Publicado em: 2026-07-07
Atualizado em: 2026-07-07
O Dow Jones bateu um novo recorde intradiário nesta terça-feira (7), mas não conseguiu segurar o ganho. O índice devolveu a alta e passou a operar perto da estabilidade, na casa dos 53 mil pontos. O freio veio de um lugar conhecido: os semicondutores, que voltaram a liderar as perdas depois de um dia de recuperação na véspera.
O S&P 500 cedeu cerca de 0,5% e o Nasdaq Composite recuou 1,3%, puxado por uma nova rodada de vendas em nomes ligados a inteligência artificial. A Micron perdeu cerca de 7%, enquanto KLA, Marvell, Broadcom e AMD também caíram. O ETF de semicondutores SMH, da VanEck, tombou mais de 5% no pregão.
A pressão é uma continuação direta do que já vinha sendo discutido em Seul, onde o Kospi recuou 4,9% depois de o mercado punir mesmo um resultado recorde da Samsung. Em Nova York, o gatilho adicional veio de uma notícia da Reuters: a chinesa DeepSeek estaria desenvolvendo seu próprio chip de inferência para IA, o que reduziria a dependência de fornecedores como Nvidia e Samsung no médio prazo.
O setor que puxou o Nasdaq a máximas históricas ao longo de 2026 voltou a ser o principal ponto de fragilidade do mercado. A notícia sobre o chip próprio da DeepSeek pesou sobre a Nvidia, que caiu mais de 1%, reacendendo a discussão sobre concentração de fornecedores na cadeia de IA.
Vale destacar que o movimento não é um colapso: é realização de lucro em um setor que acumula ganhos expressivos em 2026. O ETF iShares Semiconductor (SOXX) sobe cerca de 86% no ano, e o próprio índice de semicondutores da Filadélfia avançou 82% só no segundo trimestre. Depois de uma disparada dessa magnitude, qualquer notícia negativa tende a gerar reações amplificadas.
Enquanto os semicondutores sangravam, o dinheiro migrou para setores considerados mais defensivos ou menos dependentes do ciclo de capex em IA. A Eli Lilly subiu mais de 2%, enquanto JPMorgan Chase e Microsoft também avançaram. O Walmart ganhou mais de 2% depois de anunciar cortes de preço em produtos como carne moída e Coca-Cola.
O investidor Michael Burry, que ficou conhecido por prever a crise imobiliária de 2008, já havia postado nos dias anteriores que estava vendido em Micron, Nvidia, Applied Materials, Caterpillar e no ETF de semicondutores SOXX. A tese: uma correção de até 30% no setor de chips ligados à inteligência artificial.
Burry destacou que a Micron acumula 34 recuos superiores a 30% em 42 anos de história e que a ação está mais esticada acima da média móvel de 200 dias do que em qualquer momento desde 1984, incluindo o pico da bolha da internet. Para ele, o entusiasmo atual mistura medo de ficar de fora e viés de “prova social”.
Nenhum dos dois lados está automaticamente certo. O contraponto de Burry é relevante porque expõe o risco de concentração em poucos nomes. Mas os números mais recentes da própria Micron, incluindo receita trimestral de US$ 41,5 bilhões, alta de 346% na comparação anual, mostram que a demanda por memória segue muito forte no curto prazo.
Na segunda-feira (6), o Dow fechou em 53.055,91 pontos, seu 21º fechamento recorde em 2026 e o primeiro acima da marca de 53 mil. Nesta terça, o índice chegou a renovar a máxima intradiária logo na abertura, mas devolveu o movimento ao longo do pregão, operando perto da estabilidade, com viés levemente negativo.
O comportamento reforça um padrão já visto neste ciclo: o Dow, por ser um índice ponderado por preço e menos exposto a semicondutores do que o Nasdaq, tende a sofrer menos nos dias de correção em chips, mas também tem dificuldade de sustentar avanços quando o apetite por tecnologia esfria de forma abrupta.
Enquanto o índice se mantiver acima de 52.900 pontos, a estrutura de alta segue tecnicamente preservada. A perda desse patamar, especialmente puxada por nova fraqueza generalizada em semicondutores, abriria espaço para um movimento de correção mais amplo rumo à média móvel de curto prazo.
O Ibovespa fechou a segunda-feira (6) em queda de 0,93%, a 172.447,58 pontos, na contramão do otimismo em Nova York, refletindo a rotação global de fluxo para ações de tecnologia americanas em detrimento de blue chips locais. Nesta terça, o dólar recuou a R$ 5,1320, com o real entre as moedas emergentes de melhor desempenho no dia.
Os juros futuros fecharam em leve queda, acompanhando o alívio nos Treasuries americanos e a baixa do petróleo. O Boletim Focus trouxe um respiro adicional: a mediana de projeção do IPCA para 2026 recuou de 5,33% para 5,30%, interrompendo uma sequência de piora nas expectativas de inflação.
O mercado agora observa dois eventos-chave. A ata do Federal Reserve, na quarta-feira, será a primeira publicada sob a presidência de Kevin Warsh. Já o IPCA de junho, na sexta-feira, deve ajudar a definir se há espaço para mais um corte da Selic em agosto, mesmo com a taxa ainda em patamar elevado.
O índice chegou a marcar nova máxima intradiária, mas a fraqueza em semicondutores, que respondem por parte relevante do sentimento de risco em 2026, drenou o apetite comprador ao longo do pregão e devolveu boa parte do ganho inicial.
Segundo a Reuters, a DeepSeek estaria desenvolvendo um chip próprio de inferência para inteligência artificial, o que reduziria sua dependência de fornecedores como Nvidia e Samsung. A notícia reacendeu temores sobre concentração de fornecedores no setor.
Não há como saber ainda. Burry aposta em uma correção histórica baseada em ciclos passados, enquanto os números mais recentes de empresas como a Micron mostram demanda recorde no curto prazo. Os dois argumentos coexistem até que o ciclo se resolva.
A queda de 5% ocorreu apesar de recomendações positivas de casas como Morgan Stanley e Raymond James. Estreias em índices de referência costumam gerar volatilidade de curto prazo por ajustes técnicos de fundos passivos, independentemente do fundamento da empresa.
O Ibovespa fechou a segunda-feira em queda de 0,93%, a 172.447 pontos, na contramão de Wall Street. Nesta terça, o dólar recuou a R$ 5,1320, com o real entre as moedas emergentes de melhor desempenho, apoiado pelo alívio nos juros futuros.
A ata do Federal Reserve, na quarta-feira, é a primeira sob a presidência de Kevin Warsh. No Brasil, o IPCA de junho, na sexta-feira, deve indicar se há espaço para um novo corte da Selic em agosto.
Depende do perfil de risco e do horizonte de investimento. O setor segue com fundamentos de demanda fortes, mas a valorização acumulada em 2026 é expressiva. Esta não é uma recomendação de investimento: avalie com um assessor habilitado.
O pregão desta terça-feira resume o momento do mercado em 2026: um índice amplo tentando validar recordes, enquanto o motor que sustentou boa parte do rali, os semicondutores, mostra sinais de fadiga depois de uma valorização histórica. A aposta cética de Michael Burry contra o setor não invalida a força da demanda por memória e IA, mas serve de lembrete de que ciclos de alta acentuada tendem a vir acompanhados de correções igualmente rápidas. Para o investidor brasileiro, o recado é de atenção redobrada: BDRs de tecnologia, Ibovespa e câmbio devem continuar reagindo a cada nova notícia do setor até a ata do Fed, na quarta, e o IPCA de junho, na sexta.