Publicado em: 2026-08-18
Atualizado em: 2026-08-18
O prazo venceu na segunda-feira (17) e não houve prorrogação. O cessar-fogo de 60 dias entre Estados Unidos e Irã, firmado em junho, chegou ao fim sem um acordo definitivo sobre o ponto que mais importa para o mercado: o status do Estreito de Ormuz. Nesta terça-feira (18), o petróleo opera perto da máxima em duas semanas, o dólar avança ante o real e os juros longos dos Treasuries sobem ao maior nível desde 2007.
Trump afirmou que não pretende estender o prazo enquanto a questão de Ormuz não for resolvida, chegou a sugerir transformar o estreito em território americano e ameaçou bombardear Omã, país que mantém diálogo com Teerã. Do lado iraniano, uma autoridade disse à Reuters que o país vai adotar postura militar totalmente ofensiva, já que as negociações para um fim permanente do conflito estão paralisadas. Para o trader, isso reabre o prêmio de risco geopolítico como driver imediato de câmbio, petróleo e juros.
O acordo provisório, fechado em meados de junho após 12 dias de conflito aberto entre Israel, Irã e Estados Unidos, previa uma pausa de dois meses para abrir espaço a uma negociação mais ampla. O texto, porém, era genérico o suficiente para permitir leituras opostas sobre dois temas centrais: a administração do tráfego pelo Estreito de Ormuz e o futuro do programa nuclear iraniano.
Nas últimas semanas, ataques a petroleiros voltaram a se multiplicar e o tráfego pelo estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, seguiu praticamente paralisado. Sem avanço nesses dois pontos, o vencimento do prazo em 17 de agosto virou o novo catalisador. Washington descartou estender o cessar-fogo temporário e o mercado reagiu como reage a qualquer reabertura de risco de oferta: comprando petróleo, dólar e proteção.
O movimento desta terça é consistente com o padrão observado desde fevereiro: qualquer sinal de escalada no Oriente Médio eleva o prêmio de risco no petróleo primeiro, e o câmbio segue com defasagem de minutos. O Brent soma altas nas últimas cinco sessões, saindo de US$ 88,52 no dia 14 para US$ 91,09 nesta terça, ainda distante da máxima de março.
*Nível de referência da semana anterior; o ouro tende a reagir com força a qualquer nova escalada, dada sua função de proteção contra risco geopolítico e inflação.
Por que isso importa para quem opera USD/BRL: o real historicamente reage à combinação de petróleo em alta (pressão inflacionária global) e apetite a risco reduzido (fuga para dólar). A diferença desta vez é que o mercado já reduziu a aposta em corte do Fed em setembro, o que tende a sustentar o dólar globalmente e reforçar a pressão sobre o câmbio brasileiro caso a tensão persista.
Vale um alerta antes dos números. Ativos guiados por notícias geopolíticas binárias, como este, tendem a romper referências técnicas com gaps e volume irregular. Os níveis abaixo servem como mapa de reação de curto prazo, não como garantia de suporte ou resistência em caso de novo ataque ou anúncio de trégua.
Rompimento da resistência com volume abre espaço para R$ 5,25. A região de R$ 5,1985–5,1998 é o suporte técnico do dólar futuro (WDOU26) em 5.198,5 pontos.
Leitura objetiva: enquanto o Estreito de Ormuz seguir com tráfego reduzido, o viés de curto prazo em petróleo é de alta, com resistência natural na casa dos US$ 95 a US$ 100 no Brent em caso de novo ataque a petroleiros. Uma trégua concreta, por outro lado, tende a devolver o mercado ao excedente de oferta observado em julho, quando o Brent chegou a cair quase 20% em poucas semanas.
Ataques pontuais continuam, mas sem fechamento formal de Ormuz nem envolvimento direto de terceiros países. Petróleo mantém prêmio de risco moderado, dólar segue firme ante o real em faixa próxima à atual, e o mercado trata o episódio como mais um ciclo de tensão administrada, como ocorreu em abril e julho.
