Publicado em: 2026-07-30
Atualizado em: 2026-07-30
O Santander Brasil abriu a temporada de balanços dos grandes bancos nesta quarta-feira (29) com o resultado mais fraco do grupo em anos. O lucro líquido gerencial recorrente somou R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre, queda de 17,6% na comparação anual e de 20,4% frente ao primeiro trimestre. A reação foi imediata: a ação SANB11 chegou a recuar mais de 6% no pregão e arrastou o Ibovespa para baixo, no mesmo dia em que o mercado aguarda a decisão de juros do Federal Reserve.

O número frustrou o consenso de mercado, que projetava um lucro próximo de R$ 3,4 bilhões. Alguns analistas já haviam revisado a estimativa para a faixa de R$ 3,1 bilhões a R$ 3,2 bilhões nos dias anteriores, depois de o banco sinalizar provisões mais altas. Mesmo assim, o resultado veio abaixo até dessas projeções revisadas para baixo.
O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) recuou para 12,5%, ante 16% no primeiro trimestre e 16,4% um ano antes, interrompendo a recuperação gradual que o banco vinha construindo desde 2024. O principal fator foi a provisão para devedores duvidosos (PDD), que somou R$ 7,7 bilhões, alta de 21% no trimestre e de 12% em doze meses.
O lucro operacional, antes da linha de impostos, foi ainda mais fraco: R$ 2,5 bilhões, queda de 45% frente ao primeiro trimestre e de 39% na comparação anual. O fato de o resultado antes de impostos ter ficado abaixo do lucro líquido final sugere efeitos positivos na linha tributária, como reconhecimento de créditos fiscais, amortecendo parte da queda que aparece no número principal.
Segundo o banco, cerca de R$ 700 milhões das provisões do trimestre são não recorrentes, ligados a mudanças nas regras contábeis de baixa de créditos (write-off) e a casos pontuais no banco de atacado. Ainda assim, o cenário macro mais desafiador deve manter o custo de crédito elevado nos próximos trimestres, mesmo com o efeito extraordinário sendo descontado.
A queda do ROE tem peso simbólico. O banco espanhol vinha cobrando da operação brasileira uma trajetória rumo a um retorno de 20% nos próximos anos, dentro da estratégia batizada de "boring banking". Analistas do BTG Pactual escreveram que o resultado do trimestre evidencia o quanto essa meta ainda está distante da realidade atual do banco.
Na teleconferência com analistas, o CFO Carlos Muñiz, que assumiu o cargo em abril, afirmou que o ROE deve voltar a "patamares mais razoáveis" apenas em 2027. Segundo ele, a matriz espanhola vai cobrar essa recuperação, mas o banco optou por priorizar disciplina na gestão do balanço, mesmo que isso gere pressão sobre o resultado no curto prazo.
Muñiz explicou que o Santander segue ajustando o mix de crédito para reduzir o risco das carteiras, buscando "gerar receitas que não gerem provisões". A margem com clientes caiu 3,2% no trimestre e 0,4% no ano, reflexo da expansão em perfis de clientes menos rentáveis e de uma mudança na forma de contabilizar comissões pagas a correspondentes bancários.
Para o trader que acompanha o setor bancário brasileiro, negociar SANB11 via CFDs permite se posicionar tanto na alta quanto na queda do papel sem a necessidade de custódia da ação na B3, algo relevante diante da volatilidade que resultados trimestrais costumam gerar nesse tipo de ativo. Quem busca esse tipo de exposição pode conferir as condições na página de CFDs de ações da EBC.
O executivo Gilson Finkelsztain assumiu o comando do Santander Brasil em julho, justamente no trimestre mais fraco do banco em anos. Analistas do BTG Pactual, em relatório assinado por Eduardo Rosman, afirmaram que o novo CEO "terá de arregaçar as mangas" para reverter as tendências negativas de margem, provisão e rentabilidade que marcaram o 2T26.
Do lado positivo, o banco mantém disciplina de custos. As despesas gerais caíram 0,8% no trimestre e subiram apenas 2,6% no ano, abaixo da inflação. O banco segue fechando agências e reduzindo o quadro de pessoal: as despesas com folha recuaram 1,8% no trimestre e 1,2% em doze meses.
O Ibovespa operava em queda nesta quarta-feira, pressionado pelo setor bancário logo após a divulgação do balanço do Santander, em um pregão que também acompanha a decisão de juros do Fed, esperada para as 15h. Por volta das 11h13, o índice recuava cerca de 0,87%, aos 175.022 pontos, depois de fechar em alta de 0,70% na terça-feira.
