeda local.


Para as famílias, é mais provável que o alívio chegue depois do que chegue. Se as projeções de preços futuros mais baixos se mantiverem durante o segundo semestre de 2026, os preços no varejo poderão se estabilizar, mas um retorno rápido aos níveis pré-2024 é improvável enquanto os custos de mão de obra, frete, embalagem e conformidade permanecerem elevados.


O que isso significa para consumidores, cafés e empresas?

Para os consumidores, o café continua sendo um item visível da inflação. Não é o maior componente dos gastos familiares, mas é comprado com frequência suficiente para que os aumentos de preço sejam notados.


Para cafeterias e estabelecimentos de alimentação, a situação econômica é mais complexa. Cafeterias independentes enfrentam custos com salários, aluguel, contas de luz e água e equipamentos, além do preço do café em grãos. Mesmo que o preço do café no atacado caia, os preços do cardápio podem não diminuir, pois o café em grãos representa apenas uma parte dos custos.


Para empresas ligadas ao setor cafeeiro, a queda nos preços futuros acaba sendo benéfica para os custos de produção. No entanto, esse benefício depende dos contratos de fornecimento, das posições de hedge, do momento da reposição de estoques e do poder de precificação. É provável que a redução das margens seja gradual, e não imediata.


Conclusão

O mercado de café para 2026 está passando de uma situação de escassez para uma de recuperação da oferta. Os contratos futuros já precificaram grande parte dessa mudança, visto que o Brasil e o Vietnã apontam para uma produção mais forte e as previsões de excedente substituem os temores de déficit que impulsionaram a alta anterior.


Os consumidores ainda estão pagando pelo choque anterior. Os preços do café no varejo refletem contratos antigos, estoques elevados, mão de obra, frete, energia, embalagem, custos de conformidade e margens dos varejistas.


Os contratos futuros de café caem primeiro. Os preços no varejo seguem essa tendência mais tarde, e geralmente mais lentamente do que os consumidores esperam.


Fontes

  1. Implementação do EUDR no Fórum Verde da Comissão Europeia

  2. FRED, Fed de St. Louis: Preço médio do café torrado moído

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