Publicado em: 2026-08-07
Atualizado em: 2026-08-07
O Bradesco reportou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 16,2% ante o mesmo período de 2025 e acima do consenso da LSEG, de R$ 6,95 bilhões. Foi o décimo trimestre seguido de crescimento do lucro do banco. Mesmo assim, a ação BBDC4 segue no vermelho no acumulado do ano, e o próprio CEO chamou o papel de descontado. A pergunta que fica para o investidor é direta: é hora de comprar?
O resultado consolida a recuperação conduzida por Marcelo Noronha desde o início do processo de turnaround. O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado (ROAE) chegou a 16,2%, avanço de 1,6 ponto percentual na comparação anual e o maior nível da série recente. A carteira de crédito expandida encerrou junho em R$ 1,14 trilhão, crescimento de 11,6% em doze meses, dentro do intervalo de guidance mantido pelo banco para 2026.
O contraponto veio das provisões. A despesa com PDD expandida somou R$ 10 bilhões, alta de 22,6% ano a ano, pressionada por operações de capital de giro com garantias e por programas emergenciais como FGI e FGO. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,3%, ante 4,1% um ano antes. É esse equilíbrio entre crescimento de crédito e custo de risco que vai definir se o mercado finalmente reprecifica o papel.
Antes da divulgação, a XP projetava lucro líquido de R$ 7,0 bilhões, alta de 15% ano a ano. O consenso da Bloomberg apontava R$ 6,9 bilhões e o da LSEG, R$ 6,95 bilhões. O resultado real de R$ 7,05 bilhões ficou acima de todas as três referências, reforçando a leitura de que o Bradesco tem sido a principal surpresa positiva da temporada de balanços dos bancões.
A rede física continuou encolhendo: o Bradesco fechou junho com 1.844 agências, ante 1.938 em março, movimento típico de digitalização que ajuda a explicar a melhora do índice de eficiência. Do lado dos seguros, o resultado também surpreendeu: o grupo segurador lucrou R$ 2,9 bilhões, alta de 28,3% ano a ano, com ROAE de 22,8%, patamar bem acima do banco como um todo.
Apesar do décimo trimestre seguido de melhora, a BBDC4 acumula desvalorização superior a 3% em 2026. Parte da cautela vem do aumento das provisões e da alta da inadimplência, que fizeram o mercado temer um contágio de qualidade de ativos depois de resultados fracos do Santander (SANB11), banco com carteira de perfil parecido. Até aqui, o próprio Bradesco reconhece a deterioração de risco no cenário macro, mas mantém o guidance de crédito para o ano.
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O CEO Marcelo Noronha respondeu diretamente à cautela do mercado. Segundo ele, o Bradesco está descontado e o preço atual não reflete a transformação em curso, apoiada em um balanço mais forte, rentabilidade em recuperação e mais de 800 iniciativas internas de eficiência. Essa confiança também explica o recente aumento de capital de R$ 8 bilhões aprovado pelo banco, um movimento lido pelo mercado como sinal de robustez patrimonial, não de fragilidade.
Noronha também tentou desarmar o receio sobre crédito. Para ele, parte do avanço das provisões é natural diante do crescimento da carteira e das novas regras contábeis da Resolução 4.966, e não um sinal de deterioração estrutural. Ele citou ainda que a inadimplência do consignado privado do banco está hoje em cerca de metade da média de mercado, um ponto a favor da qualidade da carteira mais recente.
O crescimento mais acelerado em MPMEs ajuda a explicar o avanço proporcional maior das provisões nesse segmento, já que operações de capital de giro com garantia têm dinâmica própria de recuperação. Ainda assim, o banco reforça que a inadimplência segue dentro do esperado para o ritmo de expansão da carteira, sem sinais de deterioração fora do padrão histórico.
No gráfico diário, a BBDC4 vem de um topo em R$ 22,14 e passou por uma estrutura corretiva desde então, encontrando suporte na região de R$ 17,15. Na véspera do balanço, o papel fechou em alta de 0,65%, a R$ 18,56, mas perdeu força após a divulgação dos números, voltando a operar próximo da faixa de R$ 17,60 a R$ 18,05 nesta quinta-feira (06). A resistência imediata está em R$ 19,16.
