Dólar, Bitcoin e petróleo: o que houve no mercado em junho?
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Dólar, Bitcoin e petróleo: o que houve no mercado em junho?

Publicado em: 2026-07-01   
Atualizado em: 2026-07-01

O Ibovespa fechou junho praticamente no zero a zero. Mas o caminho até ali não teve nada de tranquilo. Em quatro semanas, o investidor brasileiro viu o petróleo subir com a ameaça de bloqueio no Estreito de Ormuz e depois despencar quase 20% com o avanço da paz entre Estados Unidos e Irã. Viu o Bitcoin perder a casa dos US$ 60 mil e tocar a mínima do ano. E viu o Federal Reserve trocar de comandante pela primeira vez em quase oito anos.

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Junho de 2026 foi o mês em que o prêmio de risco geopolítico nasceu e morreu dentro do mesmo calendário. O conflito no Oriente Médio, que começou em fevereiro e chegou a levar o Brent perto de US$ 120 no auge da escalada, perdeu força com o acordo de cessar-fogo entre Washington e Teerã. O resultado foi uma desmontagem rápida do prêmio de risco em quase todas as classes de ativos, do petróleo ao dólar.

No Brasil, o Copom aproveitou a folga e cortou a Selic pela terceira vez seguida, para 14,25% ao ano. Nos Estados Unidos, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, comandou sua primeira decisão de juros já sinalizando um estilo mais direto que o de Jerome Powell. E na China, que segue como o principal motor de demanda por commodities do planeta, a indústria voltou a acelerar, com o PMI manufatureiro em zona de expansão pelo terceiro mês seguido, sustentando o apetite por minério de ferro e petróleo que interessa diretamente ao exportador brasileiro.

IBOVESPA
173.205 pts
-0,05%
USD/BRL
R$ 5,172
+0,06%
SELIC
14,25% a.a.
-0,25pp
BRENT
US$ 72,50
-20% no mês
OURO
US$ 4.073
-23% da máxima
BITCOIN
US$ 58.500
mínima do ano
FED FUNDS
3,50%-3,75%
mantido
Resumo do mês
-0,28%
Variação do Ibovespa no mês, aos 173.295 pts no fechamento de 26/06
Resumo do mês
14,25%
Nova Selic após o terceiro corte seguido do Copom, em 17/06
Resumo do mês
-20%
Queda do petróleo Brent no mês, maior tombo desde o início da guerra

Ibovespa em junho: cinco quedas seguidas e uma recuperação de última hora

O mês começou mal. Na primeira sessão de junho, o Ibovespa caiu 0,91%, aos 172.197 pontos, a quinta queda seguida e o menor nível desde 21 de janeiro. O movimento refletiu o agravamento da crise entre Irã, Israel e Estados Unidos, que aumentou a busca por ativos seguros e reduziu o apetite por mercados emergentes como o Brasil.

A recuperação veio aos poucos, puxada pela queda do petróleo e pela sinalização de corte de juros no Brasil. No fechamento de 26 de junho, o índice chegou a 173.295,14 pontos, alta de 0,76% no dia, mas ainda com variação negativa de 0,28% no acumulado do mês. No último pregão útil, 29 de junho, o Ibovespa fechou praticamente estável, em 173.205,35 pontos, em um dia de liquidez reduzida por causa do jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

Data Ibovespa Variação Contexto
01/06 172.197 pts -0,91% Quinta queda seguida, menor nível desde 21/01, escalada Irã-EUA
23/06 171.259 pts +0,52% Mercado pondera trégua no Oriente Médio
26/06 173.295 pts +0,76% Volume de R$ 23,89 bi, alívio com queda do petróleo
29/06 173.205 pts -0,05% Liquidez reduzida (Copa do Mundo), volume de R$ 13,92 bi

No acumulado de 2026, o Ibovespa ainda sobe 7,55%, sustentado pela queda da Selic e pela entrada de capital estrangeiro em mercados emergentes ao longo do primeiro semestre. O que moveu as ações individuais em junho:

Vale (VALE3): pressionada pela disputa interna sobre a presidência do conselho. A diretoria aprovou por unanimidade uma assembleia de acionistas em 22 de julho para votar a remoção do presidente Daniel Stieler, a pedido da Previ, maior acionista da mineradora.
Petrobras (PETR3/PETR4): oscilou na direção contrária ao petróleo na maior parte do mês, com ganhos durante a escalada da guerra e perdas durante a desmontagem do prêmio de risco.
Bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil): reagiram positivamente ao corte da Selic e à perspectiva de juros futuros mais baixos, com ganhos acima de 0,5% em sessões-chave do mês.


