Publicado em: 2026-08-21
Atualizado em: 2026-08-21
O Ibovespa encerrou 11 pregões consecutivos de queda na quarta-feira (19), a maior sequência negativa em três anos. Desde então, o índice emenda dois fechamentos positivos, apoiado por Petrobras e Vale, mas segue operando abaixo das principais médias móveis. A pergunta que fica no ar é se a virada representa o fim de um ciclo ruim ou apenas uma pausa dentro de uma tendência de baixa ainda não revertida.
A sequência de quedas havia tirado 6,51% do índice entre o início de agosto e o fechamento de terça-feira (18), quando o Ibovespa marcou 166.334,86 pontos. Foi a maior série negativa desde as 13 quedas seguidas registradas entre 1º e 17 de agosto de 2023. Bancos lideraram a pressão vendedora, refletindo preocupações com o cenário de crédito, enquanto Petrobras já atuava como contrapeso mesmo com o petróleo perdendo força.
A reversão veio na quarta-feira (19), quando o índice avançou 0,90%, aos 167.830,27 pontos, impulsionado pela melhora do apetite a risco global após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar planos de pelo menos dobrar a recompra de títulos públicos de longo prazo. A medida pressionou os rendimentos dos Treasuries para baixo e favoreceu mercados emergentes como o Brasil. O dólar recuou 0,85%, para R$ 5,177.
O gatilho principal não veio do Brasil. Ao anunciar a intenção de ampliar a recompra de títulos de longo prazo, o Tesouro americano sinalizou maior demanda por Treasuries, o que empurrou os juros para baixo e devolveu apetite por ativos de maior risco em mercados emergentes. Esse movimento externo se somou à recuperação pontual de blue chips domésticas, como bancos e as próprias Petrobras e Vale.
Ainda assim, o alívio veio com ressalvas técnicas. Segundo análise da Nelogica publicada pelo InfoMoney, o Ibovespa segue negociando abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos no gráfico diário, uma combinação que mantém a estrutura do índice fragilizada. O índice chegou a superar os 170 mil pontos durante o pregão de quarta-feira, mas perdeu parte do fôlego até o fechamento, sinal de que compradores voltaram ao mercado, mas ainda encontram resistência.
Na quinta-feira (20), Petrobras e Vale subiram mais de 2% cada, sustentando o Ibovespa mesmo em um pregão marcado por volatilidade. A alta da Petrobras acompanhou a valorização do petróleo Brent, que se aproximou de US$ 94 o barril, maior nível em um mês, em meio à escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, chegou a afirmar que o Irã enfrentará "as sanções mais duras da história".
O índice, no entanto, terminou bem distante da máxima intradiária de 169.752,35 pontos registrada pela manhã. A piora do humor externo e a pressão sobre o setor financeiro limitaram os ganhos ao longo do pregão. Wall Street fechou em forte queda no mesmo dia, com o Nasdaq recuando 1,00%, a 26.067,17 pontos, pressionado pela alta dos rendimentos dos Treasuries e por ações de tecnologia e consumo.
Na ponta negativa da sessão, destaque para quedas acentuadas fora do radar das commodities: Vamos (VAMO3) despencou 8,49%, Hapvida (HAPV3) caiu 7,16%, Cury (CURY3) recuou 4,77%, CSN Mineração (CMIN3) perdeu 4,74% e Magazine Luiza (MGLU3) fechou em baixa de 4,20%. O contraste reforça que a recuperação do índice está concentrada em poucos nomes, não distribuída pelo mercado como um todo.
Para quem quer operar a volatilidade do mercado brasileiro sem depender de um único papel, a EWZ (iShares MSCI Brazil ETF), que replica uma cesta de ações ligadas à economia brasileira, está disponível na página de ETFs CFD da EBC. O Ibovespa em si não é negociado diretamente como índice CFD na plataforma.
A quebra da sequência negativa não apaga os fatores que levaram a ela. Agosto segue sendo um mês difícil para a bolsa brasileira, com saída líquida de R$ 20,4 bilhões de investidores estrangeiros até o momento, segundo levantamento da Gradual Investimentos. A aversão a risco é atribuída à incerteza política ligada às eleições e ao risco fiscal, temas que tendem a ganhar peso à medida que o calendário eleitoral avança.