Novos ataques a petroleiros ou uma ação militar direta dos EUA contra alvos iranianos levam a um fechamento mais amplo do estreito. Brent e WTI testam as máximas de março, dólar global se fortalece, e o real sofre pressão adicional pela combinação de petróleo em alta com aversão a risco.
Catar, Omã ou outro mediador viabiliza um novo entendimento, mesmo que temporário. Ormuz retoma tráfego normal, o prêmio de risco no petróleo é desmontado rapidamente, como ocorreu em junho, e o dólar perde força ante moedas emergentes, incluindo o real.
Nenhum dos três cenários deve ser tratado como previsão. O histórico deste conflito, que já passou por ao menos três ciclos de escalada e trégua desde fevereiro, mostra que o mercado precifica rápido em ambas as direções assim que há sinal concreto, positivo ou negativo, vindo de Washington ou Teerã.
No plano doméstico, o Copom reduziu a Selic para 14,00% ao ano na reunião de 4 e 5 de agosto, com o Boletim Focus projetando o encerramento de 2026 em 13,75%. A ata do encontro já citava o recrudescimento da incerteza no Oriente Médio como fator de cautela para o ritmo dos próximos cortes, o que ganha peso adicional com o fim do cessar-fogo.
O IBC-Br de junho recuou 0,6%, mas o PIB do segundo trimestre ainda avançou 0,2% na leitura do indicador do Banco Central. Combinado com o IPC-S da segunda quadrissemana de agosto, que caiu 0,39% e acumula 3,91% em 12 meses, o cenário de inflação doméstica segue relativamente controlado. É o componente externo, petróleo e dólar puxados por Ormuz, que concentra o risco de curto prazo.
Para traders que acompanham o par USD/BRL, o próximo gatilho relevante é duplo: a ata do Fomc, publicada na quarta-feira, e qualquer novo desdobramento militar no Oriente Médio, que segue sendo o fator com maior potencial de mover o câmbio em uma única sessão.
O acordo de 60 dias firmado em junho expirou em 17 de agosto sem prorrogação. Trump condicionou qualquer extensão à resolução do status do Estreito de Ormuz, enquanto o Irã sinalizou que passará a adotar postura militar totalmente ofensiva diante da paralisia nas negociações.
Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz. Qualquer sinal de retomada do conflito reduz ainda mais o tráfego de petroleiros pela via, o que o mercado precifica como risco de oferta e reflete em alta imediata do Brent e do WTI.
Depende do desfecho no Oriente Médio. Uma escalada tende a fortalecer o dólar globalmente e pressionar o real. Uma nova trégua, como ocorreu em junho, costuma reverter o movimento com rapidez. O carry trade com a Selic em 14% segue como amortecedor parcial.
Não há fechamento formal declarado até o momento, mas o tráfego de petroleiros segue drasticamente reduzido em relação aos níveis pré-guerra, quando passavam entre 125 e 140 embarcações por dia pela via.
A ata do Copom de agosto já citou a incerteza no Oriente Médio como fator de cautela. Um petróleo persistentemente mais caro pressiona a inflação importada e pode reduzir o espaço para novos cortes da Selic nas próximas reuniões.
Não necessariamente. O conflito já passou por ao menos três ciclos de escalada seguidos de trégua desde fevereiro. O vencimento do prazo eleva o risco de curto prazo, mas mediadores como Catar e Omã seguem ativos nos bastidores.
O fim do cessar-fogo não é, por si só, uma declaração de guerra. Mas retira do mercado a única âncora de previsibilidade que existia desde junho, e o petróleo já respondeu com uma sequência de altas que levou o Brent de volta à casa dos US$ 91. Para o câmbio brasileiro, a equação de curto prazo combina petróleo mais caro, aposta menor em corte do Fed e uma Selic que ainda oferece carry, mas com espaço decrescente para cortes adicionais caso a inflação importada volte a subir. O desfecho segue em aberto. Ormuz é, mais uma vez, o nível a observar antes de qualquer outro.
Para quem opera petróleo (WTI, Brent) e ouro (XAUUSD) diante da volatilidade geopolítica no Oriente Médio, a página de commodities da EBC reúne as condições de negociação e ferramentas de análise disponíveis para esses ativos. Ver página de commodities da EBC.