Publicado em: 2026-08-01
Atualizado em: 2026-08-01
Julho de 2026 foi um mês de correção, tarifaço e abertura da temporada de balanços. O Ibovespa saiu de uma queda de quase 13% frente ao recorde histórico de abril para fechar o mês perto da máxima do período, o Federal Reserve manteve os juros em meio a uma divisão interna rara, e os Estados Unidos aplicaram uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir do dia 22. Veja o que efetivamente moveu preços no mês.
O mês começou sob pressão. Depois de bater recorde histórico de 198.657,33 pontos em 14 de abril, o Ibovespa perdeu força ao longo do segundo trimestre e chegou a rondar os 173 mil pontos em meados de julho, uma correção de cerca de 13% frente ao topo. A saída de capital estrangeiro, que somou R$ 13,4 bilhões até 25 de maio, ainda pesava sobre o fluxo, embora parte tenha retornado ao longo de julho, incluindo uma entrada superior a R$ 1 bilhão em um único dia.
A partir da terceira semana, o cenário mudou. O alívio geopolítico, a queda do petróleo e o início positivo da temporada de balanços do segundo trimestre devolveram fôlego à bolsa brasileira, que fechou o mês nas máximas, acima dos 177 mil pontos. No exterior, o mês também foi marcado pela decisão do Fed em 29 de julho e pela nova rodada de tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil, que entrou em vigor no dia 22.
O Ibovespa viveu dois momentos opostos em julho. Na primeira metade do mês, a proximidade do tarifaço americano e o desempenho fraco de bancos como Itaú pressionaram o índice, que chegou a fechar em 173.325,65 pontos em 21 de julho, ainda 12,8% abaixo do recorde de abril, mesmo acumulando alta de 7,57% no ano até aquela data.
Na reta final do mês, o cenário se inverteu. Bolsas americanas em alta, recuo dos juros futuros e a força da temporada de balanços do 2T26 impulsionaram o Ibovespa, que fechou 31 de julho em 177.158,86 pontos, alta de 1,88% no dia e maior patamar da sessão, mesmo com o minério de ferro e o petróleo em queda no exterior.
Analistas ouvidos pela plataforma Bora Investir, da B3, avaliam que o risco eleitoral no Brasil ainda não está totalmente incorporado aos preços e tende a ganhar peso à medida que candidaturas e propostas econômicas forem definidas ao longo do segundo semestre.
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O dólar fechou julho perto de R$ 5,08, após oscilar entre R$ 4,89 e R$ 5,63 nas últimas 52 semanas. No acumulado de 12 meses, a moeda americana recua 8,41% frente ao real, refletindo o diferencial de juros favorável ao Brasil, com a Selic em 14,25% ao ano contra a faixa de 3,50% a 3,75% dos Fed Funds nos Estados Unidos.
O Federal Reserve manteve a taxa dos fed funds em 3,50% a 3,75% ao ano em 29 de julho, quinta reunião seguida sem alteração. A decisão foi aprovada por 9 votos a 3, com os dissidentes defendendo uma alta imediata de 0,25 ponto percentual diante da inflação ainda acima da meta de 2%, pressionada por energia e tensões geopolíticas. A próxima reunião do FOMC está marcada para 15 e 16 de setembro.
No Brasil, não houve reunião do Copom em julho: a Selic segue em 14,25% ao ano desde o corte de 0,25 ponto decidido em 17 de junho. O boletim Focus de 13 de julho projetava a Selic encerrando 2026 em 14% e o IPCA em 5,16%, a segunda queda semanal seguida na projeção de inflação. A próxima decisão de juros no Brasil acontece em 4 e 5 de agosto.
Super quarta parcial: julho não teve coincidência entre as decisões de Fed e Copom, mas agosto concentra a atenção do mercado com a reunião brasileira logo na primeira semana, em meio à temporada de balanços dos grandes bancos.
Em 15 de julho, o USTR concluiu a investigação da Seção 301 contra o Brasil, motivada por temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais e proteção à propriedade intelectual, e anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A medida entrou em vigor em 22 de julho, atingindo setores como calçados, vestuário, autopeças, máquinas, produtos químicos e madeira.