O setor bancário também segue como ponto de atenção. Itaú e B3 recuaram cerca de 0,5% cada, enquanto Itaúsa e Banco do Brasil cederam quase 1% em meio à alta dos juros futuros, batendo de frente com o otimismo trazido por Petrobras e Vale. Do lado das commodities, o minério de ferro negociado na China fechou em queda pela fraqueza persistente da demanda siderúrgica, o que também pressionou Vale e CSN Mineração em momentos específicos do pregão.
Para que o movimento deixe de ser apenas um respiro dentro de uma tendência de baixa, analistas apontam a necessidade de volume comprador consistente, recuperação das médias móveis de curto e longo prazo, e rompimento de resistências relevantes. A primeira prova para os compradores está logo acima dos níveis atuais.
Leitura técnica objetiva: a recuperação dos últimos dois pregões interrompeu a sequência recorde de perdas, mas não alterou a estrutura técnica de fundo. Sem volume comprador consistente e sem o rompimento da faixa de 168.800 a 173.930 pontos, a leitura predominante segue sendo de correção dentro de uma tendência de baixa, não de reversão confirmada.
Fluxo comprador ganha força, o Ibovespa recupera as médias móveis e rompe a faixa de resistência entre 168.800 e 173.930 pontos com volume, confirmando o fim do ciclo de perdas.
O índice opera em faixa entre o suporte de 166.300 pontos e a resistência técnica, sem direção definida, enquanto o mercado aguarda mais clareza sobre o cenário eleitoral e fiscal.
Nova piora da tensão entre Estados Unidos e Irã, saída adicional de capital estrangeiro ou frustração com o cenário fiscal levam o índice a retestar a mínima de 166.211 pontos.
A combinação de pressão sobre bancos, preocupação com o cenário de crédito, saída de capital estrangeiro e incerteza fiscal e eleitoral levou o índice a acumular 6,51% de queda entre o início de agosto e 18/08, a maior série negativa desde 2023.
O anúncio do Tesouro dos Estados Unidos sobre ampliar a recompra de títulos de longo prazo derrubou os rendimentos dos Treasuries e melhorou o apetite por risco em mercados emergentes, favorecendo o Brasil e as blue chips locais.
Não pelos critérios técnicos atuais. O índice segue abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos e não rompeu a resistência entre 168.800 e 173.930 pontos, o que mantém a leitura de correção, não de reversão de tendência.
Petrobras acompanhou a alta do petróleo Brent, perto de US$ 94, impulsionada pela escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. Vale se beneficiou do apetite geral por commodities no dia, mesmo com o minério de ferro pressionado em outros momentos da semana.
Sim. Agosto acumula saída líquida de R$ 20,4 bilhões de capital estrangeiro, segundo dados citados pela Gradual Investimentos, refletindo aversão a risco ligada às eleições e ao cenário fiscal brasileiro.
O Ibovespa não está entre os índices CFD listados atualmente na EBC. Para exposição à economia brasileira via CFD, a alternativa é a EWZ (iShares MSCI Brazil ETF), disponível na plataforma como ETF CFD.
Uma nova escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã, mais saída de capital estrangeiro, piora do noticiário fiscal ou frustração com o cenário eleitoral são os principais riscos capazes de levar o índice a retestar a mínima de 166.211 pontos.
O Ibovespa encerrou a maior sequência de perdas em três anos, mas os dois pregões de recuperação até agora dependeram mais de fatores externos, como o anúncio do Tesouro americano e a alta do petróleo, do que de uma melhora estrutural do cenário doméstico. Bancos pressionados, saída contínua de capital estrangeiro e incerteza fiscal e eleitoral seguem no radar.
Para o trader, a leitura técnica ainda pede cautela: o índice segue abaixo das principais médias móveis e não rompeu a resistência entre 168.800 e 173.930 pontos. Até que isso aconteça com volume, a recuperação recente deve ser tratada como um alívio pontual dentro de uma tendência de baixa, não como uma virada confirmada.
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