Dólar e Selic: o Copom cortou juros pela terceira vez seguida

Na quarta-feira 17 de junho, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime e representou o terceiro corte consecutivo do ciclo iniciado em março. O comitê justificou o movimento pela desaceleração do IPCA em maio e pelo alívio geopolítico trazido pelo avanço do acordo entre Estados Unidos e Irã.

O tom do comunicado, porém, seguiu cauteloso. O Banco Central elevou a projeção de IPCA para 2026 para algo entre 5,2% e 5,33%, bem acima do teto da meta de 4,5%, e voltou a destacar que o mercado de trabalho segue aquecido. Isso significa que novos cortes não estão garantidos. A próxima reunião do Copom acontece em 4 e 5 de agosto.

Para quem investe em renda fixa: com a Selic a 14,25% e o CDI estimado em torno de 14,15% ao ano, um CDB 100% do CDI ainda rende cerca de R$ 5.227 líquidos ao ano para cada R$ 50 mil aplicados, considerando o IR de 15% para prazos acima de um ano.

No câmbio, o dólar abriu o mês em queda, a R$ 5,023 no dia 1º, acumulando desvalorização de 8,5% no ano até aquele ponto. Ao longo de junho, porém, a moeda voltou a subir com a cautela em torno das negociações de paz e fechou o mês cotada a R$ 5,172, alta de 0,06% no último pregão, oscilando entre R$ 5,154 e R$ 5,186.

Indicador Valor (29/06) Observação
Dólar comercial R$ 5,172 Faixa do dia: R$ 5,154 a R$ 5,186
Selic 14,25% a.a. Terceiro corte seguido, decisão unânime
Selic Focus fim de 2026 ~14,00% Projeção revisada para cima na semana
IPCA Focus 2026 5,33% Acima do teto da meta contínua de 4,5%


Petróleo Brent: a queda de quase 20% que aliviou a inflação global

Esta foi a maior história do mês. O conflito entre Israel, Irã e Estados Unidos, iniciado em 28 de fevereiro, levou o Brent a flertar com US$ 120 no auge da escalada em março. Em junho, novos episódios de tensão no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo, ainda levaram o barril a bater US$ 94,98 no dia 1º e a tocar US$ 98 em determinado momento intraday no dia 8.

A partir da segunda quinzena, o cenário virou. Os Estados Unidos e o Irã avançaram em um roteiro de 60 dias para um acordo definitivo, o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz voltou a níveis próximos dos registrados antes da guerra e produtores do Golfo, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar, aumentaram a oferta. O resultado foi uma queda livre nos preços: o Brent fechou o dia 24 de junho a US$ 73,87, o menor nível desde 27 de fevereiro, véspera dos ataques que iniciaram o conflito.


Brent (US$/barril) - trajetória de junho de 2026

Data Brent Leitura
01/06 US$ 94,98 Início do mês com prêmio de risco elevado
08/06 US$ 94,25 Novo pico intraday próximo de US$ 98
15/06 US$ 91,50 Ainda pressionado por tensão geopolítica
19/06 US$ 88,00 Primeiros sinais de alívio
22/06 US$ 78,50 Desmontagem acelerada do prêmio de risco
24/06 US$ 73,87 Menor nível desde 27/02
26/06 US$ 72,60 Queda semanal de quase 10%
29/06 US$ 72,50 Estabilização à espera de Doha

No fechamento do mês, o Brent operava perto de US$ 72,50, projetando uma queda de quase 20% em junho e de mais de 23% no acumulado do trimestre. Para o investidor brasileiro, o alívio tem dois efeitos diretos: menor pressão sobre a inflação de combustíveis no curto prazo e um vento contrário para as ações da Petrobras, que haviam se beneficiado do prêmio de risco da guerra.