Leitura técnica objetiva: o papel opera dentro do range formado entre R$ 17,15 e R$ 19,16, sem tendência definida no curto prazo após o balanço. Como o movimento pós-resultado é motivado por um evento fundamentalista, e não por um padrão gráfico prévio, a confirmação de qualquer direção exige volume consistente acima da resistência ou abaixo do suporte, não apenas o ruído da primeira sessão de reação.
Mercado passa a validar a tese do CEO de que o banco está descontado. Suporte de R$ 17,15 segura, papel rompe R$ 19,16 com volume e caminha para testar a resistência de R$ 22,14 nos trimestres seguintes.
Lucro segue crescendo, mas o mercado quer mais trimestres de confirmação sobre o custo de crédito. BBDC4 opera lateralizada entre R$ 17,15 e R$ 19,16 até o próximo balanço trazer mais clareza.
Juros altos, eleições e piora do cenário de guerra elevam PDD além do projetado. Papel perde o suporte de R$ 17,15 e retesta a mínima de 52 semanas, próxima de R$ 15,25.
O Bradesco reportou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 16,2% em relação ao mesmo período de 2025. O número superou o consenso da LSEG (R$ 6,95 bi) e da Bloomberg (R$ 6,9 bi), marcando o décimo trimestre seguido de crescimento do lucro.
O aumento de 22,6% nas provisões (PDD) e a alta da inadimplência para 4,3% deixaram parte do mercado cauteloso, especialmente após resultados fracos do Santander no mesmo trimestre. A ação BBDC4 acumula queda superior a 3% em 2026 apesar da melhora consistente do lucro.
É o total de operações de crédito do banco, incluindo garantias e avais, não apenas empréstimos tradicionais. No 2T26 somou R$ 1,14 trilhão, alta de 11,6% em doze meses, dentro do guidance de 8,5% a 10,5% mantido pelo Bradesco para 2026.
Segundo o banco, parte do avanço reflete o próprio crescimento da carteira e novas regras contábeis, não necessariamente deterioração. A inadimplência do consignado privado, por exemplo, está em cerca de metade da média de mercado, o que sugere seletividade na originação recente.
Marcelo Noronha argumenta que o mercado ainda avalia o Bradesco com base no desempenho passado, enquanto o banco já opera sob uma lógica de balanço mais forte e rentabilidade em recuperação, apoiada por mais de 800 iniciativas internas de transformação.
O papel opera em zona técnica de indefinição, entre o suporte de R$ 17,15 e a resistência de R$ 19,16. Esta não é uma recomendação de investimento: avalie com seu assessor se o risco-retorno se encaixa no seu perfil e horizonte.
O Bradesco foi apontado por XP e Itaú BBA como a principal surpresa positiva da temporada entre os grandes bancos. O contraste ficou mais evidente após o Santander (SANB11) decepcionar no mesmo período, o que acendeu um alerta preventivo sobre qualidade de crédito no setor.
O Bradesco costuma divulgar seus resultados trimestrais nas primeiras semanas de novembro, fevereiro, maio e agosto. O balanço do terceiro trimestre de 2026 deve, portanto, ser divulgado no início de novembro, servindo como o próximo catalisador para o papel.
O Bradesco entregou o balanço que o mercado esperava: lucro acima do consenso, ROAE em expansão e crédito crescendo dentro do guidance pelo décimo trimestre seguido. O que ainda falta é o mercado validar essa consistência no preço. Enquanto isso não acontece, BBDC4 segue presa entre o suporte de R$ 17,15 e a resistência de R$ 19,16, com o aumento das provisões como principal ponto de atenção para quem acompanha a qualidade da carteira.
Para o CEO Marcelo Noronha, o desconto atual não reflete mais a realidade operacional do banco, argumento reforçado pelo aumento de capital de R$ 8 bilhões aprovado recentemente. Para o investidor, a decisão final depende de quanto peso dar à melhora fundamentalista frente à cautela ainda embutida no preço. O próximo balanço, previsto para o início de novembro, deve trazer mais clareza sobre qual dos dois lados está certo.
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