Petrobras e Vale amenizaram parte da pressão, subindo com o avanço do petróleo em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. Ainda assim, a Unit do Santander liderou as perdas do Ibovespa no dia, arrastando os demais papéis do setor financeiro, enquanto investidores aguardavam sinalização do Fed sobre os próximos passos da política monetária americana.
Com o gap de baixa desta quarta, SANB11 rompeu o patamar em que vinha sendo negociada nas últimas semanas, próximo de R$ 27,68, fechamento anterior à divulgação do balanço. O papel abriu a sessão em queda de cerca de 6%, a R$ 25,88, e ampliou o recuo ao longo da manhã, negociando perto de R$ 25,81 por volta das 11h13.
Leitura técnica objetiva: o movimento de queda desta quarta é motivado por um evento fundamentalista, o balanço, e não por um padrão gráfico prévio. Isso reduz a utilidade de projeções puramente técnicas no curto prazo: o nível relevante a observar é se o papel testa a mínima das 52 semanas ou se consegue estabilizar acima dela nos próximos pregões.
As provisões não recorrentes de R$ 700 milhões não se repetem nos próximos trimestres, o de-risking da carteira começa a reduzir o custo de crédito e o ROE inicia trajetória de recuperação já em 2027, como projetado pelo CFO.
O cenário macro segue "desafiador", nas palavras do próprio CFO, mantendo as provisões elevadas por mais tempo. A meta de ROE de 20% da matriz espanhola fica ainda mais distante, pressionando novas revisões de preço-alvo por parte dos analistas.
Com a ação já acumulando queda de 23% no ano antes do resultado, parte relevante do risco pode já estar precificada. Uma eventual estabilização das provisões nos próximos trimestres abriria espaço para recuperação técnica do papel.
Nenhum desses cenários é uma previsão da EBC sobre o comportamento futuro do papel. Servem como referência para o trader organizar hipóteses e acompanhar os próximos indicadores divulgados pelo banco.
O lucro do segundo trimestre veio 17,6% menor que um ano antes e ficou abaixo até das estimativas já revisadas para baixo pelo mercado. A combinação de provisões maiores, ROE em queda e margem pressionada levou o papel a recuar mais de 6% no pregão.
A PDD somou R$ 7,7 bilhões, alta de 21% no trimestre. Cerca de R$ 700 milhões vêm de fatores não recorrentes, como mudanças nas regras de write-off e casos específicos no banco de atacado, mas o cenário macro mais desafiador também elevou o custo de crédito recorrente.
ROE mede quanto lucro o banco gera sobre o patrimônio dos acionistas. A queda de 16,4% para 12,5% em um ano afasta o Santander Brasil da meta de 20% definida pela matriz espanhola, sinalizando que a recuperação de rentabilidade será mais lenta do que o esperado.
Finkelsztain assumiu o comando do banco em julho de 2026, logo no trimestre mais fraco em anos. Segundo analistas do BTG Pactual, ele terá de agir rapidamente para reverter as tendências negativas de margem, provisão e rentabilidade evidenciadas no resultado.
Sim. O setor bancário pressionou o índice logo após a divulgação do balanço, com o Ibovespa recuando cerca de 0,87% na manhã desta quarta, em um pregão também marcado pela expectativa em torno da decisão de juros do Federal Reserve.
A ação acumula queda de 23% no ano, pior desempenho entre os grandes bancos listados. Isso pode indicar risco já parcialmente precificado, mas o próprio CFO reconhece que a recuperação do ROE só deve vir em 2027. Não é recomendação de investimento: avalie com seu assessor.
No acumulado do ano, SANB11 cai 23%, enquanto Bradesco sobe 1% e Itaú avança 8%. O desempenho mais fraco reflete a maior exposição do Santander ao aumento do custo de crédito e à desaceleração de margem observada neste trimestre.
O Santander Brasil entregou o resultado mais fraco entre os grandes bancos nos últimos anos, com lucro em queda de dois dígitos, ROE recuando para 12,5% e provisões surpreendendo para cima. A reação do mercado foi imediata, com a ação SANB11 caindo mais de 6% e pressionando o Ibovespa em um pregão já marcado pela cautela com a decisão do Fed.
Para o investidor, o desafio agora é separar o efeito não recorrente das provisões da tendência estrutural de custo de crédito mais alto. O novo CEO Gilson Finkelsztain assume a operação exatamente neste momento de transição, com o próprio CFO do banco sinalizando que a recuperação do ROE só deve aparecer com clareza em 2027.
Traders que queiram acompanhar a reação do mercado a balanços trimestrais de bancos como o Santander (SANB11) podem operar via CFDs de ações, com posições compradas ou vendidas. Mais informações na página de CFDs de ações da EBC.