Data Brent (fech.) Variação Contexto
01/06 US$ 94,98 +4,2% Irã ameaça bloquear o Estreito de Ormuz
08/06 US$ 94,25 +1,25% Pico intraday em US$ 98 com novos ataques
24/06 US$ 73,87 -3,81% Menor nível desde 27/02, normalização em Ormuz
26/06 US$ 72,60 -3,84% Queda semanal de quase 10%
29/06 US$ 72,50 +leve alta Estabilização à espera de novas conversas em Doha


Ouro e Bitcoin: dois portos seguros, dois destinos opostos

O ouro viveu seu próprio ciclo em 2026. A onça troy bateu recorde histórico em 28 de janeiro, perto de US$ 5.326, alta de mais de 90% em doze meses, impulsionada pela desconfiança em relação ao dólar e à política monetária americana. De lá para junho, o metal passou por uma correção relevante e fechou o mês oscilando entre US$ 4.073 e US$ 4.100, testando pela terceira vez no mês a região dos US$ 4.000.

O Bitcoin teve um mês mais duro. Depois de chegar à máxima histórica de US$ 126.073 em outubro de 2025, a criptomoeda vem em trajetória de queda desde maio, e em 25 de junho tocou a mínima do ano, em US$ 58.131. No fechamento do mês, operava na região dos US$ 58.500, pressionado por oito sessões seguidas de saída líquida nos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos, a maior parte concentrada no IBIT, da BlackRock.

O índice Fear & Greed das criptomoedas marcava 15 a 16 pontos no fim do mês, território de medo extremo. A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, anunciou plano para vender até US$ 1,25 bilhão em BTC para recompor caixa, o que analistas leram como um sinal de cautela, ainda que o plano também estabeleça um teto para as vendas futuras.

Ativo Cotação (29-30/06) Distância da máxima Sinal de mercado
Ouro (onça) US$ 4.073-4.100 ~ -23% Correção após recorde de janeiro, ainda acima do início do ano
Bitcoin US$ 58.500 ~ -54% Mínima do ano, saída de ETFs, medo extremo
Ether US$ 1.553-1.566 - Sétima sessão seguida de saída líquida em ETFs

Fed: a era Powell chegou ao fim, conheça Kevin Warsh

A reunião de 17 de junho também marcou a estreia de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve, indicado por Donald Trump após meses de embate público com o então presidente Jerome Powell. O Fomc manteve a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, decisão amplamente esperada pelo mercado.

A principal mudança não foi numérica, mas de estilo. Warsh eliminou do comunicado o trecho de forward guidance que sinalizava os próximos passos do banco central, optando por uma postura mais reativa aos dados. As novas projeções do comitê elevaram a expectativa de inflação medida pelo PCE para 3,6% em 2026, ante 2,7% projetado em março, refletindo o impacto da alta do petróleo durante a guerra. A próxima decisão do Fed sai em 29 de julho.


China segue puxando a demanda por commodities

Enquanto o noticiário girava em torno da guerra no Oriente Médio, a China seguiu firme como o principal motor de demanda por matérias-primas do mundo. O PMI industrial chinês marcou 51,8 em maio, acima das expectativas do mercado e em zona de expansão pelo terceiro mês seguido, depois de bater 52,2 em abril, o ritmo mais forte desde dezembro de 2020.

O país também segue ampliando o superávit comercial, puxado pela demanda por eletrônicos e pela política de formação de estoques estratégicos de minério de ferro e petróleo bruto para sua indústria. Para o Brasil, esse apetite chinês é o que sustenta a demanda por commodities como minério de ferro e soja, dois dos principais produtos da pauta de exportação nacional, mesmo em um trimestre marcado por volatilidade geopolítica.


Panorama técnico: os níveis que o trader precisa conhecer em julho

Com o prêmio de risco geopolítico em dissipação, julho tende a ser definido pelos dados de inflação nos Estados Unidos, pela ata do Copom e pela continuidade das negociações entre Washington e Teerã. Veja os níveis de referência para os principais ativos:

Ativo Suporte Resistência Cotação atual Viés técnico
Ibovespa 171.100 – 172.400 173.900 – 176.300 173.205 Lateralizado
Dólar (USD/BRL) R$ 5,02 – 5,05 R$ 5,20 – 5,25 R$ 5,17 Leve viés de alta
Petróleo Brent US$ 69 – 70 US$ 78 – 80 US$ 72,50 Tendência de baixa
Ouro (onça) US$ 3.950 – 4.000 US$ 4.200 – 4.300 US$ 4.073 Consolidação
Bitcoin US$ 53.400 – 58.100 US$ 65.000 – 68.000 US$ 58.500 Medo extremo, tendência de baixa

Para o Ibovespa, a leitura técnica é de range entre os 171 mil e os 176 mil pontos, sem um catalisador único capaz de romper a faixa enquanto o mercado aguarda a ata do Copom de agosto e o desenrolar dos acordos de paz no Oriente Médio. No petróleo, a perda do nível de US$ 70 no WTI já ocorreu durante o mês, e uma estabilização da oferta do Golfo Pérsico pode levar o Brent a buscar a faixa dos US$ 65 a US$ 68 no curto prazo, caso a trégua se mantenha.

