Publicado em: 2026-06-25
Atualizado em: 2026-06-26
O Bitcoin tocou US$ 59.103 na quarta-feira (24/06), a mínima do ano e o menor patamar em 21 meses. A recuperação parcial para a faixa de US$ 61.285 nesta quinta-feira não apagou o estrago: dados da Coinglass registraram liquidações de US$ 1 bilhão em futuros de criptomoedas nas últimas 24 horas, sendo US$ 780 milhões em posições compradas. O Ethereum acompanhou a queda e opera a US$ 1.615, acumulando recuo de 21% em 30 dias.
O mercado cripto não opera no vácuo. Três forças convergiram simultaneamente para desencadear a liquidação em cascata: saída recorde de capital dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos, piora do apetite a risco global com dados do PCE americano no radar e o vencimento de US$ 13 bilhões em opções de Bitcoin programado para esta sexta-feira (26/06) na Deribit. O Índice de Medo e Ganância chegou a 23, na zona de Medo Extremo, o nível mais baixo em meses.
Com base no movimento das últimas 48 horas, o Bitcoin rompeu o suporte psicológico de US$ 62.700, que era o fechamento diário mais baixo desde 10 de junho. A perda desse nível acelerou as liquidações forçadas de longs alavancados e jogou o ativo direto para a faixa de US$ 59 mil. A recuperação parcial para US$ 61.285 recompôs parte do terreno, mas o papel segue abaixo de todas as médias móveis relevantes de curto prazo.
A resistência imediata está na região de US$ 64.004, onde a EMA de 50 dias exerce pressão vendedora. Acima dela, a EMA de 100 dias em US$ 71.515 e a EMA de 200 dias próxima de US$ 77.223 representam obstáculos significativos. O nível psicológico de US$ 60.000 é o suporte mais crítico do momento: uma perda sustentada abre caminho para a zona de US$ 55 mil a US$ 57 mil.
O Ethereum opera a US$ 1.615, acumulando queda de 21% em 30 dias e de 32,59% no acumulado do ano. A máxima histórica do ativo foi registrada em 24 de agosto de 2025, a US$ 4.955, e o ETH opera hoje com desconto de 67% sobre esse pico. As médias móveis de 50 e 200 dias estão acima do preço, sinalizando controle dos vendedores no curto e médio prazo.
Apesar da fraqueza de preço, o ecossistema Ethereum mantém US$ 99 bilhões em valor total bloqueado em DeFi, mais de nove vezes superior ao segundo maior Layer 1. A atualização Glamsterdam, prevista para o segundo semestre de 2026, introduz melhorias de escalabilidade que podem funcionar como catalisador de médio prazo. Geoff Kendrick, do Standard Chartered, mantém preço-alvo de US$ 4.000 para o ETH até o fim de 2026.

Esta sexta-feira (26/06) concentra um dos maiores vencimentos mensais de opções da história do Bitcoin, com US$ 13 bilhões em contratos em aberto expirando na Deribit, que concentra 79% do volume global de opções de BTC. O desequilíbrio entre puts e calls é expressivo: as opções de venda superam as de compra em margem líquida de US$ 1 bilhão a US$ 3,4 bilhões, sinalizando que a pressão baixista estrutural ainda não se dissipou.
Dos US$ 6 bilhões em opções de compra em aberto na plataforma, 78% estão concentrados em strikes de US$ 72.000 ou superiores. Com o BTC operando abaixo de US$ 64.000, a probabilidade de esses contratos expirarem fora do dinheiro é elevada, eliminando boa parte do interesse comprador no curto prazo. O mercado precisará absorver esse vencimento antes de qualquer tentativa de recuperação estrutural.
Uma liquidação ocorre quando uma exchange fecha à força uma posição alavancada porque o trader não tem margem suficiente para mantê-la aberta. Com o Bitcoin caindo abaixo de US$ 62.700 e tocando US$ 59.103, as liquidações em cascata de longs alavancados somaram US$ 780 milhões em 24 horas, segundo dados da Coinglass.
Os ETFs spot de Bitcoin nos EUA são o principal canal de entrada de capital institucional no mercado cripto desde janeiro de 2024. Quando registram saídas líquidas, isso sinaliza redução de exposição por parte de grandes investidores. Com US$ 6,35 bilhões retirados em 30 dias, o efeito sobre o preço é direto: menos demanda no mercado à vista.
Existe esse risco. Com US$ 13 bilhões em opções vencendo na sexta (26/06) e puts superando calls em até US$ 3,4 bilhões de margem líquida, o viés é baixista. Traders de mercado tendem a pressionar o preço em direção aos strikes mais rentáveis, o que pode gerar volatilidade adicional até o fechamento dos contratos.
O nível psicológico de US$ 60.000 é o suporte mais observado no curto prazo. Uma perda sustentada desse patamar abre caminho para a faixa de US$ 55.000 a US$ 57.000, onde analistas da Vault Capital e outros identificam suporte mais robusto. A mínima atual do ano está em US$ 59.103, registrada em 24/06.
O Ethereum opera com beta mais elevado em relação ao Bitcoin, o que significa que amplifica tanto as altas quanto as quedas do mercado cripto. Além disso, os ETFs spot de ETH nos EUA registraram saídas próprias de US$ 30 milhões em uma única sessão. O ETH acumula queda de 21% em 30 dias, contra 14% do BTC no mesmo período.
Historicamente, níveis extremos de medo coincidem com fundos de ciclo, mas não garantem reversão imediata. O índice estava em 40 (neutro) há um mês e despencou para 23 (medo extremo) em dias. Para traders contrários, pode sinalizar exagero vendedor. Para a análise técnica, o suporte precisa ser confirmado em gráfico antes de qualquer entrada.
O PCE (Personal Consumption Expenditures) é o índice de inflação preferido do Federal Reserve para calibrar a política monetária americana. Um PCE acima do esperado reforça a expectativa de manutenção ou elevação dos juros pelo Fed, o que reduz o apetite por ativos de risco como o Bitcoin e drena liquidez dos mercados globais.
O BTC opera com desconto de 52% sobre a máxima histórica de US$ 126 mil (out/25) e o ETH está 67% abaixo do seu pico de US$ 4.955. Desconto não é catalisador. Antes de qualquer entrada, é essencial verificar a defesa do suporte de US$ 60 mil no BTC e a absorção do vencimento de opções de sexta. Consulte seu assessor antes de tomar decisões.
O Bitcoin chegou ao nível mais baixo em 21 meses e o Ethereum aprofundou perdas de 21% em 30 dias, enquanto US$ 780 milhões em posições compradas foram varridos do mercado em 24 horas. Três forças convergiram ao mesmo tempo: saída recorde de US$ 6,35 bilhões dos ETFs spot nos últimos 30 dias, expectativa de manutenção dos juros pelo Fed com PCE no radar e o vencimento técnico de US$ 13 bilhões em opções de Bitcoin nesta sexta-feira (26/06) com viés estruturalmente baixista.
Para o trader, os níveis a monitorar são claros: US$ 60.000 é o suporte psicológico crítico do BTC, e a perda sustentada desse nível aponta para a faixa de US$ 55.000 a US$ 57.000. No Ethereum, US$ 1.550 é o piso imediato antes de US$ 1.500. A recuperação só ganha validade técnica acima de US$ 64.000 no Bitcoin, onde a EMA de 50 dias exerce pressão vendedora. O vencimento de amanhã e os dados do PCE americano são os próximos catalisadores que vão definir se o fundo foi formado ou se a liquidação tem mais um capítulo pela frente.