Publicado em: 2026-07-07
Atualizado em: 2026-07-07
O IPO da OpenAI e Anthropic entrou no radar do mercado global depois que as duas empresas protocolaram pedidos de registro sigilosos na SEC, o órgão regulador dos Estados Unidos. Juntas, elas podem chegar à bolsa avaliadas perto de um trilhão de dólares cada, o que colocaria dois nomes de inteligência artificial entre as maiores estreias da história recente.
A resposta curta para quem acompanha o tema é que sim, as duas pretendem abrir capital, mas ainda não há data confirmada. A Anthropic pode estrear já no fim de 2026, enquanto a OpenAI deve seguir em 2027. Antes disso, porém, o investidor precisa entender por que esses IPOs despertam tanto entusiasmo e tanta cautela ao mesmo tempo.

O IPO da OpenAI e Anthropic nasce de um momento raro para o setor de inteligência artificial. A OpenAI foi avaliada em cerca de 852 bilhões de dólares em sua última rodada e mira uma estreia com valor de mercado próximo de um trilhão. A Anthropic, criadora do assistente Claude, alcançou avaliação de 965 bilhões de dólares em maio.
Esses números impressionam, mas ganham outra dimensão quando comparados à receita. O valor pretendido pela OpenAI equivale a cerca de cinquenta vezes sua receita anualizada, estimada em vinte bilhões de dólares no fim de 2025. No caso da Anthropic, o múltiplo passa de cem vezes o faturamento anual, um prêmio elevado sustentado pela expectativa de crescimento futuro.
Outro ponto que chama atenção é o tamanho da oferta. As duas empresas devem colocar no mercado apenas entre cinco e dez por cento de suas ações. Essa oferta reduzida, somada à demanda reprimida, pode fazer os papéis dispararem logo na estreia, algo semelhante ao que o mercado observou nas ações da SpaceX após o IPO. Movimentos parecidos aparecem em outras estreias aguardadas, caso dos planos do TikTok de abrir capital.
O apetite por essas ofertas reflete o peso da inteligência artificial na economia atual. A tese é que quem controla os modelos de linguagem mais avançados terá vantagem competitiva duradoura. Ainda assim, transformar liderança tecnológica em lucro consistente é um desafio que o mercado público costuma cobrar com rigor.
Apesar do entusiasmo, cresce a lista de dúvidas sobre a sustentabilidade desses negócios. O principal questionamento recai sobre o modelo de cobrança por tokens, no qual o cliente paga conforme o volume de uso. Executivos de grandes empresas passaram a considerar esse custo alto demais diante do retorno obtido.
Companhias como Uber, Microsoft, Salesforce e Meta já adotaram medidas para racionar o consumo de modelos avançados. Ao mesmo tempo, alternativas mais baratas, incluindo modelos abertos desenvolvidos na China, começaram a atrair parte da demanda corporativa, pressionando as margens das duas líderes americanas.
As críticas partiram até de dentro do próprio setor de tecnologia. O executivo à frente da Palantir afirmou publicamente que algo saiu errado com esse modelo de negócios. Para o investidor, o recado é claro, receita alta não significa, por si só, um caminho tranquilo até o lucro.
Há ainda o fator competição. O Google, com o Gemini, e a própria Anthropic, com o Claude, disputam mercado com a OpenAI, dona do ChatGPT. Manter a liderança exige investimento pesado e constante em capacidade computacional, o que ajuda a explicar por que ambas ainda operam com prejuízo mesmo faturando bilhões.
Muitos investidores procuram formas de entrar antes da estreia oficial, e é justamente aqui que os riscos aumentam. Surgiram no mercado tokens que prometem exposição indireta a essas empresas privadas, negociados em plataformas digitais. O problema é que essa estrutura não tem o aval das companhias.
Tanto a OpenAI quanto a Anthropic declararam que transferências de ações feitas por meio desses veículos são inválidas. As empresas alertaram que intermediários que vendem esse tipo de exposição podem estar cometendo fraude ou oferecendo um investimento sem valor real. Em maio de 2026, esses tokens chegaram a cair cerca de quarenta por cento.
Existem também fundos que detêm participações indiretas e servem de referência para o tema, mas eles carregam armadilhas próprias. Quando o preço do fundo sobe muito acima do valor real dos ativos, o investidor que entra apenas pela euforia corre o risco de ficar com o prejuízo quando o mercado se ajusta.
Por isso, tentar comprar ações antes do IPO por vias não oficiais é uma aposta arriscada. A importância da diversificação fica evidente nesse cenário, já que concentrar recursos em um único ativo ilíquido pode ampliar perdas em vez de proteger o patrimônio.
Enquanto OpenAI e Anthropic não estreiam em bolsa, o investidor que deseja acompanhar o tema pode olhar para empresas de tecnologia já listadas. Muitas delas fornecem a infraestrutura que sustenta a inteligência artificial, como chips, servidores e serviços de nuvem, e há inclusive quem estude como usar IA no trading para apoiar decisões, embora a tecnologia não substitua a análise própria.
Os nomes que fabricam os processadores por trás dos modelos de IA costumam concentrar boa parte dessa atenção. Para traders que querem acompanhar de perto esse movimento por meio de ações já negociadas, a página de stock CFDs da EBC reúne instrumentos como o NVDA.OQ, com execução disponível via MT4, MT5 ou o aplicativo da corretora.
Outra forma de acompanhar o setor sem depender de uma única empresa é observar os índices de tecnologia dos Estados Unidos. Eles reúnem dezenas de companhias em um só instrumento e distribuem o risco entre vários nomes, o que reduz o impacto de um resultado ruim isolado.

Vale lembrar que operar ações e índices por CFDs envolve risco e exige estudo. Comparar setores, entender o momento de cada empresa e conhecer as melhores ações de tecnologia ajuda a construir uma visão mais sólida antes de qualquer decisão.
O IPO da OpenAI e Anthropic promete ser um dos eventos mais aguardados do mercado nos próximos anos, mas entusiasmo e prudência precisam andar juntos. Avaliações que superam em muito a receita, modelos de negócio ainda em teste e a corrida por capital mostram que o caminho até a bolsa não será simples.
Para o investidor brasileiro, o mais sensato é evitar atalhos arriscados, como tokens sem respaldo, e priorizar informação de qualidade. Entender o setor, comparar oportunidades e agir com disciplina vale mais do que tentar antecipar uma estreia cercada de incertezas.
Se esta análise despertou seu interesse pelo setor de tecnologia, vale conhecer formas de acompanhar o tema de maneira diversificada. Traders que buscam exposição ampla às maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos podem explorar as especificações dos índices na página de índices CFDs da EBC, que reúne referências como o Nasdaq 100, com acesso via MT4, MT5 e TradingView. Consulte sempre as condições atuais na página do produto antes de operar.
A Anthropic pode estrear em bolsa já em outubro de 2026, enquanto a OpenAI tende a seguir em 2027, segundo o cronograma indicado pelo mercado.
É o pedido de registro sigiloso enviado à SEC, que permite à empresa preparar o IPO sem divulgar de imediato seus dados financeiros ao público.
São tokens que prometem exposição indireta a empresas privadas por meio de veículos chamados SPVs. OpenAI e Anthropic declararam essas transferências inválidas.
O valuation reflete o preço pago por investidores privados, e a receita é o faturamento real. Nos dois casos o múltiplo supera cinquenta vezes a receita.
É a cobrança por uso, na qual o cliente paga pelo volume de tokens processados. O custo elevado tem levado empresas a racionar o consumo.