FAQ: o mercado financeiro em junho de 2026

1) Por que o Ibovespa fechou junho praticamente estável?

O mês começou com cinco quedas seguidas por causa da escalada da guerra no Oriente Médio, mas a recuperação do petróleo e o corte da Selic ajudaram o índice a se recuperar na segunda metade. O resultado foi uma variação de apenas -0,28% no mês, mesmo com forte volatilidade no caminho.

2) Por que o petróleo caiu quase 20% em junho?

O avanço do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã reduziu o prêmio de risco embutido no preço do barril. O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz normalizou e os produtores do Golfo Pérsico aumentaram a oferta, derrubando os preços para níveis anteriores ao início do conflito.

3) O Bitcoin pode continuar caindo em julho?

O cenário técnico é de medo extremo, com saída contínua de capital nos ETFs e suporte relevante apontado por analistas em US$ 53.400. Caso esse nível seja perdido, alguns relatórios não descartam uma queda adicional em direção aos US$ 40 mil ainda em 2026. Não há garantia de continuidade da queda.

4) O que muda com Kevin Warsh no comando do Fed?

Warsh adotou um estilo de comunicação mais direto que o de Powell, retirando o forward guidance dos comunicados. Na prática, isso aumenta a imprevisibilidade sobre os próximos passos do Fed, que passam a depender mais diretamente dos dados de inflação e emprego divulgados a cada mês.

5) A Selic vai continuar caindo no Brasil?

O Copom cortou juros pela terceira vez seguida em junho, mas manteve tom cauteloso diante da inflação acima da meta. As projeções de mercado para o fim de 2026 variam entre 13,50% e 14,00%, o que sugere espaço para mais um ou dois cortes, a depender dos próximos dados de IPCA.

6) Por que o ouro caiu mesmo com tanta incerteza geopolítica?

O ouro já havia subido mais de 90% em doze meses até o recorde de janeiro, o que abriu espaço para realização de lucros. Com o recuo do conflito no Oriente Médio e juros americanos ainda elevados, parte do fluxo que buscava proteção migrou para outros ativos ao longo do mês.

7) Como a demanda da China impacta o investidor brasileiro?

A China é o principal comprador de commodities brasileiras, como minério de ferro e soja. Com o PMI industrial chinês em expansão e o país ampliando estoques estratégicos, a demanda por esses produtos segue sustentada, o que beneficia diretamente exportadoras como Vale listadas no Ibovespa.

8) Qual o próximo grande evento para o mercado?

O calendário de julho tem a decisão do Fed em 29/07, a assembleia de acionistas da Vale em 22/07 sobre a presidência do conselho e a expectativa pela continuidade das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. No Brasil, o próximo Copom acontece em 4 e 5 de agosto.

Conclusão

Junho de 2026 resumiu em um único mês o que pode definir o segundo semestre: a dissipação de um prêmio de risco geopolítico que dominou os mercados desde fevereiro. O petróleo voltou para perto de onde começou, o Ibovespa absorveu a volatilidade sem grandes danos e a Selic seguiu seu caminho de queda gradual, sustentada por um Copom que prefere cautela a pressa.

No radar de julho, três frentes concentram a atenção do investidor. A primeira é a continuidade, ou não, do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, que segue determinando o piso e o teto do petróleo. A segunda é a postura de Kevin Warsh à frente do Fed, em sua primeira decisão completa de juros em 29 de julho. A terceira é a disputa pela presidência do conselho da Vale, que vai a assembleia em 22 de julho e pode redesenhar a governança de uma das maiores empresas do Ibovespa. Com a China seguindo como motor firme de demanda por commodities, o pano de fundo para o exportador brasileiro segue favorável, mesmo em meio à volatilidade.

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