Café, carne bovina e suco de laranja ficaram fora da nova tarifa, assim como itens já sujeitos à Seção 232, caso de parte dos produtos de aço e alumínio. A medida é distinta da tarifa de 50% aplicada em agosto de 2025, vinculada ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se soma a ela para os produtos não isentos, ampliando a pressão sobre exportadores brasileiros no segundo semestre.
O ouro fechou julho perto de US$ 4.104 por onça, alta de 1,80% no mês e de 24,72% em 12 meses, sustentado pela combinação de tensões no Oriente Médio e um dólar mais fraco ao longo da última semana do mês, mesmo com o Fed sinalizando postura mais dura sobre a inflação. O petróleo, por sua vez, perdeu força na reta final de julho, o que ajudou a aliviar parte da pressão inflacionária global, mas também pesou sobre ações ligadas à cadeia de energia no Ibovespa no último pregão do mês.
A temporada de resultados do segundo trimestre começou oficialmente em 14 de julho, com Camil e Romi, e ganhou força a partir da terceira semana. A WEG divulgou lucro líquido de R$ 1,56 bilhão em 22 de julho, queda de 2,1% na base anual, mas acima do consenso de mercado, com a ação WEGE3 disparando mais de 10% no pregão seguinte à divulgação.
Agosto concentra o grosso da temporada, com 134 divulgações previstas contra cerca de 15 em julho. Itaú Unibanco reporta em 4 de agosto, Petrobras em 6 de agosto e Banco do Brasil em 12 de agosto, no dia com maior volume de balanços do trimestre.
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O índice fechou o mês na máxima do dia, a 177.158,86 pontos, distante da mínima mensal de 170.653,45 e ainda abaixo da máxima mensal de 177.944,00. A leitura técnica de curto prazo é de recuperação dentro de um canal ainda distante do recorde histórico de abril, o que mantém o mercado dividido entre continuidade do movimento e nova fase de consolidação em agosto.
A combinação de resultados fracos de bancos como Itaú, a proximidade do tarifaço americano e a saída de capital estrangeiro em maio ainda pesavam sobre o índice, que chegou a operar 12,8% abaixo do recorde histórico de abril em 21 de julho.
É uma tarifa adicional decidida após investigação da Seção 301 do USTR sobre temas como Pix e comércio digital, em vigor desde 22 de julho. É distinta da tarifa de 50% aplicada em 2025, ligada ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Não. O Federal Reserve manteve a taxa em 3,50%-3,75% ao ano em 29 de julho, quinta reunião seguida sem alteração. A decisão teve votação dividida, 9 a 3, com os dissidentes defendendo alta imediata de 0,25 ponto percentual.
Não houve reunião do Copom em julho. A Selic segue em 14,25% ao ano desde o corte decidido em 17 de junho. A próxima decisão de juros no Brasil ocorre em 4 e 5 de agosto, com o Focus projetando 14% para o fim do ano.
Começou bem. A WEG superou o consenso e a ação disparou mais de 10%. Santander abriu a safra dos grandes bancos em 29 de julho, e Vale encerrou o mês divulgando resultado em 30 de julho, na mesma semana de outras 15 companhias da B3.
O índice fechou o mês nas máximas, mas ainda distante do recorde de abril, o que mantém o cenário técnico dividido entre continuidade da alta e consolidação. Não é recomendação de investimento: avalie com seu assessor o momento e o seu perfil de risco.
Julho de 2026 confirmou um padrão que deve se repetir em agosto: o mercado brasileiro reagindo simultaneamente a fatores externos, como Fed e tarifas americanas, e a fatores internos, como a temporada de balanços e a expectativa em torno do Copom. O Ibovespa encerrou o mês recuperando boa parte da correção do primeiro semestre, mas ainda 10,8% abaixo do recorde histórico de abril.
Para agosto, os catalisadores já estão no calendário: decisão do Copom em 4 e 5, resultado da Petrobras em 6 e do Itaú em 4, e o pico da temporada de balanços em 12 de agosto, com 30 divulgações no mesmo dia. A forma como o mercado digerir esses eventos deve definir se o Ibovespa retoma a rota do recorde ou entra em uma fase mais longa de consolidação.